2 A QUESTÃO TÉCNICA: A COMPOSIÇÃO DO PROCESSO ELEITORAL,
5.1 Perspectiva política das vereadoras e dos fiéis
A partir desse momento, algumas questões serão tratadas dentro de suas esferas comuns, isso quer dizer que as perguntas e respostas não serão espelhos como nas demais análises. As questões de entrevista e de questionário possuem um direcionamento mais especifico e, portanto, serão trabalhadas por um prisma diferenciado.
A primeira pergunta dessa categoria realizada para as vereadoras foi a seguinte: O partido político faz diferença no período de eleições? Se sim, quais os pontos eficazes a serem destacados?
Eu acho assim, quando um partido ele está dentro de uma administração e flui bem administração o cara faz alguma coisa que aí e fácil, não é que é fácil aí esse partido é um partido bom ou para você coligar para você se filiar, por exemplo, o PT teve um tempo atrás que era um partido até que bom para você, faz diferença ele estava no auge com o Lula , o Lula estava dizendo que a economia estava maravilhosa, que tudo era maravilhoso que ele tinha acabado com a fome dos pobres entendeu? A economia parecia que estava subindo, então isso faz diferença, eu acho que nessa eleição quem esta no PT ou nos partidos que coligarem com PT eu acho que eles tem um certo prejuízo, não sei, esse é a opinião que eu tenho e você, o que você acha? (TADEU, 2015).
Na visão da vereadora Sandra Tadeu o partido político faz diferença sim em um período eleitoral, haja vista as condições necessárias para se obter uma boa administração, conforme indicado pela vereadora. Ao mencionar a questão de filiação para com um partido político, a vereadora utiliza como exemplo o partido dos Trabalhadores (PT), que antes era atrativo de se filiar, mas com o passar do tempo o trunfo acerca do assunto economia foi se esvaindo e consequentemente foi perdendo apoio e credibilidade, tanto ao que se filia, como ao que se coliga. Nesse sentido Sandra Tadeu enxerga que há um prejuízo aos que estão em acordo com o partido do ex-presidente da República no atual momento da política brasileira e dessa maneira, uma boa administração faz a diferença sim.
Noemi Nonato também entende que o partido faça diferença sim:
Ele faz sim, não é. Mas, embora ele não seja fundamental para a eleição em si, ele é fundamental porque você precisa se identificar um pouco com o seu partido, com o programa do partido, com as suas propostas e quando não há essa identificação ou não te deixam espaço pra atuar, por exemplo, tem alguns partidos que a gente tem certa dificuldade para dialogar, de falar um pouco de nossas propostas, de andar lado a lado, ombro a ombro é difícil. Então o vereador acaba se sentindo um pouco incomodado, um pouco desprezado e ele acaba procurando outro partido quando há oportunidade de sair. Eu, por exemplo, estava no PSB e não deu pra gente ficar e acabei vindo pro PROS, por questão governamental mesmo e acabei e estou por aqui. (NONATO, 2015).
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Dentro do ambiente político partidário, há momentos dos quais o político tem de estar de acordo com a ideologia do partido, da mesma forma que trabalhamos esse conceito de ideologia em outro capítulo, aqui o político tem de estar de acordo. Quando isso não acontece há uma indisposição, segundo a vereadora e é aí que ocorre um conflito dentro do campo político. Pelo fato de não ser fundamental para a vereadora a instituição política para a eleição, podemos identificar que isso se manifesta nas suas relações político-partidárias, tendo em vista que antes ela estava no PSB como indicou, passou para o PROS e nessa temporada está no PR para mais 4 anos de vereança em São Paulo. Isso tem muito a ver com o que MAINWARING (2001) vai dizer sobre as características pessoais do candidato sobre o partido. O partido político se torna assim, uma forma institucional de adentrar na política, forma única de se fazer, pois sem partido o candidato não existe e tampouco disputa uma eleição. É bom deixarmos claro que, as análises realizadas aqui em relação ao partido político e vereador não estão condicionadas a uma faixa de interesse do político e sua igreja, ou seja, não estamos analisando se as candidatas pentecostais têm em seus mandatos a direção da igreja, corroborando com seu atuar ou até mesmo sugestões no sentido de atenderem demandas oriundas de líderes religiosos. Esse ponto de vista será tratado um pouco mais adiante.
