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Uso de substitutos do leite ou sucedâneos

No documento Bovinos Leiteiros (páginas 60-62)

CRIA E RECRIA DE FÊMEAS LEITEIRAS

5. Alimentação na fase de cria

5.3. Uso de substitutos do leite ou sucedâneos

Os sucedâneos são produtos secos, destinados a substituir o leite (LUCCI, 1989). É todo alimento líquido para substituir o leite, desde que seja mais fácil de manusear e económico, podendo ser proveniente da própria fazenda, no caso de dispor de colostro em excesso (PEREIRA, 2004).

Os sucedâneos que deve conter grande quantidade de leite ou produtos lácteos, apresentar baixo teor de fibra e alta digestibilidade, ser rico em minerais, vitaminas e energia e ser facilmente dissolvido em água (ALVES e FONTES, 2008).

Há diversos problemas encontrados nos sucedâneos, entre estes o excesso de amido e fibra, baixa quantidade e inadequada incorporação de gordura e utilização de fontes proteicas de baixo aproveitamento ou que provocam transtornos digestivos nos bezerros (SAVASTANO, 2011).

Segundo o NRC (2001) são recomendados no sucedâneo níveis mínimos 22% de proteína bruta, 10% de extrato etéreo, O, de cálcio e 0,60% de fósforo.

5.3.1. Leite em pó

Amplamente utilizado na criação de bezerras que serão empregadas na reposição do plantel leiteiro e ainda para a produção de vitelos. Normalmente é mais barato que o leite integral e a sua diluição em água deve ser feita de acordo com o fabricante (SAVASTANO, 2011).

O leite em pó faz parte dos sucedâneos. Os sucedâneos "são misturas preparadas para serem diluídas em água e utilizadas pelo recém-nascido, depois da fase de colostro, em substituição ao leite integral". O leite em pó é muito utilizado na alimentação de bezerras, por ser mais barato que o leite integral. As justificativas para a utilização do leite em pó no trato de bezerras além da justificativa do ponto de vista econômico, também é possível separar a vaca da bezerra, sendo assim a ordenha se torna mais

higiênica já que a bezerra não mama diretamente na vaca, além disso é possível permitir o controle do consumo de leite em pó ingerido pelas bezerras, isso é importante para a desmama, quando a cada ingestão de leite a bezerra mama menor quantidade (SAVASTANO, 2011).

5.3.2. Soro de queijo

É um subproduto da fabricação de queijo, obtido da coagulação do leite por meio de coalho, com redução do pH. E um líquido de cor verde-amarelado, com sabor ligeiramente ácido ou doce, dependendo do tipo do queijo (SAVASTANO, 2011). O soro em pó é rico em lactose e minerais, porém pobre em proteína, sua utilização de no máximo 40% do total da dieta apresentam bons resultados (LUCCI, 1989).

O soro doce provém de queijos de coagulação rápida, no qual permanece toda ou grande parte da lactose, ao passo que o soro ácido provém da elaboração de queijos de coagulação muito lenta onde há transformação parcial ou total da lactose em ácido lático. A diferença entre eles está no pH que, no soro doce, pode chegar a 6,2 enquanto que no ácido alcança pH 4,6. O valor nutritivo do soro de queijo se reduz rapidamente com o calor e o produto torna-se impalatável, daí a necessidade de mantê-lo em local com baixa temperatura (SAVASTANO, 2011; OLIVEIRA, 2011).

5.3.3. Colostro

O colostro possui valor potencial como substituto do leite integral no aleitamento de bezerros, sua vantagem está na disponibilidade na fazenda, devido a impossibilidade de sua comercialização, outra vantagem é a riqueza em nutrientes essenciais e ser de fácil armazenamento (LUCCI, 1989).

Há diversas formas de preservação do colostro, entre as quais pode se empregar o resfriamento, congelamento e fermentação .com ou sem adição de preservativos). Quando comparado com o congelamento ou o resfriamento, o processo de fermentação tem a vantagem de dispensar o alto custo de aquisição e operação de equipamentos de refrigeração (SAVASTANO, 2011).

Utilizar colostro de vacas em boas condições sanitárias. Organismos patogênicos podem prejudicar a fermentação e os bezerros que vierem a receber este alimento. Não fermentar colostro de vacas tratadas contra mastite.

O colostro deve ser manejado da forma mais higiênica possível para se evitar contaminações indesejadas. O colostro deve ser armazenado em vasilhame plástico, com tampa. Em vasilhame metálico pode ocorrer corrosão devido a adição de ácidos orgânicos (para melhorar a fermentação) e pelos ácidos produzidos durante a fermentação. O vasilhame com colostro fermentado ou em fermentação deve ficar em local mais fresco e fora da sala de ordenha (PEREIRA, 2004; OLIVEIRA, 2011).

O colostro pode ser fornecido aos bezerros por várias semanas, apesar da queda nos teores de alguns nutrientes em decorrência da fermentação. É recomendado não fornecer colostro após quatro semanas de armazenamento. Diluir com água o colostro fermentado, antes de fornecer ao bezerro, misturando-se duas partes de colostro para

uma parte de água morna (50°C). Os animais, às vezes, recusam este tipo de dieta quando fornecida fria (SAVASTANO, 2011; PEREIRA, 2004).

Pode-se combinar o uso de leite integral ou sucedâneo do leite e colostro fermentado ou não, na alimentação de bezerros. Um bezerro, recebendo leite integral, pode passar a receber colostro, quando houver disponibilidade deste e voltar a receber leite integral, sem nenhum problema digestivo (SAVASTANO, 2011).

Alguns bezerros podem recusar o colostro após a fermentação, mas se ajustam a esta dieta em poucos dias, sendo que a utilização do colostro não fermentado a melhor forma de fornecer o colostro excedente na alimentação de bezerros. Devendo oferecer um bom concentrado a partir da segunda semana de vida da bezerra, possibilitando assim o desenvolvimento mais rápido do rúmen e permitindo que seja feita a desmama precoce (OLIVEIRA, 2011; LUCCI, 1989; SAVASTANO, 2011).

5.3.4. Sucedâneos a base de soja

A soja é uma fonte muito boa de proteína, contudo contem compostos que podem diminuir seu valor nutricional como: inibidores de tripsina hemaglutininas e vários antígenos, sendo o mais importante o inibidor de tripsina que é inativada parcialmente ou totalmente pelo calor (LUCCI, 1989).

O leite de soja é preparado com a semente de soja triturada, cozida e coada. A utilização desse alimento é bastante questionada e não é indicada para bezerros durante as oito primeiras semanas de idade. Quando fornecido para animais muito jovens, a ocorrência de diarreia é muito alta. No caso de desmama precoce, onde os animais são desaleitados com 6 a 8 semanas de idade, o "leite" de soja não deve ser considerado como substituto para o leite integral (OLIVEIRA, 2011).

No documento Bovinos Leiteiros (páginas 60-62)