Esquema 3. Formas de debate
4. DESENVOLVIMENTO DA PESQUISA
4.4.2. Planejamento das aulas ministradas
Para que o projeto pudesse ser de fato desenvolvido, foi necessário pensarmos numa proposta pedagógica que possibilitasse o ensino-aprendizagem de um gênero textual/discursivo que favorece o desenvolvimento argumentativo da oralidade em contexto escolar, de acordo com as perspectivas sócio interacionistas de língua (gem). Sendo assim, escolhemos um modelo de atividade que promovesse sistematicamente o aprendizado do gênero através de módulos (SD), que contribuísse para o melhor desempenho argumentativo oral dos sujeitos participantes da atividade proposta. Entendo que, ―as sequências visam ao aperfeiçoamento das práticas de ensino de escrita e de produção oral e estão principalmente centradas na aquisição de procedimentos e de práticas‖ (DOLZ, NOVERRAZ & SCHNEUWLY, 2011). Dessa maneira, essa dinâmica pedagógica auxilia o professor em suas atividades em sala e promove uma aprendizagem sistemática.
Portanto, como resultado de nosso trabalho de intervenção, elaboramos dois quadros descritivos, um que resume cada etapa da sequência didática que desenvolvemos com a turma – estudantes sujeitos da pesquisa; e outro que ilustra aspectos positivos e negativos observados no desenvolver da atividade vivenciada de outubro a dezembro de 2017.
Quadro 910. Descrição da Sequência Didática
ETAPAS DESCRIÇÃO
APRESENTAÇÃO DA SITUAÇÃO
1h/aula
Questionamos os alunos sobre o gênero a ser estudado, (pedimos aos estudantes que respondessem sobre o gênero, suas características, finalidade, situação, linguagem, observando assim, o conhecimento prévio dos mesmos);
Anotamos a palavra debate no quadro e solicitamos aos alunos que fizessem a relação desse vocábulo com outros equivalentes (cada uma das palavras sugeridas foram anotadas no quadro, depois fizemos a correlação com o gênero em questão);
Definimos o gênero debate-regrado.
Explicamos as características do gênero explicitando os seguintes tópicos:
Os debatedores fazem uso de argumentos, razões, explicações;
A linguagem é a mais formal de acordo com a situação de uso;
Empregam-se expressões tais como: penso que, de modo que, em minha opinião, concordo, discordo etc.; Respeito à fala e a opinião dos debatedores (domínio
dos turnos).
1ª PRODUÇÃO 2h/aula
Organizamos a turma em círculo para facilitar a interação entre os estudantes, em seguida, lançamos a seguinte proposição: Ela ainda não é tão conhecida no restante do Brasil, mas é uma tradição muito popular no Nordeste, e se estende também a algumas cidades de outras regiões. “Valeu boi” é o bordão mais conhecido que se usa nela. Ainda mais óbvia do que no rodeio é a forma como o lado dos animais é desconsiderado, a exploração e agressão contra eles. Vaquejada, o segundo grande ―esporte‖ de exploração de animais no Brasil.
“Vaquejada violência contra animais ou esporte?”
10 Quadro síntese da sequência didática elaborada e aplicada pela professora pesquisadora para o ensino- aprendizagem do gênero debate.
O debate produzido nesse primeiro momento foi filmado e transcrito para ser analisado posteriormente.
MÓDULO 1 2h/aula
Dividimos a turma em pequenos grupos, cada grupo com cinco participantes. Entregamos dois textos para leitura e reflexão, um deles defendia a prática da vaquejada, o outro, a proibição dessa atividade cultural. Cada grupo fez anotações contra ou a favor do tema em questão, construíram nesse primeiro momento argumentos que defendessem uma ou outra proposta. Após 15 min., um representante de cada grupo fez a leitura dos argumentos produzidos para toda a turma, explicando o posicionamento da equipe.
MÓDULO 2 2h/aula
Neste módulo, os alunos assistiram a um debate televisivo com a temática Vaquejada, violência contra os animais ou esporte? Pedimos para que observassem o posicionamento dos debatedores, se houve ou não o respeito entre os interlocutores, se as regras do debate foram cumpridas, entre outras. Em seguida, trabalhamos as características do gênero textual debate-regrado.
