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1.3 Objetivo da Contabilidade

1.3.1 Princípios Contábeis

1.3.1.4 Princípio do Registro Pelo Valor Original

O art. 7º da Seção IV da Resolução n.° 750/1993 do CFC define o Princípio do Registro pelo Valor Original:

Art. 7º O Princípio do Registro pelo Valor Original determina que os componentes do patrimônio devem ser inicialmente registrados pelos valores originais das transações, expressos em moeda nacional.

§ 1º As seguintes bases de mensuração devem ser utilizadas em graus distintos e combinadas, ao longo do tempo, de diferentes formas:

I – Custo histórico. Os ativos são registrados pelos valores pagos ou a se- rem pagos em caixa ou equivalentes de caixa ou pelo valor justo dos recursos que são entregues para adquiri-los na data da aquisição.

Os passivos são registrados pelos valores dos recursos que foram recebidos em troca da obrigação ou, em algumas circunstâncias, pelos valores em caixa ou equivalentes de caixa, os quais serão necessários para liquidar o passivo no curso normal das operações; e

II – Variação do custo histórico. Uma vez integrado ao patrimônio, os componentes patrimoniais, ativos e passivos, podem sofrer variações decorrentes dos seguintes fatores:

Custo corrente. Os ativos são reconhecidos pelos valores em caixa ou equivalentes de caixa, os quais teriam de ser pagos se esses ativos ou ativos equivalentes fossem adquiridos na data ou no período das demonstrações contábeis. Os passivos são reconhecidos pelos valores em caixa ou equivalentes de caixa, não descontados, que seriam necessários para liquidar a obrigação na data ou no período das demonstrações contábeis;

a) Valor realizável. Os ativos são mantidos pelos valores em caixa ou equivalentes de caixa, os quais poderiam ser obtidos pela venda em uma forma ordenada. Os passivos são mantidos pelos valores em caixa e equivalentes de caixa, não descontados, que se espera seriam Esses dois pontos mostram que os registros devem ser feitos na data de sua

ocorrência. Assim, teremos o registro de forma completa, fidedigna e tempestiva.

DESTAQUE

pagos para liquidar as correspondentes obrigações no curso normal das operações da Entidade;

b) Valor presente. Os ativos são mantidos pelo valor presente, descontado do fluxo futuro de entrada líquida de caixa que se espera seja gerado pelo item no curso normal das operações da Entidade.

Os passivos são mantidos pelo valor presente, descontado do fluxo futuro de saída líquida de caixa que se espera seja necessário para liquidar o passivo no curso normal das operações da Entidade;

c) Valor justo. É o valor pelo qual um ativo pode ser trocado, ou um passivo liquidado, entre partes conhecedoras, dispostas a isso, em uma transação sem favorecimentos; e

d) Atualização monetária. Os efeitos da alteração do poder aquisitivo da moeda nacional devem ser reconhecidos nos registros contábeis mediante o ajustamento da expressão formal dos valores dos componentes patrimoniais.

§ 2º São resultantes da adoção da atualização monetária:

I – A moeda, embora aceita universalmente como medida de valor, não representa unidade constante em termos do poder aquisitivo;

II – Para que a avaliação do patrimônio possa manter os valores das transações originais, é necessário atualizar sua expressão formal em moeda nacional, a fim de que permaneçam substantivamente corretos os valores dos componentes patrimoniais e, por consequência, o do Patrimônio Líquido; e

III – a atualização monetária não representa nova avaliação, mas tão somente o ajustamento dos valores originais para determinada data, mediante a aplicação de indexadores ou outros elementos aptos a traduzir a variação do poder aquisitivo da moeda nacional em um dado período (CFC, 1993).

Sobre a avaliação dos componentes patrimoniais, que deve ser feita com base nos valores de entrada, devemos destacar que existe uma diferenciação, dependendo do item de entrada, bem ou direito.

Para o registro dos direitos, os itens são provenientes, na maioria das vezes, de vendas a prazo ou de empréstimos concedidos. Sendo assim, o valor original de entrada no ativo é o próprio valor do direito a receber.

