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Placenta dos bovinos

No documento Bovinos Leiteiros (páginas 45-54)

CRIA E RECRIA DE FÊMEAS LEITEIRAS

3. Cuidados com bezerros ao nascimento

3.2. Placenta dos bovinos

A placenta dos ruminantes é classificada como sinepiteliocorial pela sua estrutura microscópica que é baseada nos tecidos materno e fetal que estão em contato lado a lado, embora não seja uma estrutura tão interligada como na placenta endotéliocorial (carnívoros); Por isso a placenta dos ruminantes não permite a passagem de macromoléculas como à placenta dos carnívoros. A estrutura macroscópica é composta por cotilédones e carúnculas ou projeções especializadas da mucosa uterina formando os placentomas ou placentônios (HAFEZ & HAFEZ, 2004).

A placenta sindesmocorial ou sinepiteliocorial protege o bezerro da maioria das agressões bacterianas ou virais, mas impede a passagem de proteínas séricas e principalmente as imunoglobulinas. O recém-nascido é, portanto, desprovido de anticorpos e desta forma particularmente sensível às infecções, adquirindo uma verdadeira proteção imunológica somente após a ingestão do colostro (SANTOS, 2011).

3.3. Colostro

Colostro é a secreção da glândula mamária no inicio da lactação, podendo durar de três a seis dias, o colostro não possui valor comercial, sendo conhecido como "leite sujo" (LIZIEIRE e CAMPOS, 2005).

O colostro possui frações mais altas de caseína, albumina e nitrogênio não proteico comparadas ao leite. O conteúdo energético no colostro é ligeiramente maior em função da maior quantidade de gordura, apesar de conter menor quantidade de lactose que o leite (Tabela 6). O colostro também possui maiores concentrações de vitaminas, principalmente as lipossolúveis (A, D, E e K) (LIZIEIRE e CAMPOS, 2005). O colostro possui alto valor nutritivo, além de fornecer anticorpos necessários para proteção de bezerros recém-nascidos de várias doenças infecciosas que podem provocar

diarreia e morte. A concentração de anticorpos no colostro é em média 6% (6 g/100 g de colostro), mas, varia de 2 para 23%. Por outro lado, a concentração de anticorpos no leite corresponde a apenas 0.1 % (WATTIAUX, 2011).

O colostro não possui somente imunoglobulinas e nutrientes, mas também outros compostos como hormônios e fatores de crescimento. Dentre outras substancias se destaca o fator de crescimento semelhante à insulina, denominado IGF-I, não se sabe ao certo quais as funções, mas acredita que essa molécula possua ação somatogênica, ou seja, que seja este um fator de crescimento benéfico ao desenvolvimento do trato gastrointestinal das bezerras recém nascidas (CUNHA e MARTUSCELLO, 2009).

Ao nascimento, a bezerra apresenta pequena produção de HCI e baixa atividade das enzimas proteolíticas do trato gastrintestinal, protegendo as Ig da digestão, além de conter um inibidor de tripsina, que atua sobre a tripsina, mas atua também sobre a quimotripsina e outras proteases. O aumento no intervalo entre o nascimento e a ingestão de colostro propicia o aumento da atividade digestiva das bezerras, com destruição de anticorpos (ALVES e FONTES, 2008).

A absorção das Imunoglobulinas do colostro ocorre no intestino delgado, pelo processo de endocitose. A perda de capacidade absortiva da mucosa intestinal inicia-se logo após o nascimento e progride continuamente até completar-se, por volta de 24 horas após o nascimento (ALVES e FONTES, 2008).

O colostro possui alto valor nutritivo, além de fornecer anticorpos necessários para proteção de bezerros recém-nascidos de várias doenças infecciosas que podem provocar diarreia e morte. A concentração de anticorpos no colostro é em média 6% (6 g/100 g de colostro), mas, varia de 2 para 23%. Por outro lado, a concentração de anticorpos no leite corresponde a apenas 0.1 % (WATTIAUX, 2011).

Os anticorpos ou imunoglobulinas são proteínas que são encontradas na circulação sanguínea. Os anticorpos possuem a função de destruir bactérias e outros corpos estranhos (antígenos) que invadem o corpo. Os bezerros recém-nascidos não possuem anticorpos porque o tipo de placenta das vacas não permite a passagem dos anticorpos durante a gestação. Por isso a importância dos ruminantes ingerirem o colostro de boa qualidade e no tempo determinado, pois, os anticorpos são absorvidos no intestino dos bezerros nas primeiras horas de vida. (WATTIAUX, 2011).

