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Piso salarial estadual e piso salarial normativo

4.3 PISO SALARIAL ESTADUAL DE SANTA CATARINA, ORIGEM E

4.4.2 Piso salarial estadual e piso salarial normativo

O objeto, aqui, é saber se é possível interpretar o piso salarial fixado em dissídio coletivo, como o piso salarial que se refere à lei 459/2009, em seu artigo 3º, que assim dispõe: “Art. 3º Os pisos salariais instituídos nesta Lei Complementar se aplicam, exclusivamente, aos empregados que não tenham piso salarial definido em Lei federal, Convenção ou Acordo Coletivo de Trabalho.”67 (grifo nosso).

Antes de se adentrar no assunto, remete-se o leitor aos itens 2.5.3 e 4.1.1.3, respectivamente. Nesses itens, percebe-se que o conceito de piso salarial e piso normativo, muitas vezes, se confundem. Vê-se que não há, na doutrina, uma distinção clara sobre os termos, assim, restam dúvidas sobre sua natureza jurídica. E, por restar imprecisão sobre o tema, o princípio in dúbio pro operario68 apresenta- se como solução para a questão exposta.

Viu-se que a lei 459/2009 fala em piso salarial definido em lei, convenção ou acordo coletivo, e não fala em piso salarial definido em dissídio coletivo. Logo, entender que o piso salarial definido por sentença normativa também se adequaria às hipóteses de exclusão elencadas no artigo 3º, da lei 459/2009, é uma interpretação extensiva que a lei não permite diante de uma interpretação lógica, considerando todo o contexto do direito do trabalho. Kumel trata do assunto nos seguintes termos:

Concessão pode ser feita a partir de uma interpretação literal do art. 1º caput, da LC n. 103/2000, privilegiando a regra do in dúbio, pro operario tal artigo não se refere à existência do piso normativo (piso salarial definido por Tribunal Trabalhista em decisão de dissídio coletivo). Assim, havendo a lei estadual e, ao mesmo tempo, sentença normativa a definir piso salarial, ambas aplicáveis a determinada categoria de trabalhadores, deve-se escolher aquele piso que é maior, pois certamente mais favorável ao trabalhador.69

<http://consultas.trt12.jus.br/SAP2/ProcessoListar.do?pnrProcCNJ=&pnrDvCNJ=&pnrAnoCNJ=201 0&cdJusticaCNJ=5&pcdTribunalCNJ=12&pcdOrigemCNJ=&plocalConexao=sap2&toten=&pagina= 0&processosPorPagina=100&pnprocesso=00992&pnano=2009&pnvara=000&pnregiao=12&pnsequ encial=&pndigito=&pnuprotrt=&pano=2001&pvfoabuf=&noab=&uf=&panoOab=>. Acesso em: 2 out. 2010.

67 SANTA CATARINA, loc. cit. 68 Ver item 3.1.3 deste trabalho. 69

A mesma concepção é trazida por Salomão, que aduz que “o piso salarial assegurado em sentença normativa não pode ser invocado como fundamento para o afastamento do piso estadual, caso este último seja mais favorável ao empregado.”70

O Tribunal Regional do Trabalho da 9ª Região assim decidiu sobre o tema em dois acórdãos, os quais serão transcritos em parte:

