RELATÓRIO DE ACTIVIDADE DO GRUPO
9. Perspectivas para 2009
9.1. Perspectivas Globais
O ano de 2009 afigura-se bastante sombrio, com a economia mundial a enfrentar sérios riscos de recessão e, embora com menor probabilidade, de deflação. A menos que as actuais tensões sobre os mercados financeiros sejam substancialmente atenuadas, a conjuntura económica internacional ficará assinalada pela retracção do crescimento, a diminuição do comércio mundial e as dificuldades de acesso ao crédito, com o aumento do desemprego a induzir uma contracção acentuada do consumo privado.
Nos países mais desenvolvidos, fortemente afectados pela grave crise do sistema financeiro, é esperada uma redução do PIB que, de acordo com as últimas projecções da OCDE, poderá atingir os 4%, nos EUA e na Zona Euro, e cerca de 6,5%, no Japão.
As principais economias emergentes, ainda que sofrendo, inevitavelmente, o impacto desta contracção – sobretudo aquelas que mais dependem das exportações e dos fluxos de financiamento externo – deverão manter taxas de crescimento relativamente robustas (casos, designadamente, da Índia e da China, para os quais se estimam aumentos do PIB de 4,3% e 6,3%, respectivamente).
Neste contexto, o sector da construção registará, provavelmente, o seu pior ano desde 1991, assistindo-se, pela primeira vez, a um crescimento nulo, ou quase nulo, do consumo mundial de cimento: a progressão esperada para os mercados de África (acima dos 10%) e Ásia (6,5%, excluindo o Japão) não deverá ser suficiente para anular a queda (da ordem dos 9 a 12%) dos mercados dos EUA, Reino Unido e Zona Euro.
Nestes últimos, é natural que tanto a sub-utilização da capacidade instalada como a recente descida dos fretes marítimos (favorecendo as importações) exerçam alguma pressão sobre os preços de venda e, consequentemente, sobre as margens de exploração, o que, no entanto, deverá ser mais do que compensado pela acentuada redução do custo dos combustíveis.
9.2. Grupo CIMPOR
No Grupo CIMPOR, os esperados aumentos de EBITDA no Egipto, África do Sul, China e Índia deverão ser suficientes para anular as prováveis quedas de Portugal e Espanha, permitindo que o Cash Flow Operacional do Grupo se situe, pelo menos, ao mesmo nível do alcançado em 2007 (acima dos 600 milhões de euros).
O período de recessão que os dois países ibéricos actualmente atravessam aponta para uma diminuição do consumo de cimento da ordem dos 6%, em Portugal, e de mais de 20%, em Espanha, o que, a par das dificuldades colocadas à exportação (dada a contracção da procura), permite antecipar uma redução do EBITDA conjunto destas
duas Áreas de Negócios em perto de 40 milhões de euros. Redução esta que seria ainda mais significativa caso a CIMPOR não houvesse recentemente adquirido a totalidade das operações desenvolvidas pelo Grupo Cemex nas Ilhas Canárias, as quais, para além da sua rentabilidade própria, garantem às fábricas da Península a colocação de quantidades significativas de clínquer, permitindo-lhes uma maior utilização da sua capacidade instalada.
Em Marrocos e na Tunísia, apesar da conjuntura económica internacional – com impacto, sobretudo, ao nível das exportações, das receitas do turismo e das remessas de emigrantes – o consumo de cimento deverá manter a sua tendência de crescimento, ainda que a um ritmo mais moderado que nos anos anteriores. Sendo expectável alguma actualização de preços (principalmente na Tunísia) e dada a descida do custo dos combustíveis, ambas as Áreas de Negócios deverão ver aumentados os seus resultados operacionais.
No Egipto, o mercado do cimento continua a revelar uma enorme robustez, traduzida em taxas de crescimento que, pelo menos no primeiro semestre, serão provavelmente da ordem dos dois dígitos. A manterem-se os actuais níveis de preços e de taxa de câmbio da moeda local, o EBITDA gerado nesta Área de Negócios poderá registar um incremento superior a 20 milhões de euros.
Na Turquia, pelo contrário, as últimas estimativas apontam para uma variação negativa do PIB (de entre 1 a 2%), um declínio do consumo de cimento próximo dos 10% e – face ao excesso de capacidade instalada e à dificuldade em o absorver via exportações, dado o abrandamento da procura nos países vizinhos – uma continuada pressão sobre os preços de venda. Nesta conjuntura, a conclusão do investimento em Hasanoglan, prevista para o final do terceiro trimestre, poderá não ser suficiente para evitar nova queda do Cash Flow Operacional.
No Brasil, ainda que a contracção da procura externa conduza a uma quase estagnação do crescimento económico, o sector da construção e obras públicas deverá continuar a beneficiar do actual ciclo de redução das taxas de juro e dos estímulos previstos no
“Programa de Aceleração do Crescimento” (PAC). Mantendo-se a tendência de recuperação dos preços de venda e dada a queda do custo dos combustíveis, é expectável que o EBITDA da Cimpor Brasil registe uma melhoria sensível em moeda local. No entanto, perante a recente depreciação desta última, o seu valor em euros poderá não aumentar significativamente.
Em Moçambique, o conjunto de obras públicas em carteira e o prosseguimento de alguns projectos privados actualmente em curso deverão continuar a sustentar o crescimento do sector da construção e, por conseguinte, do consumo de cimento. No entanto, a recente decisão governamental de acabar com a sobretaxa que era imposta à importação de cimento poderá conduzir a alguma perda de quota de mercado e a uma maior pressão sobre os preços de venda, com reflexos inevitáveis ao nível das margens de exploração.
Na África do Sul, as últimas estimativas apontam para um crescimento do PIB próximo de zero, antevendo-se uma quebra do consumo de cimento que poderá atingir os 10%.
No entanto, com a nova linha de produção de clínquer em pleno funcionamento (quando, em 2008, tal só aconteceu em menos de metade do ano), o contributo desta Área de Negócios para o aumento do EBITDA do Grupo será, provavelmente, dos mais significativos.
Em Cabo Verde, o investimento público – muito centrado nas obras de expansão e melhoramento das infraestruturas portuárias – não será certamente suficiente para contrabalançar a forte retracção do investimento privado, pelo que é de esperar uma quebra acentuada das vendas, principalmente na área do betão.
Tanto na China como na Índia, o abrandamento das respectivas economias não deixará de ter reflexos no sector da construção e, consequentemente, no consumo de cimento, prevendo-se que o mesmo sofra alguma desaceleração, aumentando, em ambos os casos, não mais do que 4%. O EBITDA destas duas Áreas de Negócios deverá, no entanto, registar um forte crescimento: no caso da Índia, pela melhoria, já visível, do seu desempenho operacional, aliada ao facto de 2009 ser o primeiro ano completo da sua integração no Grupo; no caso da China, pelo efeito da recente compra de uma nova empresa e da próxima entrada em exploração das unidades actualmente em fase final de construção.