CAPÍTULO I AS PERSPECTIVAS DO PERSPECTIVISMO
Seção 2 – As palavras sobre Nietzsche
2.3 Perspectivismo e Pragmatismo
Outra importante referência para a interpretação do perspectivismo, que ainda tem sido alvo de muitas discussões, é a interpretação analítico-pragmática patrocinada por intérpretes como Arthur Danto (1924-2013), que a desenvolve na obra Nietzsche as philosopher (1965), de influência marcante, sobretudo, no âmbito cultural anglo-saxão. No Prefácio estendido à obra, de 2004, Danto (1965, p. XVI) relembra: “O Nietzsche que emergiu ‘como filósofo’ do meu livro foi um Nietzsche desconhecido, tratado como um 59 Tradução nossa. No original: “La notion du perspectivisme s'imbrique dans celle d'interpretation. Souvent,
Nietzsche les donne pour synonymes. Cependant, l'idée de la ínterprétation, non seulement précise et complète celle de perspectivisme, mais imprime à la problématique de la connaissance une nouvelle orientation. [...] L'idée d'interpretation conduit ainsi à ce que Nietzsche appelle “le phénomenalisme”: le phénomenalisme est la conception de la connaissance selon laquelle ce qui est “connu” représente un ensemble de “phénomènes”, ou d'apparences, liés et ordonnés en fonction d'une “perspective” particulière et reflétant les exigences vitales d'un centre de Volonté de puissance”. (Granier, 1966, pp. 314-319)
contribuidor para as questões centrais da filosofia analítica”60. Esse comentário reitera um
outro, feito no primeiro prefácio de 1964, onde Danto (1965, p. XXV) escreve:
Nietzsche não pode ser considerado como uma influência sobre o movimento analítico da filosofia, a não ser de algum modo subterrâneo. Mas esse movimento deve recuperá-lo como um antecessor. Entretanto, não é tarde demais para ele se tornar uma influência. Espero que este volume não só torne clara a sua filosofia, mas também ajude a introduzir seus argumentos e contendas dentro do contexto da discussão e intercâmbio que é onde vive a filosofia61.
Tratar Nietzsche “como filósofo”, como quer o próprio título da obra, significava naquele momento conferir ao seu pensamento o status de filosofia. O “como filósofo” de Danto, todavia, possui uma orientação muito bem definida, que diz respeito a uma importante linhagem da filosofia contemporânea, a filosofia analítica. Como se sabe, o emprego singular do título “filosofia analítica” é bastante problemático, em virtude da série de pensadores, influências e orientações que se reúnem em torno dela. Há, entretanto, um ponto comum que identifica essas diferenças: a análise do significado dos enunciados como método para abordagem e solução dos problemas filosóficos.
Redigida sob esse viés, Nietzsche as philosopher acaba por cumprir duas tarefas complementares, ao tentar instituir e justificar o status filosófico da obra de Nietzsche, concomitantemente instituindo e justificando seu vínculo com a filosofia analítica. Essa manobra requer que Danto enfrente, dentre outros, o tema do perspectivismo ao qual ele dedica em sua obra um capítulo específico (III). Como sequência argumentativa dos capítulos Philosophical Nihilism e Art and Irrationality, o capítulo intitulado simplesmente como Perspectivism inicia apoiando-se em algumas citações62 de Nietzsche para
caracterizar o homem como uma criatura sensitiva, delicada e sofredora, que necessita de certos consolos como a metafísica e a religião63. Danto acredita que essa necessidade está
60 Tradução nossa. No original: “The Nietzsche who emerged “as philosopher” from my book was an
unfamiliar Nietzsche, addressed as contributor to the central issues of analytical philosophy”. (Danto, 1965, p. XVI).
