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2.1 ESTADO DO CONHECIMENTO

2.1.2 Pesquisas na rede Scielo

casos, a compreensão do fenômeno da educação não escolar perpassa o reconhecimento da ampliação do conceito de educação e sua disseminação em variados âmbitos da sociedade.

Por conseguinte, os autores reforçaram que a formação do pedagogo precisa calcar-se em base teórico-científica que concebe a Pedagogia como ciência da educação e o pedagogo como profissional não restrito à docência escolar (SEVERO, 2015; FIREMAN, 2006; SOUZA, 2018). Na ótica desses autores, a formação inicial não pode prescindir da discussão sobre os variados espaços de atuação profissional dos pedagogos além da escolarização básica.

Salientamos que nessa linha de pensamento repousa a nossa proposta teórica nesta tese.

Tabela 1 – Dados numéricos consolidados sobre as pesquisas com diferentes descritores na plataforma Scielo

Fonte: elaboração da autora (2022)

Com o exame dos títulos e resumos do corpo documental levantado, identificamos 4 artigos com potencial para colaborar com o nosso estudo. A descrição sintética da abordagem de cada um deles encontra-se no Quadro 4.

Descritores Trabalhos retornados

Trabalhos sobre docência

Trabalhos sobre ENE (temas gerais)

Trabalhos sobre atuação do

pedagogo em ENE

Trabalhos que abordam teorias de currículo Egresso

Pedagogia 3 1 0 0 0

Pedagogo

Egresso 1 1 0 0 0

Pedagogia

Educação não escolar 3 0 3 1 0

Educação não formal 258 0 3 0 0

Atuação do pedagogo 10 3 0 0 0

Atuação

Pedagogia 69 15 1 1 0

Atuação profissional

Pedagogia 17 7 0 1 0

Pedagogia

Trabalho 255 1 0 1 0

Pedagogia

Não formal 10 0 0 1 0

Currículo

Educação não escolar 113 0 0 1 0

Currículo

Pedagogia 173 11 0 1 3

Teorias curriculares

Pedagogia 0 0 0 0 0

Quadro 4 – Artigos da rede Scielo analisados

Artigo Síntese do texto

Pedagogia: identidade e formação o trabalho pedagógico nos processos

educativos não-escolares

SÁ, Ricardo Antunes de 2000

Educar em Revista

O objetivo do artigo é caracterizar a dimensão pedagógica dos processos educativos não escolares.

O autor questiona qual a dimensão pedagógica implícita no trabalho educativo não escolar? Qual conhecimento produzido? Qual concepção pedagógico-política que sustenta as atividades nesses espaços?

Com essas indagações, conduz o leitor a refletir sobre a dimensão pedagógica do trabalho desenvolvido em variados contextos. Na sua visão, apreender essa dimensão está relacionado com o entendimento das possibilidades históricas de transformação social através do trabalho.

O autor apoia-se na perspectiva do trabalho como princípio educativo (base das discussões de Saviani) para evidenciar o papel epistemológico da Pedagogia como ciência da e para a prática educativa e, nesse bojo, discute os espaços educativos não escolares.

Nesse meio, compreende ser imprescindível a demarcação da identidade epistemológica da Pedagogia e as possiblidades de atuação do pedagogo.

Reafirma que a Pedagogia é uma ciência aplicada da e para a prática educativa, compreendendo a escolar e a não escolar.

Pedagogia: concepções e práticas em transformação

PAULA, Ercília Maria Angeli Teixeira

MACHADO, Érico Ribas 2009

Educar em Revista

No fluxo analítico da abordagem, os autores traçaram uma reflexão sobre a história do curso de Pedagogia, a inserção da Pedagogia Social e o advento da educação não formal nas diretrizes curriculares do curso de Pedagogia.

Quanto à regulamentação do curso de Pedagogia, apontaram que, a partir da LDB de 1996, abriu-se espaço para a discussão de diretrizes curriculares em substituição ao currículo mínimo que dominava até então. O parecer que subsidiou a elaboração das DCN levantou a demanda da educação dos segmentos historicamente excluídos dos direitos sociais como campo de atuação também para os pedagogos.

Destacaram que, embora exista nas diretrizes a previsão para inserção de formados em outros espaços além da escola, não se mostra evidente a finalidade desse profissional para atuar nesses possíveis contextos.

