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5 O PERFIL DO GESTOR E A QUALIDADE DA EDUCAÇÃO, NAS ESCOLAS

5.2 APRESENTAÇÃO DOS DADOS 162 

5.2.2  Perfil Acadêmico e Profissional do Gestor 173 

Os dados sobre o perfil acadêmico e profissional dos gestores foram coletados em entrevistas presenciais e pelo questionário on-line.

O quadro abaixo relaciona o perfil do gestor entrevistado com o perfil da escola onde ele/ela trabalha na gestão. A ordem numérica utilizada na organização das entrevistas segue a cronologia em que foram realizadas. Na primeira coluna consta o estado de vida, se leigo ou religioso (a), o tempo em que está na função, o(s) curso(s) de graduação e outros títulos com reconhecimento acadêmico. No final estão as entrevistas realizadas com os/as diretores/as de mantenedoras. 

Perfil do Entrevistado Perfil do Colégio Entrevista 01

Irmã, diretora há 10 anos.

Graduação em Pedagogia, mestrado em Educação; Especialização em Gestão.

Fundado em 1905, média de 780 alunos. Pertence à uma rede de ensino Franciscana da Penitência e Caridade Cristã, com três colégios na região de Porto Alegre.

Entrevista 02

Irmã, diretora há 10 anos.

Graduação em Letras, especialização em gestão educacional e em espiritualidade.

Fundado em 1900, média de 780 alunos. Pertence às Irmãs do Imaculado Coração de Maria que também administram outros três colégios na região de Porto Alegre. Essa Congregação foi fundada no Brasil em 1849 por Bárbara Maix.

Entrevista 03

Irmã, diretora há 20 anos.

Graduação em Letras, especialização em gestão escolar, mestrado em educação.

Fundado em 1904, média de 1160 alunos. Pertence às Irmãs do Imaculado Coração de Maria que também administram outros três colégios na região de Porto Alegre. Esta Congregação foi fundada no Brasil em 1849 por Bárbara Maix.

Entrevista 04

Irmã, diretora há nove anos.

Graduação em Pedagogia, especialização em gestão escolar, mestrado em educação.

Fundado em 1946, média de 990 alunos. Única escola da Rede Irmãs Escolares em Porto Alegre. A Congregação das Irmãs Escolares de Nossa Senhora foi fundada em1833, na Alemanha. Entrevista 05

Padre, diretor há seis anos.

Graduação em Filosofia, Teologia e

Pedagogia. Especialização em gestão e em línguas neolatinas.

Fundado em 1952, média de 890 alunos. Única escola da Rede Salesianos de Dom Bosco na Arquidiocese. É a rede católica com o maior número de colégios do Brasil.

Entrevista 06

Leiga, vice-diretora acadêmica há dois anos.

Graduação em Ciências da Computação, mestrado e doutorado em Educação.

Fundado em 1904, média de 2370 alunos. Pertence à Rede Marista, que também administra outros sete colégios na Arquidiocese e 61 colégios no Brasil, a congregação foi fundada na França em 1817. Entrevista 07

Leigo, diretor-geral há cinco anos.

Graduação em Teologia. Faz mestrado em gestão educacional.

Fundado em 1913, média de 1280 alunos. Pertence à Rede La Salle que tem nove colégios em Porto Alegre e 32 no Brasil. A Congregação dos Irmãos lassallistas foi fundada na França no ano de 1679. Entrevista 08

Leiga, diretora pedagógica há três anos Graduação em Pedagogia.

Fundado em 2007, média de 960 alunos. Pertence à Rede Romano que tem três colégios em Porto Alegre.

(Continuação do Quadro 9)  

 

Entrevista 09

Leiga, diretora-geral há três anos.

Graduação em Letras, especializações em alfabetização, supervisão escolar, gestão escolar, pretende fazer mestrado.

Fundado em 1949, média de 635 alunos. Pertence às Irmãs de Nossa Senhora Aparecida, com três

colégios em Porto Alegre. A congregação foi fundada em Porto Alegre, em 1947.

Entrevista 10

Irmã, diretora-geral há um ano. Graduação e mestrado em Teologia.

Fundado em 1956, média de 990 alunos. Pertence às Irmãs de Nossa Senhora Aparecida, com três

colégios em Porto Alegre. Entrevista 11

Leiga, gestora há três anos.

Graduação em História, especialização em gestão e mestrado em educação.

Desde 2008 integra a Rede Bom Jesus. Média de 500 alunos. A Rede Bom Jesus tem mais um colégio em Porto Alegre e 29 no Brasil e pertence à Ordem dos Frades Menores fundada na Itália em 1209. Entrevista 12

Leigo, trabalha em colégios há 27 anos, diretor nesse colégio há dois anos. Graduação em Teologia, Pedagogia, mestrado e doutorado em educação. Especialização em gestão.

Fundado em 1908, média de 960 alunos. Pertence à Rede La Salle com nove colégios em Porto Alegre e 32 no Brasil.

