QUADRO REREFERENCIAL DO FORMADOR
9. PERFIL FUNCIONAL DO FORMADOR
Pode definir-se o formador como o indivíduo que, reunindo requisitos técnicos e pedagógicos, conduz acções de formação de adultos de acordo com programas previamente estudados e definidos, competindo-lhe organizar e planificar o conteúdo das sessões, elaborar o trabalho a realizar e preparar textos de apoio para distribuir aos participantes.
9.1 Capacidades e características do formador
Exercendo a função com autonomia técnica e pedagógica, o formador orienta-se, todavia, pelas normas definidas pela entidade que o convida para realizar a acção de formação, devendo em qualquer caso possuir:
Inteligência prática, consubstanciada na detecção e resolução dos problemas
emergentes no grupo, na reformulação de questões e na construção de soluções;
Capacidade de organização, traduzida na sistematização de ideias e de conteúdos,
dando-lhes coerência e lógica que facilitem a aprendizagem;
Criatividade, revelada na capacidade de produzir quadros, imagens e outro material
pedagógico capaz de facilitar a aprendizagem, de sensibilizar e de ajudar o participante a reestruturar os seus sistemas mentais e comportamentais;
Capacidade de comunicação, substanciada na clareza, na organização e na adequação
da linguagem ao tipo de cultura dos participantes e na habilidade para criar empatia e bom relacionamento;
Sensibilidade e auto-domínio, revelados na compreensão dos diversos comportamentos
emergentes do grupo dando-lhes o tratamento adequado, prevenindo conflitos e integrando as questões surgidas no objectivo a atingir;
Capacidade de motivação, dinamizando e interessando o grupo, promovendo a empatia,
o bom ambiente, a cooperação, a iniciativa e o empenho na realização dos objectivos definidos;
Boa apresentação, condizente com a função, valorizando a acção e o próprio acto de
formar.
9.3 Qualificação técnica e cientifica do formador
Para realizar com eficiência e credibilidade a função, o formador deve possuir um conjunto de requisitos de que se destacam:
Conhecimentos seguros no domínio técnico e cientifico, de modo a creditar-se junto dos
formandos;
Experiência profissional adequada, sempre que as matérias que ensina sejam de índole
predominantemente instrumental;
Domínio dos métodos e das técnicas pedagógicas, aplicando-os às características
particulares dos conteúdos a transmitir;
Cultura geral, que possibilite a compreensão das diversas situações, integrando-as no
objectivo a atingir.
A articulação entre a teoria e a prática
Possuindo, simultaneamente, a vertente teórica e prática, a actuação do formador desenvolve-se em função das características dos membros do grupo, considerando os seus conhecimentos e a sua experiência profissional. Esta realidade justifica que, no exercício da função, o formador possa adoptar diferentes metodologias e estratégias, mesmo quando as matérias a tratar sejam as mesmas. A conduta do formador deve ajustar-se à realidade de cada grupo, embora sem se afastar do plano traçado para o objectivo do curso.
A natureza das matérias, as exigências e capacidades do grupo de participantes são condicionantes do relevo a dar a este ou àquele aspecto e, por isso, factores determinantes da estratégia pedagógica a adoptar.
9.3 Síntese das tarefas e responsabilidades do formador
Para realizar a função com eficácia, o formador tem necessidade de executar determinadas tarefas, que só por ele podem ser concretizadas. Realçam-se entre outras, as que seguidamente se descrevem.
Preparação do programa do curso. Neste âmbito, compete-lhe:
Definir os objectivos da acção a realizar onde conste o que fazer e como fazer; Caracterizar a população a que se destina a acção de formação;
Adaptar o programa à realidade dos participantes e da organização a que
pertencem
Planificação das sessões - Neste âmbito compete-lhe preparar as matérias a ministrar
bem como:
Definir os objectivos de cada sessão, integrando-os nos objectivos do curso; Planificar os conteúdos de cada sessão e decidir qual o tempo a atribuir-lhes; Seleccionar os métodos e técnicas a utilizar;
Preparar exercícios a aplicar para estudo e consolidação da aprendizagem; Seleccionar e preparar os auxiliares de comunicação que pretende utilizar;
Elaborar instrumentos visuais de qualidade para as sessões que sejam fonte de
motivação e factor influente de aprendizagem;
Produzir textos e/ou sumários das sessões, distribuindo-os pelos participantes.
Preparação material - Relativamente a este aspecto, antes de iniciar o curso de
formação, deverá:
Verificar as condições da sala onde vai ser realizado quanto à iluminação,
ventilação, acústica etc.;
Dispor espacialmente as mesas e as cadeiras, tendo em vista o acto pedagógico; Verificar as condições de utilização dos meios pedagógicos disponíveis.
CONCLUSÃO
A formação constitui-se como um meio precioso do desenvolvimento pessoal e das organizações, potenciando os seus recursos humanos. A evolução tecnológica impõe, por si, o recurso a um processo formativo permanente, como forma de responder eficazmente às solicitações das organizações e da sociedade em que se inserem, no plano de uma competitividade cada vez mais agressiva.
A importância de que se reveste actualmente a formação profissional justifica os investimentos feitos, sujeitando-a contudo a avaliação contínua dos planos e das actividades formativas, para o que devem ser envolvidos todos os agentes intervenientes do processo, num esforço de convergência e optimização.
Os centros promotores de actividades de formação e os próprios serviços de origem dos formandos têm uma palavra a dizer sobre a matéria, sendo co-responsáveis pelo maior ou menor sucesso que se venha a verificar numa acção de formação, como produto final.
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