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Biossegurança : de quem e o compromisso pelo cuidado seguro?

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Academic year: 2021

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UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA CATARINA

9

MESTRADO INTERINSTITUCIONAL

EM ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM

CONVÊNIO UFSC/UFM T

BIOSSEGURANÇA: D E QUEM Ê O

COM PROM ISSO PELO CUIDADO

SEG U R O ?

JOCELI FERNANDES ALENCASTRO BETTINI DE

ALBUQUERQUE LINS

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UNIVERSIDADE FEDERAL D E MATO GROSSO

FACULDADE DE ENFERMAGEM E NUTRIÇÃO

PROGRAMA DE MESTRADO INTERINSTITUCIONAL EM

ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM

CONVÊNIO U F SC /U F M T

-BIOSSEGURANÇA: DE QUEM É O

COMPROMISSO PELO CUIDADO

SEGURO?

JOCBLI FERNANDES ALENCASTRO BETTINI DE

ALBUQUERQUE LINS

ORIENTADORA: DRA. ALACOQUE LORENZINI ERDMANN

CO-ORIENTADORA: DRA. MAGDA RO JAS YOSHIOCA

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As m ed id as de b io sse g u ra n ç a oferecem a proteção a d e q u a d a p a r a a p re sta ç ã o do cu id ad o de enferm agem ao s p a c ie n te s p a ra o tra b a lh a d o r q u e o executa. E n tre ta n to , existe a p o ssibilidade de riscos o cu p acio n ais caso elas forem u s a d a s incorretam ente, devido a fato res relacionados à s condições de tra b a lh o e ao s próprios m em bros d a equipe de enferm agem . O p re sen te e stu d o propõe u m a m etodologia reflexiva, a tra v é s do diálogo em gru p o , com o objetivo de d e sv e n d a r o enten d im en to q u e o s co m p o n en tes d a equipe p o ss u e m com relação à b iossegurança, in stru m e n ta liz a n d o -o s p a ra a p o n ta re m o s p ro b lem as q u e podem te r relação com a utilização in a d e q u a d a d e s ta s m ed id as, b em como form as p a ra m elhorá-las. Os re s u lta d o s m o stra ra m que a s condições de tra b a lh o e as condições p esso a is e profissionais dos tra b a lh a d o re s de enferm agem interferem n o oferecim ento do cuidado e podem levar ao u so incorreto d a s m edidas de b io sse g u ra n ç a . O processo reflexivo utilizado m o stro u se r eficaz p a ra o alcance dos objetivos p ropostos, conform e avaliação d a s p e ss o a s p articip an tes do g ru p o do estu d o .

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The biosafety m a n a n g e m e n ts offers a n a d e q u a te protection for th e in s ta lm e n t of n u rs in g care for th e p a tie n ts, a n d to th e w orker th a t does it. N everthless, th e re a re possibilities of o ccu p atio n al ris k s in case they care u s e d w rongly, b e c a u se of facts relationed to w ork c o n d itio n s a n d th e m em bers of th e n u rs in g group. The p re s e n t stu d y show s a reflexive methodology, th ro u g h g ro u p dialogue, w ith th e odjective of in stru m e n ta liz e th e group m em b ers to th in k a b o u t th e biosafety m a n a n g e m e n ts a n d show s problem s th a t c a n have re la tio n s w ith th e w rong utilization of th e s e m an ag em en ts, a s w ell a s w ays to m ak e th e m better. The re s u lts show th a t w ork, p erso n al a n d pro fesio n al co n d itio n s form th e n u rsin g w orkers in terfers on th e offer to care, a n d c a n go to th e w rong u s e of biosafety m a n a n g e m e n ts. The reflexive p ro c e ss u se d , show ed to be effective to re a c h th e objectives proposed, acco rd in g to th e ev alu atio n form th e m em bers of th e s tu d y group.

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1 - DELINEANDO O PROBLEMA

A tuam os como enferm eira d a á re a m édico-cirúrgica h á treze an o s. D estes, oito a n o s foram dedicados ao c u id ad o de p a c ie n te s de clínica m édica, sendo su p e rv iso ra d a equipe de enferm agem d u ra n te b o a p arte do tem po. D esde e s s a época, crem os que o cu id ad o oferecido ao p aciente é a p rin c ip a l atividade d a equipe de enferm agem , sen d o n ecessário nos m a n te rm o s atu alizad o s q u a n to à m elhor form a de realizá-lo.

Nosso in te re sse p ela b io sse g u ra n ç a su rg iu n o final d a d é c a d a d e 80, q u a n d o fom os c a p a c ita d a s p a ra p re s ta r a te n d im e n to a p acien tes p o rta d o re s do V írus d a Im unodeficiência H u m a n a (HIV), c a u s a d o r d a AIDS. N essa época, oferecem os tre in a m e n to s sobre o a s s u n to ao s tra b a lh a d o re s de en ferm ag em de vários h o sp itais. D u ra n te esse período, ela e ra p reco n izad a pela utilização d a s M edidas de P recauções U niversais, p reco n izad as pelo C enters for D iseases Control a n d Prevention - CDC de A tlanta, EUA, desd e o ano de 1987, e ad o ta d a s pelo M inistério d a S aúde do B rasil. A tualm ente, são d e n o m in a d a s P recau çõ es-p ad rão (G am er, 1996, Leão & G rin b a u n , 1997).

C onsideram os que o tem a b io sse g u ra n ç a refere-se à provisão de m odos b a sta n te seg u ro s e eficazes de prevenção c o n tra riscos o c u p acio n ais e acid en tes de tra b a lh o d en tro do am b ien te h o sp ita la r. T am bém é u m a fo rm a de prevenir infecções h o sp italares, e deveriam s e r a d o ta d a s p o r to d o s os profissionais d a sa ú d e d u ra n te o a te n d im e n to de q u a lq u e r p acien te, in d ep en d en te d a s u a patologia, pois q u a lq u e r p e ss o a pode se r p o ten cialm en te

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risco ocupacional pode e s ta r relacionado ao m a n u se io de p acien tes, m ateriais, p ro d u to s quím icos ou eq u ip am en to s, que p odem levar à o co rrên cia de acid en tes de tra b a lh o , refletindo em s u a vida p e sso a l e profissional. Neste e stu d o , ab o rd arem o s esp ecificam en te o risco o cu p acio n al relacionado com os m ateriais biológicos, o riu n d o s do p acien te ou do am b ien te.

Souza & V iana (1993) enfatizam que o risco ocu p acio n al é elevado p a ra profissionais de sa ú d e . R eferem -se ao alto índice de a c id e n te s de tra b a lh o que ocorrem nos co m p o n en tes d a equipe de enferm agem , p rin cip alm en te relacionados ao m a n u se io de objetos p é rfu ro -c o rta n te s d u ra n te a realização do cuidado ao paciente. E n tre ta n to ta is acid en tes p o d eriam se r evitados, em p arte, com a utilização c o rre ta d a s m ed id as de p recau ção . As a u to ra s co m en tam ain d a, q u e ta is a c id e n te s a c a rre ta m v ários prejuízos, ta n to p a ra a in stitu ição q u a n to p a ra os colegas de tra b a lh o e, p rin cip alm en te, p a ra o próprio funcionário.

O u tros a u to re s, com o Dwyer (1991) e Pires (1992) relacio n am o acid en te de tra b a lh o com c a u s a s sociais, ou seja, com o m odo como o tra b a lh o é vivenciado pelos p ro fissio n ais d a s a ú d e e gerenciado pelos a d m in istra d o re s, no to can te à s condições de tra b a lh o oferecidas ao tra b a lh a d o r.

C oncordando com Lentz (1996, p. 34), a c re d ita m o s que a enferm agem , d en tre a s profissões d a á re a de sa ú d e , é a que e s tá su je ita a “... u m a m aior exposição a m a te ria is biológicos p o ten cialm en te tra n sm isso re s de ag en tes infecciosos ... devido ao co n tato íntim o e freq ü en te com os p a c ie n te s”. P ortanto, a utilização d a s m ed id as de proteção individual p o r todos aq u eles que com põem a equipe de enferm agem é de s u m a im p o rtâ n c ia p a ra a realização do cuidado seguro e envolve p rin cip alm en te o cu id ad o consigo m esm o.

Em n o ss a experiência profissional, p u d em o s p erceb er que n e m todos os profissionais d a sa ú d e u tilizam a d e q u a d a m e n te a s m ed id as de b io sseg u ran ça, especialm ente com p a c ie n te s n ão sa b id am en te p o rta d o re s do HIV. T am bém é freqüente ouvirm os do p esso al de enferm agem q u e stio n a m e n to s sobre o

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seg u im en to correto d as n o rm a s de isolam ento in stitu íd a s, q u e g e ra lm e n te são re s p e ita d a s a p e n a s p ela enferm agem . Tal fato c e rta m e n te pro v o ca o d e se stím u lo em relação ã u tilização a d e q u a d a dos EPIs, u m a vez q u e o b serv am o u tro s m em b ro s d a equipe de s a ú d e utilizando-os in a d e q u a d a m e n te o u n ão u tilizan d o -o s. D este modo, c o n sta ta m o s que, a p e s a r dos co m p o n e n te s d a eq u ip e de enferm agem terem recebido inform ações n e c e ssá ria s p a r a a p re s ta ç ã o de u m cuidado seguro, ta is como o uso de luvas, m á s c a ra e /o u a v e n ta l d u ra n te atividades de cu id ad o de enferm agem com risco de c o n ta m in a ç ã o po r m aterial biológico, e s ta s p arecem n ã o fazer p a rte do c o tid ian o do trab alh o d a enferm agem .