Características:
Tema polêmico; Linguagem formal;
Construção de argumentos;
Momento de colocar seu ponto de vista; Momento da réplica;
Momento da tréplica; Mediador;
Momento para conclusão do debate
MÓDULO 3 2h/aula
Para este módulo nos organizamos da seguinte maneira: Divisão da turma em equipes;
Leitura de textos com posicionamento tanto favoráveis quanto divergentes à temática;
Produção das questões para o debate final;
Escolha de seis membros representativos para compor a mesa do debate representando as equipes contra e a favor.
Questões produzidas pelos alunos para sorteio no momento do debate:
1- Vocês acham certo o que acontece com os animais? 2- Na opinião de vocês os animais sofrem?
3- Vocês acham que os animais sofrem algum tipo de maus tratos, como as pessoas dizem? Ou não, os animais não se machucam?
4- Esses casos de violência são flagrados em todos os eventos?
5- Será que devemos preservar as coisas, por piores e mais abomináveis que sejam, só porque elas são ―cultura e tradição?‖
6- Quando vocês veem a vaquejada vocês não sentem nenhuma pena dos animais?
7- Entendo que vocês gostem tanto de vaquejada porque é uma cultura nordestina, mas vocês não acham que maltrata os animais?
8- Como você acha que vai ficar a renda do nordeste com o fim da vaquejada?
9 - E por que terminar a vaquejada se os rodeios são licenciados?
10- Você não acha que existem coisas mais importantes na democracia do Brasil para resolver do que acabar com a tradição da vaquejada?
PRODUÇÃO FINAL 2h/aula
Nesse módulo temos a produção final do gênero debate-regrado planejada da seguinte forma:
Organização das equipes a favor e contra com três participantes cada uma;
Grupo de estudantes como plateia; Professora como mediadora;
Estudante colaboradora para filmagem do debate. Proposição para iniciar o debate:
O debate final também foi filmado e transcrito para ser analisado posteriormente.
―Para os críticos à vaquejada, a atividade seria uma tortura aos animais. Para os defensores, a vaquejada seria uma manifestação cultural a ser respeitada. Vaquejada maus tratos ou cultura?‖.
Através da aplicação da SD com a turma pesquisada fizemos uma síntese destacando aspectos positivos e negativos que observamos durante o desenvolvimento da atividade. O quadro a seguir trata desses aspectos:
Quadro 1011. Aspectos positivos e negativos da atividade.
ASPECTOS POSITIVOS ASPECTOS NEGATIVOS
Boa receptividade da professora Não ser a professora da turma.
11 Quadro elaborado pela professora pesquisadora destacando de maneira sintética aspectos positivos e negativos da SD.
de Língua Portuguesa da turma. Negociação de aulas para
aplicação da pesquisa e não comprometimento das atividades pedagógicas da professora. Fazer parte do quadro de
professores da escola. Conhecer o espaço escolar. Disponibilidade de materiais para
uso pedagógico.
Boa participação dos estudantes. Motivação dos estudantes pela
atividade.
Sentimento de confiança dos estudantes quando faziam uso da palavra.
Desenvolvimento da SD de maneira satisfatória.
Imaturidade dos estudantes para concentração e organização dos grupos.
Atrasos de alguns alunos devido ao transporte escolar.
Contratempo na filmagem do 1º debate – substituição da câmera fotográfica/filmadora por um celular. Mudança no planejamento para
adequação ao número de aulas.
Pouca concentração dos estudantes ao responder o questionário avaliativo. Falta de aulas suficientes para
desenvolver todos os módulos que havíamos pensado para a aplicação da SD.
As etapas acima descritas tratam de informações pertinentes e significativas para compreendermos o desenrolar de nossa atividade. Para que de fato se realizasse, tivemos que fazer adaptações necessárias para aproveitar o pouco tempo que tínhamos disponível para o desenvolvimento da SD.
Como descrito acima, esse foi um dos pontos negativos que tivemos que superar em nosso projeto. Por isso, foi necessário adequar os módulos de maneira resumida, a fim de que o trabalho contemplasse uma aprendizagem exitosa com o gênero debate. Este, por sua vez, possibilitou o ensino-aprendizagem de acordo com as relações sociocomunicativas de língua e de linguagem, quando os alunos tomaram a palavra de maneira discursiva e dialógica numa construção recíproca. Dessa forma, ―a linguagem argumentativa, então, apesar de existente na construção dos nossos pensamentos, só é aprimorada se imbricada em um determinado momento da linguagem que é posta em prática‖ (LARRÉ, 2012, p.116-117).
Portanto, a etapa seguinte referente à análise dos dados, será determinante para conclusão de nossa atividade, no intuito de perceber o desenvolvimento argumentativo dos sujeitos participantes da pesquisa.