O último elemento a ser analisado em relação as respostas obtidas pelas vereadoras entrevistadas, está voltado para a questão de leis que compreendem evangelização. Entendemos que esse item pode nos fornecer evidências para a constituição de um campo político de representação evangélica na Câmara Municipal. Existe um diálogo eficiente entre os vereadores, sobre os projetos de lei ou leis que compreendem evangelização?
Então isso é uma coisa que mais atinge a via especificamente para a gente não deixar morrer uma coisa muito bonita não sei se você já foi em algum Show da Fé, porque esses shows evangélicos é uma coisa totalmente diferente de você ir de qualquer lugar você não tem, pelo menos nos nossos, a gente não tem sujeira, a gente não tem ah... problemas, entendeu, bem diferente, então eu acho que e uma coisa que é um marco da cidade que reúne mais de 30 a 40 mil pessoas e acho que e isso ai. (TADEU, 2015).
Quando expomos os projetos de lei das vereadoras, não apresentamos o projeto citado pela vereadora Sandra Tadeu.
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PUBLICADO DOC 19/04/2012, pág. 120 JUSTIFICATIVA PL 173/2012 110
A presente propositura, tendo em vista o compromisso do Poder Público com o reconhecimento e proteção de manifestações de grupos participantes do processo de formação da cultura nacional, visa instituir no âmbito do Município de São Paulo o dia do evento sócio-cultural denominado “Show da Fé”, uma tradicional festa popular gratuita que atrai milhares de pessoas vindas de todo o Estado. O evento é realizado há mais de dez anos. Porém, foi a partir de 2003, com o tema “FOME ZERO”, que a mobilização ganhou repercussão. Na oportunidade, segundo dados da Secretaria Municipal de Abastecimento - Banco de Alimentos da Cidade de São Paulo, o evento arrecadou 85 toneladas de alimentos secos. Desde 2004, o Vale do Anhangabaú tornou-se a casa do encontro, realizado anualmente na Capital, com a finalidade de promover a união de pessoas de várias denominações religiosas em uma celebração composta por música e louvor, O encontro possui grande repercussão no Município de São Paulo. Assim sendo, ante a motivação exposta, pedimos o voto favorável dos Nobres Membros da Câmara, por se tratar de medida de relevante interesse público. (CÂMARA MUNICIPAL - SP, 2012).
O evento denominado ‘Show da fé’ é de autoria da vereadora Sandra Tadeu, com anuência em 2013. É importante frisarmos que na justificativa desse evento, não há uma especificidade mencionando que é um dia de evento evangélico e sim ‘com a finalidade de promover a união de pessoas de várias denominações religiosas em uma celebração composta por música e louvor.’ Nas palavras da vereadora é um evento que é uma grande festividade para cidade, uma espécie de marco sociocultural. Nesse caso, podemos nos valer da reflexão realizada por Paula Montero, quando diz que a religião “está ‘fora de seu lugar’ – isto é, está invadindo a esfera pública que deveria ser autônoma com relação às crenças – e, em conseqüência disso, está tornando-se ela mesma mercadoria, ao assumir uma lógica própria aos espaços profanos de consumo de massa.” (MONTERO, 2009, p. 8). O evento em questão possui os traços dessa lógica explicitada pela antropóloga, não somente em relação a comercialização dos bens simbólicos, mas também com a utilização de instrumentos que são próprios de eventos da esfera secular. No evento, são observados vários líderes religiosos conduzindo a massa com seus microfones aumentando o seu campo simbólico ao saírem do mundo privado e penetrando na esfera pública.
A resposta da vereadora Noemi Nonato é concebida de outra maneira, inclusive no oposto de uma concepção de Sandra Tadeu em uma questão respondida anteriormente.