B u scan d o co m p reen d er os a sp ecto s relacionados com a utilização in a d e q u a d a d a s m edidas de b io sse g u ra n ç a pela equipe de enferm agem , realizam o s e stu d o s referen tes ao a s s u n to d u ra n te a P rática A ssisten cial de E nferm agem , ocorrida no prim eiro se m e stre de 1997. E sta teve com o objetivo a pro p o sição de ações e d u cativ as q u e levassem os com ponentes d a eq u ip e de enferm agem à reflexão sobre o te m a su p racitad o . D ando c o n tin u id a d e a e s ta p rá tic a , p ro p u sem o s a an á lise dos d a d o s coletados p a ra m aio r a p ro fu n d a m e n to d o s a c h a d o s, que c o n stitu e m o p re s e n te estu d o . P ara ta n to , o p ta m o s pela u tilização d a abordagem q u a lita tiv a de p esq u isa, p o r e s ta p o ss ib ilita r a p ro d u ç ã o de d ad o s descritivos q u e enfatizam a im p o rtân cia de “se co n h ecer, e n te n d e r e in te rp re ta r a c u ra d a m e n te a n a tu re z a d a s situ a ç õ e s e e v en to s”. (G u ald a et al., 1995, p. 298). N esta abordagem , o significado d o s a c h a d o s p o s s u i im p o rtân cia vital n a investigação. (Bogdan & Biklen, 1994; M inayo,

1994).

C rem os que a m elh o r m a n e ira de realizar o processo ed u cativ o seja refletindo e ap o n tan d o os p ro b lem as que podem interferir no oferecim ento do c u id ad o de enferm agem , sejam eles in te rn o s ou externos ao grupo. O p ro cesso reflexivo facilita a in teração e a com unicação d en tro do g ru p o e a te n u a os conflitos vivenciados no cotidiano do trab alh o . Além disso, p o d e s e r u m a o p o rtu n id a d e de p ro p o rcio n ar a c o n stru ç ã o do conhecim ento coletivo a tra v é s de experiências individuais c o m p artilh ad as. D esta form a, com e s ta m etodologia, p en sam o s s e r possível delin ear novos c a m in h o s a serem

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perco rrid o s n a ed u cação em serviço. E s ta pode s e r u m a form a de p ro p o rcio n a r m aior conscientização dos p ro fissio n ais de enferm agem so b re a re sp o n sa b ilid a d e técnica e ética p a r a o c u id a d o ao s p acientes, q u e envolve o cu id ad o consigo m esm o e com os o u tro s.

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2 - ENTENDENDO E REFLETINDO SOBRE O TRABALHO EM EQUIPE,

A BIOSSEGURANÇA E FORMAS DE RETOMÁ-LA

2 .1 - ENTENDENDO COMO OCORRE O TRABALHO DA ENFERMAGEM:

A enferm agem se in stitu cio n alizo u e n q u a n to profissão no século XVIII, com o advento do cap italism o , q u an d o os h o sp ita is p a s s a ra m a se rem locais de aten d im en to a p e ss o a s d o e n te s o riu n d a s d a co m u n id ad e, com a finalidade de c u ra p a ra a s d o en ças. D esde esse período ela e s tá v in c u la d a ao s a b e r m édico, com p rep aro técnico pró p rio p a ra se u d esem p en h o , prin cip alm en te aq u ele relacionado à s ativ id ad es m a n u a is. A a d e q u a ç ã o de s u a p rá tic a ocorre n a m edida em que ela se s e p a ra dos leigos e religiosos, q u e a exerciam a té e n tã o , e a ssu m e a s fu n çõ es té c n ic a s, a p a rtir do tra b a lh o realizado p o r Florence Nightingale. (Melo, 1986).

O tra b a lh o de enferm agem tem sido realizado, d en tro do esp aço h o sp italar, p o r u m a eq u ip e de p e sso a s com form ação esco lar diferenciada. E s ta é c o n stitu íd a p o r p ro fissio n ais enferm eiros, q u e p o ssu e m nível su p e rio r de escolaridade, p o r técn ico s e au x iliares de enferm agem , p o ssu in d o nível m édio e p o r a te n d e n te s de enferm agem e /o u au x iliares de serviços diversos q u e g eralm ente p o ssu e m a p e n a s o nível e le m e n ta r de escolaridade. E ste tra b a lh o , segundo F a ria (1995), e s tá inserido no p ro cesso de trab alh o d a s a ú d e , com um ente ligado “à s c a ra c te rístic a s d a organização dos serviços de s a ú d e e ao c a rá te r hegem ônico do s a b e r n a sa ú d e ” (p. 48), ou seja, ele a in d a e s tá ligado ao sa b e r m édico, q u e d e te rm in a como deve s e r realizado, n a m aio ria d a s in stitu içõ es de s a ú d e b rasileiras.

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Melo (1986) refere que o m odelo de a d m in istra ç ã o d a s u n id a d e s h o sp ita la re s e do próprio h o sp ital n o s m oldes que hoje podem os o bservar, tiveram origem com o p ro cesso de p ro d u ção c a p ita lista , b asead o n a s id éias de Taylor e Fayol, sobre a a d m in istra ç ã o de serviços. E s ta visão p ro p o rcio n o u o su rg im en to de u m a c rescen te divisão técn ica do tra b a lh o . Na enferm agem , caracterizo u -se pela diferenciação d a força de tra b a lh o conform e a s categ o rias s u p ra c ita d a s , que form am a equipe de enferm agem .

A divisão do tra b a lh o n a enferm agem originou-se com Florence N ightingale, no século p a ssa d o . Além de o rg an izar o tra b a lh o , e la ta m b é m d eterm in o u a organização do am b ien te de cuidado ao s p acien tes. E s ta in c lu ía a p a rte d a lim peza e d a higiene dos q u a rto s e a organização d a s p e s s o a s que p re sta v a m aten d im en to a o s m esm os. S u rg iram e n tã o a s

nurses

e a s

ladie-

nurses,

a h ie ra rq u ia e o po d er d iscip lin ar n a profissão. As

nurses

e ram serviçais execu to ras d a s ativ id ad es de cuidado ao p acien te; a s

ladie-nurses

e ram a s su p e rv iso ra s /o rie n ta d o ra s do cu id ad o e organização realizad o s (Melo, 1986, Alm eida & Rocha, 1989).

A lmeida & R ocha (1989) fazem u m a retro sp ectiv a sobre a organização do tra b a lh o de enferm agem , no q u a l m o stra que o a te n d im e n to d e enferm agem b a se a d o em técn icas originou-se, ou m elhor, foi organizado n o início d este século, n o s E stad o s U nidos. N essa época, o tra b a lh o e ra subdividido e realizado p o r ta re fa s e p rocedim entos, sem c e n tra r-se no p acien te, q u e r dizer, u m m esm o p aciente e ra a ssistid o por vários elem en to s d a enferm agem . Os p roced im en to s realizados e ram o riu n d o s d a prescrição m édica e d aq u eles n e c e ssá rio s p a ra a higiene p esso al e do am b ien te do paciente. E ste to m o u -se u m m eio de tra b a lh o q u e e ra su p o rte ao tra b a lh o m édico, inclusive com especializações conform e su rg ia m a s especializações m édicas.

E stes a u to re s definem a s técn icas como u m a “se q ü ê n c ia d e p a sso s, ritu a is ex p resso s p o r n o rm a s e ro tin a s” (Almeida & Rocha, 1989, p. 35), que to m a ra m -s e o meio de tra b a lh o d a enferm agem d esd e q u e su rg ira m , com a finalidade de d a r c o n ta d a g ran d e d e m a n d a de c u id ad o s d e enferm agem su p erv isio n ad o s p o r enferm eiros, além de racio n alizar os g asto s e a u m e n ta r a produção.

