Capítulo 1 Mito, imaginário e narrativa nos jogos digitais
3. Fundamentos e funcionamento do mito
3.2 Mito e imagem do herói
3.2.1 Perseu, Héracles e Jasão
Por meio da análise dos mitos de três heróis gregos, poderemos exemplificar as características da imagem e do imaginário do herói bem como os mitemas e as perenidades, derivações e desgastes dos mitos do herói. Muitas são as variações dos mitos dos heróis que vamos apresentar, buscamos apenas nos ater a pontos importantes de sua jornada sem privilegiar um ou outro autor. Procuramos trazer nestes três mitos diretores para nossa pesquisa, características pertencentes ao imaginário do herói as quais observaremos futuramente em nossas análise do herói nos jogos digitais.
Perseu e a Medusa
O primeiro mito que apresentaremos é o de Perseu, do grego περσεύς (Perséus), significa “sol nascente“. Filho de Zeus e Dânae, Perseus é ancestral de Héracles.
Em sua infância, foi aprisionado junto com sua mãe em um cofre de maderia pelo seu avô, o rei Acrísio, e então lançado ao mar. Salvo por Dictis, um homem humilde que era irmão do rei da ilha de Sérifo, foi sustentado até sua maioridade pelo seu salvador enquanto sua mãe era mantida sob a guarda do rei, que desejava tomar posse de Dânae como esposa e enviou Perseu para buscar a cabeça da Medusa como forma de se livrar dele.
Ao iniciar sua jornada, é ajudado pelo deus Hermes e pela deusa Atená para chegar até as Greias, que, após serem enganadas pelo herói que roubou o único olho que as três partilhavam entre si, indicam a Perseu como encontrar a Medusa. Também lhe deram um par de sandálias com asas, um alforje para guardar a cabeça da Medusa e o capacete pertencente ao deus Hades, que lhe conferia invisibilidade .
Após conseguir a informação de como chegar até o monstro, Hermes lhe presenteia com uma espada de aço e Atená lhe empresta seu escudo de bronze que, de tão polido, refletia a imagem igual a um espelho.
Com os presentes que recebeu dos deus das mediações e da deusa da sabedoria, Perseus cortou a cabeça da Medusa utilizando o escudo para refletir a
imagem sem que precisasse olhar direto nos olhos do monstro, o que causaria sua petrificação. Do corte feito pela espada, nasceu o cavalo alado Pégaso e o gigante Crisaor, ambos filhos do deu Posídon, o único que mantinha relações com a Górgona Medusa.
Perseu então partiu para o oriente até chegar na Etiópia, onde se apaixonou pela princesa Andrômeda que estava acorrentada a um rochedo para ser sacrificada à Posídon. Ele a libertou e para casar-se com ela, fez uso da cabeça da Medusa que manteve guardada no alforje assim petrificando os pais e tios da princesa que tentaram impedí-los.
Ao retornar para a ilha de Sérifos, Perseu enfrentou o rei Polidéctes que tentara violentar sua mãe e o petrificou, entregando o reino para Díctis, que o acolheu até a vida adulta.
O herói então devolve para Hermes as sandálias aladas, o alforje e o capacete para que o deus mensageiro os devolva para as Greias. A cabeça da Medusa foi entregue para Atená que a espetou em seu escudo.
Em seu caminho de volta para Argos, sua terra natal, participou dos jogos fúnebres realizados na Larissa, onde acidentalmente matou seu avô, o rei Acrísio, ao lançar um disco, cumprindo assim a profecia que fora feita em seu nascimento.
Com remorso por ter matado seu avô, Perseu ao invés de assumir o trono que lhe era de direito em Argos, trocou de reino com seu primo, Megapentes, e passou a reinar em Tirinto.
Héracles e os doze trabalhos
Héracles, do grego Ἡρακλῆς (Heraklês), significa “glória de Hera”. Nasceu filho de Zeus com Alcmena e era bisneto por parte de mãe de Perseu, possui dupla paternidade, sendo o mortal Anfitrião também seu pai. Nasceu com o nome de Alcides, mas seu “nome heróico” vem a ser conquistado com o cumprimento de sua jornada.