Vamos imaginar que determinada empresa realize uma venda a prazo pelo valor de R$ 10.000,00. Portanto, o valor a ser registrado no ativo na conta “contas a receber”

será o valor de R$ 10.000,00.

Já para o registro dos bens, devemos observar o que está disposto no art. 289 do Decreto-Lei n.° 1.598/1977:

Art. 289. O custo das mercadorias revendidas e das matérias-primas utilizadas será determinado com base em registro permanente de estoques ou no valor dos estoques existentes, de acordo com o Livro de Inventário, no fim do período de apuração (Decreto-Lei n.° 1.598, de 1977, art. 14).

§ 1º O custo de aquisição de mercadorias destinadas à revenda compreenderá os de transporte e seguro até o estabelecimento do contribuinte e os tributos devidos na aquisição ou importação (Decreto-Lei n.° 1.598, de 1977, art. 13).

§ 2º Os gastos com desembaraço aduaneiro integram o custo de aquisição.

§ 3º Não se incluem no custo os impostos recuperáveis através de créditos na escrita fiscal (BRASIL, 1977).

É importante considerar a metodologia do registro pelo custo de aquisição para a compra de bens do ativo. Ou seja: o valor original de registro de bens do ativo será dado pela metodologia do custo de aquisição. Essa metodologia consta no CPC 27 (CPC, 2009), que aponta que um item do ativo imobilizado deve ser reconhecido pelo custo apenas se:

a. for provável que futuros benefícios econômicos associados ao item fluirão para a entidade; e

b. o custo do item puder ser mensurado confiavelmente.

O CPC 27 ainda acrescenta que sobressalentes, peças de reposição, ferramentas e equipamentos de uso interno são classificados como ativo imobilizado quando a entidade espera usá-los por mais de um período (CPC, 2009).

Ainda, o CPC 27 determina que o custo de um item do ativo imobilizado compreende (CPC, 2009):

a. seu preço de aquisição, acrescido de impostos de importação e impostos não recuperáveis sobre a compra, depois de deduzidos os descontos comerciais e abatimentos;

b. quaisquer custos diretamente atribuíveis para colocar o ativo no local e condições necessárias para o funcionamento na forma pretendida pela administração;

c. a estimativa inicial dos custos de desmontagem, remoção do item e de restauração do local (sítio) no qual este está localizado. Esses custos representam a obrigação em que a entidade incorre quando o item é adquirido ou como consequência de usá-lo durante determinado período para finalidades diferentes da produção de estoque.

Para tanto, é admitido que o valor do custo de determinado bem a ser incluído no ativo deve incorporar todos os gastos necessários para a sua aquisição, deduzidos os tributos aos quais a empresa tem o direito de compensar-se conforme o princípio do regime não cumulativo. Por exemplo: se o bem for para a produção, a empresa deve excluir o valor do ICMS, PIS e COFINS .

Para compreendermos melhor, vamos dar um exemplo em que uma indústria adquiriu uma máquina industrial para produção de seus produtos, conforme dados do quadro a seguir:

Tabela 1.2 – Custo da Aquisição de Máquina Industrial.

DADOS VALORES OBSERVAÇÃO

Valor da Máquina 1.000.000,00

Frete da Máquina 30.000,00

Seguro sobre o Frete 8.000,00

IPI sobre a Máquina 100.000,00 Não tem direito de compensação ICMS sobre a Máquina 120.000,00 Tem direito de compensação

Pis sobre a Máquina 16.500,00 Tem direito de compensação Cofins sobre a Máquina 76.000,00 Tem direito de compensação Mão de Obra na Instalação 5.000,00

Custo de Aquisição 1.143.000,00

Fonte: Elaborado pelo autor (2017).

Conforme a Tabela 1.2, o custo da máquina será o somatório de R$ 1.000.000,00 + 30.000,00 + 8.000,00 + R$ 100.000,00 + R$ 5.000,00, totalizando o valor de R$ 1.143.000,00. Já o valor de R$ 120.000,00 de ICMS, acrescido do valor de R$ 16.500,00 de PIS e do valor de R$ 76.000,00 da COFINS, não é caracterizado como custo, devido ao fato de estes serem tributos com o direito de compensação, conforme o Princípio da Não Cumulatividade.