• Nenhum resultado encontrado

Perfil Piemonte da Borborema Bacia do Capibaribe 02 (PBBC02)

5 RESULTADOS

5.2 ÁREAS DE COLETA, PROPRIEDADES SEDIMENTOLÓGICAS,

5.2.2 Perfil Piemonte da Borborema Bacia do Capibaribe 02 (PBBC02)

Já o segundo ponto amostrado está localizado próximo ao limite norte do município Lagoa do Carro, próximo ao curso principal do rio Goitá subordinada diretamente ao curso principal do rio Capibaribe, a uma altitude de 125 metros acima no nível do mar (Figura 46). O Depósito apresenta uma coloração alaranjada, com predominância textural fina, separada do manto de alteração por uma delgada stone line matriz suportada composta por clastos angulosos provenientes da destruição dos veios de quartzo do próprio embasamento.

Figura 46 - Perfil topográfico da coleta PBBC02.

O perfil de coleta tem 4.10 metros de espessura (Figura 47A), subdividida em três unidades, a unidade basal que tem 70 centímetros de espessura e é composta pelo manto de alteração, sobre essa camada segue 20 centímetros de stone line e, por fim, o material deposicional analisado com espessura de 3.20 metros, com aspecto maciço e coloração semelhante à da alterita. Deste material deposicional foram coletadas duas amostras, PBBC02A coletada a altura de 2.20 metros da base do perfil e a amostra PBBC02B coletada a 1.60 metros da base.

O pacote como um todo apresenta características de um depósito coluvial aprisionado num alvéolo localizado na meia encosta, com aspecto textural coeso, não sendo possível distinguir visualmente o limite entre os dois pacotes coluviais, motivo pelo qual foram coletadas duas amostras. Ambas amostras estão classificadas como silte arenoso (Figura 47C e 47E), diferindo apenas no que tange à proporção das frações granulométricas. A amostra PBBC02A apresenta a proporção de 2.3% de cascalho, 27.8% de areia, 64.2% de silte e 5.7% de argila, ao passo que na amostra PBBC02B a proporção de cascalho, areia, silte e argila é de 3.7%, 29.4%, 62.5% e 4.4%, respectivamente, dando a ideia de que se tratava de dois eventos deposicionais distintos.

Tais dados estão em conformidade com os gráficos de hidrodinâmica das amostras que, embora estejam classificadas tendo uma hidrodinâmica muito alta (Figura 47B e 47D), há uma sutil diferença na posição do ponto plotado referente à essas deposições, onde a amostra PBBC02B apresenta uma hidrodinâmica voltada para um transporte cujo o material é mais arenoso e com frações granulométricas maiores que a amostra PBBC02A. Através dessa perspectiva pôde-se inferir que além de depósitos distintos, eles apresentam possivelmente estágios de amadurecimento granulométrico distintos, onde a amostra PBBC02A seria um material retrabalhado.

Os indícios de materiais distintos a partir da análise granulométrica das duas amostras, foi ratificado pela análise morfoscópica, que assim como o perfil anteriormente analisado, é composto essencialmente por grãos de quartzo e suas variações ferruginizadas, além da presença de ilmenita. Ambas são heterogêneas no que diz respeito às formas apresentadas, havendo uma predominância de grãos sub-discoidais e discoidais e de sub-angulares e sub- arredondados, da mesma forma que há predominância na textura superficial brilhante e na transparência dos grãos.

Mesmo com as semelhanças, em linhas gerais, dos dados morfoscópicos, estes mostraram particularidades para as duas amostras que corroboraram com a interpretação de dois eventos deposicionais distintos. Exemplo disto está no que se refere ao grau de arredondamento, uma vez que nos grãos da amostra PBBC02B foram encontradas porcentagens de grãos muito angulares, dado não observado na amostra PBBC02A, além da porcentagem de grãos angulares ser maior naquela. Da mesma forma, a porcentagem de grãos transparentes e brilhantes é maior na amostra PBBC02B do que na PBBC02A. Estas particularidades sugerem que a amostra PBBC02B sofreu um transporte mais curto que a amostra PBBC02A, ou no caso de o transporte ter se dado a uma distância semelhante, esta última passou por mais de um processo de transporte e deposição antes da posição atual na paisagem.

