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2.4 ESTUDOS SOBRE AS TEMÁTICAS EM QUESTÃO: EDUCAÇÃO INTEGRAL E

2.4.1 Pesquisas relevantes sobre Educação Integral

A Educação Integral é tema de inúmeros estudos tanto no âmbito municipal, como estadual e nacional, principalmente após a criação do Programa Mais Educação. Sobre a experiência do município de Curitiba são apresentadas, nesta seção, as pesquisas de Rocha (2012), Withers (2011), Germani (2006) e Arco-Verde (2003). Em relação a estudos referentes à Educação Integral em outros municípios destacam-se os de Kirchner (2011) e Branco (2009). Entre as pesquisas que discutem o Programa Mais Educação apresentam-se as de Moreira (2013) e de Freitas (2012).

Moreira (2013) analisou em sua pesquisa as relações estabelecidas entre o Programa Mais Educação e o currículo formal escolar, os pressupostos teóricos do Programa e as concepções sobre saberes escolares e comunitários, Educação Integral e currículo no interior das escolas.

A partir de uma perspectiva sociológica, a pesquisadora analisou a função social do currículo escolar ao selecionar os conhecimentos e considerá-los como conhecimentos legítimos a serem transmitidos entre gerações. Fez um resgate histórico da Educação Integral no Brasil, de onde decorrem as influências do Programa Mais Educação, apresentou algumas das principais teorias curriculares e, a partir delas, definiu o conceito de currículo utilizado para a análise dos documentos e da implantação do PME.

Para atender ao objetivo de descrever o processo de implementação do Programa nas escolas, Moreira (2013) realizou entrevistas com monitores e demais profissionais envolvidos. A partir dos dados obtidos, verificou que a falta de uma política clara por parte da Secretaria Municipal de Educação da cidade de Esteio (RS), sobre uma política municipal de Educação Integral e professores contratados

pela via do trabalho voluntário foram prejudiciais na integração do Programa ao seu currículo, propiciando o que parecia ser a existência de duas escolas no mesmo espaço.

O estudo de Freitas (2012) apontou como o projeto de Educação Integral surgiu no século XXI e como professores e profissionais envolvidos compreenderam as aprendizagens dos alunos na escola de tempo integral.

A autora apresentou como campo de estudo o Programa Mais Educação, estratégia do Governo Federal para induzir a jornada ampliada e para qualificar a aprendizagem dos estudantes das escolas públicas. Fez um breve apanhado sobre as condições que levaram à emergência da Educação Integral no século XXI, com a implantação do Programa Mais Educação nas escolas. Depois problematizou a escola contemporânea considerando sua constituição histórica, como desafio para se pensar a educação e o aluno atual. Por fim, analisou narrativas de professores que atuaram no Programa, para apontar o modo como estes profissionais avaliaram as aprendizagens dos alunos, a partir das práticas de Educação Integral e, como suas respostas poderiam suscitar relevantes problemas de pesquisa para seu estudo.

Para a Freitas (2012), as constatações da pesquisa realizada potencializaram seus questionamentos acerca das práticas de aprendizagem reproduzidas pelos profissionais envolvidos no PME: Quais aprendizagens e de que forma elas vinham constituindo as subjetividades do sujeito aluno aprendente, participante do Programa Mais Educação? São elas apenas comportamentais? O aumento da nota nas avaliações pode afirmar que os alunos estão realmente aprendendo? Como os alunos entendiam o processo de aprendizagem?

A pesquisa de Rocha (2012) estabeleceu um comparativo sobre o rendimento escolar apresentado por estudantes matriculadas em tempo integral e em tempo parcial, de um Centro de Educação Integral da RME de Curitiba (PR), nas avaliações elaboradas pela Secretaria Municipal da Educação, no período compreendido entre 2009 e 2010.

A pesquisa teve por objetivo analisar se havia diferença entre o rendimento escolar dos estudantes do período parcial em relação aos do tempo integral. Após a análise dos dados quantitativos e documentos que nortearam o trabalho pedagógico, a autora concluiu que não havia diferença significativa no rendimento escolar daqueles estudantes, na escola pesquisada. Constatou ainda a falta de um currículo

específico para atendimento aos educandos do tempo integral, discordâncias teóricas entre o Projeto Pedagógico da escola e as Diretrizes Curriculares Municipais, bem como encaminhamentos metodológicos semelhantes tanto para as crianças do tempo integral quanto do tempo parcial.

Kirchner (2011) teve como foco de pesquisa, um estudo de caso realizado em uma escola de tempo integral de Itapiranga (SC) para verificar as possibilidades de a escola de tempo integral ser uma alternativa para a melhoria da qualidade da educação pública.

Por meio de entrevistas realizadas, Kirchner (2011) pode dialogar com autores e revelar limites e possibilidades da escola em tempo integral. A autora considerou que a integração entre escola com a comunidade foi determinante na implantação e consolidação do projeto. Percebeu que a escola em tempo integral cria condições para uma maior convivência entre as pessoas e oportuniza atitudes mais humanas. Embora com inúmeros desafios, ela viu no projeto de escola em tempo integral uma alternativa efetiva para o complexo compromisso com o processo de formação de pessoas.

Em seu estudo, Withers (2011) trouxe as representações dos pedagogos das escolas municipais de tempo integral de Curitiba (PR) sobre seu trabalho.

Inicialmente, a autora destacou a trajetória educacional brasileira na formação de professores e o momento de inserção da figura do pedagogo na instituição escolar como coordenador do trabalho pedagógico, fato que também ocorreu com as escolas de tempo integral de Curitiba. O pressuposto da pesquisa foi de que as políticas educacionais de formação de professores, ocorridas no Brasil e as experiências significativas da complexidade do trabalho desenvolvido a partir dessas políticas tinham influência nas representações dos pedagogos.