110 Projeto Show da Fé. Documento disponível em: <
http://documentacao.camara.sp.gov.br/iah/fulltext/justificativa/JPL0173-2012.pdf>. Acesso em 10 de Nov. 2016
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Não exatamente. Cada um tem seu trabalho, defendem suas bandeiras aqui na casa. Já me perguntam se nós temos uma bancada evangélica, não, não temos. Por que não temos? Porque cada vereador aqui tem um segmento, ou seja, Assembleia de Deus, Universal é o vereador que foi eleito pela Brasil para Cristo, vereador que foi eleito pela Batista, né, enfim e outras Igrejas Assembleia de Deus e tal. Então cada um de nós temos um interesse diferenciado um pouco. É e quando se trata de um projeto, que fere um pouco os princípios da igreja, porque a gente acha que vai prejudicar, aí a gente se une, todo mundo se une e a gente acaba conversando com os demais vereadores, assim como eles quando tem algum projeto que vai prejudicar o seguimento dele, eles vem e pedem auxílio para os vereadores evangélicos. Depende muito de situações, não que agente trabalha aqui simplesmente, dizer assim eles fazem acepção. A gente não faz acepção, a gente tenta compreender e acaba dando certo e os irmãos ficam felizes. (NONATO, 2015).
Ao dizer que cada um defende sua bandeira, a vereadora apresenta uma divisão entre os evangélicos da casa. Ela afirma não existir uma bancada evangélica, diferentemente da vereadora Sandra Tadeu em outra resposta que diz existir uma bancada evangélica. Para explicar o fato de não existir uma bancada evangélica, a vereadora se apoia nos segmentos de cada político.
Nesse relato em específico, tomamos como fundamentação o conceito explanado por Saulo de Tarso Cerqueira Baptista.
O contexto faz o político. Esta afirmação exige esclarecimentos específicos no caso do político pentecostal. Por se tratar de político que pertence a um coletivo suprapartidário, mas com interesse em algumas questões, ele deve atender às demandas da instituição que o conduziu ao parlamento ou ao executivo. Além disto, como o seu grupo de interesse não é um segmento econômico, profissional, ou de políticas específicas, como é o caso de certas bancadas, tipo a ambiental, da saúde, educação, habitação e semelhantes, o político pentecostal necessita estar sintonizado com os anseios diversos da sua igreja que representa. (BAPTISTA, 2009, p.286).
Para nos apoiarmos na afirmação do professor Saulo, nos basta estabelecer relação entre a sua teoria e o discurso da vereadora. O contexto realmente irá fazer o político, tendo em vista que quando algo pode prejudicar ou ferir os princípios da igreja, automaticamente os vereadores se unem e fazem aquilo que lhes é correto. Isso também nos coloca na esteira da teoria de Pierre Bourdieu, pois o habitus de classe aqui identificado vai agir como instrumento de conservação do campo religioso, por intermédio da política. O fato de trabalharem juntos para a manutenção desse campo religioso dentro do cenário político faz com que os políticos ajam de forma pensada e estruturada, visando assim interesses que lhe são conferidos. Enfim, todos os irmãos ficam felizes, quando o resultado é positivo, mesmo não existindo uma bancada evangélica, somente existindo o modelo de político pentecostal, que nesse caso específico foi constatado. Depois de analisarmos as
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últimas questões voltadas para as vereadoras, nos debrucemos em duas questões que foram apresentadas aos fiéis em relação ao conhecimento político.
Em nosso capítulo que apresentamos a questão técnica do processo eleitoral, não coube realizar essas reflexões que seguirão abaixo: O seu voto é direcionado para o partido político ou para o candidato?