Ademais, segundo os autores, as diretrizes ressaltam o alargamento do campo de atuação, todavia não estabelecem caminhos para a consolidação de uma formação nesse sentido. Questionam se a base na docência não limita o potencial de atuação profissional dos pedagogos.

Nessa esteira, evocam os postulados da Pedagogia Social para fazer frente às demandas sociais e à formação do educador social. Essa perspectiva teórica, na visão dos autores, vem assumindo o caráter pedagógico de organização e condução do trabalho educativo a ser realizado nesses contextos.

Educação não escolar como campo de práticas

pedagógicas

SEVERO, José Leonardo Rolim de Lima

2015

A discussão se atém aos pressupostos da compreensão da educação não escolar como campo de reflexão da Pedagogia, apontando para a necessidade de reconhecermos a dinâmica social contemporânea.

Aponta que “As práticas educativas se tornam pedagógicas quando passam a ser objeto de ação e reflexão no âmbito da pedagogia” (p. 572).

Assim, segundo o autor, a educação não escolar assume o caráter pedagógico quando as suas intencionalidades são explicitadas a partir de uma concepção pedagógica. Entendida dessa maneira, as práticas de

Revista Brasileira de Estudos Pedagógicos

educação não escolar podem figurar no campo de investigação, formação e prática da Pedagogia.

Para o autor, a Pedagogia deve assumir o protagonismo na construção de referenciais teórico-metodológicos relacionados com essa educação, que se identifica com a aprendizagem ao longo da vida.

Perspectivas curriculares sobre a formação do pedagogo para a educação

não escolar

SEVERO, José Leonardo Rolim de Lima

2018 Educação em Revista

No texto, são discutidos elementos da formação atual de pedagogos no que tange à atuação profissional em contextos de educação não escolar.

Nesse sentido, o autor apresentou dados de sua pesquisa de doutoramento referentes ao exame de projetos pedagógicos de vinte universidades públicas do Brasil.

Os resultados apontaram a abordagem inexpressiva de saberes específicos correlacionados com a educação não escolar nos currículos analisados, por conseguinte, o autor observa que há desafios para a estruturação de trajetórias formativas que dialoguem na direção da inserção profissional do pedagogo nesses contextos.

Por isso, ressalta a necessidade de reorientação do currículo, para que, além dos fundamentos da docência, sejam inseridas as problemáticas da educação não escolar em eixo mais substancial, com disciplinas teórico-práticas específicas, pois é preciso o reconhecimento curricular desse campo.

Fonte: elaboração da autora (2022)

Com a imersão nos artigos do Quadro 4, notamos que a perspectiva de Sá (2000) e de Severo (2015) são convergentes quanto à intenção de discutir a educação não escolar como prática pedagógica. O primeiro, levanta argumentos sobre a dimensão pedagógica das práticas educativas não escolares e, o segundo, aprofunda a análise teórica nesse sentido, ao registrar que a intencionalidade sustentada em uma concepção pedagógica torna as práticas educativas pedagógicas.

Ademais, os dois autores (SÁ, 2000; SEVERO, 2015) se encontraram no caminho epistemológico da Pedagogia, isto é, ambos se posicionaram a favor de sua cientificidade, entendendo que essa ciência se dedica a estudar a educação em sentido ampliado, tanto o escolar quanto o não escolar. Depreendemos das considerações dos autores que, em sendo as práticas educativas não escolares compreendidas como práticas pedagógicas, elas encontram respaldo para manterem-se sob a tutela teórico-reflexiva da Pedagogia.

Em outra toada, os trabalhos de Paula e Machado (2009) e de Severo (2018) reverberaram debates acerca de aspectos curriculares do curso de Pedagogia. Nessa linha, a pauta dos autores iniciais (PAULA e MACHADO, 2009) é a análise das DCN/2006 de Pedagogia e suas incoerências quanto à formação proposta, cujo texto não revela caminhos para a consolidação da formação que perpassa o cenário não escolar. Por sua vez, a proposta de Severo (2018), ao analisar projetos pedagógicos do curso de Pedagogia, confirmou a

dificuldade de se estabelecer percursos curriculares que privilegiem os contextos não escolares, aventando a premência de redirecionamento dessa formação para além dos princípios da docência.

Relevante observar do artigo de Paula e Machado (2009) a abordagem do trabalho no campo social, setor em evidência nas produções em nível de stricto sensu avaliadas por ocasião das pesquisas na BDTD, em tópico anterior.