Quando Héracles nasceu, Zeus logo se apressou em garantir a imortalidade de seu filho arquitetando junto com Hermes para que ele sugasse o leite do seio de Hera, aumentando ainda mais a raiva da deusa pelo filho que seu marido tivera com
Alcmena.
Em sua formação, Héracles foi educado por diversos mestres. Seu pai Anfitrião o ensinou a conduzir bigas; Lino o ensinou sobre música e letras, porém em uma de suas primeiras demonstrações de descontrole, Héracles o matou. Eumolpo substitui Lino; rei Êurito ensinou o filho de Zeus a manejar o arco e Castor, irmão gêmeo de Pólux o treinou no restante das armas.
Sendo considerado pelos seus mestres como indisciplinado, aos dezoito anos já media três metros de altura, e foi nessa idade que ele matou o leão do monte Citerão que causava prejuízos aos rebanhos de Anfitrião e do rei Téspio, pai de cinquenta filhas que foram todas fecundadas por Héracles.
Casou-se com Mégara, filha do rei Creonte. Induzido à loucura por Hera, matou seus filhos e para purificar-se de suas ações, foi até o oráculo de Delfos que o disse para se colocar a serviço do rei de Micenas, Euristeu, por doze anos, assim iniciando seus doze trabalhos.
Para começar sua jornada de purificação, Héracles recebeu presentes dos deuses como forma de ajuda. Hermes lhe deu a espada; Apolo, o arco e as flechas; Hefesto lhe fez uma couraça de bronze; de Atená recebeu um peplo e Posídon lhe deu os cavalos. A partir de uma oliveira selvagem fez uma clava que compôs o seu arsenal de armas.
O primeiro de seus trabalhos foi acabar com o Leão de Neméia. Invulnerável ao corte de qualquer arma, Héracles usou sua clava para atordoá-lo e então sufocá-lo com seus braços. Com o leão morto, o herói retirou sua pele que usou para cobrir os ombros e com a cabeça fez um elmo.
O segundo trabalho foi contra a Hidra de Lerna. Héracles usou sua espada para cortar suas cabeças e o archote para cauterizar cada uma delas impedindo o crescimento de outra em seu lugar. Com a Hidra morta, ele banhou suas flechas no sangue envenenado do monstro, adicionando um novo atributo ao presente que Apolo lhe deu.
Em seu terceiro trabalho, Héracles lutou contra e matou o Javali de Erimanto que estava a devastar a região próxima ao monte Erimanto.
de bronze e chifres de ouro. Héracles a perseguiu durante um ano até conseguir sua captura.
No quinta trabalho, o herói teve que lidar com as aves do lago Estínfalo. Para isso, usou castanholas de bronze que as fez levantar vôo e assim matá-las com as flechas que envenenou com o sangue da Hidra de Lerna.
O sexto trabalho de Héracles foi em um dia limpar os Estábulos de Augias. O herói desviou o curso dos rios Alfeu e Peneu para limpar o acúmulo de esterco de décadas.
O rei Augias não honrou sua parte no acordo que fez com Héracles e o herói o matou, entregando o trono à Fileu. Também neste trabalho, os jogos Olímpicos foram fundados pelo filho de Zeus.
Em seu sétimo trabalho, Héracles capturou o touro que uma vez pertenceu ao rei Minos de Creta e o levou para Euristeu para ser sacrificado para Hera, porém a deusa recusou. O touro foi liberto e este mesmo virá a ser capturado por Teseu.
No oitavo trabalho, Héracles lutou contra Diomedes e o lançou às suas éguas que o devoraram. Após a morte de Diomedes, as éguas se acalmaram e foram levadas para Euristeu, que as deixou em liberdade acabando devoradas pelas bestas que habitavam os arredores do monte Olimpo.
O nono trabalho consistia em roubar o cinturão de Hipólita. Héracles matou a rainha das amazonas para tomá-lo. No décimo trabalho, o filho de Zeus deveria trazer para Euristeu os bois do gigante Gerião. No caminho para roubar os bois, Héracles enfrentou e matou o monstruoso cão Ortro e o pastor que tomava conta dos bois, Eurítion. Em seguida, lutou contra Gerião, que possuia três cabeças e três corpos, e o matou, tomando os seus bois.
