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Perturbação da componente de Morse atratora

Então imσ é a componente de Morse atratora da decomposição de Morse mais na de φ em EΘ.

Demonstração: Seja B ⊂ Tf

σEΘ a bola unitária fechada e A = Ψ(B) a imagem de

B pela conjugação Ψ construída acima a partir das seções opostas dada na hipótese (i.). A hipótese (ii.) garante que A é uma vizinhança de imσ que é atratora para o automorsmo φ. De fato, seja x = Ψ(v) ∈ A, com v ∈ B. Os pontos de acumulação de Φn(v) estão na seção nula de Tf

σEΘ pois kΦn(v)k ≤ kΦnk ≤ kΦkn → 0. Mas

φn(x) = φn(Ψ(v)) = Ψ(Φn(v)), mostrando que os pontos de acumulação de φn(x)

estão em imσ.

Isso mostra que imσ é um conjunto atrator φ-invariante. Pela descrição das componentes da decomposição de Morse mais na de φ, temos que a componente atratora deve ser a imagem da seção σ.

4.2 Perturbação da componente de Morse atratora

A classicação das componentes de Morse de uxos nos brados Flag EΘ indu-

zidos por automorsmos φ : Q → Q, fornece o tipo parabólico do uxo ΘMo(φ) (ou

apenas ΘMo se estiver claro no contexto o automorsmo φ). Denotamos ainda por

φ a aplicação induzida na base X. No brado Flag de tipo ΘMo a componente de Morse atratora M+

ΘMo é a imagem de uma seção σΘMo : X → EΘMo. Essa seção é

invariante pelo automorsmo φ e, consequentemente, é um ponto xo da aplicação no espaço de seções de EΘMo dada por

Γφ : ΓEΘMo −→ ΓEΘMo

σ 7−→ Γφ(σ) = φ ◦ σ ◦ φ−1

O objetivo dessa seção é mostrar que perturbando φ por pequenos elementos do grupos de Calibre do brado Q, obtemos que a aplicação induzida no espaço de seções pelo automorsmo perturbado continua tendo um ponto xo. Veremos também que tal ponto xo será a seção que fornece a componente de Morse atratora desse uxo.

Para colocar essas armações de forma precisa, vamos enunciar algumas propo- sições.

Lema 4.2.1. Sejam H e M variedades diferenciáveis de Banach e p : H × M → M uma aplicação diferenciável. Denote por pγ : M → M a aplicação pγ(x) = p(γ, x).

Cap. 4 - Resultados sobre o tipo parabólico de Morse e de Lyapunov 73

Considere γ0 ∈ H e x0 ∈ M tais que pγ0(x0) = x0 e suponha que dpγ0(x0) − id

é inversível. Então existe uma vizinhança V de γ0 e uma aplicação diferenciável

χ : V → M tal que para todo γ ∈ V , χ(γ) é ponto xo de pγ, isto é, pγ(χ(γ)) = χ(γ).

Demonstração: Tomando coordenadas locais ao redor de γ0 e de x0 podemos

supor que G e M são abertos de espaços de Banach. Dessa forma, podemos denir a aplicação f : G × M → M por

f (γ, x) = pγ(x) − x.

Por hipótese essa aplicação é diferenciável e f(γ0, x0) = 0. Além disso, a derivada

de f com relação à segunda coordenada é dada por ∂f

∂x(γ0, x0) = dpγ0(x0) − id,

que, por hipótese, é inversível. Assim, pelo teorema da função implícita temos que existe uma vizinhança V de γ0 e uma aplicação χ : V → M tal que f(γ, χ(γ)) = 0

para γ ∈ V , isto é, pγ(χ(γ)) = χ(γ)

Considere agora o grupo de calibre G = G(Q) do brado Q e sua classe lateral Gφ = {γ ◦ φ | γ ∈ G},

onde φ : Q → Q é um automorsmo. Essa classe lateral é formada pelos automors- mos de Q que induzem na base a mesma aplicação que φ. Pela bijeção com o grupo de calibre, segue que Gφ é uma variedade de Banach. Cabe aqui a observação de que tanto faz considerar a classe lateral à direita ou à esquerda, já que o grupo de calibre é um subgrupo normal de Aut(Q), e daí φG = Gφ.

Vamos aplicar o lema 4.2.1 considerando H = Gφ, M = Γ(Q ×GF ), (γ0, x0) =

(φ, σΘMo) e

p : Gφ × Γ(Q ×GF ) −→ Γ(Q ×GF )

(ψ, σ) 7−→ p(ψ, σ) = ψ ◦ σ ◦ ψ−1. (4.2)

Para isso precisamos das proposições abaixo.