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A m odalidade de tra b a lh o em equipe n a enferm agem su rg iu n a d é c a d a de 4 0 , “p ro cu ran d o d a r u m c u n h o científico e hum anizá-lo, a s s im com o h u m a n iz a r o cuidado ao p ac ie n te ” (Almeida & Rocha, 1989, p. 63). E n tre ta n to , sofreu influências d a organização do tra b a lh o , de m odo que o tra b a lh o foi delegado ao s vários elem en to s q u e com põem a equipe de enferm agem , sen d o n e c e ssá rio s c a n a is eficientes de com unicação:

“O s e u objeto de trabalho, q u e é o cu id a d o ao p acien te, ser á realizado p elo s a ten d en tes e a u x ilia res que u sa rã o o s c a n a is de co m u n ica çã o com petentes p ara que a enferm eira p o s s a ser c o m u n ica d a sobre a evolução do p a cien te e p ara q u e p o s s a fazer o plan o a s sis te n c ia l a ser executado p elo s fu n cio n á rio s”. (Almeida & R ocha, 1 9 8 9 , p . 65).

A lmeida & Rocha (1989) criticam o tra b a lh o em equipe n a enferm agem , afirm an d o que este fica a p e n a s no nível d iscursivo e que n a p rá tic a o que podem os ver é a m odalidade p o r ta re fa s. C oncordam os com ta l afirm ação , pois a in d a hoje, n a m aioria d o s h o sp ita is, e s ta e s tr u tu r a de c u id ad o a in d a e s tá p re sen te .

F erreira, ao escrever a in tro d u ç ã o do livro “A L o u cu ra do T rab alh o ”, de D ejours (1992), co m en ta q u e e ste teórico en te n d e q u e a o rg an ização do tra b a lh o ex trap o la a s u a m e ra divisão e inclui, so b retu d o , a divisão dos h o m en s, atrav és d a h ie ra rq u ia , d a re p a rtiç ã o de resp o n sa b ilid a d e s e de u m siste m a de controle p a ra a execução do tra b a lh o . Isto n ão foge d a organização do tra b a lh o p resen te n o s h o sp ita is q u e conhecem os.

Na realidade b rasileira, o tra b a lh o de enferm agem pode s e r e n c o n tra d o com form as v ariad as de ações de cuidado:

• aq u elas que são realizad as de acordo com a qualificação p rofissional de quem a ex ecu ta, n a q u a l os a te n d e n te s, categ o ria q u e deveria

te r sido ex tin ta em 1996, a in d a exercem em m u ito s h o sp itais, o s cu id a d o s relacio n ad o s à higiene e conforto; os técnicos e au x iliares de enferm agem m in is tra m m edicação e ex ecu tam ativ id ad es de cu id ad o s m ais elab o rad o s, com o curativos; e os enferm eiros sã o os resp o n sáv eis pelos c u id a d o s m ais com plexos e pela a d m in istração d a u n id a d e e supervisão d a s a tiv id a d e s dos técnicos, auxiliares e a te n d e n te s de enferm agem . Os c u id ad o s m a is com plexos a b ra n g e m o cuidado ao s p a c ie n te s graves, so n d ag en s e c u ra tiv o s m ais

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especializados, conform e preconizado n a Lei do Exercício Profissional - Lei n° 7498, de 2 5 / 0 7 / 8 6 e reg u lam en tad o pelo D ecreto n° 94.406, de 0 8 / 0 7 / 8 7 ;

• açõ es de cuidado integral, sen d o q u e o auxiliar, o

técnico ou o

enferm eiro a s s u m e o p acien te de fo rm a to tal, realizando desde os c u id a d o s de higiene a té aq u e le s m ais com plexos. O enferm eiro a in d a é resp o n sáv el pelo p lan ejam en to e controle d a s atividades de s u a equipe;

• açõ es de cuidado especializado, g eralm ente em u n id a d e s de a te n d im e n to especializadas, ta is com o cardiologia, nefrologia, d e n tre o u tro s, realizad a p o r u m a equipe p ela q u al o enferm eiro tam b ém é responsável.

E n tre ta n to , n ão é raro e n c o n tra rm o s o técnico e o a u x ilia r de enferm agem ex ecu tan d o ações q u e se ria m de co m petência do enferm eiro. Isto talvez a c o n te ç a p o r vários m otivos, d e n tre eles:

• h ierarq u ização do tra b a lh o de enferm agem , com divisão d e ta re fa s e escassez de p esso al qualificado n a s in stitu iç õ e s de saú d e, p rin c ip a lm e n te p a rtic u la re s, p a ra a te n d e r à d e m a n d a de p acien tes, esp ecialm en te do enferm eiro, q u e p o r s e r de nível su p e rio r, recebe salário m ais elevado;

• in te re ss e no lucro, p o r p a rte d a ad m in istração d o s h o sp ita is, p rin cip alm en te p a rtic u la re s que g eralm en te prevêem a dim inuição de g a sto s com p e sso a l qualificado, p o r d e sco n h ecer a re a l possibilidade de a tu a ç ã o do enferm eiro;

• n ã o visualização do tra b a lh o do enferm eiro como n ecessário p o r p a rte d a a d m in istra ç ã o do hospital, ou seja, tra b a lh a -s e bem se m tê-lo n a in stitu iç ã o , m esm o q u e a qu alid ad e do c u id ad o oferecido não seja a ideal;

• envolvim ento do enferm eiro n o s procedim entos de ação m éd ica (K urcgant e t al, 1996), ou seja, o enferm eiro disp en d e p arte d e s e u tem po p re p a ra n d o ou aco m p an h an d o p ro ced im en to s de ação médica;

• acú m u lo de trab alh o , devido ao n ú m e ro insuficiente d e p e sso a l de enferm agem e ao alto índice de ab se n te ísm o , principalm ente n o s h o sp ita is públicos.

Q u an d o esse s fatores ocorrem c o n ju n tam en te, a p re m is s a d a organização do trab alh o , conform e e n te n d id a po r D ejours (1992), pode ac o n te c e r e d e se n c a d e a r problem as relacio n ad o s ao gerenciam ento e execução d a s ativ id ad es de cuidado, in e re n te s ao p ro cesso de trab alh o d a enferm agem .

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E n ten d em o s o p rocesso de tra b a lh o d a enferm agem como u m p ro cesso coletivo e relacionai, executado por u m g ru p o de p esso as de form ação diferenciada d en o m in ad o equipe de enferm agem , q u e ocorre d a seg u in te form a: o objeto de tra b a lh o d a enferm agem é o c u id ad o oferecido ao paciente, devendo se r realizado de form a com petente e com se g u ra n ç a ; os m eios ou in s tru m e n to s de tra b a lh o e stã o relacio n ad o s ao p lan ejam en to , ao s m étodos de c u id ad o realizados e ã avaliação de s u a eficácia, b a se a d o s em princípios éticos e técnicos in e re n te s à profissão. A finalidade do tra b a lh o d a enferm agem diz respeito à to d a ação q u e beneficie o p acien te, seja ela ed u cativ a ou n ão , d ecorrente do c u id ad o realizado. No n osso c aso específico, o cuidado oferecido ao pacien te hospitalizado, pode s e r afetado p o r a sp e c to s relacio n ad o s ao próprio grupo e à s p e sso a s que o com põem , à política d a in stitu ição e ao m odo de g erenciam ento e de a d m in istração d a eq u ip e de enferm agem .

E n ten d em o s p o r equipe u m grupo de p e ss o a s q u e tra b a lh a m n u m m esm o am b ien te, q u e p o ssu i c a ra c te rístic a s p ró p ria s, d e n tre elas te r objetivo com um p a ra o tra b a lh o , in teração en tre s e u s m em b ro s, aceitação de c a d a u m ta l como é, com se u m odo de vida e s e u s v alo res p esso ais. P ara q u e se ja u m a equipe, a in d a deve ex istir em patia, sin to n ia, cu m p licid ad e p a ra o tra b a lh o , zelo pelo q u e se faz e pelos o u tro s, além de in te re sse p a r a realizar as ativ id ad es em grupo.

P a ra a enferm agem co n sid eram o s ta is c a ra c te rístic a s com o fu n d am en tais, pois o tra b a lh o deveria o co rrer p re d o m in an tem en te em equipe, p a ra q u e a s ativ id ad es de todos os tu rn o s fossem c o n tin u a d a s sem p rejuízos p a ra o p acien te ou p a r a a in stituição. E n tre ta n to , existem e q u ip es q u e funcionam a p e n a s com o g ru p o s de tra b a lh o , p o r n ã o terem a s c a ra c te rís tic a s d escritas acim a. O q u e im pede que u m g ru p o n ã o se tran sfo rm e em equipe é a falta de objetivos c o m u n s p a ra o trab alh o , a p e s a r de ex istir a n e c e ssid a d e de respeito m ú tu o e d a interação. D entro d a enferm agem , é m ais co m u m en co n trarm o s g ru p o s do que equipes. P a ra q u e e ste s se to m e m eq u ip es, é necessário b o a vo n tad e, in teresse do g ru p o em m u d a r e cap a c id a d e de lid eran ça e de co m u n icação do enferm eiro.

