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2.1 ESTADO DO CONHECIMENTO

2.1.4 Publicações do ENDIPE

Quanto ao Encontro Nacional de Didática e Práticas do Ensino (ENDIPE), evento bianual, mostraremos os resultados do rastreamento no ínterim dos anos de 2006 a 2020 (mais recente edição), com o alvo direcionado para a temática da atuação profissional do pedagogo em contextos não escolares.

A princípio, cabe advertir, em relação aos anos de 2006, 2012 e 2016, que as páginas eletrônicas referentes não se encontravam disponíveis para consulta no período das buscas18.

18 Disponível em: https://www.andipe.com.br/eventos-anteriores. Acesso em: 8 maio. 2022.

Portanto, perscrutamos as publicações constantes das edições: XIV ENDIPE – 200819, XV ENDIPE – 201020, XVII ENDIPE21 – 2014, XIX ENDIPE22 – 2018 e XX ENDIPE23 – 2020.

Nesse sentido, o Quadro 6 consolida os resultados das pesquisas concernentes ao foco de nosso estudo nas diferentes edições do ENDIPE:

Quadro 6 – Trabalhos do ENDIPE analisados

Edição do ENDIPE Trabalhos localizados Comentários/Observações

XIV ENDIPE (2008) Trajetórias e processos de ensinar e aprender: sujeitos,

currículos e culturas

Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do

Sul

Não foram localizados.

XV ENDIPE (2010) Convergências e tensões no

campo da formação e do trabalho docente: políticas e

práticas educacionais

Universidade Federal de Minas Gerais

Livro 5 - PARTE III:

Educação em espaços não-escolares: convergências e

tensões no campo da formação e do trabalho

docente

Nessa parte específica, foram reunidas elaborações concatenadas com a educação não escolar, porém a centralidade dos capítulos é o ambiente educativo dos museus, sendo que nenhum deles articulou reflexões quanto à atuação profissional de pedagogos nesse espaço.

XVII ENDIPE (2014) A Didática e a Prática de Ensino nas relações entre

escola, formação de professores e sociedade Universidade Estadual do

Ceará

Comunicação individual A atuação do pedagogo

no campo jurídico

Autora:

ARAÚJO, Lilian Cristina Santos

Segundo o estudo, realizado com quatro pedagogas da Vara do Juizado de Violência Doméstica e Familiar Contra a Mulher do Tribunal de Justiça do Pará/PA.

Nesse contexto, as principais atribuições dessas profissionais estavam relacionadas a estudos de casos sobre violência doméstica, palestras em escolas e centros comunitários, encaminhamento de usuários, participação em audiências quando solicitado pela autoridade judiciária, além de atividades administrativas internas do órgão.

O texto é curto e não desenvolve detalhadamente a perspectiva. De todo

19 Disponível em: https://www.andipe.com.br/eventos-anteriores. Acesso em: 2 de abr. 2020.

20 Disponível em: http://endipe.fae.ufmg.br/. Acesso em: 3 de abr. 2020.

21 Disponível em: http://uece.br/endipe2014/index.php/2015-02-26-14-09-14. Acesso em: 7 de abr. 2020.

22 Pesquisas realizadas em 5 de maio de 2020 no site:

http://www.xixendipe.ufba.br/modulos/consulta&relatorio/rel_anais_download.asp

23 Disponível em: http://www.xxendiperio2020.com.br/anais-virtual#anais. Acesso em: 6 fev. 21.

modo, a autora finaliza enfatizando que ainda há muitos campos de atuação a serem conquistados pelo pedagogo e que, no espaço investigado, o campo jurídico, caminha-se passo a passo para a construção de uma identidade profissional.

XIX ENDIPE (2018) Para onde vai a Didática?

O enfretamento às abordagens teóricas e

desafios políticos da atualidade Universidade Federal da

Bahia

Painel Perspectivas pedagógicas da atualidade: conexões

entre pedagogia, pedagogiasocial e educação não escolar

Autores:

MACHADO, Erico Ribas ORZECHOWSKI, Suzete

Terezinha SEVERO, José Leonardo

Rolim de Lima

Desse painel, salientamos a análise curricular do curso de Pedagogia desenhada pelo professor José Leonardo Rolim de Lima Severo, o qual ratificou que essa graduação responde timidamente à demanda das diretrizes curriculares no que se refere ao desenvolvimento de saberes profissionais ligados aos processos pedagógicos não escolares. Esse fator impacta a consolidação da educação não escolar como campo de formação e prática profissional do pedagogo, devido à carência de teoria e à incipiência dessas abordagens nos estudos pedagógicos.

