CAPÍTULO 2 TRILHANDO CAMINHOS, ENCONTRANDO PESSOAS E LAPIDANDO OLHARES Percurso teórico e
2.1 PLANEJANDO O PERCURSO DA PESQUISA E SUAS ABORDAGENS
A investigação empírica da Tese foi realizada por meio de pesquisa de campo30, exploratória, de abordagem qualitativa e quantitativa.
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“Campo” aqui está baseado no entendimento de Minayo (2004) que descreve como campo de pesquisa, “o recorte que o pesquisador faz em
A abordagem qualitativa foi realizada com o intuito de: 1 - compreender como os processos de construção e socialização do conhecimento eram configurados na prática educativa ocorrida nos espaços formal e não formal de educação; 2 – identificar as concepções que os envolvidos, professores e alunos, apresentaram sobre as práticas educativas e os meios de divulgação da ciência e tecnologia e; 3 – levantar os sentidos produzidos por esses professores e estudantes sobre Segurança Alimentar e Nutricional. Nessa etapa, algumas técnicas de abordagem foram utilizadas, tais como, observação participante, entrevistas, gravações em áudio e vídeo de aulas ocorridas no espaço formal de educação e de oficinas de capacitação ocorridas no espaço não formal de educação, aplicação de questionários, registros em diário de campo, e coleta de material de apoio elaborado para o projeto de extensão.
Para uma melhor compreensão do objeto de estudo, a pesquisa foi realizada por meio da observação participante31, com o acompanhamento de algumas atividades realizadas pelos grupos que estava investigando. Dentre as atividades realizadas, cito: participação em aulas teóricas e práticas, de disciplinas específicas do curso de graduação em Nutrição; viagens a campo, com a equipe executora do projeto de extensão; acompanhamento das oficinas de capacitação, junto aos membros das comunidades participantes do projeto; e presença em reuniões da equipe executora.
As entrevistas foram realizadas de duas formas, individual e em grupo. Na abordagem individual optei por trabalhar com a termos de espaço, representando uma realidade empírica a ser estudada a partir das concepções teóricas que fundamentam o objeto de investigação” (p.53). Ainda, partindo da construção teórica do objeto de estudo, “o campo torna-se um palco de manifestações de intersubjetividades e interações entre pesquisador e grupos estudados, propiciando a construção de novos conhecimentos” (MINAYO, 2004, p.54).
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Observação participante, conforme descrito por Minayo (2004), ocorre por meio do contato direto do pesquisador com o fenômeno observado, a fim de obter informações sobre a realidade dos sujeitos, no contexto onde estão inseridos. Com essa técnica é possível captar situações que dificilmente são obtidas por meio de entrevistas. No caso específico dessa pesquisa, o papel, assumido por mim, foi de participante observador, uma das variações da observação participante, cuja relação, com o grupo investigado, é restrita ao momento da pesquisa de campo.
entrevista semi-estruturada, baseada em um roteiro orientador, pré-estabelecido, com perguntas que permitiam ao sujeito discorrer livremente sobre o tema, e, na medida em que as respostas eram obtidas, novas questões eram formuladas, no intuito de melhor compreender o que estava sendo exposto. Na abordagem coletiva, optei pela realização de grupo focal32, para complementação da observação participante e das entrevistas individuais. Os grupos focais objetivaram estimular a discussão de temas específicos, por meio de um debate aberto, onde os participantes, selecionados para essa etapa, apresentaram suas opiniões, corroborando ou contestando a opinião de outro participante (BONI; QUARESMA, 2005). A importância da realização de entrevistas se deve à obtenção de informes contidos na fala dos sujeitos, que vivenciam a realidade que está sendo focalizada (MINAYO, 2004).
Como estratégia de registro das falas dos sujeitos da pesquisa, fiz uso de Diário de Campo, para anotações sistemáticas do que estava sendo observado, e de filmadora e gravador portátil. Esses registros serviram como complementação de informações, durante o processo de análise das informações.
Ainda, a título de complementação, apliquei um questionário semi-estruturado, voltado à caracterização do perfil acadêmico de professores e estudantes do curso de Nutrição, e coletei material de apoio, como apostilas e arquivos com os diapositivos, elaborado pela equipe do projeto de extensão, usado com a finalidade de auxiliar na condução das oficinas de capacitação.
As informações coletadas na pesquisa de campo foram analisadas com base em categorias de análise identificadas a priori, durante o levantamento bibliográfico inicial, e com base em categorias emergentes, que surgiram durante a análise das informações. Essa categorização foi realizada, conforme propõem
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Grupo focal é um tipo de entrevista realizada com grupos pequenos e homogêneos, que visa à obtenção de informações, aprofundamento e interação entre os participantes. Essa técnica fundamenta-se na formação de opinião dos sujeitos a partir da interação com os outros. Os grupos focais são vistos como complementares às técnicas de entrevistas individuais e à observação participante.
Moraes e Galiazzi (2011), que a entendem como parte do processo de análise e interpretação de informações provenientes de pesquisas qualitativas. Para os autores, a categorização é utilizada para classificação dos documentos e registros obtidos com a pesquisa, visando reunir elementos em comum, a fim de iniciar um processo de teorização em relação ao objeto estudado.
Com relação à abordagem quantitativa, modelos conceituais33, sobre o entendimento dos estudantes quanto à Segurança Alimentar e Nutricional, foram construídos e correlacionados com conceitos oficiais de “Segurança dos Alimentos” e “Segurança Alimentar e Nutricional”, de modo a posicionar as concepções em escalas conceituais34, conforme proximidade ou distanciamento para com esses conceitos, o que possibilitou verificar se ocorreram alterações nas concepções, ao longo da execução do projeto.
Para esclarecimento das abordagens utilizadas, apresento nos tópicos seguintes, o detalhamento das etapas da pesquisa de campo. A ordem de descrição das etapas não, necessariamente, coincide com a cronológica, uma vez que ocorreram simultaneamente, durante o levantamento e a análise das informações obtidas na pesquisa de campo.
Ressalto que a presente pesquisa foi aprovada pelo Comitê de Ética em Pesquisa com Seres Humanos, da Universidade Federal de Santa Catarina, processo número 1953 (FR421653), no dia 30 de maio de 2011 (Anexo 01). Todos os participantes, que aceitaram participar da pesquisa, assinaram um Termo de Consentimento Livre e Esclarecido, elaborado, especificamente, para cada Grupo pesquisado, conforme a demanda da pesquisa. No total, seis termos de consentimento e dois termos aditivos foram elaborados (Apêndices 02 a 09).
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Não significa que esses modelos conceituais são a representação do entendimento dos estudantes sobre o que venha a ser Segurança Alimentar e Nutricional, apenas servem para ilustrar e facilitar a compreensão do que se obteve com as informações coletadas, buscando uma maior aproximação com o discurso dos mesmos.
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Escalas conceituais utilizadas na Análise Sensorial, para mapear as características de determinado produtos, com base naquelas disponíveis na literatura científica.
Antes do início da coleta de informações, foi realizada uma aproximação com os sujeitos de interesse da pesquisa, de modo a apresentar a proposta de investigação, bem como as possíveis repercussões que esta poderia trazer, futuramente, para aquele campo de observação.
2.2 DESVELANDO O CAMINHO - CONHECENDO O PROJETO,