TRT-PR-09-10-2009 SALÁRIO MÍNIMO ESTADUAL. AUSÊNCIA DE INSTRUMENTO COLETIVO EM VIGOR ESTABELECENDO PISO SALARIAL PARA A CATEGORIA PROFISSIONAL. APLICABILIDADE. Consoante dispõe o artigo 1º da Lei Complementar nº 103/2000, o salário mínimo estadual somente não deverá ser aplicado aos empregados que têm piso salarial definido em lei federal, convenção ou acordo coletivo e aos servidores públicos municipais. Constatada a ausência de instrumento coletivo em vigor estabelecendo piso salarial, deve ser garantido aos trabalhadores da respectiva categoria profissional o salário mínimo estadual. O simples fato de as categorias profissional e econômica estarem organizadas em sindicatos, por si só, não afasta a aplicação da Lei Estadual que estabelece o piso salarial regional, pois é perfeitamente cabível que seja firmado instrumento coletivo regulando diversas condições de trabalho, porém, sem fixar piso salarial. Recurso ordinário conhecido e provido.71 TRT-PR-14-05-2010 AUSÊNCIA DE NORMA COLETIVA. PISO SALARIAL REGIONAL. APLICABILIDADE. O piso salarial instituído na Lei n.º 15.826/08 é o mínimo da contraprestação a ser paga pelos empregadores no Estado do Paraná, assegurando aos empregados substituídos uma remuneração mínima proporcional à extensão e à complexidade do trabalho (art. 7º, V, CF), a qual pode ser majorada via negociação coletiva, por meio da assinatura de convenção ou acordo coletivo de trabalho. Inexistindo norma coletiva, incide na espécie o art. 1º da Lei Complementar n.º 103/2000, devendo ser deferidas as diferenças salariais pleiteadas. Recurso a que se dá parcial provimento.72

Entendimento diverso pode ser extraído da sentença da 1ª Vara do trabalho, de Tubarão/SC, proferida na ação trabalhista número 00539-2010-006-12- 00-1, assim disposto:

O permissivo legislativo para a aplicação do piso salarial de que trata o artigo 7º, V, da CF/88 é dirigido de forma objetiva e expressa aos empregados que não possuam piso salarial. Neste contexto, certo que a sentença normativa equipara-se aos acordos e convenções coletivas,

70

SALOMÃO, Paulo de Tarso. Particularidade do piso salarial estadual. Revista do Tribunal Regional do Trabalho da 15ª Região. Campinas, n. 32, p. 21-25, jan./jun. 2009.

71 BRASIL. Tribunal Regional do Trabalho da 9ª. Recurso Ordinário nº 00049-2009-071-09-00. Relator: Altino Pedrozo dos Santos. Curitiba, PR, 9 de outubro de 2009. Disponível em: <http://www.trt9.jus.br/internet_base/jurisprudenciaman.do?evento=Editar&chPlc=3499866>. Acesso em: 3 out. 2010.

72

BRASIL. Tribunal Regional do Trabalho da 9ª. Recurso Ordinário nº 00314-2009-093-09-00-4. Relator: Luiz Celso Napp. Curitiba, PR, 14 de maio de 2010 disponível em:

pois igualmente fixa normas de observância compulsória aos envolvidos, inclusive piso salarial.73 (grifo nosso).

Todavia, entende-se que o piso normativo não pode ser interpretado como piso salarial convencional para os efeitos da lei 459/2009. No entanto, surge outra situação jurídica diante deste conflito, que é o fato de os sindicatos que representam os empregados se oporem a firmar convenção coletiva de trabalho abaixo do piso estadual, pois, desta forma, não haveria piso convencional e sim piso normativo, resultado de dissídio coletivo, o que levaria à aplicação imediata do piso estadual.

Tal situação gera duas consequências a saber: a primeira é a supressão da tarefa dos sindicatos pelo Estado, pois aqueles se limitariam74 a lutar pelo salário estadual definido em lei; e a segunda seria a enxurrada de dissídios coletivos nos Tribunais. As duas consequências vão ao desencontro da teoria do Estado mínimo e do fortalecimento das relações sindicais. Limita-se, aqui, a tecer esses breves comentários sobre o tema, que certamente é merecedor de estudos mais aprofundados.