XX ENDIPE (2020) Fazeres-saberes pedagógicos:

diálogos, insurgências e políticas

Totalmente online

Comunicação individual A concepção da Pedagogia

Social e a formação do pedagogo para atuar em contextos não escolares:

uma análise da formação inicial no programa

curricular da UNICENTRO/PR

Autoras:

ZBUINOVICZ, Kauana de Fatima

ORZECHOWSKI, Suzete Terezinha

Livro 1 (volume 1) – Didática(s) entre diálogos, insurgências e políticas:

tensões e perspectivas na relação com a formação docente.

Nesse estudo, as autoras intencionavam entender como a formação de pedagogos para os contextos não escolares vem se constituindo. De início, já reforçam a perspectiva de Pedagogia como ciência e, com ela, assentam que o campo pedagógico vai além da escola. Na esteira dessa visão, entendem que a formação proporcionada pela Pedagogia deve abranger a Pedagogia Social. Analisaram o currículo do curso de Pedagogia da UNICENTRO/PR, mantendo a abordagem no nível da formação; desse modo, não imergiram em reflexões sobre a atuação dos pedagogos nos espaços extrínsecos à escola.

Comunicação individual O fazer pedagógico em espaços de educação não

formal Autoras:

CARVALHO, Cristina;

NASCIMENTO, Cristiane Bomfim do;

SANTOS, Caroline dos;

Trata-se de um painel que integrou três pesquisas sobre o espaço educativo dos museus e atividades de ciência, tecnologia e educação ambiental. Portanto, igualmente, não há discussões tangentes à intervenção do pedagogo nesses contextos.

SILVA Dayane Vieira da

Livro 5 – Didática(s) entre diálogos, insurgências e políticas: tensões e perspectivas na relação entre educação, comunicação e tecnologias.

Fonte: elaboração da autora (2022)

Quando vislumbramos os dados do Quadro 6, percebemos que, mesmo de forma incipiente, inicia-se o fomento de discussões relacionadas à educação não escolar no ENDIPE a partir do ano de 2010, portanto é recente essa inserção temática, considerando o período compreendido nas pesquisas.

Ainda do Quadro 6, notamos que apenas um trabalho centra-se, com efeito, na atuação do pedagogo nos espaços educativos além da escola: “A atuação do pedagogo no campo jurídico” (ARAÚJO, 2014), no XVII ENDIPE. Esse texto retrata a intervenção de pedagogos no Tribunal de Justiça do Pará, em particular, na Vara de Violência Doméstica e Familiar Contra a Mulher, destacando-se a realização de atividades como estudos de casos, palestras em escolas e centros comunitários, e a participação em audiências judiciais.

Esse artigo de Araújo (2014) discute o papel do pedagogo no campo jurídico, semelhante aos achados da pesquisa na base da ANPED, com o texto de Freitas (2013), revelando uma tendência de submissão e de aceitação de trabalhos acadêmicos que vislumbram esse espaço laboral, que nos remete à Pedagogia Jurídica.

Destacamos que, na edição de 2010 do ENDIPE, apesar da dedicação de uma parte específica do Livro 5 à congregação de textos que discutiam a seara não escolar, o enfoque fixou-se no espaço do museu e, nele, não se considerou a atuação do pedagogo.

Nessa linha dos museus, aliando a discussão sobre tecnologia e educação ambiental, consolidou-se, no mesmo evento de 2010, o painel “O fazer pedagógico em espaços de educação não formal”. Esse movimento de admissão de práticas não escolares no ENDIPE, a nosso ver, poderia ser estendido, de modo a serem erigidas discussões acerca de outros espaços em que a educação não escolar se consolida, inclusive, abordando o saber pedagógico deles emanado e as ações dos pedagogos.

Por fim, do painel “Perspectivas pedagógicas da atualidade: conexões entre pedagogia, pedagogia social e educação não escolar”, enfatizamos apenas a abordagem de Severo (2018), que discorreu sobre a dificuldade que o curso de Pedagogia apresenta em relação à apropriação

da dimensão não escolar em seu currículo. Essa dificuldade também é apontada em estudos que mencionamos anteriormente, como os de Fireman (2006), Lapadula (2017), Severo (2015), Melo (2010), Paula e Machado (2010) e Souza (2018).

A participação de Severo, inclusive, é demarcada na maioria das pesquisas por trabalhos que empreendemos até este ponto: na BDTD, na rede Scielo e, agora, no ENDIPE. Esse aspecto revela, de um lado, a relevância dos estudos do autor no sentido de fomentar as discussões a respeito do campo da Pedagogia e de seu relacionamento com a educação não escolar; de outro, a necessidade de se capitanear novas investigações, com vistas à ampliação da visibilidade da linha de pensamento e de outros autores em relação às reflexões que circundam esse campo.