2 WRITING CENTERS E O CAPA
2.6 PESQUISA EM WRITING CENTERS
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40 Para saber mais, consultar: http://noosfero.ucsal.br/pesquisa/centro-de-escrita-cientifica.
41Para saber mais, consultar: https://www.facebook.com/UCSwritingcenter/.
Fazendo um levantamento bibliográfico, mesmo que de forma mais superficial, é possível afirmar que as publicações e textos a respeito dos writing centers constituem um número expressivo, não apenas na história recente, mas ao longo de toda a trajetória à qual me referi na seção anterior. Na plataforma Google Scholar, é possível ter acesso a mais de 54 mil textos em Língua Inglesa através de pesquisa com a palavra chave “writing center”, dentre os quais quase 17 mil foram publicados nos últimos 10 anos e 16 mil nos últimos 5 anos. Por terem surgido em contextos majoritariamente universitários e em vínculos com professores e alunos de graduação e pós-graduação, faz sentido pensar que a pesquisa no writing center sempre existiu, mesmo que nem sempre ocupando papel central. Boquet (1999, p.
146) explica que a necessidade de teorização era uma advinda da própria prática, feita através das publicações e conferências, a partir da década de 1980.
Qual o papel institucional do writing center? Quem são os membros do writing center? Quem é o público do writing center? Qual a relação das práticas com as pedagogias de escrita e retórica? Algumas dessas perguntas (e muitas outras) são debatidas desde essa época até os dias atuais. Ede (2016) resgata as principais temáticas dos estudos iniciais como mais pragmáticas, relacionadas a teorização e administração. Um dos artigos mais importantes à época foi The Idea of Writing center (1984), de Stephen North.
No artigo, cuja primeira parte beira um desabafo, fica explícita a tese do autor:
a percepção errada que a comunidade acadêmica tem do writing center como um centro para remediar problemas de escrita é conectada a uma percepção errônea sobre a própria escrita, que vive nos departamentos e nos professores universitários, inclusive nas áreas de Literatura e Linguística.
Na segunda parte, o autor teoriza, então, o que seria o objetivo de um writing center: “é assegurar que os escritores, e não necessariamente seus textos, estão sendo mudados através das orientações. (...) Nosso trabalho é produzir melhores escritores, não melhores textos escritos” (p. 438, minha tradução42) e “Writing centers são simplesmente uma manifestação, refinada e visível, de um diálogo sobre a escrita que é central à educação superior” (p. 440, minha tradução43).
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42 “In a writing center the object is to make sure that writers, and not necessarily their texts, are what get changed by instruction. (...): Our job is to produce better writers, not better writing.”
43 “Writing centers are simply one manifestation-polished and highly visible-of a dialogue about writing that is central to higher education.”
A este artigo seguem-se inúmeras respostas diretas. Uma das mais relevantes é a resposta de Boquet e Lerner (2008), publicada 25 anos após, que discute a recepção do artigo e as ideias consideradas como problemáticas na publicação de North (1984). Os autores consideram que o artigo produziu uma ideia acrítica de que os maiores problemas do writing center eram externos a ele, e de que essa ideia pode ter limitado a pesquisa na área: “Nós afirmamos que a leitura feita pelos leitores de ‘Idea’ de North se tornou uma posição intelectual que substitui ação coletiva e pesquisa rigorosa. (...) “Idea’ ofereceu uma leitura do problema como em grande parte externa aos writing centers” (2008, p. 171, minha tradução44). Outra das respostas é de Balester et al (2012), no qual seis pesquisadores diferentes defendem, através de estudos de caso, uma nova nomenclatura e quadro teórico (multiliteracy writing center) de acordo com os multiletramentos e as pedagogias das multimodalidades.
A questão da definição do que é um writing center, bem como as posições institucionais e tensões nas relações entre pesquisa e prática, ou até mesmo entre writing center e universidade, são amplamente discutidas na literatura. Na introdução do livro Writing center Research, Gillespie et al (2002) retomam o debate sobre pesquisa dentro do writing center, e como a articulação entre teoria e prática tem se tornado mais abrangente na literatura com trabalhos como Rearticulating the work of the writing center (1996) de Nancy Grimm e Good Intentions: Writing center Work for Postmodern Times (1999) da mesma autora. Esta última obra discute principalmente questões de poder e hierarquia no âmbito do writing center, que, nos manuais, é descrito como uma safe house, ou seja, um território seguro para o autor, sem julgamentos e hierarquias encontrados tradicionalmente na cultura acadêmica. No entanto, a autora afirma que esta é uma visão ingênua, já que todas as relações sociais são permeadas pelo poder e ideológicas.
Apesar de reconhecer que existe uma diversidade muito maior de áreas de pesquisas que podem ser feitas no âmbito dos writing centers, bem como muitas publicações relevantes nesse contexto, o objetivo do presente texto não é fazer uma revisão bibliográfica unicamente sobre tal assunto, e sim apresentar uma visão geral _______________
44 “We assert that the writing center readers' reception of North's "Idea" has become an intellectual position that often substitutes for collective action and rigorous scholarship. In other words, the wide and uncritical invocation of North's "Idea" lets writing center workers off the hook in many ways. "Idea" offered a reading of the problem as one largely external to writing centers.”
a respeito. Na próxima seção, me voltarei às pesquisas na área de tutoring e suas relações com a área mais ampla dos writing centers.