Ao retornar para Euristeu com os bois, Héracles embarcou os animais na taça do sol que obteve de Hélios após ameaçar atravessá-lo com suas flechas. No caminho, o herói sofreu várias tentativas de roubo e um dos bois fugiu, ocasionando o confronto entre Héracles e o rei Érix no qual o rei foi morto pelo herói que deixou o reino para o povo, mas profetizou que um dia um de seus descendentes tomaria o poder.
Quando finalmente chegou à Grécia, o rebanho foi atacado por moscardos enviados por Hera, causando a dispersão dos bois. Héracles só conseguiu recuperar
uma parte do rebanho que foi entregue ao rei de Micenas, que por sua vez os sacrificou à deusa Hera.
Para realizar o décimo primeiro trabalho, Héracles desceu forçadamente ao Hades com ajuda de Hermes e Atená. No caminho, encontrou Pirítoo e Teseu presos sentados na cadeira dos esquecidos e, fazendo uso de sua força, consegue tirar Teseu de sua prisão no mundo dos mortos, porém Pirítoo foi deixado.
Com a permissão de Hades, Héracles domou Cerbero sem ferí-lo e imediatamente o levou para Euristeu, que não demorou em ordenar que o cão fosse devolvido para seu dono.
E no décimo segundo e último de seus trabalhos a serem realizados para seu primo Euristeu, Héracles deveria ir até o jardim das Hespérides e trazer os pomos de ouro que foram dados a Hera como presente pelo seu casamento com Zeus.
No caminho para o jardim, o filho de Zeus lutou contra Cicno, filho de Ares e Pelopia, uma das filhas de Pélias. Ares, desejando se vingar pela morte de seu filho atacou Héracles que, com a ajuda de Atená, fez com que o deus da guerra retorna- se ao Olimpo. Derrotou o gigante Anteu, filho de Posídon e Geia e, após vencê-lo, fecundou sua esposa, de quem nasceu Palêmon. Matou Busíris, que capturou o herói para sacrificá-lo a Zeus e Emátion, filho de Eos e Titano.
Héracles também libertou Prometeu que o aconselhou a não colher os pomos dourados, mas para pedir para o titã Atlas que o fizesse. Ao chegar ao local em que o titã segurava o céu em seus ombros, Héracles seguiu o conselho de Prometeu e trocou de lugar com Atlas que lhe trouxe os pomos, porém, não queria retornar ao seu posto, tendo Héracles que enganá-lo para assim tomar-lhe os pomos dourados e finalizar seus trabalhos.
Ao entregar o objeto de seu último trabalho para Euristeu, este lhe devolveu para Héracles que por sua vez entregou à Atená que devolveu ao jardim das Hespérides, pois eles ainda eram de propriedade de Hera.
Durante a jornada para a realização dos doze trabalhos, Héracles participou de diversas aventuras secundárias, que em grego é nomeado de πάρεργα (párerga), o que designa todas as importantes atividades realizadas pelo herói, porém, que não são seu objetivo principal e das quais vamos citar algumas.
Ao ir em direção do trabalho relacionado às éguas de Diomedes, Héracles pediu hospitalidade ao rei Admeto que de bom grado o recebeu apesar dos problemas que enfrentava. Quando soube que Alceste, a esposa do rei tinha se oferecido para morrer no lugar do marido, o filho de Zeus lutou contra Thánatos, a morte, vencendo-a e trazendo a rainha de volta
Quando retornava da conquista do cinturão de Hipólita, Héracles encontrou Troia dizimada por uma peste lançada por Apolo e atacada por um monstro enviado por Posídon. O herói então salvou a princesa que foi amarrada em um rochedo como forma de sacrifício em troca das éguas que foram dadas ao rei por Zeus. Como o rei não cumpriu sua parte no acordo e Héracles prometeu voltar para tomar a cidade.
Enquanto se dirigia ao monte Erimanto, o herói pediu hospitalidade ao centauro Folo que o recebeu. Héracles pediu vinho e o centauro negou em um primeiro momento afirmando que o único que possuía só podia ser consumido pelos centauros. Ao insistir, o herói foi atendido, o que fez com que os demais centauros os atacassem. Héracles os perseguiu e os matou, sendo que, com uma das flechas que envenenou com o sangue da Hidra de Lerna ele feriu acidentalmente o centauro Quirão, causando-lhe um ferimento incurável.
