A coleta de dados foi realizada por meio de entrevista qualitativa utilizando-se um roteiro semiestruturado composto por tópicos, conforme apresentado no Apêndice A. A aplicação da entrevista se deu entre os meses de março e abril de 2017, nos gabinetes das respectivas entrevistadas. As entrevistas foram gravadas e seguidamente transcritas literalmente para a realização mais apurada da análise de dados.
Posteriormente, a partir de uma análise da revisão da literatura com base em Rowlands (1995,1997), Horochovski (2006), Mageste, (2008), Mageste, Melo e Ckagnazaroff (2008), Kleba e Wendausen (2009), foi realizada uma síntese das dimensões do empoderamento, conforme apresentado no Quadro 8, com o objetivo de elaborar as características das dimensões de análise utilizadas nesse trabalho.
Quadro 5 - Síntese das três dimensões do empoderamento conforme apresentado na Fundamentação Teórica
DIMENSÃO AUTOR - ANO CONCEITO PALAVRAS-CHAVE
Individual ROWLANDS (1995,1997)
Desenvolvimento de
autoconfiança, capacidade individual, desfaz os efeitos da opressão internalizada. Autoconfiança, capacidade, desfazer opressão. Individual HOROCHOVSKI (2006) Ao participar em toda a sociedade, indivíduos se percebem que possuem recursos que lhes permitem influenciar e controlar os cursos de ação que lhes afetam.
Detentor de recursos, influir e controlar cursos de ação.
Individual MAGESTE, (2008) Compreende que está em situação desprivilegiada, muda o comportamento para mudar condição, por meio de processos.
Liberdade, independência, autonomia, autoestima, ser ouvido, ser visto, melhor de si, inconformidade, busca de desenvolvimento pessoal. Individual MAGESTE, MELO, CKAGNAZAROFF (2008)
Ponto de partida para o Empoderamento. A partir de um objetivo pessoal, apropriação de autonomia, enfrenta obstáculos.
Ponto de partida, objetivo, autonomia, enfrentar obstáculos.
DIMENSÃO AUTOR - ANO CONCEITO PALAVRAS-CHAVE Individual KLEBA, WENDAUSEN (2009) Ampliação da autonomia, liberdade, surgimento da independência. Ampliação da autonomia, liberdade, independência. Relacional ROWLANDS (1995,1997) Capacidade de negociar e influenciar a natureza de um relacionamento e as decisões tomadas dentro dele.
Negociar, influenciar, relacionamentos, decisões.
Organizacional HOROCHOSVSKI (2006)
O processo pelo qual as organizações formais – agências governamentais, empresas, organizações da sociedade civil – constituem mecanismos de compartilhamento do poder decisório e da liderança, de modo que as decisões sejam mais coletivas e horizontais.
Compartilhamento do poder decisório, liderança, decisões horizontais.
Relacional MAGESTE (2008) Aspectos relacionados à socialização da mulher, influências sociais desde a infância, grupos frequentados, alianças estabelecidas.
Família, filhos, marido, escola, professores, experiências profissionais, professores, relacionamentos interpessoais. Relacional MAGESTE, MELO, CKAGNAZAROFF (2008)
O envolvimento direto com os elementos que compõem o cenário em que a mulher está inserida. Fatores como influência familiar, valores culturais, participação em grupos, educação formal atuam de forma a empoderar a mulher.
Influência familiar, valores culturais, emancipação, educação formal, autoconfiança.
Grupal KLEBA, WENDAUSEN (2009)
Dentre os membros de um grupo o desencadeamento de respeito e suporte mútuo e recíproco, gerando o sentimento de pertença, reciprocidade e práticas solidárias.
Respeito, suporte, parceria, apoio, ajuda, práticas solidárias.
Coletiva ROWLANDS
(1995,1997)
Indivíduos trabalham juntos para alcançar impacto maior do que poderia ter tido sozinho. Envolvimento em estruturas políticas, ações baseadas na cooperação em vez de concorrência. Ação pode ser local ou formal.
