83 invadidos pelos grandes barcos da pesca
II.5 Pesca Industrial no Brasil: algumas questões
Seguramente a pesca industrial no Brasil teve seu maior impulso, no século XX, da década de 1960 em diante, quando foi financiada pela SUDEPE. Entretanto, uma análise mais pormenorizada nos permite dizer que, no início deste mesmo século, já tínhamos os germes, do que veio a ser, a pesca industrial brasileira.
Em 1920, a pesca da sardinha, em escala comercial de grande importância – praticada, especialmente, na Ilha Grande, Rio de Janeiro, contribuiu para a formação das primeiras indústrias de salga e secagem (depois enlatamento), não só no Rio de Janeiro, mas também, em Santos. No Rio Grande do Sul, na década de 1920, deu-se início ao processamento da Merluza.
O processo de industrialização da pesca passa, obrigatoriamente, pelas companhas (ou companhias) pesqueiras do sudeste do último quartel do século XIX. É sábido que os pescadores portugueses e espanhóis, ao introduzirem a pesca da sardinha pelas traineiras e a pesca do camarão com arrasto de porta, deram um novo dinamismo à pesca e superaram a pesca tradicional que havia nesta região. A mecanização de alguns processos pesqueiros, decorrentes das duas práticas mencionadas acima, como: o emprego do “balão”, rede, que propiciava um rendimento bem superior às redes tradicionais, puxadas manualmente pelos pescadores, o uso de duas portas, parecidas com o ottertrawl e, o emprego da traina, uma grande rede de cerco, muito usada na Costa da Espanha e também na França, foi o que de novo tinha na época. Evidente que este desenvolvimento, da pesca da traineira, só foi possível em função da estabilidade do mercado pesqueiro, decorrente do crescimento das indústrias enlatadoras de
função de ter sido o último relatório lançado pela UNIVALI. A Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina S.A (EPAGRI ) lançou um projeto em 2009 para monitorar a pesca artesanal em todo o estado catarinense, somente a partir deste momento teremos condições de usar dados mais atualizados. Segundo a EPAGRI serão: cadastrados os pescadores, suas embarcações e equipamentos, além de anotadas as produções, dados ambientais, o esforço requerido para a captura e as espécies capturadas. Além de fazer a estatística da produção pesqueira, o projeto pretende retomar e reforçar a extensão pesqueira no Estado de Santa Catarina. Para o recolhimento dos dados, a EPAGRI firmará parcerias com colônias de pescadores e associações de pesca artesanal locais.
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sardinha.
Essa prática de pesca, por companha, foi disseminando-se em todo litoral do sudeste e chegou ao litoral catarinense. É nesse momento que houve uma forte evasão das atividades agrícolas à pesca, desorganizando todo o espaço pesqueiro catarinense e, por fim, já sem condições de se manterem em Santa Catarina, houve a migração para o sudeste, servindo de mão de obra para as pequenas empresas-capitalistas de pesca39.
Tendo em vista todo este desenvolvimento, é possível elencar uma série de empresas capitalistas da primeira metade do século XX: em 1930, no litoral de São Paulo, surgiram as pequenas empresas de salga de manjuba, com sua própria frota de canoas; no Nordeste do país, foi construída a Companhia do Pescado Norte do Brasil; em 1940, nasceu a Industria de Pesca Tupi e a Pesca de Santos Ltda e as Industrias Unidas de Pesca e a Industria Pescal; na mesma década, no Rio Grande do Sul, formaram-se as Indústria de Pesca Apolo e a Indústria Brasileira de Peixe Ltda; em 1950, ainda no Rio Grande do Sul, tiveram início os
cutters escandinavos e as empresas Embrape e a Tayo, estabeleceram-se
e Santos; em Recife, surgiram as empresas japonesas, além dos armadores de pesca estrangeiros. Também, neste período houve a instalação da Indústria Krause (setor de captura, beneficiamento e comercialização) que, durante os investimentos da SUDEPE, foi a que mais recurso recebeu. Um outro exemplo vem das empresas que se instalaram no nordeste do país, substituindo a pesca da lagosta, feita por jangadas e botes tradicionais.
O exemplo de investimento mais expressivo, no setor da pesca industrial, no século XX, foi dado pelo Decreto-lei nº 221 da SUDEPE de 1967. O decreto permitia que pessoas jurídicas ou firmas de outros setores aplicassem até 25% do Imposto de Renda na criação de incentivo a empresas de pesca, com a finalidade de criar uma indústria de base no setor pesqueiro, conforme alerta Diegues (1983).
Uma vez criada a SUDEPE, em 1962, o setor industrial entrou em franco desenvolvimento. As questões mais recorrentes na época em torno da SUDEPE eram: a) a elaboração do plano nacional de
39Diegues (1983) observa que os pescadores açorianos, que migraram da agricultura para a
pesca, foram responsáveis pelo crescimento substancial da pesca da traineira fluminense e paulista e mais tarde, com a aquisição de mais barcos, de barcos linheiros, devido à concentração de excedentes nas mãos desses pequenos empreendedores, foi possível criar um padrão de exploração capitalista da pesca e cada vez mais a troca absoluta do manual pelo mecânico, industrial.
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desenvolvimento da pesca, o “Plano de Metas da pesca”; b) dar assistência técnica e financeira aos empreendimentos da pesca; c) realizar estudos para o aprimoramento das leis atreladas ao mundo pesqueiro e, d) a fiscalização, com base nos códigos de pesca, inclusive coordenação de programas de assistência técnica nacional e estrangeira.
Não é exagero mencionar que com a criação da SUDEPE forma-se no interior da industrialização da pesca brasileira um novo horizonte para as questões nacionais. A partir disso, é criado grupos de trabalho cujo objetivo era pensar a pesca como fonte de riqueza para o país. Pensava-se na expansão da produção pesqueira, no planejamento da melhoria das redes de distribuição dos produtos pesqueiros e na adequação dos portos e fomento das exportações, na promoção e organização da pesca artesanal e em uma política de preços que remunerasse bem o produtor e que fosse acessível ao consumidor. “Esperava-se também a ampliação e racionalização da infra-estrutura existente da atividade pesqueira, além do maior apoio técnico e financeiro aos pescadores e empresas de pesca, e também a exploração pesqueira em todos os aspectos”, conforme Borges40 (2007). Em 1989 institui-se a Lei nº. 7.735 que cria o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Renováveis (IBAMA) e extingue a SUDEPE, autarquia vinculada ao Ministério da Agricultura.
É oportuno mencionar que durante o período da SUDEPE houve uma forte política no sentido de criar incentivos fiscais que dessem condições para se desenvolver no país uma indústria pesqueira relevante. No entanto, não tivemos o resultado esperado. Houve uma alta concentração e acumulação, por parte de grupos empresariais desorganizados e interessados somente na exploração desarticulada da pesca.
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Disponível em: http//webartigos.com/...Pesca-No-Brasil-Entre-1912-A-1989/pagina1.html Acesso em: 07/08/2010 às 16h e 01min.
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CAPÍTULO III - OS HINTERLANDS DOS PORTOS:
DESENVOLVIMENTO E CONTRADIÇÃO