Por meio das entrevistas realizadas, Withers (2011) buscou compreender como se davam essas representações na prática do pedagogo sobre seu trabalho.

Para sua análise das entrevistas foram estabelecidas as seguintes categorias: as representações da formação inicial no curso de Pedagogia, as representações da formação continuada e as representações do cotidiano do trabalho do pedagogo.

Segundo os pedagogos participantes da pesquisa, a teoria e a prática são unidades desvinculadas, seu cotidiano de trabalho é atribulado e eles não têm bem delimitada sua função. Conclui-se como necessária a superação da dicotomia entre

teoria e prática e uma configuração da atuação do pedagogo nas escolas municipais de tempo integral.

Branco (2009) relata a pesquisa-ação realizada por pesquisadoras da Universidade Federal do Paraná com profissionais da educação da rede pública de ensino municipal de Porecatu (PR). Este trabalho teve como ponto prioritário a formação continuada dos professores, seu embasamento teórico foram os conteúdos de Didática, Psicologia da Educação e Língua Portuguesa: Alfabetização e Letramento. O principal objetivo da formação era orientar no planejamento e no desenvolvimento do ensino nas escolas de Educação Integral em tempo integral daquele município, o que foi executado nos anos de 2005 a 2007.

Com os resultados da pesquisa, Branco (2009) pode perceber as possibilidades, dificuldades e superações por parte dos docentes das séries iniciais do Ensino Fundamental para aprenderem os conteúdos focados. O trabalho apresentou ainda um conjunto de materiais de ensino e aprendizagem, de estratégias didáticas e de metodologias desenvolvidas com os participantes durante o processo de formação continuada e testou materiais previamente elaborados pelas pesquisadoras na Universidade Federal do Paraná. Materiais que poderiam servir como subsídio para a formação continuada de outros professores, instrumentalizando-os para a implementação da Educação Integral em Tempo Integral.

O estudo de Germani (2006) consta de investigação histórico-documental sobre os programas de ampliação do tempo escolar em Curitiba (PR) e da análise de depoimentos de professores de Centros de Educação Integral que vivenciaram sua implantação, objetivando verificar se houve ajustamentos à realidade escolar e uma política de preparação dos professores para efetivação da proposta.

Inicialmente, o estudo de Germani (2006) apresentou uma visão geral de experiências nacionais sobre o tema e na análise documental trouxe um panorama sobre a ampliação do tempo escolar na RME de Curitiba, com um resgate das políticas e planos educacionais em diferentes gestões. Por meio do depoimento de professoras que vivenciaram a implantação do horário integral em suas escolas, procurou verificar as modificações sofridas pelas propostas no processo de implantação, a organização física e pedagógica das escolas e a preparação dos professores para atuarem na escola de tempo integral em cada gestão do governo municipal.

A partir da análise dos programas de cada gestão desde 1985, dos prefeitos:

Roberto Requião, Jaime Lerner e Rafael Greca, a autora trouxe como considerações que todas as propostas sofreram modificações ao tomarem contato com a realidade escolar; que cada escola procurou organizar e receber a proposta da melhor maneira; adaptações e modificações fizeram-se necessárias devido à distância do projeto com a realidade e mesmo os programas tendo sido acompanhados de uma preparação dos professores, que não foi totalmente eficaz.

Arco-Verde (2003) teve como foco de pesquisa a análise da cultura escolar, sendo o eixo principal a investigação sobre o tempo escolar como elemento essencial para a prática educacional e a análise da organização dos modelos de extensão de jornada escolar em escolas integrais de Curitiba (PR).

O trabalho abordou diferentes concepções de tempo, trazendo as interpretações mitológicas e os esclarecimentos da ciência que fizeram do tempo um elemento imprescindível na vida social e cultural da humanidade e na proposta de preparação do cidadão.

A autora resgatou, em sua pesquisa, a história dos tempos escolares no Paraná, a implementação de políticas públicas em relação à jornada escolar e, mais especificamente, os programas das décadas de 1980 e 1990, que possibilitaram a análise de uma forma de organização educacional, aquela imposta pelas políticas, mas também a nascida e construída na dinâmica interna da escola. Para tanto, foram realizadas entrevistas, observações e análises por meio da coleta de dados em documentos que traziam informações sobre como a organização temporal interferiu na vida de toda a comunidade escolar.

A pesquisa de Arco-Verde (2003) mostrou como mudanças lentas e graduais nas escolas de tempo integral criaram uma nova cultura escolar com continuidades e inovações, discordâncias entre o que foi prescrito e a realidade, entre os tempos estabelecidos ou propostos e os vividos.

A partir da análise dos resultados das pesquisas aqui apresentadas, alguns pontos relevantes puderam ser levantados ao que diz respeito à escola para uma Educação Integral e em tempo integral, são eles: a necessidade da criação de políticas públicas no âmbito dos governos; o entendimento de quais aprendizagens são importantes para seus sujeitos; a compreensão do que é um currículo para a Educação Integral; que metodologias e estratégias didáticas podem ser empregadas; a superação da dicotomia entre teoria e prática, e uma configuração da

atuação do pedagogo e do professor nessa escola; a integração entre profissionais, conteúdos e encaminhamentos na própria escola; que os programas propostos quando em contato com a realidade passam necessariamente por modificações e adequações e isso tem que ser considerado e respeitado por aqueles que os elaboram.

A pesquisadora acrescenta que a compreensão por partes dos profissionais da escola integral sobre desenvolvimento a aprendizagem é um fator preponderante para que muitas das considerações aqui elencadas possam ser fundamentadas e compreendidas e propiciem uma aprendizagem efetiva aos seus estudantes.