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PERSPECTIVAS FUTURAS

No documento RELATÓRIO & CONTAS 2020 (páginas 100-105)

4. PERSPECTIVAS FUTURAS

4. PERSPECTIVAS FUTURAS

As perspectivas para a economia portuguesa deterioraram--se abrupta e significativamente com a pandemia COVID-19 e estão rodeadas de grande incerteza. Esta pandemia correspon-de também a um choque económico adverso com efeitos muito significativos e potencialmente prolongados no tempo, em termos do bem-estar dos cidadãos e da actividade das empresas.

A situação actual não tem precedente histórico recente e caracte-riza-se por um elevado grau de desconhecimento relativamente ao impacto económico da pandemia, mas, e tal como aconteceu no período da Troika, verificou-se um decréscimo significativo na produção de RU e a recuperação da produção de resíduos foi lenta e ainda se encontrava em sentido de recuperação, pelo que se perspectiva um comportamento semelhante nos próximos anos.

Espera-se primeiramente a estabilidade e melhoria do contexto epidemiológico mundial e do País, para o regresso a uma norma-lidade possível, com gradual crescimento económico e recupera-ção das condições sociais.

Mas é importante fazer um diagnóstico da situação e, numa segunda fase, propor um conjunto de medidas necessárias para responder em condições de segurança e ambientais a uma nova crise, nomeadamente novas infra-estruturas, novas metodologias

de intervenção e novas actividades conjuntas de SGRU’s.

Numa terceira fase é fundamental ter presente o cumprimento das metas hoje consignadas – e como sabemos com grande difi-culdade de cumprimento de algumas – e verificar a adequação das propostas realizadas no final da segunda fase ao cumprimen-to do conjuncumprimen-to das metas existentes. Da análise desta adequação decorrerão eventuais novas propostas.

Há que responder a perguntas como esta: que infra-estrutu-ras serão necessárias para garantir ao país um sistema seguro de tratamento de resíduos e sua eliminação em casos de novas pandemias ou da reincidência desta? Julgamos que esta nova variável que agora surgiu deverá fazer as entidades responsáveis considerar novas soluções técnicas que permitam a segurança das populações, dos trabalhadores e não menos importante, do ambiente.

Estando definido o que se deve fazer, há que realizar a quarta fase, programar quando se faz, associando os apoios do próximo quadro de financiamento plurianual de 2021/2027 para o finan-ciamento das realizações previstas.

Isto porque, não obstante as importantes conquistas e desenvol-vimentos observados no sector nas duas últimas décadas – como o encerramento das lixeiras, o investimento nacional e comuni-tário em infra-estruturas de recolha, tratamento e valorização de resíduos, a criação de Sistemas Integrados de Gestão de Fluxos

Específicos de Resíduos, a constituição de CIRVER, a aprovação de planos sectoriais de resíduos, a publicação de enquadramento legislativo dedicado, criação de medidas de apoio financeiro, a sensibilização e maior consciencialização ambiental dos cidadãos, entre outros – o esforço significativo realizado no País, nomeadamente no respeitante ao aumento do número de infra--estruturas de recolha selectiva (ecocentros e ecopontos), não teve reflexos proporcionais nos quantitativos recolhidos selectivamente e nos comportamentos da população.

Este facto evidencia um certo atraso do sector em relação às regras europeias e demonstra a enorme dificuldade que se irá sentir para dar cumprimento às novas metas comunitárias, muito mais exigentes e ambiciosas.

Importa, por isso, que o novo ciclo de planeamento de política nacional de resíduos crie alterna-tivas de solução diversificadas, adaptadas a diferentes realidades territoriais, eficazes e dinâmi-cas para um sector em constante mudança e convulsão, conducentes a uma mudança de para-digma na recolha e tratamento dos resíduos, bem como à inversão de resultados actualmente pouco abonatórios de Portugal no contexto europeu.

Desta forma, a TRATOLIXO pretende concluir os trabalhos de elaboração do seu Plano Estraté-gico de Resíduos, em conjunto com os Municípios, de modo a definir o caminho a percorrer nos próximos anos.