De acordo com a classificação granulométrica proposta por Folk & Ward (1957), ambas as amostras estão classificadas como silte médio e se apresentam muito pobremente selecionadas, no que diz respeito ao grau de seleção. São caracterizadas também por apresentarem uma assimetria muito negativa, divergindo apenas no grau de curtose, onde a amostra PBBC02B foi classificada como platicúrtica sugerindo que durante o processo de transporte dessa amostra houve a mistura de subpopulações, interpretação que comunga com o resultado do grau de seleção. Ao passo que a amostra PBBC02A apresentou curtose Mesocúrtica, indicando que mesmo sendo uma amostra pobremente selecionada, não houve a mistura de materiais de granulometrias distintas durante o transporte e, se houve, esta mistura não foi significativa.

Nos resultados geoquímicos os elementos facilmente mobilizados (Ca, Zn, Na) não foram detectados nas amostras do perfil PBBC02 nem mesmo como elemento traço (figura 48), sendo detectado somente o potássio, elemento também considerado como móvel, entretanto não apresentou uma concentração expressiva. Da mesma maneira que o perfil PBBC01, o perfil ora analisado é composto basicamente por altas concentrações de Si, Al e Fe, diferindo daquele no que diz respeito às concentrações, já que no caso das duas amostras do perfil PBBC02 há uma maior concentração de Al, Fe e Ti, sendo a porcentagem do alumínio maior do que a porcentagem de sílica.

Figura 48 - Análise Química total por amostra.

Especificamente dentro do perfil nota-se a maior concentração de Fe2O3 e Al2O3 na

amostra PBBC02A do que na amostra PBBC02B, ao passo que a dinâmica para a concentração de SiO2 é inversa (figura 48). Tais dados revelam que a amostra PBBC02A, que possui idade

de 18.900 ± 2.700 e, portanto, sofreu mais a ação do intemperismo antes do processo deposicional atual. Estes dados comungam com o percentual da fração silte e argila para a amostra PBBC02A que é mais elevada do que a amostra PBBC02B, o que reflete na concentração de Fe, Al e Ti.

Os índices Ki e Kr revelaram que ambas as amostras se encontram em avançado estágio de intemperismo, apresentando índice Ki menor que 2.2 e Kr menor que 0.75 sendo, portanto, considerados como sedimentos ferralíticos (MONIZ, 1972a) devido as altas concentrações de ferro e, sobretudo, de alumínio. Este resultado é fortalecido pelo aumento dos elementos considerados “estáveis” se comparado com o ponto de controle e diminuição dos que são facilmente mobilizados durante o processo intempérico (figura 49).

Figura 49 - Relações Molares Zr/Ti, Ki e Kr para as amostras.

Por fim, a análise dos elementos zircônio e titânio, contraditoriamente, mostrou o pouco amadurecimento desses depósitos, quando os valores são comparados com o perfil de controle, porém, o acúmulo das demais informações indicam justamente o contrário. Portanto é possível deduzir que estes depósitos estão no estágio avançado de intemperismo, como sugere os índices Ki e Kr, mas estes depósitos provavelmente perderam quantidades da fração argila e, como estes elementos vão ser encontrados essencialmente nessa fração granulométrica, explicaria valores tão semelhantes com o manto de alteração.

Comparando os dois pontos amostrados, mais uma vez fica nítida a diferença do grau de amadurecimento dos dois sedimentos, como já apontados nas análises granulométricas e morfoscópicas e, já trançando um paralelo com as amostras coletadas no perfil PBBC01, os dados geoquímicos indicam que as amostras ora analisadas são, do ponto de vista geoquímico, mais amadurecidas, principalmente comparando com a amostra PBBC01A, que assim com as PBBC02A e PBBC02B, classificados como depósitos coluviais. Entretanto, quando se analisa estas amostras do ponto de vista da geocronologia, as idades encontradas para os dois pontos

apontam que a remobilização dos sedimentos PBBC01A e PBBC01B ocorreram mais recentemente do que os das amostras do perfil PBBC02, mas em ambos os casos, esse processo de transporte e deposição se deu a curta distância.