COLETA DE DADOS
4 APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS RESULTADOS
4.3 PERCEPÇÃO DO PROCESSO DE GESTÃO DO CONHECIMENTO
A fim de alcançar o objetivo específico de verificar o grau de maturidade em gestão do conhecimento nas unidades pesquisadas na UFSM, foi utilizado o Modelo de Gestão do Conhecimento para a Administração Pública Brasileira de Batista (2012), composto por 7 critérios (Liderança em GC; Processos; Pessoas; Tecnologia; Processos de Conhecimento; Aprendizagem e Inovação; e, Resultados da GC), os quais são formados por 6 assertivas, em uma escala de 1 a 5. Desse modo, o instrumento de pesquisa de Batista (2012) envolve a análise de ações globais que a organização realiza em favor da implementação de uma gestão do conhecimento efetiva.
4.3.1 Análise das respostas por itens
O Critério 1 do instrumento de pesquisa utilizado solicitou aos respondentes que avaliassem a Liderança em Gestão do Conhecimento (GC), que representa o papel fundamental que a alta administração deve exercer para que a implementação da Gestão do Conhecimento seja realizada com sucesso na organização (BATISTA, 2012). Analisando-se as médias obtidas na percepção dos respondentes frente à escala de avaliação apresentada, verificou-se que a UFSM apresenta ações mal realizadas – ou seja, abaixo de 3 pontos – na maioria dos itens relacionados ao primeiro critério, conforme demonstrado no Quadro 6.
Dessa forma, a menor média identificada foi de 2,57 no item 2, com um desvio padrão de 1,038, demonstrando grande variabilidade de respostas, quando questionados em relação à implantação de arranjos organizacionais com o objetivo de formalizar as iniciativas de Gestão do Conhecimento, tais como, uma unidade central de coordenação da gestão da informação/conhecimento, gestor chefe de gestão da informação/conhecimento, equipes de melhoria da qualidade e redes de conhecimento. Isso se deve ao fato de que a UFSM
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efetivamente não conta com estruturas formais voltadas ao gerenciamento de iniciativas de preservação do conhecimento, o que pode ser constatado analisando-se as unidades organizacionais da instituição.
Quadro 6 – Avaliação para os itens do Critério Liderança em GC.
Critério 1: Liderança em
Gestão do Conhecimento (GC) Média
Desvio Padrão
Análise de Frequências
Escala Percentual Frequência
1
A UFSM compartilha o conhecimento, a visão e a estratégia de GC fortemente alinhados com visão, missão e objetivos estratégicos da organização.
2,9 1,001 1 9,80% 25 2 22,30% 57 3 40,20% 103 4 23,80% 61 5 3,90% 10 2
Arranjos organizacionais foram implantados para formalizar as iniciativas de GC (exemplos: uma unidade central de coordenação da gestão da informação/conhecimento; gestor chefe de gestão da informação/conhecimento; equipes de melhoria da qualidade e redes de conhecimento).
2,57 1,038 1 18,10% 46 2 28,30% 72 3 34,30% 87 4 17,30% 44 5 2% 5
3 Recursos financeiros são alocados na UFSM nas
iniciativas de Gestão do Conhecimento. 2,61 0,937
1 14,30% 35 2 27,30% 67 3 42,40% 104 4 15,10% 37 5 0,80% 2 4
A UFSM tem uma política de proteção da informação e do conhecimento (exemplos: proteção da propriedade intelectual, segurança da informação e do conhecimento e política de acesso, integridade, autenticidade e sigilo das informações). 3,19 1 1 4,70% 12 2 19,30% 49 3 37% 94 4 30,30% 77 5 8,70% 22 5
A alta administração e as chefias intermediárias servem de modelo ao colocar em prática os valores de compartilhamento do conhecimento e de trabalho colaborativo. Elas passam grande parte do tempo disseminando informação para suas equipes e facilitando o fluxo horizontal de informação entre suas equipes e equipes de outros departamentos/divisões/unidades.
