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4.2 Procedimento experimental

4.2.9 Planejamento experimental estatístico

No presente estudo, as 4 variáveis de análise consideradas foram resistência à flexão, limite de resistência à fadiga, dureza Vickers e tenacidade, com 1 fator de variação (material) em 2 níveis. Para as variáveis resistência à flexão, dureza Vickers e tenacidade, foram confeccionadas 10 repetições para cada material. Assim, para cada variável de análise, o modelo fatorial foi de 2x10, num total de 20 corpos de prova. Para a variável limite de resistência à fadiga, foram confeccionadas 30 repetições para cada material, per fazendo o modelo fatorial 2x30, num total de 60 corpos de prova.

Para todas as variáveis de análise, a comparação entre o material experimental e o material comercial (controle) foi realizada pelo teste t de Student, ao nível de significância de 5%. Intervalos de confiança de 95% foram construídos de modo a quantificar as diferenças observadas entre as médias dos dois grupos.

5 Resultado

5.1 Caracterização física dos corpos de prova

Os corpos de prova do nanocompósito experimental de Alumina contendo 5% em volume de inclusões nanométricas de Zircônia (prismáticos com 25 mm de comprimento, 5 mm de largura e 2 mm de espessura) e as pastilhas em forma de disco, com 6 mm de diâmetro e 3 mm de espessura foram caracterizados quanto à sua densidade à verde e densidade aparente. Para tanto, 10 pastilhas foram produzidas e sinterizadas pela mesma metodologia sendo, posteriormente, submetidas ao ensaio de densidade aparente pelo método de imersão baseado no princípio de Archimedes.

As densidades à verde foram calculadas com pastilhas pré-sinterização (n=10) pelo método geométrico. Posteriormente, a densidade teórica foi calculada matematicamente conforme explicado no capítulo anterior. A Tabela 1 apresenta os valores de densidade à verde (% DT); Densidade Aparente (% DT) dos corpos de prova do nanocompósito experimental de Alumina (Al2O3)

com 5% (%v) de inclusões nanométricas de Zircônia (ZrO2), calculados pela

densidade teórica de 4,04 g/cm3.

Tabela 1 - Valores de densidade à verde, densidade aparente, e desvios padrão do nanocompósito experimental (Al2O3 contendo 5% de ZrO2)

Propriedade Média (± DP)

Densidade à verde (% DT) 64,9 ± 0,4 Densidade aparente (% DT) 98,7 ± 0,7

5.2 Ensaio de resistência à flexão em 3 pontos

Os resultados obtidos durante os testes de resistência à flexão em 3 pontos para o material experimental (nanocompósito de Al2O3 contendo 5% em

volume de ZrO2) e controle (IPS e.max) encontram-se nas Tabelas A e B,

respectivamente, do Apêndice.

A Tabela 2 apresenta os valores médios e os desvios padrão desses resultados.

Tabela 2 - Médias (MPa) e desvios padrão de resistência à flexão para o nanocompósito experimental (Al2O3 contendo 5% em volume de ZrO2) e o

controle (IPS e.max)

O teste t de Student apontou diferença significativa entre as médias (p<0,0001).

5.3 Ensaio de resistência à fadiga

O ensaio de resistência à fadiga foi realizado utilizando-se o método da escada, no qual os corpos de prova foram submetidos a 10 mil ciclos e 2Hz de frequência simulando movimentos mastigatórios. Nesse método, o primeiro corpo de prova (num total de 30) foi ensaiado com os parâmetros citados, sendo a tensão inicial utilizada de 60% da resistência à flexão para o material em questão. Dessa maneira, nos testes de resistência à fadiga do

Material Média (± DP)

Nanocompósito 564,50±43,42

nanocompósito experimental foi utilizado o valor de 338,70 MPa (60% do valor médio de resistência à flexão obtido - 564,50MPa) e, nos testes do material controle IPS e.max o valor inicial utilizado foi de 227,68 MPa (60% do valor médio de resistência à flexão obtido - 379,48MPa). Os limites de fadiga calculados analiticamente para o material controle (168,75±5,66MPa) e para o nanocompósito experimental (282,86±7,77MPa) encontram-se na tabela C do apêndice.