61 Tradução nossa. No original: “Nietzsche cannot be regarded as having been an influence upon the analytic
movement in philosophy, unless in some devious, subterranean way. Rather, it is for the movement to reclaim him as a predecessor. It is, however, not too late for him to become an influence. I hope that this volume will not only make clear his philosophy but also help to introduce his arguments and contentions into the context of discussion and interchange which is where philosophy lives”. (Danto, 1965, p. XXV)
62 Por exemplo MA/HH, 109.
63 Embora Danto não nomeie estes interlocutores no capítulo, sabemos que a versão nietzscheana da tese
no pano de fundo de todo o pensamento nietzscheano, que em seu desenvolvimento periódico responde de modos diferentes a ela. A primeira resposta de Nietzsche para tal necessidade, e que de certo modo equaliza os textos do período da juventude, seria a arte e seu projeto de justificativa estética da existência. Com a tendência “positivista” de sua filosofia intermediária, por sua vez, Nietzsche passa a buscar um modo mais adequado de satisfação dessa necessidade, outorgando à ciência a função que era então da arte.
Mediante essas ponderações iniciais, que lhe permitem passar rapidamente pelo período da juventude e avançar ao período intermediário, Danto pode enveredar na discussão que lhe interessa e que o colocará em contato com o perspectivismo. Ele chama a atenção para uma questão fundamental que fica mal compreendida quando se fala na transição dos períodos e a suposta “positivação” da filosofia de Nietzsche:
A ciência, assim como a arte (em sentido estrito), é criação ou invenção, em vez de descoberta de uma tese [...]. Não segue disso que devemos julgar a ciência esteticamente, mas que de fato Nietzsche estava preocupado em julgar mesmo a arte (em sentido estrito) dessa forma. O critério era sempre e somente se qualquer uma das estruturas que ciência exemplificava melhorava e facilitava a vida. (Danto, 1965, p. 53)64
Tal como (o consolo da) arte, (o consolo da) ciência é uma criação, uma invenção e não uma descoberta, e que atende a um critério pragmático. Assim, também a ciência deve ser julgada, não por ser uma espécie de consolo mais verdadeiro e que corresponde mais à realidade, mas tendo em mente se e quanto ela contribui para a vida. Ao empregar tal medida, Danto (1965, p. 54) entende que Nietzsche está operando com um “critério pragmático de verdade: p é verdadeira e q é falsa se p funciona e q não”65. Essa postura
pragmática66 de Nietzsche ancora-se, por sua vez, em sua concepção peculiar de linguagem
Lange. Danto possivelmente tem em mente MA/HH, 27.
64 Tradução nossa. No original: “Science, like art (in the narrow sense), is creation or invention rather than
discovery [...]. It does not follow that we are to judge science aesthetically, any more than, in fact, Nietzsche was concerned to judge even art (in the narrow sense) that way. The criterion was always and only whether any of the structures which science exemplified enhanced and facilitated life”. (Danto, 1965, p. 53)
65 Tradução nossa. No original: “Nietzsche, as we shall see, advanced a pragmatic criterion of truth: p is true
and q is false if p works and q does not”. (Danto, 1965, p. 54)
66 A relação de Nietzsche com o pragmatismo fora discutida desde o início do século XX, com Berthelot, que
investiga as semelhanças entre os pensamentos de William James, John Dewey, Nietzsche, Bergson, Poincaré e alguns modernistas católicos, correlacionando-os ao mesmo movimento intelectual. Berthelot ainda traçou as raízes românticas e utilitaristas do pragmatismo, respectivamente de Schelling, Hölderlin e Darwin, Spencer. No que se refere especificamente a Nietzsche, Berthelot chamou a atenção para a semelhança entre o perspectivismo e a teoria pragmática da verdade.
como “estruturações arbitrárias do caos” (arbitrary structurings of chaos), ponto chave de sua filosofia. Para Danto, Nietzsche é um dos primeiros pensadores contemporâneos a perceber que tanto filósofos quanto homens comuns acreditam haver “[...] uma ordem objetiva no mundo, que é antecedente a quaisquer teorias que possam ter sobre o mundo, e que essas teorias são verdadeiras ou falsas estritamente se elas representam essa ordem corretamente” (Danto, 1965, p. 54)67.