Proposição 4.2.2. A aplicação p : Gφ × Γ(Q ×GF ) → Γ(Q ×GF )denida acima

Seção 4.2 - Perturbação da componente de Morse atratora 74

Demonstração: As aplicações d : Gφ → G e Γφ : Γ(Q ×G F ) → Γ(Q ×G F ),

dadas respectivamente por d(ψ) = ψ ◦ φ−1 e Γφ(σ) = φ ◦ σ ◦ φ−1 são diferenciá-

veis, e daí d × Γφ também é diferenciável. Agora a aplicação p é simplesmente a composta da ação de G em Γ(Q×GF ), que é diferenciável por 2.4.3, com d×Γφ.

Usando a notação do lema 4.2.1 para o caso em que p é a aplicação da proposição acima, temos que

pψ(σ) = ψ ◦ σ ◦ ψ−1 = Γψ(σ).

Para aplicar o lema resta mostrar que d(Γφ)σΘMo − id é inversível.

Para fazer isso precisaremos do seguinte lema de uniformidade.

Lema 4.2.3. Seja V → X um brado vetorial contínuo com base X compacta e Φ : V → V um automorsmo linear. Se a seção nula V0 for um atrator de Φ, então

existe uma norma k · k em V e uma constante µ > 0 tal que kΦn(v)k ≤ e−µnkvk, para todo v ∈ V e n ∈ N.

Demonstração: Seja k·k uma norma arbitrária em V (todas as normas são equiva- lentes em V). Como V0 é um atrator, segue que existe uma vizinhança U de V0 tal

que limn→∞kΦn(v)k = 0, para todo v ∈ U. Mas para todo v ∈ V, existe  > 0 tal

que v ∈ U, e daí limn→∞kΦn(v)k = limn→∞ 1kΦn(v)k = 0. Pelo lema 5.2.7 de [7],

existem constantes C > 0 e α > 0 tal que para todo n ∈ N, kΦn(v)k ≤ Ce−αnkvk.

Pela proposição 3.2 de [5], segue que se 0 < µ < α então podemos escolher uma norma k · k∗ em V tal que kΦn(v)k≤ e−µnkvk, para todo v ∈ V e n ∈ N.

A partir desse lema de uniformidade, podemos mostrar que, com uma deter- minada norma, a ação no espaço de seções ΓEΘMo é uma contração ao longo da

componente de Morse atratora

Proposição 4.2.4. Existe uma norma k · k em Tf

Mo e µ > 0 tal que para todo

v = q · w ∈ Tξ(EΘMo)x, com ξ = q · bΘMo ∈ M+ΘMo, e x = π(ξ) vale

kdfφ

ξ(v)k ≤ e−µkvk.

Passando ao espaço de seções temos que

Cap. 4 - Resultados sobre o tipo parabólico de Morse e de Lyapunov 75

Demonstração: Construiremos primeiramente a norma nas bras sobre a compo- nente de Morse atratora M+

ΘMo ⊂ EΘMo, isto é, em TσfΘMoMo. Para isso considere

Φ : Tσf

ΘMoEΘMo → T

f

σΘMoMo a linearização de φ : EΘMo → EΘMo, como construída

no começo do capítulo. Por hora iremos olhar Tf

σΘMoMo como brado vetorial so-

bre M+

ΘMo (ou sobre X via identicação através da seção σΘMo). A seção nula de

Tσf

ΘMoEΘMo é a imagem da componente de Morse atratora M

+

ΘMo pela conjugação

Ψ−1 entre φ e Φ, e logo é um atrator. Pelo lema anterior, existe uma constante µ > 0 e uma norma k · k em Tσf

ΘMoEΘMo tal que

kΦn(v)k ≤ e−µnkvk para todo v ∈ Tf

σΘMoEΘMo = QσΘMo ×ZΘMo TbΘMoFΘMo e n > 0.

Escrevendo v = q · w e ξ = q · bΘMo, com q ∈ QσΘMo, w ∈ TbΘMoMo temos que

dfφξ(v) = dfφξ(q · w) = φ(q) · w = Φ(q · w) = Φ(v).

Em particular para n = 1 temos kdfφ

ξ(v)k ≤ e−µkvk

Isso nos fornece uma norma em Tf

σΘMoMo, isto é, nas bras de TfEΘMo sobre M+ΘMo.

Agora M+

ΘMo é um subconjunto compacto de EΘMo, e logo podemos estender a norma

denida nas bras sobre M+

ΘMo para uma norma denida em EΘMo. (por exemplo,

usando o lema de Urysohn)

Lema 4.2.5. Se T é um operador num espaço de Banach tal que kT k < 1 então T − I é inversível.

Demonstração: Como kT k < 1, a série S = P∞ i=0T

i converge absolutamente. É

fácil ver que (I − T )S = S(I − T ) = I

Agora estamos prontos para mostrar que aplicações induzidas no espaço de seções ΓEΘMo por pequenas perturbações de φ por elementos do grupo de calibre de Q

possuem pontos xos, isto é, seções invariantes. Além disso, essas seções dependem diferenciavelmente do automorsmo de calibre.