Figura 17: Direcionamento do voto do fiel
Fonte: Dados coletados em pesquisa de campo – 17 mai. 2016
Conforme dissertamos no capítulo de questão técnica, a prática recebida nas questões apresenta a constatação da teoria política da baixa institucionalidade partidária, ou seja, “De forma geral, os estudos sobre os partidos no Brasil compartem a idéia de que as organizações partidárias são instituições frágeis.” (MENEGUELLO, 1998, p. 28). Com apenas 4% das respostas, podemos apurar que o partido político não possui força perante as qualidades pessoais do candidato. Segundo BORGES (2007) no caso brasileiro há uma estrutura institucional que favorece o político individualmente em relação ao partido que está vinculado, pois os partidos políticos não conseguem estabelecer laços com esses eleitores. O partido político, não se faz presente como norteador das ideologias políticas dos questionados. Por outro lado, podemos entender que os 96% aqui representam o eleitor que vota naquele candidato, que em teoria o representa e isso faz com que as eleições de lista aberta sejam as eleições nas quais um candidato forte leva consigo os menos fortes, que são do partido ou fazem parte de uma coligação.
Por fim e não menos importante analisaremos a questão que se apresenta como elemento de extrema importância para o trabalho, pois essa questão representa o interesse que o fiel assembleiano das igrejas estudadas tem em relação a política. Nesse tocante perguntamos: Qual o seu interesse em política?
4%
96%
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Figura 18: Percentual de interesse em política segundo os fiéis
Fonte: Dados coletados em pesquisa de campo – 17 mai. 2016
A questão nos traz uma realidade de certa forma aquém do ambiente politizado, pois os fiéis em sua maioria não possuem nenhum tipo de interesse em política. Os 42% dos pesquisados que responderam não ter nenhum interesse por política, podem dizer o porquê de certos comportamentos observados nas respostas ao longo do trabalho, tais como não conhecer vereador evangélico e realizar alguma reivindicação a candidatos ou políticos. A falta de interesse na política corrobora com a falta de conhecimento sobre vereadores que professam a fé protestante, pois se o fiel evangélico não conhece um irmão que é vereador, logo, podemos entender que o seu voto é direcionado para candidatos não evangélicos ou em outras oportunidades para brancos e nulos. Em relação as reivindicações, podemos entender que se existe falta de conhecimento para com candidatos e políticos municipais evangélicos, as suas localizações também podem ser desconhecidas, caso da Câmara Municipal ou diretório municipal no qual o candidato se instala em período eleitoral.
Reforçando a ideia de que o desconhecimento pode ter sido advindo da ausência de relação com a política, 34% aqui nessa pesquisa pouco se interessa por política e com isso nos leva a pensar mais fortemente que, esse ser alheio à prática política pode ser um fator determinante para uma espécie de indiferença. É possível pensarmos que essa indiferença é algo que não deixa o munícipe estar a par de assuntos que socialmente são importantes para sua cidade. Geralmente, assuntos importantes da esfera social são tratados por líderes políticos, que aqui no caso são os legisladores municipais.
42%
34%
16%
8%
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Para aqueles que possuem um razoável interesse por política, responsáveis pelos 16% podem ser pessoas que estão de alguma maneira, cientes de algumas situações políticas, sejam elas pela mídia, sejam elas por conversas e constatações nas estruturas e superestruturas. Com 8% temos aqueles que se interessam muito por política e possivelmente sejam aqueles que estão mais integrados da situação do cenário político. Sendo assim, as respostas concedidas em questionários, foram de certa forma sucintas, o que não permite realizar uma análise mais detalhada em relação a essa perspectiva acima apresentada.
Com as respostas analisadas, tanto por parte das vereadoras Sandra Tadeu e Noemi Nonato, como por parte dos fiéis pesquisados, chegamos ao término das análises, permitindo assim que passemos as considerações finais dessa pesquisa.
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CONSIDERAÇÕES FINAIS
O trabalho aqui exposto buscou percorrer um breve histórico do pentecostalismo brasileiro a fim de compreender as perspectivas histórico, religiosas e políticas do fiel assembleiano, o qual, exerce seu voto no município de São Paulo.
Procuramos compreender o processo eleitoral a partir de um ponto de vista técnico, pois, tínhamos em mente, estruturar uma situação que envolve um processo institucional e uma experiência por muitos desconhecida. É evidente que muitos pesquisadores dentro da sociologia e das ciências da religião (Baptista, Campos, Freston, Machado entre outros) trabalham o tema religião e política. Partindo de uma intencionalidade de entender as perspectivas políticas e eleitorais dos fiéis aqui estudados, buscamos apresentar de maneira didática como ocorre o processo eleitoral e como ele é visto e vivido, tanto por políticos como por eleitores.
