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PERFIL FUNCIONAL DO FORMADOR

No documento 04.2008-09-CGF-FF-TextonII (páginas 47-52)

QUADRO REREFERENCIAL DO FORMADOR

9. PERFIL FUNCIONAL DO FORMADOR

Pode definir-se o formador como o indivíduo que, reunindo requisitos técnicos e pedagógicos, conduz acções de formação de adultos de acordo com programas previamente estudados e definidos, competindo-lhe organizar e planificar o conteúdo das sessões, elaborar o trabalho a realizar e preparar textos de apoio para distribuir aos participantes.

9.1 Capacidades e características do formador

Exercendo a função com autonomia técnica e pedagógica, o formador orienta-se, todavia, pelas normas definidas pela entidade que o convida para realizar a acção de formação, devendo em qualquer caso possuir:

Inteligência prática, consubstanciada na detecção e resolução dos problemas

emergentes no grupo, na reformulação de questões e na construção de soluções;

Capacidade de organização, traduzida na sistematização de ideias e de conteúdos,

dando-lhes coerência e lógica que facilitem a aprendizagem;

Criatividade, revelada na capacidade de produzir quadros, imagens e outro material

pedagógico capaz de facilitar a aprendizagem, de sensibilizar e de ajudar o participante a reestruturar os seus sistemas mentais e comportamentais;

Capacidade de comunicação, substanciada na clareza, na organização e na adequação

da linguagem ao tipo de cultura dos participantes e na habilidade para criar empatia e bom relacionamento;

Sensibilidade e auto-domínio, revelados na compreensão dos diversos comportamentos

emergentes do grupo dando-lhes o tratamento adequado, prevenindo conflitos e integrando as questões surgidas no objectivo a atingir;

Capacidade de motivação, dinamizando e interessando o grupo, promovendo a empatia,

o bom ambiente, a cooperação, a iniciativa e o empenho na realização dos objectivos definidos;

Boa apresentação, condizente com a função, valorizando a acção e o próprio acto de

formar.

9.3 Qualificação técnica e cientifica do formador

Para realizar com eficiência e credibilidade a função, o formador deve possuir um conjunto de requisitos de que se destacam:

Conhecimentos seguros no domínio técnico e cientifico, de modo a creditar-se junto dos

formandos;

Experiência profissional adequada, sempre que as matérias que ensina sejam de índole

predominantemente instrumental;

Domínio dos métodos e das técnicas pedagógicas, aplicando-os às características

particulares dos conteúdos a transmitir;

Cultura geral, que possibilite a compreensão das diversas situações, integrando-as no

objectivo a atingir.

A articulação entre a teoria e a prática

Possuindo, simultaneamente, a vertente teórica e prática, a actuação do formador desenvolve-se em função das características dos membros do grupo, considerando os seus conhecimentos e a sua experiência profissional. Esta realidade justifica que, no exercício da função, o formador possa adoptar diferentes metodologias e estratégias, mesmo quando as matérias a tratar sejam as mesmas. A conduta do formador deve ajustar-se à realidade de cada grupo, embora sem se afastar do plano traçado para o objectivo do curso.

A natureza das matérias, as exigências e capacidades do grupo de participantes são condicionantes do relevo a dar a este ou àquele aspecto e, por isso, factores determinantes da estratégia pedagógica a adoptar.

9.3 Síntese das tarefas e responsabilidades do formador

Para realizar a função com eficácia, o formador tem necessidade de executar determinadas tarefas, que só por ele podem ser concretizadas. Realçam-se entre outras, as que seguidamente se descrevem.

Preparação do programa do curso. Neste âmbito, compete-lhe:

 Definir os objectivos da acção a realizar onde conste o que fazer e como fazer;  Caracterizar a população a que se destina a acção de formação;

 Adaptar o programa à realidade dos participantes e da organização a que

pertencem

Planificação das sessões - Neste âmbito compete-lhe preparar as matérias a ministrar

bem como:

 Definir os objectivos de cada sessão, integrando-os nos objectivos do curso;  Planificar os conteúdos de cada sessão e decidir qual o tempo a atribuir-lhes;  Seleccionar os métodos e técnicas a utilizar;

 Preparar exercícios a aplicar para estudo e consolidação da aprendizagem;  Seleccionar e preparar os auxiliares de comunicação que pretende utilizar;

 Elaborar instrumentos visuais de qualidade para as sessões que sejam fonte de

motivação e factor influente de aprendizagem;

 Produzir textos e/ou sumários das sessões, distribuindo-os pelos participantes.

Preparação material - Relativamente a este aspecto, antes de iniciar o curso de

formação, deverá:

 Verificar as condições da sala onde vai ser realizado quanto à iluminação,

ventilação, acústica etc.;

 Dispor espacialmente as mesas e as cadeiras, tendo em vista o acto pedagógico;  Verificar as condições de utilização dos meios pedagógicos disponíveis.

CONCLUSÃO

A formação constitui-se como um meio precioso do desenvolvimento pessoal e das organizações, potenciando os seus recursos humanos. A evolução tecnológica impõe, por si, o recurso a um processo formativo permanente, como forma de responder eficazmente às solicitações das organizações e da sociedade em que se inserem, no plano de uma competitividade cada vez mais agressiva.

A importância de que se reveste actualmente a formação profissional justifica os investimentos feitos, sujeitando-a contudo a avaliação contínua dos planos e das actividades formativas, para o que devem ser envolvidos todos os agentes intervenientes do processo, num esforço de convergência e optimização.

Os centros promotores de actividades de formação e os próprios serviços de origem dos formandos têm uma palavra a dizer sobre a matéria, sendo co-responsáveis pelo maior ou menor sucesso que se venha a verificar numa acção de formação, como produto final.

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