O fato de os sindicatos se recusarem a firmar convenção coletiva de trabalho a fim de forçar a aplicação do piso estadual, tem, como consequência, a instauração do dissídio coletivo, que, como se sabe, tem um trâmite moroso diante da Justiça do Trabalho, conhecida por sua celeridade. Logo, a categoria estaria sem piso convencional e sem piso normativo durante o lapso temporal em que se aguarda o julgamento do dissídio coletivo, e, durante esse lapso temporal, qual piso teria de ser respeitado: o piso estadual ou a definição do dissídio coletivo? Outra indagação que surge é: podem os sindicatos reivindicar judicialmente a aplicação imediata do piso estadual diante de tal situação? Diante destes questionamentos, transcreve-se parte da sentença do Juiz titular da 2ª vara do trabalho, de Tubarão/SC, in verbis:

A Lei Complementar federal nº 103, de 14.07.00, prevê, em seu art. 1º: Art. 1º. Os Estados e o Distrito Federal ficam autorizados a instituir, mediante lei de iniciativa do Poder Executivo, o piso salarial de que trata o inciso V do art. 7º da Constituição Federal para os empregados que não tenham piso salarial definido em lei federal, convenção ou acordo coletivo de trabalho. (sic) (sublinhei) A Lei Complementar estadual nº 459/09, em seu art. 3º,

73

BRASIL. Tribunal Regional do Trabalho da 12ª Região. 1ª Vara do Trabalho de Tubarão/SC. Ação Trabalhista nº 00539-2010-006-12-00-1. 8 de junho de 2010. Disponível em:

<http://consultas.trt12.jus.br/SAP1/DocumentoListar.do?pdsOrigem=AUDIENCIAS&plocalConexao =tubarao&pnrDoc=357407>. Acesso em: 3 out. 2010.

como não podia deixar de ser, também indicou o alvo do piso regional: Art. 3º. Os pisos instituídos nesta Lei Complementar se aplicam, exclusivamente, aos empregados que não tenham piso salarial definido em Lei federal, Convenção ou Acordo Coletivo de Trabalho. (sic) (destaquei) Como se observa da peça inicial desta demanda, o Sindicato-autor informou que a instauração do dissídio coletivo contra o SINDICATO DO COMÉRCIO VAREJISTA E ATACADISTA DE TUBARÃO E REGIÃO – SINDILOJAS E OUTRO (2), processo que tramita no TRT barriga verde sob o nº DC 00992- 2009-000-12-00-6, ocorreu em face da frustração nas negociações. Na exordial do DC se pode ver que um dos desideratos é a fixação de piso normativo de R$650,00, pouco acima do piso salarial estadual (fl. 69), com incidência a partir de novembro/09, como se constata da manifestação sindical da fl. 72, verso, segundo parágrafo. 5. Com efeito, se a lei complementar estadual – assim como a federal – fixa a aplicação do piso estadual apenas àqueles que não possuam piso com base em fontes coletivas autônomas ou heterônomas, a discussão do piso da categoria instaurada em sede de dissídio coletivo frustra a presente demanda. É por esses motivos que tenho o Sindicato-autor como carecente da ação por falta de interesse processual, decretando a extinção do feito sem resolução do mérito (art. 267, inc. VI, e art. 301, inc. X, e § 4º, ambos do CPC, aplicados de forma subsidiária na esfera instrumental do trabalho - art. 769/CLT).75

Certamente se caminha por uma linha muito tênue, ao afirmar que o piso salarial definido em sentença normativa não tem a mesma natureza do piso salarial definido em convenção coletiva. Para confirmar a tenuidade do assunto, será transcrito o acórdão do Tribunal Regional da 12ª Região:

ACORDAM os Juízes da 6ª Câmara do Tribunal Regional do Trabalho da 12ª Região, por unanimidade, CONHECER DO RECURSO. No mérito, por maioria, vencido o Exmo. Juiz Roberto Basilone Leite (Relator), DARLHE PROVIMENTO para, afastando a preliminar de carência de ação, arguida de ofício pelo Exmo. Juiz de primeiro grau, e rejeitando as preliminares de inépcia da inicial/ilegitimidade ativa e de litispendência, suscitadas em contestação, condenar a reclamada a pagar aos seus empregados despedidos sem justa causa diferenças salariais decorrentes da aplicação do salário normativo no valor de R$ 647,00 (seiscentos e quarenta e sete reais) a partir de 1º de janeiro de 2010, com reflexos em repousos semanais remunerados e feriados, em férias, acrescidas do terço constitucional, em gratificação natalina, em aviso prévio, em horas extras, em adicionais noturno, de insalubridade e de periculosidade, e em FGTS mais indenização adicional de 40% (quarenta por cento). Juros de mora, correção monetária e incidência de descontos fiscais e previdenciários na forma da lei. Em consequência, inverter o ônus das custas processuais, ora fixadas em R$ 200,00 (duzentos reais) que ficarão ao encargo da reclamada, calculadas sobre o valor provisório da condenação arbitrado em R$ 10.000,00 (dez mil reais).76

