1. Enquadramento do estudo
1.1. Pergunta de partida e objetivos
Sendo o tema deste trabalho sobre a mediação num contexto educativo, implementado num Centro de Acolhimento Temporário de jovens adolescentes do sexo masculino que se encontram em situação de risco, tornou-se pertinente fundamentar esta temática, através da seguinte questão:
A mediação educativa poderá reduzir a existência de conflitos e consequentemente de castigos na Casa do Vale?
De acordo com Quivy e Campenhout (2008) será através da pergunta de partida que se entenderá o verdadeiro objetivo em estudo e que se fundamentará a problemática da investigação.
Objetivos:
Com a intervenção mediadora, pretende-se que este procedimento tenha um contributo pedagógico.
Deseja-se que o jovem fique motivado para esta forma de regular problemas e conflitos e que experiencie a empatia pelo outro que vive na mesma casa, tem um historial de vida muito semelhante ao seu, é da mesma faixa etária e aspira por um projeto de vida favorável para o seu desenvolvimento e sucesso.
30
2. Procedimento metodológico
Segundo Minayo (1993, p. 23) a investigação é uma:
“actividade básica das ciências na sua indagação e descoberta da realidade. É uma atitude e uma prática teórica de constante busca que define um processo intrinsecamente inacabado e permanente.”
A prática metodológica aplicada neste trabalho tem características de uma investigação – ação, uma vez que este método implica uma recolha de informações importantes e tem uma intenção expressa, que consiste em apresentar alternativas tendentes à mudança pretendendo melhorar a realidade do contexto de atuação.
“ A investigação – ação consiste na recolha de informações sistemáticas com o objetivo de promover mudanças sociais.” (Bogdan e Biklen, 1994, p. 292)
Neste sentido, uma vez que o presente trabalho tem esta componente de investigação – ação, torna-se evidente que existe uma preocupação com questões importantes, típico dos investigadores de uma investigação – ação, dado que estes assumem sempre que a investigação não se torne objetiva, que reflita os seus próprios valores pessoais. A investigação académica também transmite valores.
Deste modo, pode-se questionar de que forma se pode definir a objetividade num trabalho académico? Constatamos que a objetividade pode ser definida como uma informação que tem o mesmo peso, não é influenciada por opiniões pessoais e que está relacionada com a integridade/ transparência do investigador que recolhe a informação. (Bogdan e Biklen, 1994, p. 294 e 295) Foi esta postura que procurou-se tomar na elaboração dos relatórios que descrevem todas as ações que decorreram na instituição em estudo.
“O objetivo destes relatórios não é o de manifestar uma visão “objetiva” de determinada instituição, se por “objetivo” se pretende significar o prestar a mesma atenção aos seus aspetos positivos e negativos. Os folhetos
31 institucionais, as notícias para a imprensa e as declarações públicas apresentam sempre quadros positivos das instituições. Como estratégia de base, os relatórios descritivos devem dar particular atenção à violação dos direitos legais e morais – algo que raramente é referido e que necessita de ser modificado. Em função desta consideração o observador deve relatar as suas observações tão honesta, completa e objetivamente quanto lhe seja possível.” (Taylor, 1980)
Assim sendo, na elaboração deste trabalho de investigação, recorreu-se a uma metodologia de caráter qualitativo. Desta forma, numa primeira fase, foi realizado um levantamento e um registo de dados relevantes para a fundamentação da problemática. É importante afirmar que todos os dados foram recolhidos em ambiente natural, utilizando para o efeito um papel de observadora.
Neste aspeto constata-se que o investigador qualitativo procura envolver-se no meio natural dos sujeitos de investigação de uma forma não intrusiva nem ameaçadora, pois o contrário, poder-se-ia notar os “efeitos do observador” marcados no estudo em causa. (Douglas, 1976, p. 19)
Se houver o cuidado durante o trabalho, em interagir com o público alvo em estudo, como “sujeitos de investigação”, estes irão atuar dessa forma, os seus comportamentos permanecem iguais, tal como é habitual entre os mesmos, verificando-se por parte do observador, que este procura que a sua presença não influencie essa naturalidade.
Na segunda fase, foram utilizados instrumentos, como questionários e entrevistas para a colheita de dados, que transmitem as opiniões e as atitudes dos entrevistados, no sentido de atingir os objetivos e posteriormente abrir caminho a um papel interventivo perante os elementos de investigação.
Sendo o questionário um meio de se obter informações, mais utilizado pelos investigadores, este foi utilizado com o intuito de indagar a opinião dos sujeitos e seus sentimentos relativamente ao seu meio envolvente.
Este instrumento de recolha de informação consiste num conjunto de questões elaboradas previamente aos sujeitos selecionados como amostra, apresenta vantagens e desvantagens na sua aplicação. (Del Rico et. al., 1995)
32
Reconhece-se como vantagens a possibilidade de as respostas serem livres pois os sujeitos estão protegidos pelo anonimato e a facilidade na obtenção de informação. Como inconveniente identifica-se a não total viabilidade das respostas havendo o risco de não corresponderem totalmente à realidade. (Quivy & Campenhoudt, 1998)
Numa terceira fase foi aplicado o método interventivo, de ação, que foi já identificado neste trabalho e que para a aplicação e consequente eficácia do mesmo seguiu-se passos importantes sugeridos por Bogdan e Biklen (1994, p. 286), sendo o primeiro passo a escolha da problemática que se pretende analisar, o que no caso do presente trabalho, foram os conflitos existentes entre os jovens da Casa do Vale. No segundo passo, foram tomadas notas relevantes sobre o assunto, onde foram registadas ações, como diálogos decorrentes não só nas reuniões assistidas, mas de igual forma, no convívio entre os jovens, alvo de estudo.
No terceiro passo, terminado o registo, levantaram-se as questões pertinentes e no quarto e último passo, utilizaram-se os dados recolhidos para intervir e tentar modificar de uma forma positiva as relações entre os jovens, evitando o surgimento de conflitos e amenizando os existentes.
33