2.2 O caminho da pesquisa
2.2.3 O Perfil dos educandos investigados
No que diz respeito à idade, os educandos encontravam-se na faixa etária de 39 a 80 anos, sendo que a maior expressividade se encontrava no intervalo entre as idades de 39 a 49 e de 50 a 59 anos, ambos com 04 (quatro) educandos; seguidos dos recortes etários entre 60 e 69 anos e 70 e 89 anos, ambos com 02 (dois) estudantes, conforme demonstra o gráfico 1.
Gráfico 1 – Faixa etária dos educandos
Fonte: Elaborado a partir dos questionários aplicados junto aos educandos (2016).
Em relação ao sexo, 10 (dez) são do sexo feminino e 02 (dois) do masculino, como é possível verificar no gráfico 2.
Gráfico 2 – Educandos por sexo 0 0,5 1 1,5 2 2,5 3 3,5 4 39 a 49 50 a 59 60 a 69 70 a 89
Fonte: Elaborado a partir dos questionários aplicados junto aos educandos (2016).
Da população pesquisada, apenas um é natural de Fortaleza e os outros nascidos em municípios do interior do estado do Ceará, conforme mostra o gráfico 3.
Gráfico 3 – Naturalidade dos educandos
Fonte: Elaborado a partir dos questionários aplicados junto aos educandos (2016).
Com relação ao bairro em que residem, dos seis educandos pesquisados da escola A, 05 (cinco) moram no Bairro Presidente Kennedy, mesmo bairro onde está situada a escola e 01 (um) reside no bairro Ellery, vizinho ao da escola. Quanto aos educandos da escola da regional B, 04 (quatro) residem no bairro do Canindezinho, o mesmo da escola, 01(um) no Bom Jardim e 01 (um) no Parque São Vicente. Estes dois bairros vizinhos ao da escola. Dos 12 (doze)
0 2 4 6 8 10 12 feminino masculino
Educandos por sexo
0 0,5 1 1,5 2 2,5
entrevistados 10 (dez) possuem residência própria e 02 (dois) declararam morar em casa de parentes ou amigos.
Nesse contexto, os dados revelam que os educandos pesquisados são provenientes da zona rural e fixaram residência em Fortaleza, com baixo nível ou nenhuma instrução escolar. A procura por escolarização varia muito nas faixas etárias e no sexo, no entanto esses têm em comum a situação socioeconômica.
A procura pela escola não acontece de forma simples. Ao contrário, em muitos casos trata-se de uma decisão que envolve as famílias, os patrões, as condições de acesso, a distância entre casa e escola e, muitas vezes, trata-se de um processo contínuo de idas e vindas, de ingressos e desistências.
Sobre os indicadores de inserção no mundo do trabalho, a maioria exerce atividade remunerada, enquanto apenas três não trabalham. No que diz respeito à profissão, os 12 (doze) entrevistados exercem profissões variadas, atividades pouco remuneradas e outros sem remuneração como é o caso das trabalhadoras domésticas que trabalham em casa e cuidam da família.
A variedade de profissões pode ser visualizada no gráfico 4.
Gráfico 4 – Profissões dos educandos
Fonte: Elaborado a partir dos questionários aplicados junto aos educandos (2016).
Por não terem tido acesso ao saber escolar, os educandos de EJA se veem impossibilitados de desempenhar atividades profissionais que demandem maior referencial de
0 0,5 1 1,5 2 2,5 3 3,5
conteúdo. Este fato, muitas vezes, os torna quase sempre dependentes de auxílio governamental, apesar de trabalharem em funções assalariadas, conforme pesquisa anterior realizada pela UECE aponta:
[...] eles trabalham em múltiplas ocupações, em prestações de serviços, no setor informal, nas cidades ou zona rural. São agricultores assentados e trabalhadores da pesca, recicladores e lavadeiras, donas de casa e porteiros, população carcerária e profissionais do sexo. São, enfim, pessoas, frequentemente com muitas demandas, com muitas preocupações e problemas para resolver (UECE, 2007, p. 37).
Quanto ao estado civil percebemos uma diversidade de situações. Apesar deste fato, visualizamos certo equilíbrio em relação à quantidade de alunos investigados em relação às cinco categorias que expressam esse dado, conforme é possível visualizar no gráfico 5.
Gráfico 5 – Estado Civil
Fonte: Elaborado pela autora a partir dos questionários aplicados junto aos educandos.
Em relação à quantidade de pessoas da família que residem na mesma casa, a média identificada corresponde a aproximadamente 04 pessoas, que guardam os seguintes graus de parentesco: pai, mãe, filho, genro e netos, conforme apresenta a tabela 1.