75 BRASIL. Tribunal Regional do Trabalho da 12ª Região. 2ª Vara do Trabalho de Tubarão/SC. Ação Trabalhista nº 00760-2010-041-12-00-7. 18 de junho de 2010. Disponível em:

<http://consultas.trt12.jus.br/SAP1/DocumentoListar.do?pdsOrigem=AUDIENCIAS&plocalConexao =tubarao&pnrDoc=361910>. Acesso em: 3 out. 2010.

76

BRASIL. Tribunal Regional do Trabalho da 12ª Região. 6ª Câmara do TRT 12ª região. Recurso Ordinário nº 0000760-16.2010.5.12.004 1. 13 outubro de 2010. Disponível em:

No acórdão supra mencionado, pode-se perceber que a 6ª turma, do Tribunal Regional do Trabalho, reformou a decisão prolatada pela 2ª Vara do Trabalho de Tubarão, no que tange à aplicabilidade do piso salarial estadual, diante a ausência de piso convencionado e na insurgência de piso salarial normativo a ser definido em dissídio coletivo.

No acórdão, ora mencionado, percebe-se que o voto do relator foi vencido, mas, diante da argumentação exposta pelo excelentíssimo juiz, transcrevem-se suas razões:

Comungo do entendimento exposto pelas rés quanto ao impedimento disposto nas Leis Complementares para a aplicação do piso salarial estadual em função da existência de salário normativo estabelecido em sentença normativa.

As Leis Complementares assim são redigidas, no tocante:

- Lei Complementar nº 103/2000, art. 1º - Os Estados e o Distrito Federal ficam autorizados a instituir, mediante lei de iniciativa do Poder Executivo, o piso salarial de que trata o inciso V do art. 7º da Constituição Federal para os empregados que não tenham piso salarial definido em lei federal, convenção ou acordo coletivo de trabalho.

- Lei Complementar estadual nº 459/2009, art. 3º - Os pisos salariais instituídos nesta Lei Complementar se aplicam, exclusivamente, aos empregados que não tenham piso salarial definido em Lei federal, Convenção ou Acordo Coletivo de Trabalho. (Grifei.)

É evidente que tais Normas não excepcionam, expressamente, a aplicação do piso salarial estadual no caso de haver sentença normativa que estabeleça um salário normativo, mas isto não significa que as sentenças normativas não sejam fator de exceção, por ausência de menção expressa neste sentido.

Poder-se-ia argumentar, com base em critério de interpretação restritiva, que somente as hipóteses exceptivas expressamente previstas se aplicam ao caso e que, se o legislador tivesse a intenção de incluir as sentenças normativas na previsão, tê-lo-ia feito expressamente.

Porém, fazendo uma análise mais ampla, compulsando outros dispositivos constitucionais que tratam de exceções decorrentes de negociação coletiva, tais como os incs. VI e XIII do art. 7º da CF, vê-se que é prática legislativa corrente a ausência de menção às sentenças normativas, fazendo-se alusão, apenas, a acordos e convenção coletivos de trabalho, o que não significa que as sentenças normativas não possam ser compreendidas como em pé de igualdade com tais instrumentos coletivos.

Não se pode olvidar que as sentenças normativas são, evidentemente, equiparáveis a esses outros instrumentos coletivos de trabalho. Mais ainda, não faz sentido entender que se deva excluir as sentenças normativas da exceção em questão, sob pena de se as tornar letra morta, ineficazes, quanto mais em se considerando que elas são resultado do julgamento feito por uma corte de justiça de lides havidas entre as partes diretamente interessadas (uma determinada categoria ou parcela dela), que tiveram a oportunidade de tecer seus argumentos e ver analisadas suas pretensões e necessidades.