Existem três tipos de imunoglobulinas (Ig): IgG, IgM e IgA, o colostro possui 70 a 80 % de IgG, 10 a 15% de IgM e 10 a 15% de IgA (LIZIEIRE e CAMPOS, 2005).

A bezerra ao nascer praticamente não possui imunidade contra os agentes patogênicos mais comuns que são encontrados no ambiente. Assim a primeira imunidade das bezerras deve vir dos anticorpos encontrados no colostro da vaca. O colostro também apresenta um efeito laxativo e estimula as funções normais do trato digestivo (WATTIAUX, 2011).

Os dois fatores que determinam o sucesso do manejo do colostro são o tempo após o parto no qual o colostro é administrado aos animais e a quantidade fornecida devendo ser fornecido no máximo 6 horas após o nascimento na quantidade de 2 kg para bezerras de raças grandes e 1 kg para bezerras de raças pequenas e preferencialmente deve ser mamado na vaca (Figura 14). Esse fornecimento deve ser mantido por 2 a 3 dias (2 litros de manhã e 2 litros à tarde), devido ao seu elevado valor nutritivo e para reduzir a incidência de diarreias durante as primeiras semanas de vida, pela transmissão de imunidade (OLIVEIRA, 2011 ; ROCKENBACH et al., 2011).

A Figura 14 demonstra o efeito do tempo de fornecimento e da quantidade de colostro oferecida influenciando a taxa de transferência de IgG para o sangue do bezerro, sendo que de 0 a 12 horas após o nascimento é o tempo onde a absorção das imunoglobulinas é máxima, sendo que o ideal é fornecer até 8 horas após o nascimento; Depois de 24 horas praticamente não há absorção de Ig; Não só o tempo, mas quantidade fornecida de colostro é importante para manter altas taxas de IgG, sendo que

o fornecimento de 2 kg de leite/alimentação garante maior concentração sérica de IgG em menor tempo, comparado ao fornecimento de 1 kg e de 0,5 kg de leite/alimentação.

Entende-se por colostro como a secreção grossa, amarelada e cremosa que é coletada do úbere após o parto. Por definição, apenas a secreção da primeira ordenha após o parto deve ser considerada colostro, secreções coletadas da segunda à oitava ordenha (quinto dia de lactação) são denominadas leite de transição devido ao fato de sua composição se assemelhar gradualmente à do leite integral, sendo que após o 3° dia a vaca poderá ir para ordenha (Tabela 7) (WATTIAUX, 2011).

3.3.1. Método de fornecimento do Colostro

A quantidade de colostro ingerida por um bezerro é facilmente controlada quando o colostro é fornecido por mamadeira. O equipamento deve ser bem limpo após cada uso para minimizar crescimento bacteriano e o risco de transferência de patógenos (WATTIAUX, 2011).

Fornecer o colostro ao bezerro no balde, não é uma prática recomendável, porque este método pode levar a desordens digestivas. Pela mesma razão, o colostro deve ser fornecido à temperatura corporal (390C). Colostro frio deve ser aquecido em banho-maria anteriormente ao fornecimento. Uma sonda esofágica pode ser utilizada para forçar a ingestão em situações em que o bezerro está fraco e ou é incapaz de mamar adequadamente. Apesar dessa técnica salvar a vida do bezerro, injúrias ou até mesmo morte podem resultar da utilização imprópria do tubo esofágico. A técnica de fornecimento deve ser primeiramente demonstrada por um médico veterinário (WATTIAUX, 2011).

Existem três razões principais para a falha de uma transferência de imunidade adequada. Em primeiro lugar a mãe pode produzir um colostro insuficiente ou de má qualidade (falha de produção). Em segundo lugar, pode existir um colostro suficiente produzido, mas um consumo inadequado por parte do animal recém-nascido (falha de ingestão). Em terceiro lugar, pode existir uma falha de absorção intestinal apesar de um consumo adequado de colostro (falha de absorção) (TIZARD, 1998).

3.3.2. Fatores que influenciam produção e a concentração de imunoglobulinas no Colostro

A produção de colostro e a sua concentração de Ig podem ser alteradas por inúmeros fatores, entre eles a raça e idade da vaca. Normalmente, a produção de colostro e os níveis de Ig são maiores em vacas mais velhas comparadas a vacas jovens. Um período seco muito curto e ordenha antes do parto também tem efeito marcante na concentração de Ig no colostro (LIZIEIRE e CAMPOS, 2005).

A IgG é transferida do sangue para a glândula mamária e se acumula durante o final da gestação. A transferência de IgG ocorre contra um gradiente de concentração e é mediada por receptores específicos nas membranas das células epiteliais da glândula mamária (WATTIAUX, 2011).