A equipe de enferm agem caracteriza-se p o r ser, geralm ente, o ú n ico grupo de tra b a lh a d o re s, n a á re a h o sp italar, q u e p erm an ece as vinte e q u a tro h o ra s do d ia ju n to ao s p acientes, em tu rn o s de seis ou doze h o ras. E x ecu tam

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ativ id ad es conform e p lan ejad o pelo enferm eiro. E ste p lan ejam en to pode e s ta r escrito no p ro n tu ário , sob form a de prescrição de enferm agem , no caso de ex istir m etodologia de a s s istê n c ia , ou p o r esc a la de ta re fa s, seg u in d o n o rm a s e ro tin a s. O tra b a lh a d o r de enferm agem vivência se u tra b a lh o de m a n e ira ro tin eira, no q u al a s ativ id ad es b á sic a s de cu id ad o são realizad as d iariam en te. E xistem a in d a o u tra s, específicas, q u e são p re s c rita s pelo enferm eiro conform e a n ecessid ad e a p re s e n ta d a pelo p acien te in d ividualm ente, que é b a s e a d a em avaliação realizada ju n to ao m esm o.

G eralm ente, p a ra facilitar e s s a s atividades, os m em b ro s d a equipe podem se dividir de d u a s form as: n a p rim eira resp o n sab ilizan d o -se pelo cu id ad o de d eterm in ad o n ú m e ro de p acien tes, b ase a d o em ro tin a s d e te rm in a d a s p a ra a u n id a d e e /o u ex ecu tan d o a p rescrição do m édico e do enferm eiro, no q u a l a p e n a s u m a p e ss o a a s s u m e a m edicação e o cu id ad o direto. N este caso os p a c ie n te s são divididos eq ü itativ am en te e n tre o p e sso a l de nível m édio p a ra a realização d e s te s cu id ad o s e o p esso al de nível ele m e n ta r fica responsável a p e n a s p ela higienização do paciente. Na se g u n d a , dividindo- se p o r ta re fa s de cuidado, e n tre a m in istra ç ã o de m edicações e o c u id ad o direto a o s m esm os. O enferm eiro fica resp o n sáv el p ela a d m in istra ç ã o d a u n id a d e e pelo cu id ad o daq u eles m a is graves.

E n tre ta n to , à s vezes, o enferm eiro pode n ão to m a r co n h ecim en to do m odo com o a s atividades de c u id ad o foram divididas em se u tu rn o de trab alh o ; isto p o rq u e os tra b a lh a d o re s d a enferm agem podem ap ro v eitar a o p o rtu n id a d e p a ra realizar a p e n a s o essen cial. Todavia, o q u e o fu n cio n ário pode c o n sid e ra r com o essencial, n em sem p re co rresp o n d e à s n e c e ssid a d e s do paciente. C onseq u en tem en te, o tra b a lh o g ru p a i pode to m a r-s e re strito ao tra b a lh o individual de c a d a m em bro d a equipe. Daí s e r im p o rta n te q u e o enferm eiro p o s s u a cap acid ad e de lid e ra n ç a e observação ag u çad o s, p a ra q u e co n sig a te r a visão do todo d en tro d a u n id a d e p ela q u a l é responsável.

E ntendem os q u e o tra b a lh o d a enferm agem d everia a c o n te c e r de form a pecu liar, n u m

continuum

q u e envolveria a to talid ad e d a s e q u ip e s 1 de tra b a lh o d u ra n te todo o dia. P ara a tin g ir e ste objetivo, seria n e c e ssá rio q u e h o u v esse c o n tin u id ad e d a s atividades, q u e deveriam s e r a s s u m id a s p e la s equipes,

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d u ra n te a m u d a n ç a dos p la n tõ e s e co m p letad as conform e o rev ezam en to d a s m esm as. D esta form a, o tra b a lh o d isc o rre ria como u m sem -fim , p e rp e tu a d o p ela ro tin a d iá ria d a s atividades de c u id ad o e de organização d a clínica.

Na p rá tic a , o que se vê é q u e o tra b a lh a d o r de enferm agem rea liz a s u a s ativ id ad es de form a repetitiva e ro tin eira, à s vezes, sem c o n su lta r a p re scriç ã o de enferm agem , q u an d o ela existe. O u en tão , são o rien tad o s p elas e s c a la s de ta re fa s d e te rm in a d a s pelo enferm eiro responsável p ela u n id a d e , n a q u a l a p a re c e m a s atividades q u e c a d a u m deverá ex ecu tar, além do c u id a d o ao s p a c ie n te s. G eralm ente a s e sc a la s de ta re fa s têm relação com a o rg an ização d a u n id ad e: higienização, verificação, solicitação e g u a rd a d o s m a te ria is n e c e ssá rio s à u n id ad e, organização de se to re s específicos, controle do c a rrin h o de em ergência, d e n tre o u tra s.

Na n o s s a experiência profissional, p u d em o s perceber que n e m se m p re o tra b a lh o de enferm agem ocorre de m a n e ira h arm o n io sa. Às vezes, os c u id a d o s p lan ejad o s p a ra os p acien tes, c o n s ta n te s d a prescrição, não são realizad o s, ou en tão , a organização d a clínica n ã o co rresp o n d e ao esperado. Tal s itu a ç ã o pode s e r d e te c ta d a a p e n a s no m o m en to em q u e é n ecessário que o s m a te ria is e ste ja m disponíveis e em q u a n tid a d e suficiente, como por exem plo em situ a ç õ e s de em ergência.

Nos c a so s de co b ra n ç a d a s ativ id ad es, os m em bros d a e q u ip e te n ta m ju s tific a r colocando a “c u lp a no o u tro ”; isto talvez aco n teça pelo fato d e q u e e s ta s p e ss o a s n ão conseguem c o m p reen d er q u e o trab alh o d everia o c o rre r em equipe, ou seja, com objetivos c o m u n s, com resp o n sab ilid ad e, se n d o u m tra b a lh o integ rad o e em sin to n ia. Tal situ a ç ã o a c a b a gerando u m clim a de d esco m p ro m isso e de rivalidade, com co n seq ü ên cias d ire ta s p a ra o c u id a d o ao p acien te, p a r a o am biente e até p a r a si próprio. Podem os o b se rv ar q u e isto ocorre, p o r exem plo, q u an d o d a organização do posto de enferm agem e d a s a la de cu rativ o s. N estes locais, g eralm en te a s tarefas são divididas e n tre os m em b ro s d a equipe pelo enferm eiro e caso n ão sejam realizad as, colocam em risco de contam in ação , ta n to a equipe q u a n to o paciente, no q u e diz resp eito p rin cip alm en te à higiene.

1 F.m cada turno de trabalho, existe um a equipe de enfermagem escalada para o plantão. D esta forma, normalmente existem duas ou três equipes revezando-se n as vinte e quatro

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N este contexto, o cuidado de enferm agem e n c o n tra -se dividido, ou m elhor, frag m en tad o , e n tre os tra b a lh a d o re s d a enferm agem . Ele g e ralm en te é exercido em p a rte pelos enferm eiros, em p a rte pelo p esso al de nível m édio e elem en tar. E sta situ ação pode aco n tecer devido à s dificuldades e n c o n tra d a s pelo prim eiro p a ra e x ecu tar sim u lta n e a m e n te a ad m in istra ç ã o d a u n id a d e e o cu id ad o ao s p acien tes, am bos sob s u a resp o n sab ilid ad e. P ara refo rçar e ste dilem a, a a d m in istra ç ã o do h o sp ital n o rm a lm e n te exige u m a m aior ro tativ id ad e dos leitos h o sp ita la re s e, co n seq u en tem en te, m aio r produtividade e lucro.

A creditam os que provavelm ente isto o co rra porque g e ralm en te o m em bro d a equipe que p o ssu i conhecim ento a c e rc a d a resp o n sab ilid ad e g ru p a i é o enferm eiro. É ele q u em d á a identificação à profissão d a en ferm ag em e p ro c u ra realizar u m tra b a lh o au tô n o m o , a p e s a r de grande p a rte d e ste s p ro fissio n ais a in d a se en c o n tra m s u b o rd in a d o s ao médico e à s s u a s determ in açõ es, no caso do pacien te in te rn a d o em ho sp ital. Por isso é q u e e sse enferm eiro te n ta fazer de tu d o u m pouco, n a e s p e ra n ç a de que co n sig a d a r c o n ta do q u e lhe é designado.

No e n ta n to , pode ocorrer o inverso do q u e é esp erad o , se no g ru p o d a enferm agem , ou m elhor, n a equipe de enferm agem a in teg ração estiv er d ificultada, p rin cip alm en te se n ão h o u v er o se n tim e n to de coesão e n tre o s s e u s m em bros. P o rtan to , o tra b a lh o d a equipe pode to m a r-s e im produtivo pelo fato de n u n c a e s ta r sendo realizado conform e p lan ejad o , ou seja, se c a d a u m n ã o a s s u m ir a p a rte que lhe cabe e so b re ca rre g a n d o os se u s colegas. A c o n seq ü ên cia m aior d e s s a situ a ç ã o se ria a in sa tisfa ç ã o profissional, a lia d a a u m a m aio r p ro p en são à ocorrência de risco s e /o u a c id e n te s o cu p acio n ais.