Folo, ao recolher os corpos de seus irmãos centauros, deixou cair em seus pés uma flecha envenenada e acabou por morrer. Após organizar os funerais o herói foi para Erimanto caçar o javali.
No momento em que se passava o trabalho correspondente aos estábulos de Augias, Héracles matou o centauro Eurítion, que tentou raptar Mnesímaca, filha do rei Dexâmeno que estava para se casar com Azane.
Retornou para Troia para se vingar de Laomedonte. Com um exército invadiu a cidade e matou o rei e seus filhos, exceto Podacres que era muito jovem.
Com o fim dos doze trabalhos é iniciado o ciclo da morte do herói. Após todas as conquistas que fez, Héracles ruma para a morte física e para a imortalidade junto de seu pai no Olimpo.
Casado com Dejanira, união esta que foi acertada com Meléagro quando o herói desceu ao Hades para buscar Cerbero, Héracles acidentalmente matou o copeiro Êunomo e, por conta desta morte, decidiu partir da corte de seu sogro, Eneu,
com sua esposa e filho.
Ao tentar atravessar um rio utilizando a embarcação do centauro Nesso, Dejanira quase foi violentada pelo centauro que foi morto por Héracles com uma flecha envenenada. Antes de morrer, o centauro entregou à esposa do herói uma túnica manchada com seu sangue, já envenenado pelo veneno da Hidra de Lerna misturado ao seu esperma, dizendo para que ela a usa-se caso um dia seu marido desejasse abandoná-la. Chegou então à Tráquis, na Tessália, onde seu primo Cêix reinava.
Competiu no manejo do arco contra Êurito pela mão de Íole. Ao vencer aquele que era considerado o melhor nesta arma, o rei não cumpriu sua palavra e Íole não foi desposada por Héracles com medo de que ele novamente enlouqueça e a mate, fazendo com que o herói jurasse vingança.
Héracles invadiu e incendiou a cidade após matar Êurito e seus filhos, exceto Ífito e Íole, que tornou-se sua comcubina. Mais tarde, Ífito veio a ser morto por Héracles em mais um acesso de loucura.
Procurando se purificar de seus atos descontrolados, foi até o oráculo de Delfos para perguntar como poderia o fazer, mas o oráculo se recusou a responder e Apolo interveio a favor de sua sacerdotisa. Uma luta entre Apolo e Héracles se iniciou e só foi encerrada com a intervenção de Zeus. O oráculo então decidiu por orientar Héracles em como se purificar pelos seus descomedimentos.
Como forma de penitência, o herói vendeu-se como escravo por três anos; o dinheiro ganho deveria ser entregue à família de Ífito como forma de pagamento pela morte do jovem. Dejanira foi deixada para trás e Íole foi levada como sua comcubina.
Héracles tornou-se escravo de Ônfale que o ordenou a realizar quatro trabalhos: O primeiro seria acabar com um grupo de ladrões chamado Cercopes;
O segundo trabalho seria libertar a Lídia de Sileu , filho de Posídon que obrigava os viajantes a trabalhar em sua vinhas e depois os matava;
Em seu terceiro trabalho, enfrentaria e mataria o ceifeiro Litienses;
E no último trabalho libertaria a Lídia dos Itoneus, um grupo de saqueadores. Impressionada com a habilidade de seu escravo, Ônfale descobriu as origens de Héracles, libertou-o e casou-se com ele, sendo que dessa união nasceu Lêmon.
um de seus criados que fosse até Dejanira buscar uma túnica, esta por sua vez, com medo de perder Héracles para sempre enviou-lhe a túnica manchada pelo sangue envenenado e o esperma de Nesso, seguindo o conselho do centauro.
Ao vestir a túnica, Héracles ficou enlouquecido com a dor causada pelo veneno que penetrava a sua pele. Ele tentou removê-la, mas conforme puxava, pedaços de sua carne saíam junto com a túnica.