Ainda que a composição amigável e extrajudicial (acordos e convenções coletivos de trabalho) seja sempre a solução ideal, as sentenças normativas, proferidas quando não têm sucesso as negociações coletivas diretas, são o resultado do julgamento de pedidos que visam ao estabelecimento de benefícios e garantias, econômicas e sociais, que melhor se ajustam a determinada categoria e não podem, portanto, ser desprezadas.

Se o Judiciário, analisando o caso concreto, chega à conclusão que determinado valor é o máximo adequado para a fixação do salário normativo de determinada categoria, da mesma forma que os acordos e convenções coletivas de trabalho que assim o façam, não se afigura razoável entender que as sentenças normativas não estejam compreendidas na exceção em apreço.

Em termos práticos, não há diferença alguma entre os efeitos das sentenças normativas e o de acordos e convenções coletivos de trabalho.77

Percebe-se que os argumentos daqueles que defendem a inaplicabilidade do piso salarial estadual, diante de categoria abrangida por sentença normativa, merecem todo o respeito e consideração, pois são baseados em argumentos lógicos e elucidativos. Todavia, manteve-se o posicionamento de que a interpretação, nesse caso, deve ser feita em benefício do empregado, pois, uma coisa é certa, não resta dúvida que a dúvida existe.

77

BRASIL. Tribunal Regional do Trabalho da 12ª Região. 6ª Câmara do TRT 12ª região. Recurso Ordinário nº 0000760-16.2010.5.12.004 1. 13 outubro de 2010. Disponível em:

5 CONCLUSÃO

A primeira conclusão que se tira deste trabalho é que o tema necessita ser debatido pela doutrina específica, já que são poucos os autores que tratam diretamente do assunto, até mesmo por ser uma matéria recente. Da mesma forma, a jurisprudência não está consolidada sobre o assunto.

A lei 459/09, ao excluir de sua aplicação as categorias que já possuem piso salarial definido em convenção coletiva, buscou respeitar as convenções coletivas e, desta forma, respeitar as normas constitucionais que trata de tal instituto, respeitando, também, a autonomia dos sindicatos, igualmente respaldada constitucionalmente. Viu-se que a doutrina que trata do tema conclui que, havendo piso salarial definido em convenção coletiva, o piso salarial estadual não deve ser aplicado, mesmo que superior ao piso convencional, dispondo que não é caso de aplicação do princípio da norma mais favorável.

No que tange às disposições jurisprudenciais, verificou-se que as jurisprudências dos Tribunais Regionais coadunam com o entendimento doutrinário. Porém, o Tribunal Superior do Trabalho, em recente decisão, manifestou-se de forma oposta, ao declarar nula cláusula de convenção coletiva, que institui piso convencional inferior ao piso estadual.

A posição baseada na doutrina e na jurisprudência dos tribunais regionais é no sentido de que o piso salarial estadual não deve ser aplicado às categorias que já possuem piso convencional, pois, de outra forma, estaria agindo contra a vontade do legislador e, consequentemente, contra a vontade da lei, infringindo o sistema constitucional de separação dos poderes. Crê-se que aqueles que entendem que a lei é contrária à conjuntura jurídica do ordenamento trabalhista, devem atacá-la via sistemas próprios de controle de constitucionalidade, e não arbitrariamente interpretá-la de forma contrária à vontade do legislador.

Conclui-se, também, que o piso salarial definido em sentença normativa, por não ter um conceito pacífico entre os doutrinadores, quanto a sua natureza jurídica, obriga a fazer a aplicação do princípio do in dúbio pro operario e, desta aplicação, chega-se à conclusão de que o piso salarial definido em sentença normativa, resultante de dissídio coletivo, não pode ser considerado como piso salarial para os efeitos da lei 459/2009. Logo, a referida lei deve ser aplicada

àqueles que possuem piso salarial definidos por sentença normativa, desde que o piso estadual seja mais benéfico.

