Para realizar investimentos de longo prazo, as empresas também precisam de financiamentos de longo prazo, denominados capital. Segundo Chiavenato (2015, p. 125),
“capital é o total de recursos, próprios ou de terceiros, que financiam as necessidades de longo prazo da empresa”. Com base nessa afirmação, é necessário entender que a estrutura financeira e a estrutura de capitais apresentam conceitos diferentes.
Enquanto aquele refere-se a todas as origens de recursos, este diz respeito a financiamentos, tanto próprio como de terceiros, para realizar investimentos de longo prazo.
3.4.1 Capital Próprio
Segundo a Lei n.° 6.404/1976 (BRASIL, 1976), as contas representativas do capital próprio compõem o patrimônio líquido de uma entidade e são distribuídas nos seguintes grupos:
• Capital social: é o montante de recursos que sócios ou acionistas comprometem- se a entregar à entidade.
• Reservas de capital: compreende o ágio, ou deságio, na venda das ações.
• Ajuste de avaliação patrimonial: compreende as contrapartidas de aumentos ou de reduções de valores atribuídos a elementos do ativo e do passivo, em decorrência da sua avaliação a valor justo.
• Reservas de lucros: são constituídas pela apropriação de lucros da entidade. Nas Sociedades Anônimas, o planejamento desse grupo de contas é importantíssimo para o gestor financeiro, pois todo o lucro gerado no ano, se não destinado à constituição de reservas de lucros, será distribuído, inexistindo. A partir da edição da Lei n.° 11.638/2007, não há a possibilidade de a companhia apresentar a conta de lucros acumulados com saldo credor.
• Ações em tesouraria: compreende a compra de ações da própria empresa e deverão constar no balanço patrimonial como conta redutora do patrimônio líquido.
• Prejuízos acumulados: é o somatório dos prejuízos verificados nos diversos exercícios sociais e constam do balanço patrimonial como redução do patrimônio líquido.
3.4.2 Capital de Terceiros
Os recursos captados no mercado para financiar um empreendimento podem ser de diversas naturezas. Na visão de longo prazo, dívidas correspondem às operações de captação de recursos junto a instituições financeiras não bancárias. Pode-se citar, como instituições financeiras não bancárias, os bancos de investimentos, os bancos de desenvolvimento e as sociedades de crédito.
Os bancos de investimentos vêm da iniciativa privada, enquanto os bancos de desenvolvimento são geridos pelo poder público. A tomada de recursos de longo prazo pode ser realizada por meio da emissão de debêntures – títulos emitidos pela entidade e colocados no mercado – e segue a mesma sistemática da emissão e da venda de ações.
Em vez de tomar dinheiro emprestado para adquirir um ativo, a empresa pode arrendar o ativo, ou seja, utilizar uma operação denominada leasing, onde a entidade realiza pagamentos fixos para o proprietário do ativo para ter direito a utilizá-lo.
Ao optar pelo financiamento com capital próprio ou de terceiros, o gestor financeiro precisa avaliar as diferentes alternativas e escolher as mais seguras e rentáveis. Uma ferramenta a ser utilizada é a alavancagem financeira.
3.4.3 Planejamento do Capital de Giro
O conceito de capital de giro tradicional é representado pela diferença entre o ativo circulante e o passivo circulante. Se o ativo circulante for superior ao passivo circulante, constata-se um capital de giro positivo; se inferior, trata-se de um capital de giro negativo. O capital de giro positivo significa que a empresa financia seu ativo não circulante com recursos de longo prazo. Já o capital de giro negativo mostra que a companhia está financiando seu ativo não circulante com recursos de curto prazo.
Capital de giro representa o valor de recursos aplicados para atender ao ciclo operacional de uma empresa. Esta, por sua vez, leva em consideração o tempo que decorre desde o momento da entrada de insumos até o recebimento das receitas provenientes da venda do produto. Ou seja, a companhia deve garantir a adequada execução da compra e da estocagem de materiais da produção, da venda dos produtos e dos prazos de recebimento.
DESTAQUE
Figura 3.5 – Representatividade do Capital de Giro.
Fonte: Freepik (2019).