De acordo com Danto, Nietzsche não só percebe como rejeita essa concepção de mundo como estrutura independente e objetiva, que opera com um critério correspondencial de verdade, o que se dá através da denúncia ao caráter arbitrário da linguagem. Justamente por isso, na ótica de Danto, Nietzsche é um predecessor da vertente analítico-pragmática68 da filosofia, e aqui sua interpretação começa a se aproximar do
perspectivismo. A exemplo de Heidegger, Danto se vê forçado a repensar a constituição do “mundo aparente” frente à rejeição nietzscheana do mundo objetivo, porém não como consequência de um movimento de inversão ou esquecimento, mas pela denúncia da linguagem. Danto recorre a MA/HH 16 para fundamentar sua interpretação:
Os filósofos costumam se colocar diante da vida e da experiência – daquilo que chamam de mundo do fenômeno – como diante de uma pintura que foi desenrolada de uma vez por todas, e que mostra invariavelmente o mesmo evento: esse evento, acreditam eles, deve ser interpretado de modo correto, para que se tire uma conclusão sobre o ser que produziu a pintura: isto é, sobre a coisa em si, que sempre costuma ser vista como a razão suficiente do mundo do fenômeno. (Nietzsche, 2000, p. 26)
Parmênides e Platão relegaram à tradição metafísica uma desqualificação do mundo aparente, na medida em que o conceberam como um mundo que aparece ao homem, quando na verdade se trata de um mundo “instituído” por seu intelecto. Isso não significa que o mundo aparente deixe de ser falso, mas que essa falsidade precisa ser assumida pelo homem, já que o mundo aparente agora pensado, não é uma ilusão à qual temos acesso, com a qual nos deparamos, mas uma ilusão criada por nós.
67 Tradução nossa. No original: “[...] an objective order in the world, which is antecedent to any theories we
might have about the world; and that these theories are true or false strictly according to whether they represent this order correctly”. (Danto, 1965, p. 54)
Como se sabe, uma das maiores pretensões da metafísica tradicional foi rejeitar justamente o ilusório mundo aparente em prol de um mundo real, objetivo, verdadeiro, e aqui residiria a novidade da filosofia analítica também partilhada, segundo Danto, por Nietzsche, pois:
Mesmo esse mundo [real; RBDV] é feito por nós, e certamente ele não tem mais substância do que qualquer proposta alternativa, e é nele que somos capazes de viver. Nos interesses da vida, temos de atacar esta metafísica lisonjeira. Nietzsche acredita que este é um assunto da mais imediata importância, o que talvez ajude a explicar o seu tom e fervor profético e terapêutico. Em si mesmos, os problemas filosóficos foram aberrações da mente, insolúveis e tolos. Sua importância estava em sua ameaça à vida, e por trás de cada um havia uma vontade de impor a sua própria ordem. Como em outros lugares, os conflitos dentro da filosofia são uma luta de vontade contra a vontade. Os argumentos de Nietzsche serão muito analíticos no seu melhor, mas seria representar mal a sua visão de filosofia pensar nele apenas como um analítico. (Danto, 1965, p. 58)69 A distinção ontológica entre um mundo verdadeiro e um mundo aparente é indevida, na medida em que ambos são pré-configurados pelo intelecto humano através da linguagem: “A descrição que Danto faz é correta e corresponde ao pensamento de Nietzsche: a linguagem, num sentido amplo, é originalmente estruturante do que chamamos real” (Marques, 2003, p. 133). Assim, o acesso a um mundo verdadeiro é impossível, pois, para que haja um “mundo”, é antes necessário que o intelecto humano o construa; logo os problemas filosóficos são apenas aberrações da mente, confusões nascidas do mau uso da linguagem70. O critério de verdade não pode ser, portanto, a correspondência da aparência à
69 Tradução nossa. No original: “Even though this world is made by us, and has certainly no more substance
than any proposed alternative, it is the one in which we are able to live. In the interests of life we must attack these blandishing metaphysics. Nietzsche believed this to be a matter of the utmost immediate importance, which perhaps helps explain his prophetic and therapeutic fervor and tone. In themselves, philosophical problems were aberrations of the mind, insoluble and silly. Their importance lay in their threat to life; and behind each one was a will to impose its own order. As elsewhere, the strife within philosophy is a strife of will against will. Nietzsche’s arguments will prove very analytical at their best, but it would represent him and his view of philosophy badly to think of him merely as an analyst”. (Danto, 1965, p. 58)
70 O problema principal na filosofia, como ele a viu, não era tentar fornecer soluções para as questões que tem
dividido os filósofos através dos tempos (para o qual todas as principais posições possíveis são conhecidas), mas sim mostrar como essas discussões surgiram. Uma vez esclarecido isso, não parece mais interessante ou importante tentar resolver o problema em seus próprios termos. Para Nietzsche o problema filosófico não é uma questão a ser respondida, mas superada. Tradução nossa. No original: “The chief problem in philosophy, as he saw it, was not to try to provide solutions to the questions that have divided philosophers down the ages (for which all the main positions possible are known) but rather to show how these quarrels might have arisen. Once this is clear, it no longer seems interesting or important to try to solve the problem on its own terms. To Nietzsche a philosophical problem is a question not to be answered but to be overcome”. (Danto, 1965, p. 52).
