De modo específico são indicados os diferentes pisos que podem ser registrados na construção civil, cuja finalidade em geral é prover continuidade e conforto na circulação dos usuários.
4 TIPOS DE PISO
A seguir, são especificados os tipos de pisos mais comuns, as variações dentro do próprio grupo (se existir) e os procedimentos mais relevantes a indicar durante sua instalação, resumidos na Figura 26.
FIGURA 26 – VISUALIZAÇÃO DOS TIPOS DE PISOS SEGUNDO SUA FORMA DE INSTALAÇÃO NO SUSBTRATO
FONTE: Adaptado de Cunha (2012)
De modo singular são explicados conceitos segundo o material a ser empregado no piso.
4.1 CERÂMICO
Da mesma forma que o revestimento cerâmico em paredes (azulejo), a instalação de placas cerâmica no piso (porcelanato) requer o acondicionamento de camadas para receber o revestimento cerâmico que pode ser constituído por algum destes tipos (SALGADO, 2009, p. 188):
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• Cerâmica esmaltada na qual a fixação do esmalte sobre a peça cerâmica se dá em etapa seguinte ao cozimento primário da peça.
• Cerâmica “gres” em que a queima do esmalte se dá junto com a queima da base, proporcionando elevada resistência à peça.
• Ladrilho cerâmico no qual a argila é comprimida e exposta a altas temperaturas tendo como acabamento a peça em seu estado natural.
Esses conceitos são estruturados na seguinte Figura 27.
FIGURA 27 – SEÇÃO DE UM PISO COM INSTALAÇÃO DE REVESTIMENTO CERÂMICO
FONTE: Salgado (2009, p. 189)
De modo específico, porcelanato: ABNT NBR 15463:2013, indica algumas características que se tornam vantagens do material. As vantagens da instalação de um piso em cerâmica, seja porcelanato ou cerâmica mesmo, pode ser resumido em:
• Grande variedade de geometria e cores.
• De fácil limpeza e manutenção.
• Alto grau de impermeabilidade.
• Durável.
A diferença de uma unidade cerâmica para outra, além da fabricação está no custo.
4.2 CONCRETO
Na construção de unidades pré-fabricadas, é comum ter menor intervenção nos acabamentos das edificações. Algumas acabam por aproveitando a própria superfície dos pré-fabricados para não realizar novos trabalhos, tal como a Figura 28 registra. Para aproveitar a superfície, é realizada uma manutenção com maior frequência e recebe algum tipo de pintura oleosa para impermeabilizar.
Adicionalmente, sobre a peça de concreto, deve ser executada uma camada de argamassa reforçada, que absorverá possíveis deformações por tensão.
A Comunidade da Construção (201X) ressalta que durante a execução do contrapiso devem ser contemplados os desníveis, bits e soleiras de portas, os caimentos até ralos e os acabamentos pois podem ser registrados acúmulos de água ou posteriores rebaixamentos que produzirão desníveis sem controle.
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FIGURA 28 – PISO DE CONCRETO SEM POLIMENTO
FONTE: <https://www.pisoart.com.br/imagens/onde-encontro-restauracao-de-piso-concreto.
jpg>. Acesso em: 15 dez. 2019
Da mesma forma que a NBR 15805:2015 indica, os sistemas de piso elevado (gerado pela instalação de peças pré-fabricadas) não podem registrar uma excessiva sensibilidade às condições de serviço, de modo que suas características funcionais e estéticas sejam modificadas, o que exigira um investimento dos usuários em atividades de manutenção ou indicando restrições de uso normal.
4.3 MADEIRA
A madeira é um material que registra bom desempenho térmico, desta forma, é comum andar sobre pisos de madeiras sem pensar no risco de deslizamento ou registro de aquecimento. Sua versatilidade tem promovido a adequação de ambientes, tanto que são muitos os materiais que fazem imitação, donde surgem os pisos laminados, NBR 14833-1:2014, controla suas especificações.
A seguir serão especificados os tipos de pisos em que a espessura e a modalidade de instalação permite realizar uma categorização (Figura 29); seja com pregos, cola ou parafusos este tipo de material se ajusta aos recursos do cliente.
