2.3 DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL
2.3.3 Planejamento e políticas para a sustentabilidade
A delimitação de macro políticas, diretrizes ou metas através de acordos e tratados internacionais relativas aos processos de exploração ambiental decorre do fato que estes se esta exploração não obedecer a critérios de preservação ou renovação, estes tornar-se-ão extintos em um curto período de tempo, afetando, portanto não só uma região, estado ou nação, mas sim, toda a estrutura biótica do planeta.
Embora algumas iniciativas ou tratados tenham alcançado níveis consideráveis de divulgação, sua ação restrita está alocada justamente ao planejamento que antecede a operacionalização, ou seja, mesmo que as decisões tomadas sejam de suma importância e relevantes a manutenção do ambiente natural na terra, muitos são os entraves a transformação destas medidas em políticas. Esse fato decorre principalmente pela falta de legislação ambiental clara e principalmente punitiva por parte de alguns países, uma vez que sem parâmetros claros quanto à exploração, uso, preservação e responsabilidade sob os recursos naturais, tornam-se difícil para os órgãos competentes viabilizar a aplicabilidade da legislação.
A exemplo disto temos os fatos ocorridos em Santarém no estado do Pará, aonde a floresta vem sendo destruída, transformando-se em campos de soja. Sob a alegação de gerar progresso, espécies vêm sendo extintas e a região altamente prejudicada em suas características culturais, uma vez que sem a possibilidade de realizar a exploração inteligente os nativos estão indo embora, e assim não é só o verde que some, mas a própria cultura local.
Em matéria vinculada no Fantástico ficou claro que a comunidade de Jenipapo, a menos de uma hora de Santarém, está desaparecendo. A escola local já não funciona mais todos os dias, por falta de alunos, uma vez que a comunidade tinha 68 famílias. Hoje tem 13.
Basta olhar a região de cima, a 300 metros de altura, para ver o tamanho real do problema. Segundo imagens de satélite, em 2004 e 2005, 1,2 milhões de hectares de floresta viraram plantações de soja. Cada hectare tem mais ou menos o tamanho de um campo de futebol. Ou seja, em dois anos, a área cultivada pela soja passou de um milhão de campos de futebol. E para onde vai toda essa soja plantada no coração da floresta? (ACQUARONE, 2006).
O Protocolo de Montreal (1987) e o Protocolo de Kyoto (1997), em sua instauração visavam a interrupção definitiva da destruição da camada de ozônio, no entanto diariamente são noticiados fatos relativos e geralmente devastadores ligados aos efeitos gerados pelas alterações climáticas ocasionadas por falhas na camada causadas pelo uso indiscriminado do CFC, em produtos em aerossol.
Coral (2002) salienta que um país que obteve êxito na questão ambiental foi a Holanda. O Plano Nacional de Meio Ambiente implantado naquele país foi elaborado de forma participativa, embasado em estudos e informações técnicas de alta precisão. Justamente por este aspecto é que este planejamento obteve apoio e contribuição orçamentária de agentes governamentais e privados.
O Plano Nacional de Meio Ambiente, da Holanda prevê que:
• a contribuição prática na redução dos impactos ambientais relativos a poluição da água, solo e ar resultará em benefícios as empresas;
• o comportamento do consumidor deverá ser modificado para que busquem produtos ambientalmente corretos;
• o governo e as organizações privadas devem investir na implementação das ações propostas pelo plano.
Como é possível perceber mesmo em nações capitalistas é possível que o planejamento conjunto das formas de exploração do meio ambiente, configure estas, em ações regradas, medidas e controladas. A exemplo disto Elkington (1998), comenta que as circunstâncias e a pressão dos consumidores forçarão as organizações a rever suas práticas e posições, e ainda que a sociedade cada vez mais consciente pressionará governos e organizações a agirem responsavelmente evitando a geração de efeitos nocivos em seus processos.
No Brasil o processo de planejamento relativo ao desenvolvimento sustentável está sendo elaborado de forma participativa através da Agenda 21 nacional e Agenda 21 locais.
A nível regional busca-se estabelecer todas as prioridades a serem atendidas através de uma estratégia nacional que viabilize o desenvolvimento sustentável, abordando aspectos econômicos, sociais e ambientais. Portanto o objetivo é que este planejamento possa ser utilizado pelos diferentes escalões governamentais ou mesmo por empresas e demais instituições.
Por sua vez, o Ministério do Meio Ambiente brasileiro atua no fomento de políticas, normas e estratégias, embasadas em estudo específico que visem a otimização da relação entre o setor produtivo e o meio ambiente, através de macro-diretrizes relativas a vários aspectos:
I – contribuição à formulação de Política Nacional de Desenvolvimento Sustentável; II – desenvolvimento de instrumentos econômicos para a proteção ambiental;
III – contabilidade e valoração econômica dos recursos naturais; IV – Incentivos econômicos, fiscais e creditícios;
V – fomento ao desenvolvimento de tecnologias de proteção e de recuperação do meio ambiente, e de redução dos impactos ambientais;
VI – estímulo à adoção pelas empresas de códigos voluntários de conduta, tecnologias ambientalmente adequadas e oportunidades de investimentos visando ao desenvolvimento sustentável;
VII – promoção do eco-turismo (BRASIL, 2006).
Além do desdobramento destas diretrizes em ações efetivas, passíveis de fiscalização e controle, o envolvimento da população é de fundamental importância uma vez que cabe a esta a responsabilidade de pressionar governos e organizações quanto ao respeito aos recursos naturais disponíveis em território nacional, uma vez que compõem o patrimônio da nação e a condição de subsistência das gerações futuras. Portanto mais que regrar e controlar é preciso investir no aperfeiçoamento dos padrões culturais dos brasileiros, incentivando
principalmente ao desenvolvimento da crença de que todos são imensamente responsáveis pela qualidade de vida no planeta.