Q u an to ao risco de vida, E rd m a n n (1996, p. 123-124) m en cio n a q u e a:

“ ... n o çã o de prioridade n o a te n d im e n to /c u id a d o ... e stá ligad a ao risco de vida, o qual o scila num claro-escu ro, certeza-incerteza, v erd a d e'en g a n o , real-escon did o, onde a s p o ssib ilid a d e s e stã o em jogo n a s p riorid ad es elegid as, recon h ecid as ou de rotina, ond e a incerteza parece surgir n a m ed id a que se tem co n sciên cia do risco ”.

D este m odo, parece que q u a n to m ais se tem e s s a noção d e ss e risco, m aior prioridade se d á ao cuidado seg u ro e m aio r im p o rtân cia se d á ao conhecim ento p a ra exercer a profissão. Isto e s tá relacionado com a eficiência e

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a se g u ra n ç a p a ra o tra b a lh o , além de d e s p e rta r a im p o rtân cia de q u e o cu id ad o seguro envolve a todos os q u e dele p articip am , ou seja, de q u e h á a necessid ad e de c u id a r de si e dos o u tro s.

Com relação à eficiência e à p rodutividade, M ailhiot (1985, p. 66) refere que K urt Lewin e se u g ru p o de estu d o sobre psicologia de grupo:

“... descobriram que a produtividade de u m grupo e su a eficiên cia estã o estreitam en te rela cio n a d o s n ão so m en te com a com p etência de s e u s m em b ros, m a s sobretudo com a solidariedade de s u a s rela çõ es in terp esso a is”.

Refere tam b ém q u e a s relações in te rp e sso a is e a integração g ru p a i só poderão ocorrer de m odo definitivo q u an d o a s fontes de bloqueio n ão m ais existirem no grupo e a co m u n icação estab elecid a pelos se u s m em b ro s for au tê n tic a . Q u an d o c a d a u m se n tir-se p len am en te aceito, ocorre a integração. S chutz, a p u d M ailhiot (1985), enfatiza que “os m em b ro s de u m g ru p o n ão co n sen tem em in te g ra r-se sen ão a p a rtir do m om ento em q u e c e rta s n ecessid ad es fu n d a m e n ta is são satisfeitas pelo g ru p o ” (p. 66). E ste m esm o a u to r (p. 67-69) c o n sid e ra com o fu n d a m e n ta is a s trê s n e c essid ad es q u e se seguem :

• necessidade de inclusão: a q u e la q u e ex p erim en ta todo m em bro novo

de u m grupo, ou seja, em se perceber, em se s e n tir aceito, in teg rad o e valorizado. E s ta n e c essid ad e é p len am en te sa tisfe ita q u an d o o indivíduo p a s s a a p a rticip ar d a s to m a d a s de decisão;

• necessidade de controle: consiste, p a ra c a d a m em bro, em definir

p a ra si m esm o s u a s p ró p ria s resp o n sab ilid ad es no grupo e a s de c a d a u m q u e com ele form a o grupo;

• necessidade de afeição: co n siste em se s e n tir valorizado d e n tro do

grupo. E sta n ecessid ad e e n c o n tra p len a satisfação q u an d o os laços de solidariedade e fratern id ad e se estabelecem e n tre o indivíduo e os o u tro s m em bros do grupo. Som ente q u a n d o são cap azes d e d a r e receb er afeição é qu e se estabelecem “a s relações em nível a u te n tic a m e n te in terp esso al”.

K urcgant (1992) c o m en ta que fu n cio n ário s in teg ram gru p o s. E stes, p o ssu em valores e c re n ç a s se m e lh a n te s e n e m sem p re se form am p o r m otivos de trab alh o . Neles, os fun cio n ário s, q u an d o p e rte n c e m a m ais de u m grupo,

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p a s s a m a te r c o m p o rtam en to s p ecu liares: no psicogrupo, os ind iv íd u o s u n em - se p a ra a satisfação de n e c e ssid a d e s p a rtic u la re s, que são c o m u n s a to d o s os s e u s elem entos, com ên fase n a satisfação pessoal; no sociogrupo, eles se u n e m p a r a a lc a n ç a r objetivos relativos ao tra b a lh o , enfatizando a ta re fa realizad a.

DairAgnol (1994) m en cio n a q u e a in teração q u e ocorre no co tid ian o do tra b a lh o é b a se a d a n a d in â m ic a de funcio n am en to d a equipe de enferm agem , se ja com os próprios m em b ro s d a equipe ou com o u tr a s eq u ip es d a á re a de sa ú d e , inclu in d o o serviço de apoio.

A m aru (1993, p. 34) en fatiza que to d a organização desenvolve u m a c u ltu r a própria. E sta é b a s e a d a n u m co n ju n to de n o rm a s de convivência, trad içõ es, cren ças, valores e o u tra s reg ras de c o n d u ta. E ste a u to r define clim a o rganizacional como “o c o n ju n to d a s condições ex isten tes d e n tro d a o rg an ização que afeta positiv a ou n eg ativam ente o m oral e, c o n se q u e n te m e n te , o d esem p en h o d a s p e sso a s e dos grupos*. O d esem p en h o é p ro d u to d a c u ltu ra , p od en d o g e ra r satisfaçõ es ou in satisfaçõ es e inibir ou e stim u la r d e te rm in a d o s co m p o rtam en to s. C onsidera, a in d a , que os valores p re d o m in a n te s n a sociedade à q u al o grupo p erten ce tam b ém são u m poderoso d e te rm in a n te do s e u com portam ento.

Q u an d o falam os em d esem p en h o , referim o-nos à eficácia de u m g ru p o d e tra b a lh o . P ara ta n to , é n e c e ssá rio que h aja, seg u n d o Davis & N ew stron (1996, p. 76-79), u m a m b ie n te de apoio, h ab ilid ad es e clareza de p ap éis, m e ta s e objetivos c o m u n s p a ra o trab alh o e reco m p e n sa s à s eq u ip es, p rin cip alm en te sob a fo rm a de reconhecim ento, ta is com o elogios p o r p a rte dos resp o n sáv eis, prom oções, m elh o ria salarial, etc.

E ste s q u atro elem en to s estão in terrelacio n ad o s e p o s s u e m efeito agregador, m otivador e o rien tad o r. A divisão de ta re fa s e p a p é is e n tre os m em b ro s do grupo p e rm itirá a realização de objetivos. Isto pode s e r conseguido a tra v é s de diálogos com a equipe e com o fornecim ento d a s condições a d e q u a d a s de trab alh o . No caso d a enferm agem , o m em bro d a eq u ip e pode vir a n e c e s s ita r de ac o m p a n h a m e n to e orientação p o r p e sso a co m p eten te, nos c a so s de deficiências re la c io n a d a s ao cuidado do paciente.

V oltando ao contexto d e ste estu d o , podem os p erceb er q u e existem situ a ç õ e s que p o ssu em relação com tu d o que foi exposto acim a. G eralm en te, os elem en to s novos que e n tra m no grupo são o b servados com c a u te la . S u a s

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opiniões n em sem pre são a ceitas, a so lid aried ad e parece to m a r-s e d ific u lta d a e a s “in trig a s” podem su rg ir e, c o n se q u e n te m e n te , levar à d e s e s tru tu ra ç ã o do grupo. Possivelm ente são d e s ta s situ a ç õ e s que su rg em o tra b a lh o individualizado como fator de a fa sta m e n to e n tre os m em bros d a equipe. Como g eralm en te são freqüentes a s faltas ao serviço, com rem an ejam en to de p e sso a l de u m se to r p a ra outro sem q u e a s p e ss o a s te n h a m a o p o rtu n id ad e do convívio diário, m a s sim esporádico n o s se to re s p a r a os q u a is são re m a n e ja d o s, este fato pode to m a r-s e com um d en tro do a m b ie n te h o sp italar.

D e sta form a, p en sam o s q u e o a m b ie n te de tra b a lh o pode in flu e n c ia r a s ativ id ad es do grupo. E sta in flu ên cia pode s e r re p re s e n ta d a po r v á rio s fatores. A m aru (1993) co n sid era com o os m ais im p o rta n te s a organização e s u a a d m in istra ç ã o e os valores p re d o m in a n te s n a sociedade. E ste a u to r a c re d ita q u e o tipo de organização, a m issã o do gru p o , bem como a s con d içõ es e facilidades ou dificuldades oferecidas p a r a a execução d a s ativ id ad es podem a fe ta r p ositiva ou negativam ente a eficácia do grupo. A a d m in istra ç ã o , a tra v é s d a s d is c u ssõ e s gerenciais, pode c ria r, m odificar ou su p rim ir g ru p o s d e n tro d a e s tr u tu r a form al e isso pode in flu e n c ia r o d esem p en h o dos ind iv íd u o s q u e o com põem .