“realidade”, mas um critério pragmático que leva em conta se determinada verdade ou falsidade funciona, portanto “p é verdadeira e q é falsa se p funciona e q não”.
Danto observa a tendência, na década de 1960, de se considerar Nietzsche como um defensor do senso comum, este conjunto de ideias básicas e funcionais. Ele adverte, porém, que, para Nietzsche, também o senso comum é apenas uma das inúmeras interpretações possíveis, assim como a geometria euclidiana é somente umas das geometrias possíveis, que não corresponde à “geometria real”, pelo simples fato de que uma geometria assim não existe objetivamente (não pode ser encontrada na própria natureza, porque é na verdade algo impingido a ela). Exatamente nesse ponto Danto alcança o tema do perspectivismo, num longo trecho que analisaremos em partes:
Não existe uma estrutura real do mundo da qual cada uma dessas é uma interpretação, não há mundo em contraste com os nossos modos de interpretá-lo. Existem apenas interpretações rivais: “Não há fatos [Tatsachen], apenas interpretações”. E, consequentemente, não há um mundo em si que se diferencie de alguma interpretação. [...] Não podemos sequer falar de tais interpretações como “distorção” da realidade, salvo pelo fato de que nada há pra ser distorcido: ou toda interpretação é uma distorção, exceto que não há nada da qual ela seja uma distorção. [...] A doutrina de que não existem fatos, mas apenas interpretações foi denominada perspectivismo. (Danto, 1965, p. 58)71
Danto inicia sua investigação sobre o perspectivismo discutindo o mal entendido que pode gerar o termo interpretação. Ancorado na afirmação de que “não há fatos, somente interpretações” (KSA 12, 315) ele explica que a interpretação não deve ser entendida como o reverso do texto (diferente de Granier), de uma estrutura real do mundo, pois não há este contraste. O que existem são interpretações rivais, que sequer podem ser consideradas como distorção da realidade, posto que uma “interpretação real” seria um contrassenso. A explicação prossegue com a caracterização lógica do que seria a perspectiva:
Para ser exato, nós dizemos que vemos a mesma coisa a partir de perspectivas diferentes, e devemos admitir que não há como ver as coisas sob uma perspectiva apenas e, por fim, que não há uma perspectiva que seja mais privilegiada do que outras. Isso faz parte do conceito lógico da própria
71 Tradução nossa. No original: “There is no real world structure of which each of these is an interpretation,
no way the world really is in contrast with our modes of interpreting it. There are only rival interpretations: “There are no facts [Tatsachen], only interpretations.” And accordingly no world in itself apart from some interpretation […]. As though there would be a world left over once we subtracted the perspectival!” We cannot even speak of these interpretations as "distorting" reality, for there is nothing that counts as a veridical interpretation relative to which a given interpretation could distort: or every interpretation is a distortion, except that there is nothing for it to be a distortion of. [...] The doctrine that there are no facts but only interpretations was termed Perspectivism”. (Danto, 1965, p. 58)
perspectiva. A única dificuldade aqui é falar sobre a ‘mesma coisa’ acerca da qual existem perspectivas distintas. Certamente, nós não podemos falar (sobre) o que é/existe a não ser a partir de uma ou outra perspectiva, e não podemos falar sobre como ela é em si mesma. (Danto, 1965, p. 59)72
A caracterização lógica da perspectiva possui para Danto duas diretivas: i) não há um modo de ver que não seja perspectivístico; ii) não existe uma perspectiva privilegiada. Essa caracterização apresenta uma dificuldade que no fundo é a mesma gerada em relação ao termo interpretação. Pela conotação imagética que possui o termo perspectiva gera-se a impressão de haver dois universos, o externo (objetivo) que é observado e o interno (subjetivo) do observante, o que manteria a mesma visão dualista da metafísica. Danto, todavia, afirma que não podemos dizer que há esse ponto “fora”, objetivo, um em-si em relação ao qual o ponto de vista do observador se caracterizaria como uma perspectiva, assim73:
Não podemos então dizer significativamente nada sobre o que existe, seja lá o que for, acerca da qual existam perspectivas. Não se pode falar de uma perspectiva verdadeira, mas apenas da perspectiva que prevalece. Porque nós não podemos recorrer a qualquer fato independente de sua relação com a perspectiva que se destina a apoiar, o que podemos fazer pouco mais do que insistir na nossa perspectiva, e tentar, se possível, impô-la a outras pessoas. O senso comum constitui uma perspectiva entre muitos outros. E, não menos do que os outros, procura impor aonde se pode: é a metafísica das massas ou, como Nietzsche vai dizer, do rebanho. (Danto, 1965, p. 59)74
Não podemos dizer nada significativamente, pois o que se “diz”, se diz a partir (“de dentro”) da perspectiva75, e não diz respeito a nada objetivo, verdadeiro. A prevalência de
uma perspectiva não significa que ela é verdadeira e que corresponde à realidade, mas simplesmente que ela alcançou um lugar de destaque ou prevalência na luta por poder. O 72 Tradução nossa. No original: “To be sure, we speak of seeing the same thing from different perspectives,
and we might allow that there is no way to see the thing save through a perspective and, finally, that there is no one perspective which is privileged over any other. These would be logical features of the concept of perspective itself. The only difficulty here is in talking about the “same thing” on which these are distinct perspectives. Certainly we cannot say what it is except from one or another perspective, and we cannot speak about it as it is in itself”. (Danto, 1965, p. 59)
73 Preso no pragmatismo da linguagem Danto não é capaz de superar o subjetivismo de sua concepção. 74 Tradução nossa. No original: “We can meaningfully say nothing, then, about whatever it is on which these
are perspectives. We cannot speak of a true perspective, but only of the perspective that prevails. Because we cannot appeal to any fact independently of its relation to the perspective it is meant to support, we can do little more than insist on our perspective, and try, if we can, to impose it on other people. Common sense constitutes one perspective among many. And it, no less than the others, seeks to impose itself where it can: it is the metaphysics of the masses or, as Nietzsche will say, of the herd”. (Danto, 1965, p. 59)
próprio senso comum é um exemplo disso, na medida em que se trata de uma perspectiva (a do fraco) que conseguiu se impor constituindo assim a sua própria metafísica, no caso, a metafísica do rebanho.
Assim, o mundo é na verdade apenas um mundo-relação: ele tem um aspecto diferente de todos os pontos, sendo essencialmente diferente em cada ponto”. Mas não se pode dizer que o mundo é, em seguida, a soma dos pontos de vista: “para estes, em qualquer caso são completamente incongruentes”. Isso não se seguiria do fato de que nós a entendemos, absolutamente, do fato de que não a mal-entendemos? Consequentemente, não pode, salvo como uma possibilidade abstrata, falar significativamente de um outro mundo, e certamente não de um que poderia ser inteligível para nós, dadas as condições em que temos evoluído neste. (Danto, 1965, p. 60)76
“O mundo” passa a ser entendido como um mundo-relação (relation-world), perpassado por perspectivas diferentes e divergentes, que nunca chegam a integrar uma síntese totalizadora, uma estrutura real, objetiva, mas somente um mundo para nós ou a partir de nós, no qual são decisivas p. ex. as nossas condições psicológicas, sociais etc. Fica