O herói retornou à Tráquis e Dejanira ao ver o estado ao qual condenou seu amado acabou por tirar a própria vida. Héracles escalou o monte Eta e pediu para seus servos erguerem uma pira. Deitou-se nela e ordenou que colocassem fogo. Todos se negaram, exceto Filoctetes que recebeu como agradecimento de seu mestre o arco e as flechas, os presentes de Apolo.
Assim que o fogo começou a queimar o corpo, Zeus interveio e levou seu filho para o Olimpo. Héracles foi recebido em meio aos imortais e se reconciliou com Hera passando assim a ser definitivamente chamado de Héracles e deixando seu nome mortal, Alcides, para trás. Casou-se com Hebe que agora lhe serviria o néctar da imortalidade assim como o fazia aos deuses. Héracles conquistou sua imortalidade após completar seus trabalhos, pela sua honorabilidade e excelência, e por todo o sofrimento que passou.
Jasão, os Argonautas e o Velocino de Ouro
Jasão, em grego Ἰάσων nasceu filho de Esão e Polímede, e ao contrário de muitos dos heróis gregos, não era um semideus. Quando criança foi exilado após seu pai ser assassinado por seu tio Pélias. Educado pelo centauro Quirão, aos vinte anos retornou para reclamar o trono.
Pélias concordou em devolver o trono para Jasão, desde que o jovem o trouxesse o Velocino de Ouro. Jasão então convoca heróis e príncipes num total que varia entre cinquenta e cinquenta e cinco heróis, cada qual com sua especialidade que compõe sua tripulação formando assim os Argonautas.
A primeira parada do Argos, o navio em que navegavam, foi na ilha de Lemnos, onde os Argonautas tiveram filhos com as lemníades. Seguiram para a Samotrácia
e, a conselho de Orfeu, foram iniciados nos mistérios dos Cabiros, entidades que protegiam os navegantes.
Chegaram em Cízico, onde foram recebidos com um banquete, porém, no dia seguinte foram confundidos com piratas que atacavam o local com frequência. O combate se iniciou e Jasão acabou por matar o rei Cízico, sendo que o confronto só acabou quando o mal entendido foi esclarecido.
Quando aportaram na costa da Mísia, Héracles quebrou o remo do Argos por usar muita força, por isso adentrou uma floresta para conseguir madeira para construir outro. Hilas fez o mesmo para procurar água doce e nunca mais retornou. Preocupados com o desaparecimento do companheiro, Héracles e Polifemo saíram a procura de Hilas e não conseguiram retornar a tempo de embarcar no Argos que partiu sem eles.
O grupo foi para a terra dos bébricos e Pólux aceitou lutar contra o rei Âmico, um gigante filho de Posídon. Com a derrota do gigante, o Argos ancorou na Trácia onde, após Cálais e Zetes lutarem contra as Harpias, foram instruídos pelo rei Fineu sobre os perigos das Simplégades, um par de recifes móveis que esmagavam qualquer coisa que passasse entre eles. Fineu os aconselhou a usar uma pomba, caso ela cruzasse com sucesso, é porque o grupo teria sucesso, caso contrário, eles deveriam desistir.
Seguindo os conselhos de Fineu, utilizaram uma pomba que atravessou os recifes e teve apenas parte de sua cauda cortada, ao seguir com a nau, eles perderam parte da popa do Argo assim como a pomba perdera parte da cauda.
Entraram no Mar Negro e foram bem recebido pelo rei Lico. O advinho do grupo, Ídmon, faleceu ferido por um javali e Tífis, o piloto, foi substituído por Ergino. O grupo continuou sua viagem e chegaram à Cólquida.
O rei Eetes os recebeu e concordou em entregar o Velconio de Ouro para Jasão caso ele cumprisse quatro tarefas em apenas um dia:
1a tarefa: Por o jugo em dois touros com pés e cornos de bronze, presentes de
Hefesto e atrelá-los à uma charrete de diamante;
2a tarefa: Lavrar uma vasta área e depois plantar os dentes do dragão morto
por Cadmo;
4a tarefa: Eliminar o dragão que guardava o Velocino.
Sabendo dos perigos que Jasão enfrentaria, Medeia, filha do rei, deu ao herói um bálsamo que Jasão usou para untar seu corpo e suas armas, tornando-se invulnerável