Ao escolhermos como objeto de pesquisa a Igreja pentecostal Assembleia de Deus, buscamos tratar um tema com a maior instituição pentecostal do país, o que nos permite apreender muito dentro dessa diversidade de ministérios. Em consonância a isso, também como pode ser entendido o pensamento desses fiéis. O tema de perspectiva político-eleitoral desses agentes religiosos foi tratado tendo como fundamento Pierre Bourdieu e Max Weber.
As teorias utilizadas nessa pesquisa permitiram que pudéssemos entender o campo simbólico, juntamente com o habitus. Essas teorias criadas por Pierre Bourdieu para preencher uma espécie de lacuna nas teorias de Durkheim, Weber e Marx, foram fundamentais para entendermos a constituição da perspectiva eleitoral dos assembleianos escolhidos. Como habitus entendemos um sistema de disposições dotado de estruturas estruturantes, que estão presentes no jogo, que é disputado no campo simbólico pelos agentes formuladores desses habitus.
A análise das entrevistas realizada ao longo das questões permitiu que ficassem claros os conceitos de habitus e campo. Em conjunto com as teorias de Pierre Bourdieu, utilizamos também as teorias de Max Weber com os conceitos de carisma e político profissional. O carisma foi detectado e explanado nos discursos das mulheres políticas, assim como o fundamento de político profissional.
O campo observado durante o trabalho ora foi conservado e ora foi transformado. Isso se deu graças a definição dos habitus dos agentes envolvidos na disputa. Nos capítulos que continham as análises, tivemos a oportunidade de
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entender o pensamento desses pesquisados em relação as suas perspectivas políticas.
No capítulo de interpretação de visão eleitoral, observamos a perspectiva das políticas e dos fiéis em relação a uma possível diferença entre candidatos evangélicos e não evangélicos. As vereadoras inicialmente responderam que não havia diferença, mas no decorrer do discurso constatamos que elas se enquadram como diferentes em relação aos políticos seculares, pois são cristãs evangélicas. Da mesma maneira que as vereadoras pessoalmente se destacam, os fiéis também entendem que exista diferença, principalmente pelo ponto de vista religioso que aqui foi aplicado.
A segunda pergunta respondida pelas vereadoras mostrou que no entendimento delas, somente parte de seus eleitores sabiam qual é função de um vereador. Do mesmo modo, os fiéis corroboraram para a manutenção daquilo que consideramos como campo simbólico. Como pergunta técnica acerca de uma lei instituída na cidade de São Paulo em relação ao uso e ocupação do solo, as vereadoras se apresentaram tecnicamente conhecedoras do projeto, até mesmo porque são políticas que fazem parte da organização dessa lei. Diferentemente das vereadoras, os fiéis pesquisados em sua maioria não tem posição sobre a lei aqui apresentada e, consequentemente tem a ver com a não participação política do eleitorado em questão, que foi verificada no último capítulo.
A pergunta seguinte está relacionada aos principais desafios que um cristão pode enfrentar no ambiente político. As vereadoras inicialmente responderam que não há desafios a serem desbravados por um cristão no ambiente político, e que todos possuem desafios (religiosos ou não). Um pouco mais adiante nos discursos das duas vereadoras há uma inversão de papéis, com a ideia de que seus caminhos são trilhados conforme a ordem religiosa sim, não no sentido doutrinário de igreja, mas em um sentido espiritualizado segundo a Bíblia e conhecimentos cristãos.
Taxativamente os fiéis responderam que existem sim desafios para um cristão dentro do ambiente político, principalmente com uma escala de respostas que perpassam pelo comportamento, corrupção, defesa da cultura religiosa cristã e tentar mudar a sociedade. Para apoiar essa perspectiva dos fiéis, trouxemos