Entrevista 13

Leiga, diretora pedagógica há 6 anos Graduação em Pedagogia, especialização em gestão.

Fundado em 1965, média de 950 alunos. Pertence às Irmãs Franciscanas Bernardinas que têm três

colégios na Arquidiocese. Entrevista 14

Leiga, diretora administrativa há 2 anos. Graduação em Letras, mestrado em educação, especialização em gestão.

Fundado em 1920, média de 1300 alunos. Pertence à Rede Marista.

Entrevista 15

Leigo, diretor pedagógico há 5 anos. Graduação em História.

Desde 2011 pertence à Rede São Francisco, média de 200 alunos. A Rede São Francisco tem cinco colégios na Arquidiocese.

Entrevista 16

Padre, diretor geral há dois anos. Graduação em Filosofia e Teologia, mestrado em Teologia.

Fundado em 1968, média de 800 alunos. Única escola dos Salesianos em Porto Alegre. A Rede Salesiana de Escolas está presente em 71 cidades em quase todos os estados do Brasil. A Congregação foi fundada na Itália em 1859.

Entrevista 17

Leigo, diretor pedagógico há 20 anos. Graduação em Filosofia e Pedagogia.

Fundado em 1962, média de 1500 alunos. Pertence à Rede São Francisco.

Entrevista 18

Leiga, coordenadora pedagógica há cinco anos. Graduação em Pedagogia, mestrado e doutorado em educação.

A mantenedora da Rede Marista, com sede em Porto Alegre - RS, administra 21 colégios no Rio Grande do Sul e Brasília, dos quais 7 estão na Arquidiocese de Porto Alegre.

Entrevista 19

Irmão, superintendente e provincial. Graduação em Teologia, mestrado e doutorado em educação. Especialização em gestão.

A mantenedora da Rede La Salle, com sede em Porto Alegre, administra 32 colégios, dos quais nove colégios estão na Arquidiocese Porto Alegre.

Entrevista 20

Padre, diretor geral e fundador da rede. Graduação em Filosofia e Teologia. Está cursando Direito.

A mantenedora da Rede Romano administra quatro colégios dos quais três estão na Arquidiocese.

Quadro 9 - Perfil do Entrevistado e do Colégio Fonte: MARIUCCI, Pesquisa, 2014.

No questionário on-line foi perguntado ao gestor sobre qual era a formação acadêmica ao iniciar seu trabalho na escola. As respostas apontam para um perfil de gestor predominantemente formado em áreas das Ciências Humanas, e os cursos mais citados foram Pedagogia, Teologia e Letras. Também há gestores com graduações em Física, Matemática e Ciência da Computação, respectivamente. Dois dos respondentes não fizeram nenhum tipo de curso em nível de pós- graduação.

Os cursos em nível de especialização mais procurados foram Gestão escolar (especialização e MBA), Orientação Educacional, Supervisão Escolar. Também houve procura em cursos ligados à Teologia. Em nível de Mestrado houve dois em Educação e dois em Teologia. Em nível de Doutorado houve dois em Educação.

As faculdades mais procuradas foram as localizadas na região de Porto Alegre ― PUC/RS, UNISINOS, FAPA, UFRGS e UNILASSALE. Em nível de cursos de especialização ou sem titulação acadêmica o SINEPE/RS desponta como a entidade mais mencionada como ponto de apoio à formação de gestores.

Os dados fornecidos pelo questionário eletrônico confirmam o que se verificou nas entrevistas presenciais. Os diretores, predominantemente são formados em nível de graduação em áreas das Ciências Humanas e depois, antes ou durante o exercício da função, buscaram um estudo em nível de especialização para qualificar e aprimorar a prática da gestão.

Durante as entrevistas a pergunta sobre a trajetória acadêmico-profissional era sempre o ponto de partida da conversa. Um momento para o entrevistado rememorar o trajeto que percorreu até chegar onde está e também de se dar conta do que pensa em fazer para crescer acadêmica e profissionalmente.

A trajetória acadêmica e profissional dos gestores entrevistados revela que a direção de um colégio católico carece de três grandes áreas do conhecimento, fundamentalmente. Na equipe de direção é necessário haver alguém formado em Pedagogia e pós-graduação em Educação, alguém com qualificação para a gestão, aqui os entrevistados referem-se a cursos em nível de lato senso do tipo especialização em gestão ou na modalidade de MBA, e alguém que tenha profunda experiência e conhecimento dos valores filosóficos e teológicos que fundamentam o carisma e a missão do colégio.

A distinção entre gestor membro de congregação religiosa e gestor leigo é bem visível no que diz respeito às experiências de vida pessoal e profissional. Entretanto, ambos assemelham-se na busca por se qualificarem profissionalmente para o exercício da função, e independente de serem religiosos ou leigos, precisam estar qualificados para a função de gestores. Não basta ser membro da congregação para estar preparado para a gestão, faz-se necessário, além da formação eclesiástica, preparar-se também profissionalmente. Do mesmo modo é insuficiente a formação para a gestão sem o conhecimento dos valores filosóficos e teológicos que fundamentam o carisma e a missão do colégio.