P a ra E rd m an n (1996, p. 77), é possível p erceb er a c u ltu ra d a sa tisfa ç ã o d e n tro do clim a organizacional. E la a p a re c e q u a n d o d a b u s c a do p ra z e r e d a felicidade pelos m em bros d a equipe, “q u e r pelo co n su m ism o , q u e r pela se n s a te z como vê o m undo, a vida, o h o m em e a n a tu re z a ”. D entro d a u n id a d e , é freq ü en te ver os m em bros d a equipe tra b a lh a n d o so rrid en tes, m esm o que n ã o te n h a m à m ão tu d o q u e c o n sid e ra m n e c e ssá rio p a ra p re s ta r o cu id ad o , m a s tra ta n d o os p acien tes de m a n e ira cordial e com aten ção , b em com o ta m b é m en co n tram o s p e sso a s tra b a lh a n d o m a u h u m o ra d a s e pouco recep tiv as, q u e nem sem pre d e m o n s tra m a devida aten ção com o s p a c ie n te s ou com s e u s colegas de equipe.

Referindo-se ao co m p o rtam en to de c a d a indivíduo, Glen (1983, p. 13) a c re d ita que:

“... o com portam ento do in divíduo é consideravelm en te in flu en cia d o p elo s p ro cesso s de grupo, tanto em situ a ç õ e s n ão form ais com o

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organizacionais; o s p ro cesso s so c ia is d a s próprias organizações derivam do com portam ento individual e grupai d a s p e s so a s que a s co m p õ em .”

N um contexto organizacional, no c aso o h o sp ital, ca d a indivíduo p o ss u i o seu próprio m eio in tern o (h eran ça g en ética e h istó ria de vida). E ste pode se r influenciado p elas p re ssõ e s sociais a q u e e s tá sujeito d entro e fora d a organização de q u e faz p a rte , o q u e p o r s u a vez, pode facilitar ou in ib ir a s atividades p e la s q u a is é responsável. E s s a s p re ssõ e s sociais p odem levar à m otivação ou desm otivação p a ra o trab alh o .

A eq u ip e de enferm agem , como j á m en cio n ad o an terio rm en te, c o n stitu i- se de u m g ru p o de p e sso a s, a n te s de tu d o . P o rtan to , e s tá su je ita à m e s m a e s tru tu ra ç ã o e organização que q u a lq u e r o u tro g ru p o existente n a in s titu iç ã o à q u al é vin cu lad o . A a d m in istração h o sp ita la r, v isan d o econom ia, pode in terv ir q u an d o n ec e ssá rio , ta n to positiva q u a n to n eg ativ am en te, através d e avaliações, rem an ejam en to s, dem issõ es ou p o r o u tra s fo rm as q u e possibilitem o alcan ce dos objetivos p ro p o sto s p ela in stituição.

E ste s fato res elencados acim a podem a lte ra r a h arm o n ia do g ru p o c a d a vez que u m a in terv en ção ocorre. Por exem plo, a s q u e seguem :

• avaliação: pode g erar com petição, u m fato r positivo o u negativo,

d ep en d en d o de com o isso é a p re se n ta d o ao grupo;

• demissão: pode a c a rre ta r acú m u lo de tra b a lh o e au m e n to do nível de

a b sen teísm o p a ra aq u eles que ficam, talvez com o form a de fu g a o u , a in d a , como fo rm a de n ã o a s s u m ir seto res m ais tra b a lh o so s;

• remanejamento: faz com q u e n o v as p e sso a s sejam in s e rid a s no

grupo, o q u e pode a lte ra r o relacionam ento e o bom an d am en to do serviço, a té que h a ja a a d a p ta ç ã o d esse novo elem ento. No caso d a enferm agem , os re m an ejam en to s podem se r freq ü en tes, a tra v é s do d eslo cam en to de tra b a lh a d o re s de o u tro s seto res p a ra co b rirem faltas ou folgas. O a m b ie n te p a ra o tra b a lh o n e s s a s situ açõ es, to m a -s e difícil e desm otivador, pelo fato de existirem sem p re p e sso a s diferentes d a s q u e são ro tin eiram en te do grupo.

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C onsiderando q u e o grupo é form ado p o r p e ss o a s de d iferen tes origens, prin cip alm en te sociais, n o q u al c a d a indivíduo p o ss u i h is tó ria de vida, visão de m u n d o , c u ltu ra , c re n ç a s e experiências ú n ic a s , podem os a c re d ita r q u e c a d a g rupo é p ecu liar ta n to em s u a form ação como no m odo de se relacionar.

M atheus (1995) refere que d en tro d a p ró p ria equipe existem fato res que influenciam no se u d esem p en h o . Deve-se c o n sid e ra r com o fatores relev an tes a idade, os p ap éis a ss u m id o s pelos se u s m em b ro s indiv id u alm en te, o g ra u de m a tu rid a d e do grupo, o ta m a n h o d a equipe e, d e s ta c a ain d a, q u e c a d a u m exerce e recebe in flu ên cias do grupo.

O utro fato a s e r co n sid erad o é o d e sg a ste em ocional e físico sofrido pelo p esso al de enferm agem (Leitão et al., 1996). G eralm en te, e ste s são d e c o rre n te s d a so b recarg a de tra b a lh o que acontece q u a n d o o n ú m e ro de fu n cio n ário s é in ad eq u ad o p a ra a te n d e r à s n ecessid ad es de c u id a d o s dos p a c ie n te s so b s u a resp o n sab ilid ad e. S egundo Gelbecke & C apella (1994) este asp ecto ta m b é m interfere n a s relações p e sso a is e fam iliares dos co m p o n en tes d a equipe.

A ssim com o D ejours (1996) co n sid eram o s q u e o corpo a c a b a se to m a n d o o p rin cip al p o n to de im pacto d a s p re ssõ e s so frid as n o am b ie n te de trab alh o . Isto tra z co n se q ü ê n c ia s p a ra a sa ú d e m e n ta l e física do tra b a lh a d o r e s u a relação consigo m esm o, com o m u n d o , a s p e ss o a s e a s u a fam ília. As p ressõ es derivam d a organização do tra b a lh o e os c o n stra n g im e n to s perigosos p a ra a sa ú d e são o riu n d o s d a s condições de tra b a lh o , ta is com o a fa lta de eq u ip am en to s e m aterial, q u e levam à realização de p ro ced im en to s q u e vão c o n tra os s e u s princípios individuais e s u a s convicções. E ste a u to r e n te n d e que condições de tra b a lh o tem relação com o am b ie n te físico, o am b ien te quím ico (produtos m an ip u lad o s, g ases, vapores, etc.), o am b ie n te biológico (bactérias, víru s, p a ra s ita s e fungos), à s condições de higiene, de s e g u ra n ç a e a s c a ra c te rístic a s físicas do p o sto de trab alh o .

P ara m a n te r u m a equipe coesa e tra b a lh a n d o h a rm o n io sa m e n te , o enferm eiro deveria p ro c u ra r co n h ecer indiv id u alm en te to dos os co m p o n en tes do grupo. Isto facilitaria a in teração e a m otivação, a tra v é s do con h ecim en to dos problem as e dificuldades de ca d a u m , n ã o só aq u eles relacio n ad o s à profissão, m as tam b ém os que podem in terferir no d esem p en h o p a r a o

(28)

tra b a lh o . Igualm ente, este enferm eiro deveria se p re o c u p a r com a s condições de tra b a lh o oferecidas p a ra o desenvolvim ento d a s ativ id ad es de enferm agem . N estes caso s, a co m unicação é fu n d a m e n ta l.

Silva (b) (1996, p. 31) refere que:

“ ... a com u n icação que e sta b e lec e m o s co n o sco e com o s ou tros ... d epen d e ... da observação qu e fa zem o s referentes a o s n o s s o s co leg a s de trabalho, ao n o sso serviço, a o s n o s s o s clien tes. É ela que co n stitu i a b a s e d e co esã o e desenvolvim ento de u m a equ ip e de p ro fissio n a is de sa ú d e ”.

A com unicação a d e q u a d a e n tre os m em bros d a equipe de enferm agem pode facilitar a coesão do g ru p o , a tra v é s do alcan ce de m e ta s c o m u n s d u ra n te a execução de s u a s ativ id ad es. T am bém pode m otivar s e u s m em b ro s a m a n te re m u m bom relacio n am en to com o pacien te e m e lh o ra r a q u a lid a d e do cu id ad o prestado. É im p o rta n te o aceite d a s orientações a d v in d a s do tre in a m e n to em serviço, q u e p o d eria p ro p o rcio n ar u m a m elh o ria n o am b ie n te e no próprio trabalho. E n tre ta n to , o trein am en to , n o s m oldes d a ed u cação trad icio n al, como geralm ente é realizado, n ão e stim u la o crescim en to profissional, pois a com unicação é u n ila te ra l: o in s tru to r re p a s s a o q u e sa b e e n e m sem p re se p reo cu p a em s a b e r se houve ou n ão e n te n d im e n to so b re o co n teú d o transm itido.

