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2.2 Gestão Ambiental

2.2.7 Etapas de implantação da ISO 14001

2.2.7.2 Planejamento

Para Scherer (1998) o planejamento do Sistema de Gestão Ambiental possibilita uma visão holística do sistema, antever dificuldades e aproveitar potencialidades. Assim,

consegue-se minimizar custos e a tensão organizacional, obtendo um maior aproveitamento e eficácia do processo.

O planejamento visa a formulação de um plano para o cumprimento da política ambiental, através da identificação de aspectos e avaliação dos impactos ambientais correlatos, caracterização dos requisitos legais envolvidos, definição de critérios internos de desempenho, elaboração de objetivos e metas ambientais e um programa de gestão ambiental. A seguir apresenta-se, com maior detalhe, cada um dos itens que compõem a fase de planejamento:

a) Identificação de aspectos ambientais e avaliação dos impactos associados

Nesta etapa devem ser estabelecidos e mantidos procedimentos para identificação e priorização dos aspectos e impactos ambientais das atividades, produtos e serviços, que a organização possa controlar e sobre os quais presume-se que ela tenha influência.

Para que a organização possa identificar e avaliar os respectivos aspectos e impactos ambientais, deve selecionar uma atividade, produto ou serviço; identificar os aspectos e impactos ambientais envolvidos; e avaliar a significância dos impactos, levando em consideração a severidade do impacto, a duração do mesmo, como também o custo para recuperação da área afetada, efeitos na imagem da organização, entre outros fatores. Para atender aos requisitos desta etapa, é fundamental que se tenha um amplo conhecimento do processo.

De acordo com a NBR ISO 14001 (1996), aspecto ambiental é um elemento componente das atividades, produtos ou serviços de uma organização que interage com o meio ambiente. Para determinação dos aspectos ambientais, leva-se em consideração todas as atividades e tarefas do processo produtivo, avaliando-se seus respectivos impactos ambientais. Acrescenta a NBR ISO 14004 (1996), dispondo que a identificação dos aspectos ambientais é um processo contínuo que determina o impacto (positivo ou negativo) passado, presente e potencial das atividades de uma organização sobre o meio ambiente. Este processo também inclui a identificação da potencial exposição legal, regulamentar e comercial que pode afetar a organização. Pode, também, incluir a identificação dos impactos sobre a saúde e segurança e a avaliação de risco ambiental.

Ensina Maimon (1999), que os aspectos ambientais envolvem todas as entradas e saídas do processo produtivo e, portanto, de cada atividade ou tarefa do processo, identificando-se, posteriormente, os aspectos ambientais relevantes, tais como: contaminação

do solo, resíduos sólidos, emissão atmosférica, impacto nas comunidades, efluentes líquidos, outras emissões ambientais locais e uso de matérias-primas e de recursos naturais

Já impacto ambiental é qualquer modificação do meio ambiente, adversa ou benéfica, decorrente, no todo ou em parte, das atividades, produtos ou serviços de uma organização (NBR ISO 14001, 1996). A título de exemplo, Harrington e Knight (2001), citam os seguintes: destruição da camada de ozônio, redução da biodiversidade, chuva ácida e efeitos negativos sobre a saúde do ecossistema ou do ser humano.

A partir da detecção de todos os aspectos ambientais decorrentes das atividades da organização, deve-se escolher aqueles mais significativos. Esta escolha leva em consideração os impactos, riscos, severidade e freqüência dos danos (MAIMON, 1999). A avaliação dos impactos ambientais deve atentar-se para os seguintes fatores de acordo com Maimon (1999): localização da empresa; análise de alterações (positivas ou negativas) que as atividades, produtos e serviços da empresa causam no meio ambiente; e sazonalidade de ocorrência dos impactos.

