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CONTÁBEIS

INTERMUNICIPAL DE PASSAGEIROS

2.2 Planejamento tributário e o profissional contábil

A alta carga tributária imposta às empresas valorizou ainda mais o planejamento tributário, o qual busca formas lícitas de resguardar o patrimônio das entidades (ROSA et al., 2015). Deve ser feito um estudo prévio, caso a caso, buscando encontrar alternativas lícitas, para que o contribuinte possa optar por aquela que apresente menor ônus tributário. O planejamento tributário, de acordo com Oliveira et al. (2013), é uma forma lícita de reduzir a carga fiscal, exigindo grande conhecimento técnico e bom-senso dos responsáveis pelas decisões estratégicas no ambiente corporativo.

Trata-se de um estudo prévio com o objetivo de encontrar a alternativa menos onerosa para o contribuinte.

Miola, Ávila e Malaquias (2012, p. 64) destacam que a definição de Planejamento Tributário passa por duas linhas de entendimento distintas: “o caráter de redução do ônus tributário e a utilização da organização dos negócios como forma de maximização de resultados, com consequente impacto na estrutura tributária de uma entidade”.

A sobrevivência das empresas no mercado atual depende de uma série de fatores, mas o mais relevante entre eles é a alta carga tributária imposta a elas.

Dessa forma, o planejamento tributário tem o papel de importância, sendo uma das alternativas mais eficazes.

A ação empresarial que visa, mediante meios e instrumentos legítimos, harmonizar as transações futuras ao objetivo de excluir, minimizar ou adiar o correspondente débito fiscal vem ocupando, dia a dia, uma posição de vanguarda na estratégia das entidades (OLIVEIRA, 2013; BORGES, 2014; FABRETTI, 2014).

Assim, independentemente do porte da empresa, conforme Bisolo e Baggio (2012), a prática do planejamento tributário pode ser adotada por todas as empresas, pois só assim se saberá qual a melhor opção tributária.

Neste contexto, o profissional contábil é peça fundamental. Ott et al. (2011) evidenciam a implicação na qualificação profissional para atender a demanda do mercado e da sociedade, exigindo novo perfil do profissional contábil, que esteja preparado para auxiliar as organizações.

Desta forma, é importante que os profissionais responsáveis pelo planejamento tributário estejam atentos e preparados para elaborar operações de modo que a empresa não venha a sofrer posteriores consequências societárias e fiscais. Há necessidade de se aproximar da empresa, auxiliando-a para que se tenha um retorno adequado ao capital investido e, ao mesmo tempo, fazendo com que ela pague somente o necessário (REIS et al., 2015).

Conforme pesquisa feita pelo Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação (2015), o profissional que possui conhecimento em planejamento tributário está cada vez mais sendo valorizado e requisitado para fazer parte de equipes nas áreas de impostos e finanças nas companhias. Sem dúvidas, todos os tipos de empresários buscam o aumento da lucratividade de seu negócio e o auxílio de um planejamento tributário legítimo é essencial para atingir esse objetivo.

Portanto, cabe salientar para as empresas, frente ao promissor mercado de trabalho, principalmente aquelas que estão em crescimento, que tenham um bom planejamento tributário para que elas possam se destacar, além de aumentar a sua lucratividade.

3 METODOLOGIA

O presente estudo é classificado como uma pesquisa descritiva, que segundo Gil (1999), citado por Raupp e Beuren (2004), tem como principal objetivo descrever características de determinada população ou fenômeno ou estabelecimento de relações entre as variáveis. Quanto aos procedimentos técnicos utilizados, o estudo classifica-se como documental, pois os dados foram coletados através das demonstrações contábeis. Dessa maneira, o estudo verificou quais os regimes de tributação por que a empresa pode optar, identificado-se qual a forma legal mais adequada e que gera menor ônus tributário.

Por fim, o estudo é caracterizado como qualitativo quanto à abordagem do problema, pois descreve a complexidade de determinado problema, analisa a interação das variáveis e contribui no processo de mudança (RAUPP; BEUREN, 2014).

Dessa forma, para realização dos cálculos do presente estudo foram solicitados ao escritório contábil responsável os documentos fiscais e relatórios contábeis que apresentem as receitas, custos, despesas e o resultado do exercício da empresa do ano de 2014. Com os dados foram realizados os cálculos no regime de tributação do Simples Nacional, Lucro Presumido e Lucro Real. Não foram feitos os cálculos pelo regime de tributação do Lucro Arbitrado, por ser um regime utilizado somente nos casos em que não se têm como apurar o lucro da empresa.

Salienta-se que, no exercício de 2014, as empresas que prestavam serviços de transporte intermunicipal de passageiros eram impedidas de optar pelo regime do

Simples Nacional. Com as alterações promovidas pela Lei Complementar n. 147, de 07 de agosto de 2014, a partir do ano calendário 2015 essas empresas podem optar por esse regime tributário simplificado. Dessa forma, mesmo que em 2014 a empresa fosse impedida de optar pelo Simples Nacional, levando em conta as alterações, foram calculados os valores devidos neste regime, para ver se vale a pena realmente fazer a troca de tributação em 2015. Para isso, foi levantado o valor do faturamento mensal e acumulado da empresa, encontrando a alíquota a ser utilizada.

Para cálculo dos impostos no regime de tributação do Lucro Presumido foi utilizada a alíquota de 15% (quinze por cento) para o IRPJ. Para o cálculo da CSLL, foi utilizada a alíquota de 9% (nove por cento).

No regime de tributação do Lucro Real, regime pelo qual a empresa já podia optar em 2014, foram calculados os valores devidos através do Lucro Real anual. Foi apurado de acordo com a legislação societária e ajustado pelas adições, exclusões ou compensações autorizadas pela legislação. Sobre o Lucro Real foram aplicadas as mesmas alíquotas do Lucro Presumido, 15% (quinze por cento) para o IRPJ e 9%

(nove por cento) para a CSLL.

Para cálculo do PIS e da COFINS foi utilizado o sistema cumulativo e não cumulativo. Para o sistema cumulativo foram aplicadas as alíquotas de 0,65% (zero vírgula sessenta e cinco por cento) para o PIS e 3% (três por cento) para a COFINS.

Já no sistema não cumulativo foram aplicadas as alíquotas de 1,65% (um vírgula sessenta e cinco por cento) e 7,6% (sete vírgula seis por cento), respectivamente.

Na sequência, foi feita uma análise comparativa entre os valores encontrados nos três regimes de tributação, verificando se há situações que permitam redução da carga tributária ou postergação de impostos.

Após, realizou-se uma projeção de faturamento para o ano de 2015, em que foram apurados os cálculos pelo Simples Nacional e Lucro Presumido, pois pelo Lucro Real percebeu-se que é o regime de tributação mais oneroso. Isso para poder comparar com as variáveis da empresa, qual regime seria menos oneroso, se o regime que utilizou até o final de 2014 ou o Simples Nacional, regime pelo qual a partir de 2015 pode optar.

4 DESCRIÇÃO E ANÁLISE DOS DADOS

Nesta seção são apresentados os dados das demonstrações contábeis e fiscais da empresa referentes ao ano de 2014, além dos valores dos tributos federais com base no Simples Nacional, Lucro Presumido e Lucro Real, objetivando demonstrar o regime de menor ônus tributário para a empresa.