A empresa conta, por isso, com a execução dos investimentos co-financiados pelo PO SEUR associados às empreitadas, em curso, relativas à construção da nova Central de Valorização de Resíduos Verdes e da Adaptação e ampliação das unidades de tratamento mecânico de Trajou-ce e tratamento biológico da Abrunheira, que serão determinantes para dar cumprimento às metas do PERSU 2020+ de preparação para reutilização e reciclagem e desvio de RUB de aterro. Pretendemos ainda alcançar a optimização do funcionamento da CT de Trajouce para uma maior eficiência de processo e ganhos ambientais e económicos.

Estamos claramente expectantes com os desafios da implementação do Decreto-Lei n.º 102-D/2020 de 10 de Dezembro – que reviu e aprovou a nova versão do Regime Geral de Gestão de Resíduos (RGGR), bem como o regime jurídico de deposição de resíduos em aterro e alterou o regime da gestão de fluxos específicos de resíduos (UNILEX) em consonância com diversas directivas comunitárias – e o que os mesmos trarão para o Sistema AMTRES. Por outro lado, preocupam-nos também as impli-cações económicas e ambientais para o Sistema e para o País decorrentes da aprovação do Decre-to-Lei n.º 92/2020 de 23 de Outubro – que regula o regime jurídico da TGR – bem como do próprio RGGR, no que a este tema concreto diz respeito. Estima-se que, com base nos valores assumidos nestes enquadramentos legais para o período de 2021 e 2025, os custos imputados aos municípios da AMTRES associados a esta componente supe-rem os 35 M€ – considerando apenas o encami-nhamento de resíduos para destino final aterro – sendo que o maior salto no esforço financeiro a realizar concentra-se já em 2021, ano em que se verifica a duplicação do valor de TGR atribuído para cada tonelada de resíduo depositado em aterro.

Apesar de ser evidente que a alteração destas regras legislativas foi pensada pelos decisores políticos para desencorajar a opção de deposição final em aterro e também a de incineração de resíduos indiferenciados – modalidade esta cuja classificação está dependente das eficiências demonstradas pelas unidades da Valorsul e Lipor a nível nacional – e incentivar a redução da produção de resíduos, a sua separação na fonte e a reciclagem de materiais com vista ao alcan-ce dos objectivos nacionais em matéria de gestão de resíduos, entendemos que a medida seja brusca e vem onerar profundamente as finanças municipais que, devido à situação pandémica, não se sabe como e de que forma serão suportadas.

E isto é particularmente importante para o Sistema AMTRES atendendo às taxas de refugo e rejeitados produzidos cumulativamente nos processos de TMB e triagem de resíduos reciclá-veis, que no âmbito da actual legislação não sendo alvo de diferenciação em termos de paga-mento de TGR face aos resíduos não tratados, representarão uma fatia muito substancial dos custos ligados a esta matéria.

Apesar destas ansiedades, concordamos que este é o caminho a percorrer, no sentido de mudar comportamentos de cidadãos, empresas e operadores de resíduos, desde que sejam criadas as alternativas e implementadas medidas profundas para uma adequada gestão dos mesmos. Mantemos, porém, algum optimismo para os próximos tempos, direccionado para o desenvolvi-mento de projectos de I&DT internos – como o “Circular Simtech e outros que estão entretanto a ser delineados – e projectos desenvolvidos pelos municípios – como os projectos-piloto de recolha selectiva de biorresíduos, o Projecto “Mafra a Reciclar +” na óptica das Reverse Vending

Machines e o Projecto “iREC” de Cascais – na procura constante de novas soluções de valorização

dos resíduos.

Continuaremos também atentos à possibilidade de elaboração de novas candidaturas de projectos a financiamento nacional e comunitário, quer por via da aplicação da nova TGR, do Fundo Ambiental, PO SEUR ou outros.

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5. PROPOSTA

No documento RELATÓRIO & CONTAS 2020 (páginas 100-105)