Vale salientar que, nessa avaliação, deve-se procurar levantar todos os possíveis agressores do meio ambiente, na região onde a empresa sob exame está inserida, com o objetivo de verificar os efeitos cumulativos das atividades naquela região e a parcela que cabe a cada empresa no impacto total.

b) Requisitos Legais e Outros Requisitos

A organização deve estabelecer e manter procedimentos para identificar e ter acesso à legislação pertinente, bem como a outros requisitos por ela subscritos, aplicáveis aos aspectos ambientais de suas atividades, produtos ou serviços. Para tanto, faz-se necessário, preliminarmente, iniciar um levantamento de toda a legislação ambiental municipal, estadual, federal e setorial. Num segundo momento, deve-se avaliar os demais requisitos que vão depender da política ambiental da empresa. Estes requisitos podem ser a legislação ambiental do país para o qual se está exportando ou de origem do capital da empresa, no caso de uma multinacional. Por fim, a empresa precisa definir mecanismos visando acompanhar as alterações legislativas ou da regulamentação, que porventura venham a entrar em vigorar, no futuro.

c) Objetivos e Metas

A norma ISO 14001 recomenda que a organização estabeleça objetivos específicos e metas mensuráveis em cada nível e função relevante da organização, de tal forma que sejam compatíveis com a política ambiental, incluindo o comprometimento com a prevenção da poluição.

O objetivo é um alvo que precisa ser atingido. Ele é definido com base na política ambiental da empresa e nos impactos ambientais significativos, devendo ser passível de materialização e quantificação. Já as metas constituem os requisitos detalhados de desempenho ambiental que podem ser quantificados e praticados, aplicáveis a toda organização ou parte dela, decorrente dos objetivos ambientais. Uma vez definidos os objetivos e as metas, a organização pode estabelecer indicadores mensuráveis de desempenho ambiental, que fornecerão informações tanto sobre a gestão ambiental como sobre os sistemas operacionais (NBR ISSO 14001, 1996).

Maimon (1999) afirma que os objetivos e metas devem: refletir a política ambiental; sofrer revisão periódica; envolver todos os setores e pessoas responsáveis pela sua implantação; estar integrados ao planejamento estratégico da empresa; considerar os recursos humanos, físicos e financeiros necessários; e ser dinâmico.

A definição de objetivos e metas visando o aperfeiçoamento constante do desempenho ambiental da organização, pode abranger segundo Maimon (1999), o comprometimento com: o desenvolvimento de produtos que minimizem o impacto ambiental durante sua produção, uso e disposição; a otimização do uso de recursos (insumos); a minimização, em novos projetos, de qualquer impacto ambiental adverso; a promoção do conhecimento ambiental entre os empregadores e comunidades; a redução ou eliminação de descargas de poluentes no meio ambiente; a redução do lixo; e o controle do impacto ambiental de fontes de suprimento de matérias-primas.

d) Programa de Gestão Ambiental

O programa de gestão ambiental é essencial para a implantação bem-sucedida de um SGA, devendo ser estabelecido e mantido para que a organização alcance os objetivos e metas ambientais definidos, fazendo-se necessário, neste ínterim, a elaboração de um cronograma, bem como a designação de pessoal que ficará responsável pela implantação da política

ambiental da organização. O Programa pode ser subdividido para tratar de elementos específicos da operação da empresa e deve incluir uma análise crítica ambiental para novas atividades (MAIMON, 1999).

Esta etapa tem como propósito definir: a promoção de conscientização e de competências em relação ao meio ambiente; as responsabilidades pela operação do sistema; os planos de contingência e de emergência; as necessidades de treinamento; e as situações de riscos potenciais (NBR ISO 14004, 1996).

Em termos gerais, o programa especifica o que tem que ser feito, por quê, onde, por quem, como e quando. Deste modo, deve-se ater aos custos, a disponibilidade de tempo dos colaboradores para o projeto de implantação, a disposição de materiais, instrumentos, equipamentos e eventuais serviços de terceiros que serão utilizados.