Sistema de gêneros para
PROFISSIONAIS Cuidar da alimentação
4.2 PLANEJAMENTO DO CURSO: AS OFICINAS DE LETRAMENTO
O curso de extensão Curso de Letramento Laboral para Cuidadoras de Idosos aconteceu entre os dias 29 de outubro a 7 de novembro de 2014, no Campus IFRN – CNAT.
Desde o início, fui assessorada por uma estagiária do curso de Pedagogia da UFRN, que atuava na Diretoria de Extensão, junto ao setor de Projetos e Relações Comunitárias/Mulheres Mil. Ficou a seu encargo entrar em contato com as egressas e proceder às inscrições para o curso. Cumpre lembrar que, nas visitas efetuadas a esse setor, anteriormente ao início do curso, colhi algumas informações que nortearam aspectos práticos de sua organização: a maioria das egressas morava em bairros distantes do campus; pertencia aos grupos de renda considerados entre vulnerável (renda familiar até R$1.164,00) e média classe média (renda familiar até R$ 2.564,00) (SECRETARIA DE ASSUNTOS ESTRATÉGICOS – SAE, 2013); a coordenação de extensão, encarregada pelo curso, não ofereceria auxílio transporte nem lanche. Considerando esses aspectos, decidi programar o curso para cinco dias, de forma que as mulheres não tivessem despesas excessivas com o deslocamento, tentando, assim, evitar as possíveis desistências, caso o curso se estendesse por mais dias. Tal decisão está relacionada às características econômicas do público-alvo e tem algo a dizer sobre as dificuldades de se organizar um curso de capacitação, ainda que promovido por uma instituição pública, visto que alguns entraves podem dificultar a participação dos interessados (as mulheres, neste caso). Todas essas variáveis, devem, então, ser consideradas, antes de se dar início a atividades dessa natureza.
Os cinco encontros ocorreram às segundas, quartas e sextas, com duração de 4h cada, das 14h às 18h, somando-se 20h. No total, o curso contou com a participação de 13 mulheres.
Por se tratar de um curso de extensão, com foco em um tipo de letramento específico – o letramento laboral (PAZ, 2008) – e ainda considerando questões como o tempo disponível, avaliei que a organização do curso em oficinas de letramento (SANTOS, 2012) poderia assegurar melhores condições às colaboradoras para desenvolverem as práticas orais e escritas que seriam propostas. O termo oficinas de letramento é usado por Santos (2012, p. 166) para referir-se a um dispositivo didático que auxilia o professor em sua prática pedagógica, à medida que mobiliza “saberes e recursos necessários ao ensino e à aprendizagem da leitura e da escrita”. A autora ainda esclarece:
Pelo seu caráter pedagógico, dinâmico, prático, dialógico e participativo, esse dispositivo contribui para que se construa colaborativamente o conhecimento
em um dado tempo e espaço, destinados à produção e /ou à compreensão de um artefato cultural, o texto lido ou escrito nos eventos de letramento desenvolvidos na rotina da sala ou ao longo de um projeto de letramento. (SANTOS, 2012, p. 166)
No que concerne às práticas de escrita desenvolvidas ao longo do curso, optei pelo desenvolvimento de oficinas de prática textual, apoiando-me em Faraco (2003, p. 8), que defende que, em sala de aula, as práticas de escrita sejam desenvolvidas através de oficinas, por entender que a escrita deve ser uma atividade “em que a turma se sinta coletivamente envolvida com a preparação, apreciação e refeitura dos textos”. Ao assumir que o ato de escrever é uma prática sociointeracional, o autor esclarece que a escrita é direcionada ao outro, ao interlocutor, portanto, na escola, a metodologia da oficina, de certa forma, minimiza o artificialismo de uma atividade de escrita descontextualizada (FARACO, 2003).
4.2.1 A organização das oficinas de letramento
Nesta seção, apresentarei um panorama do que se constituíram as cinco oficinas de letramento que compuseram o curso. Para nortear todas as atividades que foram desenvolvidas, elaborei um quadro, pontuando as atividades que seriam realizadas, a que chamei planejamento descritivo (Ver Apêndice A). Optei por deixar o quadro em sua versão original, para que se possam observar as mudanças que ocorreram entre sua elaboração e a execução das atividades. Por seu caráter introdutório, iniciei o primeiro encontro (oficina 1) promovendo uma roda de conversa. Apresentei-me pessoal e profissionalmente e trouxe esclarecimentos acerca do curso que seria ministrado. Como forma de quebra-gelo, procedi a uma breve apresentação das colaboradoras. Na sequência, perguntei-lhes sobre o Curso de Cuidador que haviam feito no IFRN-CNAT, buscando, além da integração do grupo, informações que pudessem subsidiar a pesquisa.
Quanto às demais oficinas, no momento inicial ocorria uma breve conversação com as colaboradoras para a retomada de aspectos relacionados às práticas letradas realizadas no evento anterior. Por terem gerado dados significativos, há registros dessas retomadas realizadas nas oficinas 2 e 3.
No momento seguinte, procedia às oficinas de prática textual ou oficinas de compreensão e uso dos gêneros. Antes, porém, investigava se as colaboradoras já haviam utilizado, em algum momento, o gênero que seria introduzido. Em caso afirmativo, ouvíamos algumas experiências e, logo em seguida, procedia-se à apresentação de um vídeo e/ou de slides
em powerpoint, cujo conteúdo estava invariavelmente relacionado ao gênero em estudo. Seguiam-se discussões, questionamentos, troca de informações, até se chegar ao momento de leitura de um ou mais modelos de gênero e, após, sua escrita e reescrita. Por suas especificidades de uso, os gêneros entrevista de emprego, bula e rótulo não foram produzidos. Para esses gêneros foram planejadas atividades diferenciadas.
Após a realização das produções e/ou atividades, essas eram entregues a mim ou discutia-se coletivamente para que se fizessem os ajustes antes de se proceder à reescrita. Destaco que, durante a realização das produções ou atividades, passava pelas carteiras e lia o que já fora produzido, sugerindo alterações, tirando dúvidas. Quando havia situações recorrentes (p.ex. desvios de normas gramaticais como pontuação ou concordância, dificuldade para localizar alguma informação etc.), interrompia a atividade e dirigia-me às colaboradoras para fazer a ressalva atendendo a todo o grupo. O quadro seguinte mostra, em linhas gerais, como se procederam as oficinas de prática textual.
Quadro 5 – Organização das oficinas de prática textual GÊNEROS PARA CONQUISTAR O TRABALHO currículo – carta de apresentação – biografia de perfil profissional APRESENTAÇÃO DA
SITUAÇÃO