A exposição das vacas a antígenos ambientais e vacinais resulta na produção de IgG específicas, que são transferidas do sangue materno para o colostro. Em contraste com a IgG, as imunoglobulinas M e A (IgM e IgA) são produzidas em plasmócitos dentro da glândula mamária e, então, transferidas para o colostro (LIZIEIRE e CAMPOS, 2005).

A transferência de IgG para o colostro está praticamente completa antes do parto. Assim, pré-ordenhas ou perdas espontâneas de colostro da glândula mamária resultam em diminuição na concentração de IgG colostral. Consequentemente, apenas a primeira ordenha após o parto é de colostro verdadeiro, devendo ser utilizada na primeira alimentação das bezerras, uma vez que a concentração de Ig diminui rapidamente nas ordenhas subsequentes (Tabela 7) (ALVES e FONTES, 2008).

O colostro de vacas de primíparas geralmente, contém menor concentração de Ig que aquele de vacas mais velhas, em função do menor tempo de exposição a antígenos ambientais. Além disso, os mecanismos de transporte de IgG para a glândula mamária podem não estar completamente desenvolvidos nos animais jovens. A concentração de IgG no colostro pode ainda ser menor em vacas de segunda lactação do que em vacas de terceira lactação ou em vacas mais velhas (WATTIAUX, 2011).

O volume de colostro produzido na primeira ordenha é um fator significativo na determinação da concentração de IgG, pois, quanto maior o volume, maior o efeito da diluição sobre as Ig. Um volume de colostro na primeira ordenha menor que 8,5 kg de leite de vacas Holandesas, pode ser sugerido como um critério para seleção de colostro de boa qualidade (ALVES e FONTES, 2008).

3.3.3. Avaliação da qualidade do colostro

A qualidade do colostro está diretamente relacionada à concentração de Ig e à especificidade das mesmas. A determinação da qualidade do colostro pode ser feita utilizando-se da relação existente entre a gravidade específica do colostro e a concentração de Ig, por meio do colostrômetro (Figura 15). Este aparelho permite rápida avaliação da qualidade do colostro, podendo ser uma ferramenta muito útil na fazenda (ALVES e FONTES, 2008).

O colostrômetro é calibrado em intervalos de 5 mg/mL e classifica o colostro da seguinte forma: Vermelho: qualidade ruim — concentração de Ig < 22 mg/mL; Amarelo: qualidade razoável — concentração de Ig entre 22 e 50 mg/ mL, Verde: qualidade excelente — concentração de Ig > 50 mg/mL.

Esta leitura é dependente da temperatura do colostro. O colostro a ser avaliado deve estar à temperatura de 20° a 25°C. Baixas temperaturas (<20°C) tendem a superestimar a concentração de Ig, enquanto as temperaturas elevadas subestimam a qualidade do colostro (ALVES e FONTES, 2008).

A densidade do colostro permite estimar a concentração de imunoglobulinas de forma fácil e rápida, sendo as imunoglobulinas responsáveis por 69,9% da variação observada entre amostras de colostro (FLEENOR e STOTT, 1980).

Como podem existir falhas na determinação da concentração de Ig, recomenda- se que a primeira alimentação dos bezerros seja feita apenas com colostro classificado como excelente (ALVES e FONTES, 2008).

Em estudo realizado por VAZ et al. (2004) utilizando 74 amostras de colostro e soro dos seus respectivos bezerros, foi estimada a densidade do colostro através do colostrômetro e também foi avaliada a concentração de Igs no colostro através do método de turvação pelo sulfato de zinco (TSZ) .A concentração de imunoglobulinas no colostro foi considerada satisfatória, estando dentro do limite considerado normal para vacas (2800 a 10000 mg/100 mL).

O método TSZ envolve a precipitação de proteínas imunológicas, usando 6 mL de solução de sulfato de zinco livre de dióxido de carbono (ZnSO- 4.7H20) na concentração de 208 mg/litro com 0,1mL de soro-teste. Para cada amostra sérica testada utiliza-se um controle composto de água destilada, que substitui a solução de sulfato de

zinco. Os tubos-teste e controle permanecem em repouso por 60 minutos à temperatura ambiente procedendo-se imediatamente a leitura em espectrofotômetro. A solução padrão é composta por 3 mL de uma solução de cloreto de bário (1,15 g de BaC12.2H20/100 mL) dissolvidos em 97 mL de uma solução de acido sulfúrico 0,2 N).

Quando avaliada sob as mesmas condições de temperatura do TSZ esta solução fornece uma leitura de turvação equivalente a 20 unidades de turvação (uT) e uma concentração de IgG de aproximadamente 400 mg/dL (RUMBAUGH et al., 1978 e 1979).