A ssim como Silva (a) (1996, p. 22) acred itam o s q u e n ã o existe co m u n icação que seja to ta lm e n te objetiva, pois ela ocorre e n tre p e sso a s, “e c a d a p e sso a é u m m u n d o à p a rte com se u subjetivism o, s u a s ex p eriên cias, s u a c u ltu ra , s e u s valores, s e u s in te re s s e s e s u a s expectativas”. P ara q u e ocorra, é n ecessário que h a ja in teração , no m ínim o, en tre d u a s p e ss o a s. E sta co m u n icação pode se r verbal e n ã o verbal. Neste e stu d o , in te re s s a -n o s a co m u n icação verbal, v isando s u a utilização p a ra realizar u m p ro cesso reflexivo, a p e s a r de tam bém a c h a r n e c e ssá rio a utilização d a com unicação n ã o verbal.

P ara que ocorra u m a in s tru ç ã o ad e q u a d a , é n ecessário o diálogo como form a de tro car experiências, q u e podem s e r significativas p a ra o ap ren d izad o . C h a n la t & B édard (1996) enfatizam q u e to d a s à s vezes q u e u m a p e s s o a to m a a palav ra, ela p ro cu ra exprim ir e c o m u n ic a r u m a im agem de si m esm a. P rocura,

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d e s ta form a, fazer reco n h ecer e s s a im agem p o r o u tra pessoa, o q u e to r n a u m re c u rso in d isp en sáv el p a ra o reco n h ecim en to d a s u a identidade.

Silva (a) (1996, p. 22) m en cio n a q u e a com unicação in te rp e ss o a l aco n tece no contexto d a in te ra ç ã o face a face, po ssu in d o a sp e c to s q u e envolvem “a s te n ta tiv a s de co m p reen d er o o u tro com unicador e de se fazer com preendido”. C h an lat (1996, p. 18), c o n sid e ra que:

“ ... a com preen são d o s ser e s h u m a n o s no am biente de trabalho p e r p a ssa p ela ad oção de u m a p o stu ra com preen siva, ú n ica, capaz d e ap reen der o sen tid o que o s seres h u m a n o s d ão à s u a própria vida”.

C h a n la t & B édard (1996, p. 143) a le rta m que a fala obedece a u m g ran d e n ú m e ro de reg ras, explícitas e im plícitas, que se forem d e s re s p e ita d a s podem c a u s a r desconforto à s p e sso a s, infligir-lhes sofrim ento p síq u ico ou m esm o fazê-las sofrer p e rtu rb a ç õ e s psicológicas p ro fu n d as. E stes a u to re s , ao c o m en tarem sobre a e s tr u tu r a organizacional b u ro crática, m en cio n am q u e a lg u n s chefes, pelo fato de deterem a u to rid a d e , to m a m -se p re d isp o sto s a u m co m p o rtam en to , m esm o in co n scien te, de “p eq u en o s tira n o s”, c o n sid e ra n d o -se com “ o direito de fazer sofrer a s p e ss o a s so b s u a ju risd iç ã o ”.

E nfatizam , ain d a, que

“aquilo que o s em pregados m a is q ueixam hoje em dia, n o s d iferen tes a m b ien tes de trabalho, n ã o é de s u a s con d ições m ateriais, m a s d a m an eira com o sã o tratad os por a q u ele s que exercem autoridade” (C hanlat & Bèdard, 1 9 9 6 , p. 143).

D iante do q u e foi exposto, podem os p e n s a r que o vivido no a m b ie n te de tra b a lh o in flu en cia no m odo de p ro d u ç ã o do tra b a lh a d o r. O tra b a lh o , n a vid a do s e r h u m a n o , parece e s ta r relacionado com a satisfação de s u a s n e c e ssid a d e s, pois é a trav és dele q u e este s e r h u m a n o se relacio n a com a n a tu re z a e com o m u ndo. D esta form a, p ro d u z s u a subjetividade e co n stró i com e s ta vivência, a s v árias d im en sõ es de s u a realidade de vida.

(30)

“ ... o prazer e a s alegrias sã o c o n tid a s e vivid as num e sp a ço m a is reservad o, não deixando tran sp arecer qu e a s p a ix õ es que a s im p u lsio n a m ao viver m a is in ten sa m en te, o p erten cim en to e a em ancipação d e livre arbítrio, e a co n sciên cia de q u e n ã o só de ob jetivid ad e/fin alid ad e s e vive o trabalho, fazem parte tam bém do trabalh o hum ano. O s con vívios d e sin te r essa d o s, a vontade de esta r com o s outros, a evid ên cia de ig u a ld a d es e diferenças anim am o clim a organizacional por m o m en to s d esp reo cu p a n tes com o prioritário, o e sse n c ia l, o supérfluo, o secu n d ário ou m a is ou o m en o s im p o rta n te /n e c essá rio ”.

O tra b a lh o exercido pelas p e sso a s, a p e s a r de ligado à p ro d u ç ã o c a ra c te rístic a do capitalism o em n o s s a so cied ad e, q u e n a visão de m u ito s a u to re s exercem dom inação d a força de tra b a lh o p a ra a geração d e lucro, tam b ém pode serv ir de fonte de p ra z e r e d e m otivação. Isto ocorre se for reconhecido com o im p o rtan te p a ra a s p e ss o a s q u e o realizam . A im p o rtâ n c ia pode s e r d e m o n s tra d a se forem oferecidas a s condições ideais de tra b a lh o e se o diálogo e n tre os chefes e su b o rd in a d o s o co rrer de form a sau d áv el e ro tin eira. P ara ta n to , to m a -s e fu n d a m e n ta l q u e se ja e n fa tiz a d a a resp o n sab ilid ad e p a r a o tra b a lh o , q u e se realizado com q u alid ad e, p ro p o rcio n a rá p razer e s e g u ra n ç a ta n to p a r a aq u eles q u e o realizam q u a n to p a r a a q u e le s q u e o recebem .

Na enferm agem , a ênfase p a r a q u e o tra b a lh o se to m e p razero so e seguro pode s e r oferecida pelo enferm eiro, se ele con seg u ir e n x erg ar a dim en são do tra b a lh o além do “fazer” e p ro p o rcio n a r à equipe a h a rm o n ia d a s relações e ev itar conflitos. Talvez isso faça com q u e m elhore o am b ien te p a r a o tra b a lh o e q u e os objetivos de tra b a lh o sejam atingidos, inclusive com a valorização do q u e se faz, de form a q u e o tra b a lh a d o r sin ta -se gratificado p o r exercer s u a s atividades. E n tretan to , isto se to m a u m desafio, pelos se g u in te s motivos:

a- a relação pro d u ção e co n su m o no tra b a lh o d a enferm agem é efêm era e acontece sim u lta n e a m e n te , ou seja, a ação de c u id a r ocorre ao m esm o tem po em q u e o p acien te se se n te cuidado;

b- n e m to dos os profissionais d a s a ú d e co n seg u em visualizar o p ro cesso de tra b a lh o d a enferm agem ;

(31)

c- h á pouco reco n h ecim en to do tra b a lh o ex ecu tad o pelos profissionais d a enferm agem . Nem to d o s co n sid eram que oferecer conforto e higiene, aliviar a dor, estim u la r a re c u p e ra ç ã o do paciente, a c o m p a n h a r a evolução do se u qu ad ro crônico ou a m e lh o ra do se u estad o geral, bem com o c u id a r n a m orte, d e n tre o u tra s ativ id ad es realizad as, sejam p ro d u to do tra b a lh o d a enferm agem . C abe a nós, executores, m o stra rm o s a s u a im p o rtâ n c ia p a ra a qu alid ad e do cuidado.

Refletindo sobre o contexto no q u al os p ro fissio n ais de enferm agem a tu a m e sobre a p ró p ria profissão desde s u a origem , podem os p erceb er a dificuldade em se tr a b a lh a r com c e rta au to n o m ia. F ato res como a falta de reconhecim ento social, o s baixos salários, a s condições in a d e q u a d a s de trab alh o , a su b o rd in a ç ã o á p rá tic a m édica, fu n cio n am como prováveis inibidores d a m otivação p a r a o trab alh o . Isso talvez p o s s a in flu en ciar n a s atividades de cu id ad o ao p ac ie n te e n a s relações com os colegas de tra b a lh o e com a família. (Leopardi, 1994, S iq u eira et al., 1995)

A creditando q u e o c u id ad o de enferm agem deva s e r valorizado em to d a s a s s u a s form as, co n co rd am o s com E rd m an n (1996, p. 57), q u an d o diz q u e ele:

“... é visto en q u a n to a to /ta r e fa /té c n ic a s sim p le s o u com plexas, im ed ia to s e m ediatos, e en q u a n to n e c e ssid a d e s do clien te ... A atribuição de valor a e stes c u id a d o s o u ã seg u ra n ça tem relação com o s risco s in eren tes ã m an u ten ção d a vida. E, a credibilidade, o im p acto e a im agem d este sistem a de p resta çã o de cu id a d o s tem relação com o cuidad o no p restar cu id ad os, n o çã o e sta ca d a vez m a is a m p la do que um cuid ad o com qualidade. Portanto, o cuidad o é parte e é todo, é con teú d o e p ro cesso , é estilo e estética , é siste m a e elem en to com p on en te de sistem a s, é estru tura e propriedade d a m an u ten ção de v id a s, ou m elhor, é próprio d o s s iste m a s de m a n u ten çã o de vid a s”.