2,75 1,089 1 13,40% 34 2 29,90% 76 3 29,90% 76 4 22% 56 5 4,70% 12 6
A alta administração e as chefias intermediárias promovem, reconhecem e recompensam a melhoria do desempenho, o aprendizado individual e organizacional, o compartilhamento de conhecimento e a criação do conhecimento e inovação. 2,73 1,057 1 12,20% 31 2 31,40% 80 3 32,20% 82 4 19,60% 50 5 4,70% 12
Fonte: Elaborado pelo autor.
De outro modo, observou-se um desempenho melhor no que se refere ao item 4 do Critério Liderança em Gestão do Conhecimento, com uma média de 3,19 e desvio padrão de 1,00. Diante disso, pode-se afirmar que para os respondentes a UFSM desenvolve de forma adequada uma política de proteção da informação e do conhecimento, tendo como exemplos
as atividades de proteção da propriedade intelectual, segurança da informação e do conhecimento e política de acesso, integridade, autenticidade e sigilo das informações.
Destaca-se que ao serem questionados em relação ao item 5 do Critério 1 ("5. A alta administração e as chefias intermediárias servem de modelo ao colocar em prática os valores de compartilhamento do conhecimento e de trabalho colaborativo. Elas passam grande parte do tempo disseminando informação para suas equipes e facilitando o fluxo horizontal de informação entre suas equipes e equipes de outros departamentos/divisões/unidades."), 43,3% (n=110) dos respondentes avaliaram negativamente a atuação da alta administração e das chefias, pois entendem que as ações descritas na assertiva não são realizadas, são muito mal realizadas ou são mal realizadas, conforme análise de frequências exposta no Quadro 6.
De modo similar, o item 6 do Critério 1 também apresentou baixa pontuação na escala de avaliação com 43,6% (n=111) dos pesquisados afirmando que ações descritas na assertiva não são realizadas ou são muito mal realizadas ou são mal realizadas quando questionados se "A alta administração e as chefias intermediárias promovem, reconhecem e recompensam a melhoria do desempenho, o aprendizado individual e organizacional, o compartilhamento de conhecimento e a criação do conhecimento e inovação".
Nesse contexto, os resultados encontrados no Critério Liderança em GC evidenciam uma necessidade de aperfeiçoamento nas ações da alta administração da UFSM, principalmente quando considerado o papel de extrema relevância que possui na implementação de uma política efetiva de Gestão do Conhecimento. Sabe-se que sem a participação ativa da Liderança em GC as probabilidades de insucesso recrudescem, de modo que se sugere uma atuação corretiva frente aos itens destacados anteriormente que restaram com pontuação prejudicada na análise.
Em relação ao Critério 2, que avalia os Processos de trabalho da organização considerando-os como conjunto e sequência de atividades para transformação dos insumos em produtos e serviços por meio dos colaboradores (BATISTA, 2012), pode-se constatar que, de modo geral, os respondentes entendem que a UFSM, em parte, realiza de forma adequada as ações descritas. Desse modo, considerando que o item 7 apresentou a melhor média (3,13) do Critério Processos, com desvio padrão de 0,981, verifica-se que a UFSM tem definido, de maneira adequada, as suas competências essenciais e buscado alinhá-las a sua missão e aos objetivos da organização.
No entanto, quando questionados sobre a existência na UFSM de um sistema próprio para gerenciar situações de crise ou eventos imprevistos que tenha o objetivo de assegurar continuidade de operações, prevenção e recuperação, os respondentes avaliaram que a
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instituição desempenha mal a ação descrita no item 10, sendo que se identificou um valor de 2,55 para a média e de 0,977 para o desvio padrão, determinando para esse item a média mais baixa do critério pesquisado. Assim, a adoção de medidas visando a prevenção de contingências que possam afetar as atividades organizacionais deve ser objeto de atenção por parte dos gestores. No âmbito dos processos, a previsibilidade das etapas e a possibilidade de recuperação de informações são imprescindíveis ao bom gerenciamento organizacional. O Quadro 7 apresenta os dados obtidos nas respostas referentes aos 6 itens do Critério 2.
Quadro 7 – Avaliação para os itens do Critério Processos.
Critério 2: Processos Média Desvio