Em suma, o piso estadual não se aplica aos trabalhadores com piso salarial definido em convenção coletiva, mesmo que o piso seja superior ao piso definido pela convenção, e deve-se aplicar o piso estadual aos trabalhadores que possuem piso salarial normativo, caso o piso estadual seja mais benéfico que o piso normativo.

Durante a realização deste estudo, percebeu-se a necessidade do estudo de outros temas relacionados, tais como a possibilidade da instauração de dissídio coletivo de natureza jurídica, no intuito de dirimir as indagações relacionadas à lei 459/09, bem como a proposição de Ação direta de Inconstitucionalidade contra a aludida lei. Outro aspecto a ser estudado é se a instituição do piso salarial estadual não acabaria por substituir o papel dos sindicatos na defesa dos interesses dos trabalhadores.

REFERÊNCIAS

BRASIL. Lei 3.207, de 18 de julho de 1993. Disponível em:

<http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/L3207.htm>. Acesso em: 16 ago. 2010. ______. Consolidação das leis do trabalho. Compilação de Armando Casimiro Costa, Irany Ferrari, Melchíades Rodrigues Martins. 37. ed. São Paulo: LTr, 2010. ______. Consolidação das leis do trabalho, legislação previdenciária e constituição federal. Obra coletiva de autoria da Editora Saraiva com a

colaboração de Antonio Luiz de Toledo Pinto, Márcia Cristina Vaz dos Santos Windt e Lívia Céspedes. 3. ed. São Paulo: Saraiva, 2008.

______. Supremo Tribunal Federal. Ação direta de inconstitucionalidade n° 2.358. Disponível em:

<http://www.stf.jus.br/portal/peticaoInicial/verPeticaoInicial.asp?base=ADIN&s1=235 8&processo=2358>. Acesso em: 29 set. 2010.

______. Supremo Tribunal Federal.. Ação direta de inconstitucionalidade n° 4.364. Disponível

em:<http://www.stf.jus.br/portal/peticaoInicial/verPeticaoInicial.asp?base=ADIN&s1= 4364&processo=4364>. Acesso em: 29 ago. 2010

BRASIL. Tribunal Regional do Trabalho 12ª Região. 1ª Vara do Trabalho de Tubarão/SC. Ação Trabalhista nº 00539-2010-006-12-00-1. 8 de junho de 2010. Disponível em:

<http://consultas.trt12.jus.br/SAP1/DocumentoListar.do?pdsOrigem=AUDIENCIAS&p localConexao=tubarao&pnrDoc=357407>. Acesso em: 3 out. 2010.

______. Tribunal Regional do Trabalho 12ª Região. 2ª Vara do Trabalho de

Tubarão/SC. Ação Trabalhista nº 00760-2010-041-12-00-7. 18 de junho de 2010. Disponível em:

<http://consultas.trt12.jus.br/SAP1/DocumentoListar.do?pdsOrigem=AUDIENCIAS&p localConexao=tubarao&pnrDoc=361910>. Acesso em: 3 out. 2010.

______. Tribunal Regional do Trabalho 12ª Região. 6ª Câmara do TRT 12ª região. Recurso Ordinário nº 0000760-16.2010.5.12.004 1. 13 outubro de 2010. Disponível em:

<http://consultas.trt12.jus.br/SAP2/DocumentoListar.do?pidDoc=165612&plocalCone xao=sap2&ptipo=PDF>. Acesso em: 23 out. 2010.

______. Tribunal Regional do Trabalho 12ª Região. 6ª Câmara do TRT 12ª região. Recurso Ordinário nº 0000760-16.2010.5.12.004 1. 13 outubro de 2010. Disponível em:

<http://consultas.trt12.jus.br/SAP2/DocumentoListar.do?pidDoc=165612&plocalCone xao=sap2&ptipo=PDF>. Acesso em: 23 out. 2010.

______. Tribunal Regional do Trabalho 12ª região. Dissídio coletivo nº 00391-

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