Proposição 4.2.6. Existe uma vizinhança V da identidade no grupo de calibre G(Q) e uma aplicação C∞, γ ∈ V → σ

γ ∈ ΓEΘMo tal que σγ é ponto xo da aplicação em

ΓEΘMo induzida pelo automorsmo γ ◦ φ, isto é,

Seção 4.2 - Perturbação da componente de Morse atratora 76

Demonstração: A aplicação p : Gφ×Γ(Q×GF ) → Γ(Q ×GF )da proposição 4.2.2

é diferenciável. Como pφ(σ) = φ ◦ σ ◦ φ−1 = Γφ(σ), a derivada de pφ em σ é dada

por d(Γφ)σ. Pela proposição 4.2.4 e pelo lema 4.2.5, segue que a d(Γφ)σΘMo − id é

inversível, e daí, pelo lema 4.2.1 segue o resultado.

Vamos ver agora que para γ sucientemente próximo da identidade, a seção σγ dada pela proposição acima fornece a componente de Morse atratora do auto-

morsmo γ ◦ φ. Feito isso poderemos mostrar que os expoentes de Lyapunov de automorsmos próximos de φ são dados por integrais em relação a medidas que variam analiticamente.

Proposição 4.2.7. Existe uma vizinhança V da identidade do grupo de calibre e uma aplicação diferenciável γ ∈ V 7→ σγ ∈ ΓEΘMo (como na proposição anterior) tal

que im(σγ) ⊂ EΘMo é a componente de Morse atratora da decomposição de Morse

mais na para o automorsmo γ ◦ φ.

Demonstração: Seja ΘMo o tipo parabólico de φ e Θ∗Mo o seu dual, que fornece o

tipo parabólico de φ−1. Considere σ

ΘMo : X → EΘMo e σΘ∗

Mo : X → EΘ∗Mo as seções

opostas que fornecem as componentes de Morse atratoras de φ e φ−1respectivamente.

Aplicando a proposição 4.2.6 à φ−1e σ Θ∗

Mo, obtemos uma vizinhança V

0 da identidade

em G e uma aplicação diferenciável

γ0 ∈ V0 7→ σγ∗0 ∈ ΓEΘ∗ Mo,

tal que σ∗

γ0 é (γ0−1◦ φ−1)-invariante. Como γ0 e φ são automorsmos, a seção σ∗γ0 é

também invariante por (γ0−1◦ φ−1)−1 = φ ◦ γ0. Escrevendo

V = φV0φ−1 = {φ ◦ η0◦ φ−1| η0 ∈ V0}, temos que V ainda é vizinhança da identidade de G e σ∗

γ0 é (γ ◦ φ)-invariante, onde

γ = φ ◦ γ0 ◦ φ−1 ∈ V. Por conveniência denotaremos a seção σ

γ0 por σγ∗. Assim

construímos aplicações diferenciáveis

γ ∈ V 7→ σγ ∈ ΓEΘMo e γ ∈ V 7→ σ∗γ ∈ ΓEΘ∗Mo

tais que σγ e σ∗γ são (γ ◦ φ)-invariantes e tais que σ1 = σΘMo e σ∗1 = σΘ∗Mo, onde 1

Cap. 4 - Resultados sobre o tipo parabólico de Morse e de Lyapunov 77

Como σ1 e σ∗1 são seções opostas, pode-se diminuir a vizinhança V para que

σγ e σ∗γ ainda sejam opostas para γ ∈ V . De fato, sejam fσγ ∈ Ceq(R, FΘMo) e

fσ∗

γ ∈ Ceq(R, FΘ∗Mo) as seções equivariantes associadas a σγ e σ

γ e ponha U = G ·

(bΘMo, w0bΘ∗

Mo) ⊂ FΘMo × FΘ∗

Mo a órbita aberta e densa que fornece as subálgebras

opostas. Então fσ1 × fσ1∗ está no aberto Ceq(R, U ) ⊂ Ceq(R, FΘMo × FΘ∗Mo) e, como

γ ∈ V 7→ fσγ × fσ∗γ ∈ Ceq(R, FΘMo × FΘ∗Mo) é contínua (na verdade, é diferenciável),

pode-se diminuir V para que a imagem que dentro de Ceq(R, U ). Daí teremos

σγ(x) = r · fσγ(r) e σ

γ(x) = r · fσ∗

γ(r) opostas para todo γ ∈ V .

Utilizando a norma da proposição 4.2.4, como kdfφ

ξk < 1para todo ξ ∈ imσ1 =

M+ΘMo, por continuidade podemos diminuir V de forma que kdf(γ ◦ φ)

ξk < 1 para

todo ξ ∈ imσγ. Assim, para γ ∈ V , σγ e σ∗γ satisfazem as hipóteses da proposição

4.1.1, e então imσγ ⊂ EΘMo é a componente de Morse atratora da decomposição de

Morse mais na de γ ◦ φ.

4.3 O tipo parabólico de Lyapunov e as componen-