CAPÍTULO II – PERCURSO METODOLÓGICO DA PESQUISA
2.3. SUJEITOS DA PESQUISA, CRITÉRIOS DE ESCOLHA E PROCEDIMENTOS
2.4.1. Plano de Desenvolvimento Institucional (PDI)
No rol dos documentos de regulamentação interna, educacional de alcance nacional, como LDB e CF, está o PDI de uma universidade federal que é um documento regimental muito amplo a começar por seu tempo de vigência, que difere do Projeto Pedagógico Institucional (PPI), outro documento de significância para projeção e o destino da instituição. É por meio do PDI que a população pode saber as perspectivas e o caminho que irá trilhar a instituição UFABC. Assim, considerando a necessidade de aprofundar os estudos sobre esse documento, verificamos que, na esfera institucional ele tem a função de ordenar as ações pedagógicas, portanto administrativas e operacionais da universidade federal. Considerou-se
também ser esse estudo de relevância, por se constituir o PDI um documento estruturante do locus da nossa pesquisa e até para termos um melhor posicionamento no tocante ao conhecimento dos projetos da instituição de ensino e que ele pode apresentar alguns princípios sobre avaliação da aprendizagem e as suas relações pedagógicas.
Retornando à questão da vigência do PDI, normalmente de cinco anos, preservou-se no primeiro PDI elaborado em 2008 o período regulamentar, mas também percebeu-se a necessidade de se pensar os rumos da UFABC por dez anos, o que levou à elaboração do segundo documento antes mesmo do término da vigência atual por um período maior.
Nesse caso, analisamos o PDI do período de 2013 a 2022, que regem os rumos da UFABC, com o objetivo de contribuir para destacar a universidade, em um país que deseja alcançar uma nova posição social e política, buscando entender os princípios matriciais que regulam esse novo modelo de educação superior. A estrutura do PDI segue com uma introdução que traz os aspectos fundamentais da UFABC que são seus fundamentos conceituais e operacionais e faz o balanço dos primeiros anos de existência de 2006 a 2012. Extrai-se para contextualizar os conceitos que envolvem o nome deste documento, como “plano”, para estruturar o futuro de forma planejada; “desenvolvimento”, no sentido e abordagem de mudança, evolução e crescimento, progresso e dinamismo; e por último “institucional”, organização como estrutura física, baseada em fundamentos estruturais e operacionais.
Desta forma, gestores e comunidade universitária da UFABC têm orientado seu percurso acadêmico, pelos princípios presentes no documento institucional, organizado por fundamentos conceituais, estruturais e operacionais:
Conceituais: Ética e respeito, como condições imprescindíveis para o convívio humano e profissional. Excelência acadêmica, abrangendo excelência em pesquisa, ensino, extensão e gestão. Interdisciplinaridade, considerada como uma efetiva interação entre as áreas do conhecimento, diferente da multidisciplinaridade. Inclusão social, praticada tanto como um ato de responsabilidade e solidariedade quanto como um processo ativo de identificação e desenvolvimento de talentos. Estruturais: Bacharelados Interdisciplinares como único acesso à graduação, com escolha posterior da especialização ou profissionalização. Ausência de departamentos, como forma de estimular o livre trânsito e a interação entre todos os membros da comunidade universitária. Sistema quadrimestral de ensino, permitindo maior dinâmica e variedade das disciplinas apresentadas ao aluno. Recortes modernos e flexíveis dos cursos, valorizando o estudo independente e enfatizando a responsabilidade do aluno na construção do próprio currículo. Operacionais: Busca por inovação acadêmica como forma de atender as mudanças da sociedade e da tecnologia. Contratação criteriosa apenas de professores com título de doutor e perfil de pesquisador. Gestão democrática e participativa dos recursos da Universidade, abrangendo recursos humanos,
financeiros, patrimoniais e de espaço físico. Responsabilidade ambiental. (BRASIL, PDI, 2013, p.3-4)
São conceitos que pretendem alcançar um ensino superior de qualidade, por meio de cursos interdisciplinares que formam o estudante em diferentes áreas, desenvolvendo habilidades múltiplas para atuação no mercado de trabalho com um título de nível superior, dando inclusive a oportunidade de acolhimento a outras camadas sociais, no caso aquelas com maior dificuldade para ingresso no ensino superior, buscando assim identificar os novos talentos, como são tratados os iniciantes na UFABC e promovendo a inclusão social.
Na sequência estrutural do PDI, os organizadores compuseram um Grupo de Trabalho (GT-PDI), que, após as experiências do primeiro PDI (2008-2012), planejaram o documento norteador das ações de gestão da instituição de ensino superior. Já em 2011 antes mesmo do término da sua vigência, por meio de encontros com a participação da comunidade universitária e de convidados de outras instituições universitárias, centros de pesquisa e agências de fomento ao ensino e pesquisa, buscaram-se subsídios para a elaboração do novo PDI, que passaria a ter vigência de dez anos.
O aumento do prazo de vigência levaria a instituição a se preocupar também com o acompanhamento e o monitoramento das metas e objetivos propostos para o período de forma mais precisa e para isso, a equipe gestora do plano via a solução, pela implementação de relatórios realizados de dois em dois anos, trazendo tudo sobre as ações e reações provocadas pelo PDI durante sua nova vigência. (BRASIL,PDI, 2013, p. 14)
O planejamento conduz ao terceiro tópico estrutural do PDI da UFABC: os desafios para o futuro da instituição, um destaque para as questões da ciência e tecnologia e de inserção da UFABC no ABCD paulista.