Parece, no e n ta n to , q u e n em sem pre o g ru p o consegue en x erg ar a dim ensão deste cuidado. Isso se reflete eticam ente, d u ra n te a s u a execução, podendo se r exem plificado de v á ria s form as, que p u d e m o s o b serv ar ao longo de n o s s a experiência profissional:

(32)

• a negligência no p rep aro de m edicações, ou ao

realizar o

c u id ad o previsto;

• a im p ru d ên cia ao re a liz a r cu id ad o s que ofereçam risco s de c o n ta m in a ç ã o sem o u so d e e q u ip a m e n to s de proteção individual;

• a indiscrição ao c o m e n ta r situ a ç õ e s vivenciadas com o p acien te, ou com q u a lq u e r o u tra p e sso a p e rte n c e n te ou n ão ao grupo, fora do local de trab alh o ;

• o d esrespeito ao p u d o r do paciente;

• a falta de cu id ad o ao d e sp rez a r m aterial utilizado n o p a c ie n te , p rin cip alm en te os co n tam in ad o s; e,

• a falta de resp o n sab ilid ad e p a ra o cuidado e p a r a a o rg an ização do a m b ie n te de trab alh o .

N este contexto, u tilizam o -n o s d a s p alav ras de C h a n la t (1996, p. 18), q u e c o n sid e ra im prescindível q u e a s p e sso a s sejam in tro d u z id a s n o lu g a r q u e lh es p e rte n c e no universo do tra b a lh o :

“Para isto, é in d isp en sá v el reabilitar o pon to de v ista do su jeito, s e u desejo em face de s u a s ativ id a d es profission ais e a con tribu ição e ss e n c ia l do trabalho para a co n stru çã o equilibrada do seu ser”.

C rem os que u m a d a s m a n e ira s de se re s g a ta r valores p erd id o s ou negligenciados como os elen cad o s n e ste texto, seja a tra v é s d a realização de açõ es ed u cativ as. N estas deverão s e r tra b a lh a d a s a s situ a ç õ e s v iv en ciad as no cotid ian o d a p rá tic a g ru p ai, d e m odo a m otivar p a ra a realização d e u m cu id ad o seguro. U tilizando co m u n icação a d eq u ad a, e stim u la n d o a in te ra ç ã o e e n te n d im e n to en tre os m em b ro s d a equipe de enferm agem a tra v é s do diálogo, a c re d ita m o s s e r possível o e n te n d im e n to p o r p a rte dos m esm o s de q u e te r b o as condições de trab alh o é im p o rta n te p a ra u m cuidado d e q u a lid a d e e q u e o c u id a r d e si, do grupo e do o u tro faz p a rte d a vida e pode s e r vivido com p razer.

(33)

C h a n la t (1996) enfatiza que a s s u m ir u m a d e te rm in a d a posição re q u e r o equilíbrio psíquico d a s p e sso a s e a co m p reen são d a s p a rtic u la rid a d e s re la c io n a d a s ao am biente. T am bém m a n ife sta a preocupação, em to d o s os m om entos, p elas questõ es éticas q u e p erm eiam todo o contexto, q u e devem se r c o n sid e ra d a s com o elem ento c e n tra l de reflexão d o s problem as, com o objetivo de prom over u m a verdadeira eticidade d a s relaçõ es cotidianas. E ste é u m dos objetivos d e ste estudo.

D ejours (1992, p. 122) a le rta p a r a trê s co m p o n en tes d a relação hom em - organização do trab alh o , que podem d e s e n c a d e a r desco m p en sação p síq u ica:

“ .. a fadiga, que faz com qu e o aparelho m en tal perca su a versatilid ad e; o s iste m a frustração-agressividade reativa, qu e deixa sem s a íd a u m a parte im portante d a energia p u lsional; a organização do trabalho, com o correia de tra n sm issã o de u m a v on tad e extern a, que se opõe a o s in v e stim e n to s d a s p u lsa ç õ e s e à s su b lim a çõ es. O defeito crônico de u m a v id a m en ta l sem sa íd a m antido p ela organização do trabalho, tem provavelm ente um efeito que favorece a s d e sc o m p e n sa ç õ e s p sico n eu ró tica s.”

Isto leva o indivíduo ao ad o ecim en to físico e m en tal e pode te r influ ên cias n a qualid ad e de seu tra b a lh o e no se u relacionam ento com s e u s colegas e fam iliares.

P a ra te n ta rm o s conversar com a eq u ip e de enferm agem to d o s e ss e s a sp ecto s relacionados à s condições de tra b a lh o e s u a influência n a q u a lid a d e do c u id ad o oferecido ao paciente, p e n sa m o s q u e a abordagem a tra v é s de ações ed u cativ as, b asead o no que foi observado no cotidiano do trab alh o em equipe, p o d erá fazer com que os m em bros do g ru p o p erceb am e reflitam so b re o in ad eq u ad o e sin ta m a necessid ad e de m odificá-lo. D esta form a, a c re d ita m o s que pode o co rrer u m a re-ad eq u ação d a p rá tic a e a estim ulação do re sg a te de valores d e cu id ad o , que envolvem c a d a in te g ra n te d a equipe e s u a relação com o p acien te, com panheiro de equipe, m em b ro s de o u tra s equipes e com s u a família.

C oncordando com Silva (b) (1996, p. 38), o hom em , se r racio n al, “cap az de im aginar, p e n s a r e agir, pode m odificar e s e r m odificado ao longo do tem p o ”, vive sem p re crescendo, evoluindo e se tra n sfo rm a n d o em b u sc a d a satisfação .

(34)

É este s e r h u m a n o q u e acred ito existir d en tro de c a d a m em bro d a eq u ip e de enferm agem e q u e se estim u lad o a refletir so b re s u a s ações, p o d erá fin alm en te m odificá-las e e x e c u ta r o tra b a lh o n a equipe de enferm agem de m odo p razero so e seguro.

2 .2 - A IMPORTÂNCIA DAS PRECAUÇÕES - PADRÃO PARA A EQUIPE DE ENFERMAGEM:

D iante de to d a a situ a ç ã o d e sc rita a n te rio rm e n te , percebe-se o q u ão im p o rtan te é o cu id ad o p re sta d o a d e q u a d a m e n te com seg u ran ça, com p ra z e r e com tra n q ü ilid a d e p a ra a equipe de enferm agem . Principalm ente p o rq u e a p an d em ia d a AIDS, a p a rtir d a d é c a d a de 80, evidenciou a possibilidade d a ocorrência de risco s e /o u a c id en tes o cu p acio n ais com os profissionais d a á re a d a sa ú d e , devido ao g ra n d e n ú m ero de p e ss o a s in fe c ta d a s por via s a n g ü ín e a , que recebem a te n d im e n to m édico-hospitalar, no q u a l aquele oferecido p ela enferm agem é im p o rta n te p a ra a rec u p e ra ç ã o do paciente. N essa época, j á eram significativos os contágios d esses p ro fissio n ais p o r agentes infecciosos, prin cip alm en te o v íru s d a H epatite B, ta m b é m de tra n sm issã o sa n g ü ín e a , do en ça n ã o tão grave ou letal q u a n to a AIDS, m a s de infectividade elevada.

N ossa p reo cu p ação q u a n to à adoção de m ed id as de b io s se g u ra n ç a su rg iram ao com eçarm os a c u id a r de p a c ie n te s p o rta d o re s do v íru s c a u s a d o r d a AIDS, d en o m in ad o V írus d a Im unodeficiência H u m a n a - HIV . E ste v íru s foi isolado em 1983, com o u m retrovírus-RNA a lta m e n te infectante, q u e a fe ta o siste m a im u n itário h u m a n o , se alojando n o s linfócitos T e n a s cé lu la s nervosas. C a u s a u m a d o en ça crônica de evolução lenta, q u e provoca dim inuição d a s célu las do siste m a im unológico. Inicialm ente, o p o rta d o r do HIV é assin to m ático , e pode ou n ão s a b e r q u e e s tá com o vírus no organism o. N esta fase, q u e d e m o ra d e a lg u n s m eses a a lg u n s an o s, esse p o rta d o r pode tra n sm ití-la p a r a o u tr a s p e ss o a s a p e s a r de n ã o p o s s u ir n e n h u m sin to m a d a doença. (M ontagnier, 1995). A d oença n ão é co n tag io sa, q u e r dizer, n ão se pega pelo contato, m a s pode s e r tra n sm itid a p o r via sa n g ü ín e a ou p o r in o cu lação acid en tal a tra v é s de u m d o s seg u in tes fluidos e secreções corporais:

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