Alguns traços comuns podem ser identificados no perfil acadêmico e profissional dos gestores entrevistados:

Opção pelo carisma: isto ocorre no início da carreira profissional e

acadêmica e motiva o estreitamento do vínculo do indivíduo com a instituição à qual pertence, no caso dos religiosos(as), ou na qual trabalha. O carisma exerce fascínio sobre o indivíduo e o motiva à continuidade e ao desejo de aprofundar-se nessa proposta de vida e missão. O depoimento a seguir mostra esse fascínio na trajetória de uma leiga que passa a optar pelo trabalho em educação e pelo carisma da escola onde iniciou.

Então eu fui fiz a entrevista e comecei a minha trajetória profissional já na escola marista. Aí, a educação me fisgou de vez embora que o meu curso, aparentemente, fosse aparentemente mais técnico né. Me identifiquei muito com a missão marista. Com o carisma, já me envolvi com o grupo de jovens, já assessorava era um local muito especial, o Graças, porque ele tinha os estudantes de magistério, que estavam começando sua vida junto com os Irmãos, tinha também aqueles que faziam a sua graduação em Teologia, também estavam ali. (entrevistada número 18)

...o Bom Jesus era o que eu queria pra mim eu me identificava com a política dos frades, então eu resolvi me dedicar exclusivamente ao Bom Jesus. (entrevistada número 11)

Conforme se constata nos depoimentos acima, e também testemunhado nas outras entrevistas, esse fascínio ocorre pelo conjunto de princípios filosóficos e religiosos inerentes à história do fundador ou fundadora da congregação, sua espiritualidade e proposta para a educação e sociedade. No caso dos leigos, a partir das entrevistas, percebe-se que essa opção os fez deixarem de trabalhar ou dividir a carga horária com outros colégios para se tornarem exclusivos à instituição onde

trabalham como gestores. É uma opção da qual também depende a recíproca identificação e a confiança entre o indivíduo e a instituição.

Processo de identificação: o processo de identificação entre individuo e

instituição é algo construído em uma relação que mistura a atividade profissional com as opções de vida. A reciprocidade na identificação e a confiança entre individuo e instituição dependem da forma com que a relação vai sendo construída. As entrevistas revelam um processo de mútuo conhecimento que vai se fortalecendo ao longo do desempenho profissional, da formação continuada e do relacionamento cotidiano. A mútua confiança vai motivando as escolhas profissionais tanto por parte do indivíduo quanto da instituição. O depoimento abaixo retrata o que, em geral, percebeu-se nos entrevistados em relação ao colégio e à espiritualidade respectiva:

Eu sempre fui e sou até hoje participante de grupos de jovens, depois de casais e sempre comprometida com os valores evangélicos. Então isso é o meu chão. E concomitantemente a isso eu nunca perdi o vínculo com as Irmãs. Quando eu era adolescente aprendi piano com as Irmãs, ia sempre no Frei Pacífico, ia à Missa com as Irmãs. Isso tudo pra mim sempre foi muito natural. Eu fui coordenadora da Família Franciscana do Brasil, é uma equipe mundial das escolas franciscanas. Eu sou membro também da OFS, que é a Ordem Franciscana Secular, eu fui coordenadora dessa equipe também durante duas gestões. Com certeza os valores da congregação e os princípios vividos e internalizados por mim são fundamentais para definir o perfil de uma gestora em nossa instituição. (entrevistada número 09)

Relação de confiança: o convite por parte da instituição ao indivíduo no

sentido de oferecer-lhe uma função de gestão é, de per si, uma manifestação de confiança. A função é, institucionalmente, um cargo de confiança que, em geral, requer exclusividade da carga horária, ou seja, a pessoa abre mão de outros vínculos empregatícios. Entre os que foram entrevistados somente uma das gestoras ainda mantém outra atividade remunerada além da função que exerce na escola onde é diretora pedagógica. Essa relação de confiança vai se consolidando e permite que a direção seja ocupada pela mesma pessoa por longo período. Algumas redes e mantenedoras estabelecem políticas para que haja alternância na direção sem a possibilidade de renovar o mandato. Os casos de longa permanência na mesma função, segundo se constata nas entrevistas, são mais comuns nos colégios dirigidos por freiras.

Exigência por qualificação: todas as entrevistas evidenciam a preocupação

dos gestores em se qualificar na gestão. Isso desfaz a prática, seguida por alguns colégios, de se colocar na gestão das escolas os membros da congregação que tinham exercido funções de liderança na congregação. Mesmo nesses casos, com uma exceção entre as entrevistadas, o curso de especialização em gestão foi exigência da mantenedora ou da própria prática.