Nesse caminho da ciência e tecnologia, segundo consta no PDI (2013), a universidade do século XX, “foi palco da institucionalização das ciências modernas, da especialização disciplinar, de um relativo distanciamento da ciência e da tecnologia em relação às demandas sociais e de separação entre produção e transmissão do conhecimento.” (BRASIL, 2013, p.19) Agora, no século XXI, a missão é fluir e a transpor as fronteiras disciplinares, com base no entendimento dos fatores: ciência e sociedade.
Para construção do perfil da instituição, será preciso entender e buscar respostas a uma série de questionamento, por exemplo, quanto aos desafios a serem enfrentados: “quais os temas hoje que representam os principais desafios a ser enfrentados?” Ainda sobre os desafios: “A universidade deve ser um espaço de pluralidade de temas e conhecimentos, ou
deve dar ênfase a grandes temas que representem os desafios do século XXI?” De acordo com as perspectivas dos temas diversidades, questiona-se como é possível conciliar a excelência acadêmica e a inclusão social, dado que, tradicionalmente, relaciona-se a excelência com grupos sociais privilegiados do ponto de vista social e econômico e a inclusão com grupos sociais desfavorecidos desses mesmos pontos de vista. Todavia, o atual Reitor da instituição afirmou, em entrevista concedida a Sandra Gomes (2017), no âmbito da pesquisa para a sua dissertação de mestrado, que a excelência implicaria a inclusão social. “Sem inclusão, não haverá excelência”.
De acordo com os organizadores do PDI atual, há pelo menos três afirmações situadas no contexto do perfil da instituição: a primeira é sobre a identificação dos temas prioritários, mas dando condições para o exercício da diversidade que caracteriza o locus universitário. A segunda é na questão do planejamento que não deve ser rígido e permitir diretrizes gerais para priorizar e estimular a inovação no meio acadêmico. Ou seja, durante o planejamento, com os anseios de hoje não há suporte para um modelo tradicional, verticalizado e rígido. É preciso um planejamento flexível por meio do qual a instituição construa, a partir do diálogo, seus temas, parâmetros e critérios capazes de criar um ambiente para as boas inciativas. E, por último, a terceira afirmação, está no pressuposto de que a universidade precisa suportar as demandas sociais e pôr à prova os valores acadêmicos, tornando-os o suporte contextual da vida universitária. Assim sendo, observa-se o novo contexto e com ele novos desafios que envolvem demandas pela expansão do ensino superior público, que traz como consequência no PDI 2013-2022, as questões das condições de vida e uma pressão por vagas em um ensino de qualidade, tanto no médio quanto no superior.
E para concluir o terceiro tópico estrutural, o PDI traz a inserção da instituição na região do ABCD e começa por desmistificar a dicotomização dessa inserção no locus citado em relação à pretensão de ser uma referência de novo modelo de ensino nos cenários nacional e internacional.
Segundo o PDI (2013), os problemas observados na região do Grande ABC não condizem com os que envolvem a comunidade acadêmica nos dias de hoje, no Brasil e no exterior. A instituição contribui para a solução de muitos dos problemas regionais, como graves problemas sociais e de organização do terreno metropolitano. Um local desprovido de um espaço organizado gera problemas sociais e o que a instituição pode trazer como soluções é a formação de profissionais qualificados para atuarem na solução desses problemas sociais, valendo-se de um programa de ensino de qualidade da extensão e da pesquisa. Isto tudo, de algum modo influenciando com a aproximação da instituição com as empresas, gerando a
formação de profissionais altamente qualificados, pela busca da excelência no ensino acadêmico, em uma instituição localizada em um campo onde se encontram situadas empresas de ponta. Inevitavelmente, poderá ocorrer uma elevação nos conceitos e reflexões sobre o locus, promovendo a atração e o interesse cada vez maior, das empresas para se instalarem lá nesse local, onde também está instalada uma instituição de aquisição e transformação de novos saberes. Isto poderá, de certa forma, contribuir para a resolução de problemas sociais. O documento aponta ainda para a atração de investimentos e recursos importantíssimos para a região, tornando a UFABC um centro modelo de excelência e uma referência para todo o país.
Na questão da excelência acadêmica, cabe ressaltar que a UFABC, conforme cita o documento norteador do ensino na instituição aqui em estudo, não se abstém da comparação com as melhores instituições de ensino superior do Brasil e do mundo. É fundamental que os gestores estejam atentos aos mais diversos rankings, que no entanto não devem servir de verdades absolutas, mas precisam ser pensadas como um norte para o que está bom ou ruim, ou seja, para se saber onde pode-se melhorar cada vez mais, já que o topo é o objetivo final.
Não obstante, o perfil individual nunca pode ser deixado em segundo plano, pois será o diferencial em relação às outras e até mesmo àquelas que já atingiram a ponta da qualidade no ensino superior. Assim, a UFABC de acordo com o PDI (2013), no capítulo dos rankings universitários, deve manter-se atenta não só aos rankings estipulados por avaliações de órgãos como o MEC (Ministério de Educação e Cultura) e a Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior), mas também os de instituições universitárias de todo o mundo. O PDI traz como os mais conhecidos rankings no gênero, o Webometrics e
o Scimago (Scopus), sendo, portanto, o parâmetro a observar e perseguir no trabalho de busca
pela excelência e alcance do topo das universidades de maior colocação.