0 0,5 1 1,5 2 2,5 3 3,5
Solteiro Casado Divorciado Viúvo Outros
Tabela 1 – Composição familiar COMPOSIÇÃO FAMILIAR ALUNOS Nº DE PESSOAS NA
FAMÍLIA
GRAU DE PARENTESCO
Aluno 1 03 Pai, filha e genro
Aluno 2 05 Casal, dois filhos e um neto
Aluno 3 03 Casal e uma filha
Aluno 4 03 Casal e uma filha
Aluno 5 03 Casal e um filho
Aluno 6 04 Casal e dois filhos
Aluno 7 03 Casal e um neto
Aluno 8 04 Casal filha e genro
Aluno 9 03 Casal e um filho
Aluno 10 05 Casal, dois filhos e um neto Aluno 11 06 Casal, duas filhas, um genro e dois netos Aluno 12 05 Mãe, dois filhos e dois netos Fonte: Elaboração da autora a partir dos questionários aplicados junto aos educandos.
É importante destacar que nem todas as pessoas que residem na mesma casa contribuem financeiramente para o sustento da família. Dos alunos pesquisados, 05 (cinco) alunos declararam que apenas 01 (uma) pessoa contribui; 02 (dois) declararam que 02 (duas) pessoas contribuem e 05 (cinco) informaram que 03 (três) pessoas ajudam financeiramente em casa. Quanto à renda familiar, os valores informados variam de até 01 (um) salário até 03 (três) salários, como é possível verificar no gráfico 6.
Gráfico 6 – Renda familiar
Fonte: Elaborado a partir dos questionários aplicados junto aos educandos (2016). 0 1 2 3 4 5 6 7
Até um salário mínimo De um a dois salários
mínimos
De dois a três salários mínimos
Renda familiar
Considerando os programas dos quais são egressos, a maioria dos educandos informou ter participado do PFA. Do total, 08 (oito) se identificaram como egressos do PFA e 04 (quatro) se como egressos do PBA.
Gráfico 7 – Programas dos quais os alunos se declararam egressos
Fonte: Elaborado a partir dos questionários aplicados junto aos educandos (2016). Ao concluírem a alfabetização e com o desejo de darem continuidade aos estudos, os educandos buscaram matrículas na EJA. Estes se encontram distribuídos nos 05 (cinco) diferentes segmentos desta modalidade de ensino no município de Fortaleza.
Gráfico 8 – Alunos matriculados por segmento de EJA
Fonte: Elaborado a partir dos questionários aplicados junto aos educandos (2016). 0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 PBA PFA
Programas dos quais os educandos se
declararam egressos
0 0,5 1 1,5 2 2,5 3 3,5 4 4,5EJA I EJA II EJA III EJA IV EJA V
Entre os sujeitos investigados, havia uma aluna matriculada na EJA IV. Foram feitas várias tentativas para entrevistá-la, mas não obtive sucesso. O educador da turma justificava suas faltas às aulas por encontrar-se doente. Por fim, informou que a mesma tinha desistido, embora não tenha explicado o motivo da evasão escolar.
Os educandos de EJA, na sua maioria, carregam trajetórias excludentes, fragmentadas, descontínuas, mas também de incansável resistência, exigindo o direito à aprendizagem ao longo da vida. Usualmente, as pesquisas se limitam a apontar estes sujeitos como invisibilizados, oprimidos e na maioria das vezes, ‘coitados’ e ‘desvalidos’ (JEFFREY, 2015).
É necessário destacar que ir à escola, para os jovens e adultos, é, antes de tudo, um desafio, um receio íntimo de fracassar. Por outro lado, é a crença de que a escola pode imprimir uma marca importante em suas identidades e por isso apostam nela. Na escola, são receptivos à aprendizagem, repletos de curiosidades e abertos a novas experiências. Grande parte desses educandos espera, encontrar na sala de aula, um espaço que atenda às suas necessidades como pessoas e não apenas como alunos que ignoram o conhecimento escolar e o buscam para se integrar à sociedade letrada da qual fazem parte por direito, mas da qual não podem participar plenamente, pois não dominam a leitura e a escrita.
Refletindo sobre essa temática, escreve Haddad (2008, p. 30):
É nesse contexto que a educação de pessoas jovens e adultas deve ser tomada; não simplesmente como o processo de ensino e aprendizagem de habilidades técnicas – leitura, escrita, operações matemáticas e outros conhecimentos acumulados pela humanidade - , que deveriam ter sido apropriadas no passado, mas como parte de um processo, que se dá ao longo da vida, que visa garantir possibilidades de desenvolvimento - pessoal e coletivo - para pessoas que chegaram à juventude ou à idade adulta sem algumas ferramentas, como a educação escolar.
É determinante, com efeito, o papel do educador da EJA, quanto à permanência deste educando na escola. Nesse sentido, embora não sendo o foco desta pesquisa, mas por entender a importância deste profissional junto ao aluno, foi aplicada uma entrevista semiestruturada com quatro educadores das turmas investigadas, 02 (dois) da escola A, e 02
(dois) da escola B. A entrevista foi composta por questões voltadas para identificar o perfil do educador da EJA, bem como questões ligadas às atividades docentes.