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Depois de uma primeira fase do Projecto, iniciada em 1999 com docentes do Io ciclo do

Ensino Básico, e assente nos mesmos objectivos de transversalização curricular, esta segunda fase, dirigida aos 2o e 3o ciclos do Ensino Básico, iniciou-se em Fevereiro de

2003, com o financiamento da FCT (POCTI/CED/42610/2001 - FEDER). De Fevereiro a Junho realizou-se uma acção de formação contínua de professores, da qual resultou o n.° 21 da revista Educação, Sociedade & Culturas "Educação e Ambiente: Temas Transversais", publicada pelo CUE em 2003, e que reúne as contribuições dos diversos formadores/investigadores. O objectivo desta formação (acreditada pelo Conselho Científico da Formação Contínua, na modalidade de Círculo de Estudos, CCPFC/ACC - 28864/02) foi proporcionar aos professores participantes a aquisição das competências sócio-ambientais necessárias para a exploração ambiental dos currículos das diferentes disciplinas, de forma a facilitar a sua integração na equipa de trabalho do Projecto, já que este assenta numa metodologia de investigação-acção-formação. No ano lectivo de 2003/04, iniciaram-se as reuniões de trabalho desta equipa alargada, tendentes a concretizar uma proposta de transversalização curricular de temática ambiental. Foram realizados workshops mensais com os professores e a equipa de investigação da FPCEUP, constituída por dois investigadores universitários e uma bolseira de investigação. Para além destas reuniões gerais e das reuniões de trabalho da própria equipa de investigação

interna da FPCEUP, houve necessidade de realizar encontros unicamente entre os professores do Ensino Básico para afinar pormenores de estratégia, discutir e esclarecer pontos menos claros, ou debater situações que não cabiam no âmbito das reuniões gerais.

Por falta de disponibilidade, alguns dos professores participantes na formação abandonaram o Projecto, tendo sido substituídos, de forma a assegurar que estivessem representadas a generalidade das disciplinas e áreas curriculares correspondentes aos 6o

e 7o anos do Ensino Básico. Sem prejuízo da adaptação e generalização das conclusões

do Projecto aos vários anos de escolaridade, optou-se por tratar estes dois anos de transição de ciclo de uma forma mais aprofundada, partindo-se do pressuposto de que os princípios e as metodologias de transversalização curricular de temas ambientais desenvolvidos possam ser posteriormente estendidos aos outros anos (Lencastre et ai., 2004).

Em virtude da infinidade de assuntos implicados com o ambiente, definiram-se vários temas de ano que convocassem as questões ambientais e que tivessem, ao mesmo tempo, a especificidade conveniente para os tornar funcionais, e a generalidade suficiente para que pudessem ser tratados em todas as disciplinas e relacionar-se com a diversidade de quotidianos e experiências dos alunos, assumindo que "a eficácia da transversalização de valores, conhecimentos e competências no domínio do ambiente não pode deixar de ter em linha de conta as experiências reais dos alunos no contexto escolar e fora dele" (Menezes, 2003: 146). Estes temas de ano relacionavam-se ainda com um tema central ("O lugar"), que conferia continuidade ao projecto desde o 5o até

ao 9o ano.

De acordo com uma primeira análise dos programas das diferentes disciplinas foram definidos, para cada um dos temas de ano, dois subtemas, relacionando-se cada um destes com um projecto concreto mais específico (ver Tabela 2), a desenvolver nos dois primeiros períodos lectivos, reservando-se o 3o período para actividades de integração

das temáticas e avaliação.

Tabela 2 - Propostas anuais temáticas do Projecto TERRA

Ano Tema de ano Subtemas (1° e 2o períodos) Subprojectos

0 meu lugar A minha escola 0 meio envolvente

Eco-balanço

Itinerários ambientais

0 dia-a-dia no meu lugar Diversidade natural e cultural Mobilidade

Espaços verdes Tráfego

0 meu lugar na paisagem A história da paisagem Rural e urbano

Alterações climáticas Terra e territórios

Paisagens da Terra Ecossistemas naturais e humanizados Comunicação e globalização

Património e conservação Publicidade e consumo

Paisagens do futuro Paisagens reais e imaginárias Paisagens sustentáveis

Cenários futuros

II - Ambiente e Educação

Estabeleceu-se então a metodologia de trabalho que consistiu numa re-leitura ambiental dos conteúdos das disciplinas para temáticas relacionadas com os subtemas definidos e, a partir daí, cada professor construiu uma tabela-síntese onde figuram propostas conceptuais, de operacionalização, de articulação multidisciplinar, de exploração ambiental, tendo em conta, por um lado, as literacias ambientais e as dimensões-chave definidas no início do Projecto, e por outro, o contributo da disciplina para as competências sócio-ambientais pré-definidas e a avaliação. Este trabalho constituiu sobretudo uma tarefa individual de construção sobre uma matriz consensual comum. Para as áreas curriculares não disciplinares de Formação Cívica e Área de Projecto foram canalizados os contributos das diferentes disciplinas, havendo uma concretização especial dos subtemas a nível da Área de Projecto (com conclusão ao longo do 3o período).

Uma vez que este conselho de turma é constituído por professores que leccionam em diferentes escolas, e que trabalham conjuntamente apenas no âmbito do Projecto, a aplicação efectiva da proposta global tornou-se impraticável em tempo útil. Foi possível, no entanto, obter a colaboração de algumas turmas de 6o e 7o anos das professoras

envolvidas.

Assim, partindo da noção de "lugar" como um mosaico de relações entre natureza e cultura, pretendeu-se aprofundar de que forma os alunos lêem a complexidade sócio- ambiental do "lugar" escolhido, incluindo os seus aspectos objectivos e subjectivos, bem como a articulação entre ambos (Andrade et ai., 2005). Para tal, solicitou-se a uma turma do 6o ano de escolaridade a realização de textos sobre "O lugar". Estes textos,

que forneceram dados acerca das concepções de ambiente dos alunos, foram um ponto de partida (juntamente com o programa das disciplinas e as dimensões-chave) para o estabelecimento dos temas e subtemas do 6o ano.

No 7o ano, e com os mesmos pressupostos e objectivos, foram envolvidas duas turmas,

tirando partido da metodologia da antropologia visual (ver Capítulo IV, Ponto IV. 1.1). A metodologia integrou três fases (op. cit.): 1. registo fotográfico do lugar (os alunos fotografaram individualmente os seus lugares, seleccionaram uma das fotografias e escreveram um texto sobre o lugar escolhido); 2. selecção do lugar em função de critérios ambientais (partindo da selecção já efectuada individualmente na fase anterior, os alunos elegeram, após discussão em pequenos grupos, um lugar - uma fotografia - com base nos seus critérios ambientais, tendo sido estes momentos registados em áudio e vídeo); 3. aprofundamento das concepções de ambiente (através de entrevistas de grupo aos alunos, aquando da restituição a estes das imagens e dos seus argumentos registados na fase anterior).

Em Maio de 2004, o Projecto TERRA foi alvo de uma avaliação intermédia realizada por um investigador britânico especializado no domínio da aprendizagem ambiental, tendo beneficiado dos seus comentários e sugestões. O Projecto encontra-se actualmente numa fase de integração dos vários documentos produzidos, de avaliação da sua coerência interna e da capacidade de dar resposta ajustada aos objectivos a que se propôs e aos

desafios da transversalização curricular, estando previsto o seu final para o primeiro semestre de 2005.