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FIGURA 29 – TIPOS DE PISOS DE MADEIRAS E SEUS SUBGRUPOS
FONTE: Adaptado de Galina et al. (2013)
Previamente à execução Galina et al. (2013) indica:
1. Assegurar um profissional para a instalação.
2. Ter cuidado no armazenamento da madeira.
3. Verificar possíveis fontes de umidade.
4. Garantir a impermeabilização das peças.
5. Garantir o nivelamento do contrapiso.
6. Instalar.
O que se refere à execução (DE MILITO, 2007, p. 195) recomenda:
TÓPICO 3 | PISOS
Quando assentarmos taco, devemos fazê-lo o mais próximo possível, para evitar que se movimente com a sua utilização provocando assim a sua soltura.
• A base para assentamento com cola deve ser feita com uma argamassa bem seca para evitar que a água em excesso "verta" fazendo com que o cimento se deposite em camadas inferiores e as areias fiquem sem coesão por falta de aglomerante, deixando assim a superfície fraca.
• Os pisos de madeira devem ser assentados com uma folga das paredes para facilitar a movimentação, sem que ocorra empenamento.
• Ao assentarmos com cola verificar se a base está bem nivelada e sem ondulações, principalmente para os tacões, pois se não estiverem, parte do tacão fica colado e outra não, podendo se soltar.
FIGURA 30 – EXEMPLO DE REGULARIZAÇÃO SEM NIVELAMENTO
FONTE: De Milito (2007, p. 195)
Da mesma forma que outros pisos, o piso em madeira também requer de um acabamento adicional que inicia com o lixamento e o calafetado (preenchimento de juntas entre unidades).
DICAS
4.4 PISO DE PEDRA NATURAL – ALTA RESISTÊNCIA
Fazendo uso de matéria-prima de alta qualidade são criadas placas de grande tamanho que dão maior área de cobertura e reduzem o número de juntas.
Tal é o caso de pisos em mármore ou granito, sobre estes existem cuidados muito rigorosos pois ao serem maiores e pesados as placas podem ser quebradas com mais facilidade.
Segato (2019) apresenta uma série de recomendações para conservar este tipo de peça:
• No armazenamento e manuseio:
as placas marmorizadas devem ser mantidas, quando possível, paletizadas até o momento da aplicação em local coberto ao abrigo da luz, e quando desembaladas devem ser empilhadas em posição vertical. O armazenamento deve ser feito em local pavimentado para
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evitar a contaminação das placas com terra ou lama. Os pisos são fornecidos embalados em palete de madeira com peso aproximado de 1.600 kg e 139 peças, envoltos em filme plástico stretch e arqueados com fita poliéster e devem permanecer embalados enquanto estocados (SEGATO, 2019, p. 2).
• No preparo da base de assentamento: “sobre o contrapiso existente, com idade superior a 28 dias, proceder a uma rigorosa limpeza da superfície, que deve se apresentar áspera, isenta de pó, partículas soltas, graxas, óleo etc.”; “molhar o contrapiso com água quando necessário”; “aplicar sobre o contrapiso, uma pasta de cimento e água (caldeamento/chapisco), com auxílio de uma vassoura, a fim de garantir uma perfeita interface entre o contrapiso e a argamassa de assentamento (ponte de aderência). Não é indicada a adição de aditivos; para fins de projeto, deverá ser considerada a cota mínima de 6 cm e máxima de 10 cm de espessura para assentamento do piso (já considerada a espessura da placa que é de 3 cm)” (SEGATO, 2019, p. 2).
Considerando uma aplicação de argamassa, se indica que:
• A presença de juntas plásticas:
A distribuição das juntas plásticas de retração, dilatação/estrutural, é de responsabilidade do engenheiro responsável pelo projeto estrutural, ficando somente a execução por conta da empresa responsável pelo assentamento. A instalação das juntas de retração é obrigatória para direcionamento dos esforços da estrutura e devem ser distribuídas de 4 em 4 metros, prevendo sempre aplicação nos eixos de pilares e entre eles. A altura da junta deve ser superior à espessura da placa que é de 3 cm, ou seja, mínimo de 4 cm. Também alertamos para o preenchimento de juntas de dilatação ou estrutural com produtos selantes flexíveis do tipo “silicone” ou outros; estes materiais não deverão ter contato direto com o piso, sob risco de a placa absorver a oleosidade destes materiais e suas bordas serem manchadas. Sugerimos a colocação de cantoneiras como isoladores (SEGATO, 2019, p. 5).
