CAPÍTULO V O CONTEXTO DE JARDIM DE INFÂNCIA II
5.3. PLANEAR, AGIR E AVALIAR – O DESENVOLVIMENTO DO CICLO
Os três elementos que se seguem surgem como os três últimos passos a serem dados para que o ciclo interativo em educação de infância seja integrado, integrador e que vise, acima de tudo a aprendizagem e o desenvolvimento holístico da criança bem como a adequação da prática educativa. Sendo necessária alguma experiência no que diz respeito à colocação em práticas destas fases, integro-as nesta PP tendo já uma visão mais sólida acerca do que cada uma delas se refere.
Usualmente e preferivelmente, a ação prevê sempre um planeamento e a sua implicação é revista, ou avaliada. Este ciclo de planear/agir/avaliar está constantemente a acontecer, sendo que as atividades vão surgindo partindo da definição de uma intencionalidade
89 educativa, podendo dar origem ou não a projetos, que implicam uma planificação, realização e avaliação.
Posso dizer que o ato de planificar, neste contexto, tornou-se mais fácil por um lado e mais difícil por outro. Para todos os efeitos, o facto de me encontrar numa instituição pública previa que me orientasse por uma planificação geral mais preenchida, visto que no Plano Anual de Atividades eram muitas as referências a momentos, festividades ou ocorrências a serem tidas em conta.
Deste modo, a Planificação surge como o elemento regedor da ação, seja a curto, médio ou longo prazo. É desta ferramenta que se parte para a organização de ideias, vontades e registo de lacunas, por parte de todos os intervenientes. Assim, “Planear permite, não só antecipar o que é importante desenvolver para alargar as aprendizagens das crianças, como também agir, considerando o que foi planeado, mas reconhecendo simultaneamente oportunidades de aprendizagem não previstas, para tirar partido delas” (OCEPE 2016).
Assim, foi-me importante pensar acerca da ação educativa como atividade que requer um procedimento, uma estratégia que nos leva a conceber determinada atividade, tendo em conta vários fatores como sendo, os planos curriculares, a(s) metodologia(s) de ensino- aprendizagem, as intencionalidades, os recursos, entre outros. Esta ação do educador/professor rege-se também pelo Decreto-Lei nº 240/2001 de 30 de agosto, que faz referência ao “perfil geral de desempenho do educador de infância” tendo em conta as várias dimensões de ação educativa, pressupostas na Lei de Bases do Sistema Educativo, Lei n.º 46/86, de 14 de outubro.
Para que o desenvolvimento deste ciclo aconteça, é necessário conhecer primeiramente o grupo de crianças, o contexto, para podermos adequar as nossas práticas e ações às necessidades e características do grupo. Segundo as OCEPE (2016), “Planear implica que o/a educador/a reflita sobre as suas intenções educativas e as formas de as adequar ao grupo, prevendo situações e experiências de aprendizagem e organizando recursos necessários à sua realização” (p. 17). O planeamento das propostas requer então uma predisposição por parte do educador em acolher e escutar as sugestões das crianças, não excluindo situações imprevistas que possam promover aprendizagens.
Quanto ao desenrolar da ação planeada, o exercício avaliativo, ou seja, a avaliação, leva o educador a refletir se as crianças realmente aprenderam e tiveram a oportunidade de experienciar, se o que estava planeado se refletiu na prática e se pode ser melhorado e
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como, o que já pressupõe uma avaliação não só da ação adulto mas também da implicação dessa ação no grupo de crianças. Para esta avaliação, é então necessário recolher informação/evidências para uma posterior reflexão e reformulação no planeamento/ação. É também importante referir “(…) que todo o processo de avaliação da criança é importante pelo caminho percorrido e isto implica que os educadores de infância atribuam intencionalidade à sua ação, tenham um propósito, reflitam sobre o que pensam e como pensam sobre a sua prática, saibam o que fazem, porque fazem e o que pretendem alcançar, valorizem o que cada criança já sabe, as suas características e o meio envolvente” (Dias, 2018, p. 13). As propostas educativas devem ser significativas para as crianças, respeitando os seus interesses, que levem à sua motivação, para que aconteçam experiências e oportunidades de aprendizagem com sentido. O processo de avaliar “(…) só fará sentido se a observação, o registo e a reflexão existirem e estiverem documentados. Também a sistematização de todo este processo é condição importantíssima para que a documentação pedagógica reunida possa apoiar de forma fidedigna a planificação e avaliação” (Dias, 2018, p. 11). O educador tem ainda a oportunidade de escolher variadas formas de registar aquilo que observa da ação das crianças, para que possa fundamentar as decisões que vai tomando acerca do desenvolvimento do currículo.
Segundo as OCEPE (2016), “(…) considera-se que a educação pré-escolar não envolve nem a classificação da aprendizagem da criança, nem o juízo de valor sobre a sua maneira
de ser, centrando-se na documentação do processo e na descrição
da sua aprendizagem, de modo a valorizar as suas formas de aprender e os seus progressos” (p. 16) e de um modo qualitativo e não quantitativo. Ao avaliarmos as conquistas das crianças, devemos apenas comparar cada uma consigo mesma e não com as restantes, de modo a situar a progresso da aprendizagem no decorrer to tempo. Esta é reintegrada na ação educativa, onde acontece uma avaliação para a aprendizagem e não
da aprendizagem. Trata-se de uma avaliação formativa, sendo uma estratégia de formação
das crianças, do educador e de outros intervenientes no processo educativo. A avaliação contextualizada baseia-se nos registos de observação e recolha de documentos situados no contexto, é significativa e realizada ao longo do tempo, em situações reais, sendo, portanto inseparável da prática educativa. (idem, p.16).
Posto isto, pretendeu-se colocar em prática todas estas ideias através de um ensaio de Avaliação por Portfólio. Assim, foi proposto que cada mestranda criasse um Portfólio de
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uma das crianças da sala, integrando as aprendizagens relativas a cada domínio do conhecimento. Embora o desafio tenha sido aceite, este foi entendido como, acima de tudo, um momento de grande aprendizagem, onde se descurou um pouco a sua concretização como objeto mas se valorizou a sua função.
Importa referir que, segundo Parente (2013), o Portfólio é visto como,
“uma estratégia de avaliação capaz de reunir e organizar informação diversa que torna possível apreciar o percurso de aprendizagem e de desenvolvimento das crianças através da realização de registos de observação, da seleção de amostras de trabalhos e evidências que documentam os progressos ao nível das aprendizagens e das realizações, e reflexões sobre as mesmas, tornando possível obter uma descrição rica e compreensiva das aprendizagens da criança mas também do seu desenvolvimento” (p. 307).
5.4. A ABORDAGEM DE PROJETO EM JARDIM DE INFÂNCIA II – O