A fim de se calcular o capital de giro, é preciso verificar e utilizar as contas do ativo circulante que representam aplicações de recursos de curto prazo, como duplicatas a receber, clientes, e também as exigibilidades de curto prazo, classificadas no passivo circulante, como fornecedores, salários a pagar.
A única forma de se prever a necessidade de investimento em giro é antever, de um lado, os valores devidos a fornecedores, aos empregados e ao Estado, pois ficam na empresa por determinado período e se constituem recursos em giro. De outro lado, é necessário prever o valor de estoques, e o respectivo prazo de estocagem, e o valor que está em mão de terceiros, os clientes, pois a fórmula adequada para se determinar o capital de giro é decorrente somente dessa prospecção.
Tomemos a seguinte descrição de fatos:
a. Mercadorias adquiridas no valor de R$ 25.000,00 permanecem em estoque em um prazo médio de 30 dias.
b. O fornecedor concede um prazo de 45 dias para o pagamento da compra.
c. A empresa vende as mercadorias pelo preço de R$ 50.000,00 e concede 60 dias para o cliente realizar o pagamento das vendas.
d. Salários no valor de R$ 15.000,00 são pagos no 1º dia útil do mês seguinte.
e. Tributos no valor de R$ 20.000,00 são pagos no 1º dia útil do mês seguinte.
Para determinação do valor do capital de giro, é necessário aplicar um fator sobre os valores. O fator 1 corresponde ao prazo de 30 dias; o fator 1,5 ao prazo de 45 dias, e assim sucessivamente.
O capital de giro positivo, o qual compreende os recursos de terceiros compostos pelos valores de fornecedores, salários e tributos que estão sob posse da empresa e disponíveis para ela, é de R$ 55.000,00. O capital de giro negativo, valor que está parado no estoque ou está nas mãos dos clientes, é de R$ 125.000.00.
Em decorrência desses fatores, a companhia sente necessidade de buscar R$ 70.000,00 (R$ 125.000,00 menos R$ 55.000,00) para financiar os valores constantes do ativo circulante. Relativamente aos prazos médios, 15 dias para pagamento de salários e tributos, convém observar que os salários e os tributos do primeiro dia do mês serão pagos 30 dias após a ocorrência do fato; os do dia 30 terão um dia de prazo e, assim, o prazo médio é de 15 dias.
DESTAQUE
A confecção do relatório gerencial irá formalizar todas as previsões realizadas pelos departamentos na elaboração do orçamento de vendas. Esse relatório deve ser elaborado com alto grau de detalhamento e ser redigido de forma clara e didática.
O primeiro passo é a identificação dos produtos, contendo as especificações completas e definindo o mercado que se deseja trabalhar. A seguir devem ser definidas as quantidades (ou volumes) de produtos que se espera vender. Essas quantidades podem sair das análises realizadas por meio da tendência de vendas que a empresa vem trabalhando e/ou pela opinião das equipes de vendas e dos executivos envolvidos no processo de venda. Pode também vir de pesquisas realizadas com consumidores, em reuniões de grupos foco e da experiência adquirida no mercado. Essa definição deve levar em conta as restrições internas (potencial de produção, disponibilidade de mão de obra e possibilidade de investimentos) e restrições externas (vinda dos competidores, dos fornecedores e das políticas governamentais).
O próximo passo refere-se à elaboração do preço de venda, que decorre de qual estratégia de precificação a empresa pretende utilizar. É importante definir qual tipo de custo ou de custeio dará base para o cálculo do valor de compra ou fabricação do produto. Após definido o tipo de cálculo do custo do produto, a empresa pode utilizar a técnica do mark-up com a agregação dos tributos. Utilizando as fórmulas específicas para o cálculo do mark-up, agregando os tributos, a empresa consegue definir o preço unitário do produto, sendo que esse valor cobrirá o custo de aquisição ou fabricação do produto, todos os seus impostos e a margem de lucro pretendida. A multiplicação da quantidade definida de venda para o produto pelo seu preço de venda resulta no valor bruto de vendas, que pode ser unitário ou total. As vendas líquidas resultam da diferença do valor das vendas brutas e dos impostos relativos a essas vendas.
Mark-up trata de um método de precificação, ou seja, um índice que controla preço de vendas e seus custos atribuídos.
GLOSSÁRIO