Finalmente, o rejuntamento (SEGATO, 2019, p. 5): “procedimentos preliminares: recomendamos iniciar o rejuntamento 24 horas após o assentamento.
Proteger as áreas não rejuntadas com lona plástica é uma solução que deverá ser adotada para evitar a contaminação das juntas”. E, de modo geral, continuar estas recomendações:
- Deve-se considerar não conformes os locais onde o rejunte, acabado, estiver rebaixado em relação ao nível das placas, fissurado, manchado e poroso. Estes locais reterão no futuro sujeira que provocará o escurecimento do rejunte, surgimento de fungos e bactérias.
- Verificar a limpeza e a segurança de todas as ferramentas antes de iniciar os trabalhos; utilizar luvas de borracha e óculos de proteção.
- Utilizar, como recipiente para mistura, balde ou tambor cilíndrico de plástico, sem saliências internas, principalmente no fundo. Não utilizar caixotes de madeira ou recipientes metálicos, que podem contaminar o rejunte.
- Trabalhar sempre com água potável e limpa.
- Utilizar um bastão de madeira (cabo de vassoura) tendo o cuidado
TÓPICO 3 | PISOS
para evitar formação de grumos.
- Limpar o piso e as juntas (quando necessário com equipamento de pressão) antes de iniciar o rejuntamento. Espere as poças de água secarem ou utilize um aspirador - Não poderá haver água dentro das juntas.
- Mantenha as áreas rejuntadas isoladas por 24 horas após a aplicação do rejunte.
Depois disso, acontecerá o polimento e estucamento. Uma execução na instalação terá como resultado uma boa aparência como a que registra o piso da Figura 31.
FIGURA 31 – EXEMPLAR DE PISO EM MÁRMORE
FONTE: <https://bit.ly/326TuiS>. Acesso em: 15 dez. 2019
4.5 BLOCOS PRÉ-MOLDADOS
Este tipo de piso é executado nos exteriores da edificação, porém, com frequência, são instalados para acondicionar o ambiente externo e inclusive adicionar componentes ecológicos (Figura 32) sem perder a resistência mecânica necessária para o tráfego de pedestres e automóveis. Este tipo de piso também precisa de uma adequação da superfície onde serão instalados, seguindo especificações técnicas da NBR 15953:2011 e inclusive uma sequência de camadas, que podem ser resumidas na Figura 33.
UNIDADE 3 | REVESTIMENTOS, ESQUADRIAS E PISOS
FIGURA 32 – EXEMPLO DE PISO EXTERIOR COM BLOCO DE CONCRETO PRÉ-MOLDADO
FONTE: <https://bit.ly/3gPJGxN>. Acesso em: 3 dez. 2019
FIGURA 33 – SEÇÃO TRANSVERSAL DE UM PISO EXTERIOR COM BLOCOS PRÉ-MOLDADOS OU PARALELEPÍPEDOS
FONTE: Adaptado de <https://bit.ly/303SIR4>. Acesso em: 3 dez. 2019
5 CUIDADOS NA EXECUÇÃO – NORMAS
Em ocasiões, pensando no tipo de edificação, é constante a necessidade de ter acessibilidade as redes elétricas ou de telecomunicações, estas, que podendo ser escondidas debaixo do piso, devem ter visibilidade e fácil acesso. Pelo anterior, o nivelamento e a indicação em planos de cotas e evitar a instalação de revestimento cerâmico se faz necessário para poupar ao usuário de custos adicionais.
Segundo a NBR 13753:1996, a execução dos pisos de revestimento cerâmico deve ser iniciada após conclusão de:
• O revestimento das paredes.
• Revestimento em tetos.
• Fixação de caixilhos.
• Execução da impermeabilização.
• Instalação de tubulações embutidas com seus respetivos ensaios.