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Perfil Piemonte da Borborema Bacia do Capibaribe 03 (PBBC03)

5 RESULTADOS

5.2 ÁREAS DE COLETA, PROPRIEDADES SEDIMENTOLÓGICAS,

5.2.3 Perfil Piemonte da Borborema Bacia do Capibaribe 03 (PBBC03)

O último ponto amostrado na área da bacia do rio Capibaribe está situado a 160 metros de altitude em relação ao nível do mar, dentro da unidade de relevo Modelado Convexo Amplo. O perfil topográfico revela que o ponto se configura como uma rampa de colúvio (Figura 50), depositada num hollow e mantendo conexão com o topo convexo da colina e com o fundo de vale colmatado.

O perfil PBBC03 expõe uma espessura de 2.50 metros da base ao topo (considerando somente a espessura final do material coluvial (Figura 51A), com textura homogênea de cor alaranjada ao longo de todo o perfil. Na base, não foi possível visualizar um possível contato com o manto de alteração, nem tampouco foi observado diferenças texturais que sugerissem que se trata de vários coluvionamentos, como no caso do ponto PBBC02. A composição do material é areno-síltica, com a presença de grânulos de quartzo em toda sua extensão. Estes dados sugestionam uma sequência de fluxo de lama, haja vista a falta de descontinuidade erosiva e/ou litológica, o que pode indicar uma constância no processo formativo, além de uma possível manutenção das propriedades sedimentológicas do material parental localizado à montante.

Com a finalidade de obter uma maior acurácia na interpretação, foram coletadas amostras a uma altura de 1.20 metros em relação à base e, a partir das separação granulométrica, a amostra foi classificada como areia síltica (Figura 51C), com porcentagens de cascalho, areia, silte e argila de 9.2%, 49.6%, 34.9% e 6.3%, respectivamente, indicando que este depósito coluvial possivelmente tem relação mineralógica próxima com o material de origem, ou que este material tenha sofrido remoção das frações granulométricas mais finas (silte e argila) durante o transporte e também após ser depositado. A hidrodinâmica verificada através do diagrama de Pejrup (Figura 51B) indica que durante o processo deposicional, este aconteceu dentro de uma hidrodinâmica muito alta, ou seja, com bastante energia, tal qual um fluxo de lama.

Figura 50 - Perfil topográfico da coleta PBBC03.

Associada a análise granulométrica foi realizada a análise morfoscópica de 100 grãos presentes na amostra que mostrou que a composição dos grãos é heterogênea, mas como nas amostras já descritas, é composto majoritariamente de grãos de quartzo que por vezes estão revestidos por uma camada ferruginosa, além de grãos de ilmenita que configura como um resíduo do substrato rochoso. No que tange à esfericidade, a amostra PBBC03 é composta por grãos prismoidais a grãos discoidais, sendo mais da metade destes (53%) de grãos sub- discoidal, seguido de grãos discoidais. O grau de arredondamento varia de muito angular a arredondado, estando a maioria dos grãos entre as classes sub-angular e sub-arredondado.

Ademais, os grãos apresentam, em sua maioria, a textura superficial brilhante e transparentes, isto significa que este depósito é composto por materiais com minerais primários em abundância e que, antes de estes minerais pudessem ser destruídos pelo processo de intemperismo, eles foram transportados e o grau de textura e opacidade denotam que a área fonte deste sedimento está próxima da área deposicional.

Desta maneira, a amostra foi classificada como sedimentos cuja a classificação granulométrica é de areia muito fina (FOLK & WARD, 1957), com o grau de seleção muito pobremente selecionado e com assimetria muito positiva, além do grau de curtose platicúrtica. Estes dados indicam que a amostra é composta por uma variação grande no que diz respeito ao tamanho das partículas, havendo um leve predomínio das partículas nas frações grossas. A indicação desse leve predomínio de frações grossas na amostra é ratificada pela curtose platicúrtica, indicando que a distribuição das amostras é praticamente igual para as frações (areia muito grossa, areia grossa, média, fina, muito fina, silte e argila).

A espectrometria de fluorescência de raios-x resultou em dados geoquímicos que demonstram que o sedimento ora analisado não é menos amadurecido mineralogicamente como as análises granulométricas sugeriram, e sim, que este sedimento sofreu perdas das frações granulométricas mais finas, sobretudo a fração argila. Esta afirmação é ratificada quando se analise o comportamento dos elementos móveis dessa amostra com os da amostra de controle PBPC (figura 52), onde os teores de cálcio e zinco possuem quantidades muito baixas e, no caso do Ca, sequer foi detectado, da mesma forma que o sódio. O único elemento de maior mobilidade que apresentou concentrações significativas, inclusive a mais significativa das amostras até então analisadas, foi o potássio, explicado pelo material fonte deste sedimento.

Figura 52 - Análise Química total por amostra.

A amostra é caracterizada, essencialmente, por suas altas concentrações de Alumínio e sílica, seguida das concentrações de Fe e Ti (figura 52). O valor desses elementos é bem semelhante das amostras PBBC02, com valores acima de 10% para o teor de Fe₂O₃ e abaixo de 40% para o SiO2, demonstrando que estes sedimentos passaram por um processo de

dos sedimentos do perfil PBBC01 que possuem teor de sílica acima dos 40% e de ferro abaixo dos 10%, demonstrando o pouco amadurecimento destes.

No cerne do grau de intemperismo da amostra do perfil PBBC03, os índices Ki e Kr (figura 53) apontaram similaridade maior com a amostra PBBC01A do que as amostras do perfil PBBC02, mesmo todas estarem classificadas como ferralíticas. Os dados para a amostra PBBC03 indicam que esta está num grau de intemperismo mais avançado do que a amostra PBBC01B e menos avançado que as amostras PBBC02A e PBBC02B. Porém a idade LOE para a amostra PBBC03 (10.100 ± 1.630) indica que esta sofreu transporte mais tardio que a amostra PBBC01A, tomando como base a idade encontrada para a amostra abaixo desta PBBC01B (3.200 ± 550).

Figura 53 - Relações molares Zr/Ti, Ki e Kr por amostra.

A razão molecular estabelecida pelo zircônio e titânio demonstraram também que os materiais seriam pouco amadurecidos do ponto de vista mineralógico e geoquímico, haja vista a relativa imobilidade destes elementos frente ao intemperismo. Porém, todos os demais elementos encontrados na amostra sugerem que este depósito é bastante amadurecido e, como os elementos Zr e Ti normalmente estão associados à fração argila, se esta foi removida os elementos possivelmente foram.

Desta forma, através da análise sedimentológica e geoquímica, fica nítida a diferença no grau de amadurecimento das amostras até então descritas, mesmo se tratando de depósitos coluviais (amostras PBBC01A, PBBC02A, PBBC02B e PBBC03) e estando dentro de um mesmo contexto litológico e dentro de uma mesma bacia hidrográfica, no caso a bacia do rio Capibaribe. Entretanto, este grau de amadurecimento não reflete na idade de deposição desses colúvios, uma vez que não necessariamente o material mais intemperizado tem idade

deposicional mais antiga. Essa associação já demonstra que a dinâmica de transporte e deposição dos materiais na paisagem se dá pela criação de espaços de acomodação através do controle geotectônico, pela disponibilidade de materiais para serem mobilizados e, principalmente, pela dinâmica climática atuando antes, durante e depois do processo deposicional.