De acordo com a escala do colostrômetro, os colostros foram classificados como bons quando apresentavam uma densidade de 1046 a 1090 (79,73% das amostras), regulares com densidade de 1036 a 1045 (14,86%), e pobres com densidades de 1000 a 1035 (5,41%). Esta classificação correspondeu a concentrações médias de Igs de respectivamente de 5847,21 mg/100 mc , 4707,9 mg/100 mc e 3591,57 mg/100 mL quando medidos pela TSZ (VAZ et al., 2004).

Parece mais provável que a concentração de Igs no soro dos bezerros seja mais dependente de fatores individuais (falhas de absorção) ou mau manejo no fornecimento do colostro do que da qualidade do colostro (VAZ et al., 2004).

3.3.4. Banco de colostro

O colostro que não for fornecido aos bezerros deve ser estocado para fornecimento a bezerros onde a vaca não produziu colostro por algum motivo (WILSON e HOLMES, 1990).

Uma boa medida pratica é armazenar colostro de vacas multíparas, produzido na primeira ordenha, pois este é mais rico em Ig, em freezer, para casos de emergência (LIZIEIRE e CAMPOS, 2005)

O colostro pode ser refrigerado por uma semana sem que haja perda na sua qualidade. O excesso de colostro pode ser congelado e mantido por mais de um ano, sem perda no conteúdo e na atividade das Ig. O ideal é que o colostro seja congelado em quantidades suficientes para uma única alimentação. Um bom recipiente para armazenagem são as garrafas de refrigerante tipo "pet", com capacidade para um ou dois litros (ALVES e FONTES, 2008).

Colostro pode ser preservado congelado sem qualquer perda de valor imunológico (destruição de anticorpos). Esta prática representa um meio conveniente de assegurar que colostro de boa qualidade esteja sempre disponível (WATTIAUX, 2011).

O colostro congelado deve ser aquecido cuidadosamente em banho maria, até 39°C antes do fornecimento para os bezerros, em um recipiente maior com água morna. A temperatura de colostro deve ser cuidadosamente monitorada para evitar a destruição de anticorpos e o risco de queimar o bezerro (LIZIEIRE e CAMPOS, 2005; WATTIAUX, 2011).

3.4. Identificação

A identificação do animal por tatuagem ou brinco deve ser realizada nos primeiros dias de vida. Após 15 dias de vida deve ser realizada a mochação dos animais. Para os animais de raças puras e registrados, devemos obedecer às normas de identificação das associações (COELHO, 2005).

A correta identificação dos bezerros é fundamental para o gerenciamento da fazenda, pois facilita a detecção de pontos críticos e permite a tomada de decisões sobre o manejo, descarte de vacas pouco produtivas e seleção de futuros reprodutores.

O número de identificação deve ser de fácil leitura e deve permanecer inalterado. Os métodos de identificação incluem: colar ou faixa de pescoço com número, brinco de plástico (Figura 16), tatuagem de tinta (Figura 17) e marca a frio ou a quente (Figura 18) (VIEIRA, 2008).

Terminando os cuidados fundamentais para a saúde do bezerro, iniciam-se os cuidados com a ficha zootécnica do animal, anotando o dia de nascimento, quem são o pai e a mãe, o peso de nascimento e a verificação se as fêmeas possuem tetas extra- mamárias para serem retiradas, na primeira semana de vida as bezerras (COELHO, 2005; VIEIRA, 2008).

3.5. Descorna

A descorna consiste na remoção dos chifres dos bovinos. E uma prática bastante simples e de grande importância na exploração leiteira. O momento mais indicado para descornar um bezerro é quando o botão cornual ainda não é fixo, ou seja, ainda não está implantado no crânio. Como vantagens a redução de acidentes entre animais ou com os criadores, uma maior uniformidade do plantel e os animais tornam-se mais dóceis (VIEIRA, 2008).

A descorna dos bezerros pode ser feita com produtos químicos (bastão de hidróxido de potássio ou hidróxido de sódio) (Figura 20) ou a ferro quente (Figura 19) (ALVES e FONTES, 2008).

A descorna a ferro quente deve ser muito bem realizada devido aos grandes perigos que ela pode acometer na hora do manuseio do ferro quente, há casos em que o animal pode até ficar cego (COELHO, 2005).

E importante ter cuidado com a ferida que fica aberta após alguns dias da descorna, pois a formação da crosta levará alguns dias, estando assim cicatrizada. Caso ocorra algum acidente e arrancar esta crosta, poderá ocorrer sangramento tornando-se uma porta para entrada de miíases, por isso é muito importante a inspeção desses animais até que a ferida seja cicatrizada, com a utilização de uma pomada cicatrizante

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