Na Figura 9 pode-se observar o gráfico resultante do ensaio realizado em temperatura e umidade ambiente para o nanocompósito experimental. Foi possível determinar-se graficamente o limite de resistência à fadiga para esse material (linha vermelha). Assim, graficamente, o limite de resistência à fadiga flexural desse material foi cerca de 52,84% do valor nominal de resistência à flexão em 3 pontos (por volta de 298,29MPa).

FIGURA 9 - Método da escada para o nanocompósito experimental de Al2O3 contendo 5% em volume de ZrO2 (número de ciclos em que ocorreu a

fratura). 298,29MPa (3802) (7520) (7953) (8567) (7618)

Na Figura 10 pode-se observar o gráfico resultante do ensaio realizado em temperatura e umidade ambiente para o grupo controle (material comercial IPS e.max). Foi possível determinar-se graficamente o limite de resistência à fadiga para esse material (linha vermelha). Assim, graficamente, o limite de resistência à fadiga flexural desse material foi cerca de 45,26% do valor nominal de resistência à flexão em 3 pontos (aproximadamente 171,76MPa).

FIGURA 10 - Método da escada para o material controle IPS e.max (número de ciclos em que ocorreu a fratura).

Para os 2 materiais ocorreu fratura do último corpo de prova ensaiado. Na Figura 11 estão representados os valores de tensões, obtidos pelo método da escada, para determinação do limite da resistência à fadiga, tanto do material experimental como do material controle. Os limites médios de resistência à fadiga para o material em estudo e controle, calculados estatisticamente, foram 282,86 e 168,75 com desvios padrão de 7,77 e 5,66,

(22) (9032) (33) (3146) (5352) (8176) (8895) (28) 171,76MPa

respectivamente. O teste t de Student foi aplicado, comprovando diferença significativa entre essas médias (p<0,0001). As tabelas D e E com os valores individuais e as respectivas condições (fraturou ou resistiu) estão disponíveis no apêndice. Na Figura 12 estão representadas graficamente as médias amostrais de resistência à flexão e dos limites de resistência à fadiga dos grupos em comparação, junto com intervalos de confiança de 95% para as médias populacionais. Esses intervalos dão a precisão sobre as médias e permitem quantificar a diferença entre elas. Nesse caso, é possível estimar uma média de resistência à flexão do material em estudo em mais de 1,2 vezes maior do que a média do controle, assim como um limite médio de resistência à fadiga mais de 1,5 vezes maior.

FIGURA 11 - Valores de tensão resultantes do método da escada para determinação do limite da resistência à fadiga

150 170 190 210 230 250 270 290 310 330 350 0 5 10 15 20 25 30 T e n s ã o ( M P a ) Corpo de prova Estudado Controle

FIGURA 12 - Médias amostrais de tensão (colunas) resultantes dos ensaios de resistência à flexão e de limite de resistência a fatiga, acompanhadas de intervalos de confiança de 95% para as médias populacionais (barras verticais).

5.4. Ensaio de dureza Vickers

Os valores de dureza Vickers obtidos durante as leituras realizadas em cada amostra para o nanocompósito experimental e material controle estão contidos nas Tabelas F e G, respectivamente, do Apêndice. A Tabela 3 apresenta os valores médios e desvios padrão desses resultados.

Tabela 3 - Médias (GPa) e desvios padrão de dureza Vickers para o nanocompósito experimental (Al2O3 contendo 5% em volume de ZrO2) e o

controle (IPS e.max)

O teste t de Student, com correção para heterogeneidade de variâncias, confirmou a diferença significativa evidente entre as médias dos dois materiais (p<0,0001). Na Figura 13 estão representadas graficamente as médias amostrais dos grupos em comparação e os intervalos de confiança de 95% para as médias populacionais. Como já destacado, eles quantificam a diferença entre as médias, sugerindo uma média de dureza Vickers do nanocompósito em estudo mais de 3,6 vezes maior do que a média do material controle.

FIGURA 13 - Médias amostrais (colunas) de dureza Vickers e intervalos de confiança de 95% para as médias populacionais (barras verticais).

Material Média (± DP)

Nanocompósito 19,54±0,97

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