Maior impacto, cooperação, ação de cooperação.
Comunitário (2006)
HOROCHOVSKI (2006)
Quando indivíduos e grupos de uma comunidade coletivamente formulam estratégias e ações para potencializar e obter recursos que lhes permitam influenciar nas decisões que são de seu interesse.
Potencialização de recursos, influência.
Contextual MAGESTE (2008) Ações realizadas para a melhoria de seu bem-estar e quando essa experiência é estendida para sociedade na qual está inserida. Ao empoderar-se na dimensão contextual, a mulher passa a acreditar que pode contribuir para mudanças na sociedade. Por meio de seu status e influência, elas se
Contribuir, mudança na sociedade, influência, exemplo, exerce o poder de forma responsável, gerar bem na sociedade.
DIMENSÃO AUTOR - ANO CONCEITO PALAVRAS-CHAVE
tornam um exemplo a ser seguido por mulheres que se encontram em situação desprivilegiadas socialmente. Contextual MAGESTE, MELO, CKAGNAZAROFF (2008)
Estão incluídas as questões de alcance de bem-estar, segurança econômica, conhecimento social, individual e coletivo. Também nesse nível estão incluída as questões relacionadas à representação equitativa de mulheres nas instâncias de tomada de decisão, tanto formais quanto informais, e ao mesmo tempo ter direito a voz na formulação de políticas que afetam a sociedade na qual estão inseridas.
Coletivo, representação pública, conhecimento social. Estrutural ou política KLEBA, WENDAUSEN (2009)
Subsidia e torna viável o empenho, responsabilização compartilhada e participação social no panorama da sociedade.
Responsabilidade partilhada, sociedade, participação.
Fonte: Rowlands (1995,1997), Horochovski (2006), Mageste, (2008), Mageste, Melo e Ckagnazaroff (2008), Kleba e Wendausen (2009).
Com base na leitura da revisão da literatura apresentada no Quadro 8, realizada para uma compreensão maior do conteúdo de cada uma das dimensões expostas por cada autor, foram sistematizadas três dimensões de empoderamento utilizadas para fazer a análise dos dados do presente trabalho, apresentadas no Quadro 9. O nome de cada dimensão foi dado com base em Rowlands (1995,1997).
Quadro 6 - Dimensões do empoderamento adotadas para a análise dos dados
Dimensão Descrição
Individual Neste nível surge a percepção da posição desprivilegiada, e a partir disso, inicia-se novos comportamentos e processos para o desenvolvimento de autoconfiança, autonomia, independência, e liberdade, buscando a reversão das implicações resultantes da opressão internalizada e influenciar e modificar o direcionamento das ações que lhe diz respeito. Relacional Implica o envolvimento e participação de todos os relacionamentos, influências sociais e
alianças estabelecidas que serviram de base para a construção do empoderamento do indivíduo, assim como a capacidade do indivíduo de influenciar e negociar com tais elementos para que se possa atingir o empoderamento.
Coletivo O momento e que o indivíduo acredita que pode contribuir para a sociedade (individualmente ou juntamente com outros grupos) e se sente responsável pela melhoria coletiva. A partir disso, passa trabalhar para estender, compartilhar e participar de ações de melhorias, estratégias e responsabilização no panorama da sociedade na qual está inserido.
Fonte: Elaborado pela autora com base em Rowlands (1995,1997), Horochovski (2006), Mageste, (2008), Mageste, Melo e Ckagnazaroff (2008), Kleba e Wendausen (2009).
4 APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS DADOS
Nesse capítulo serão abordadas a apresentação e análise dos dados da pesquisa, realizada com oito mulheres que atuam em cargos político-eletivos no legislativo e executivo municipal no extremo sul de Santa Catarina. Será apresentado o perfil de cada uma das entrevistas, e seguidamente, os dados levantados para cada um dos objetivos específicos delineados para a pesquisa. Com o intuito de preservar a identidade das entrevistadas, elas serão identificadas como E seguido do número que corresponde à ordem na qual ocorreu a respectiva entrevista.