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1. INTRODUÇÃO

3.1. O PLANO PARA PERCORRER A TRAJETÓRIA

O pano de fundo necessário para recuperar o momento de criação de uma inovação e sua inserção num contexto, propicia a

compreensão do processo em suas metas e objetivos, o que me permitiu ,e, como estudiosa do fato, além de participante envolvida diretamente com a trajetória, escolher a forma mais adequada para tecer elementos simbólicos consistentes para essa visão.

Assim a opção metodológica para a realização deste estudo recaiu sobre a pesquisa ação, pois esta consiste “essencialmente em acoplar pesquisa e ação em um processo no qual os atores implicados participam, junto com os pesquisadores, para chegarem interativamente a elucidar a realidade em que estão inseridos, identificando problemas coletivos, buscando e experimentando soluções em situação real. Simultaneamente, há produção e uso de conhecimento.” (THIOLLENT, 1997 p.14)

Por ser a universidade uma organização que agrega grupos cujas atividades são estruturadas em processos com objetivos definidos, caracterizando-se como uma empresa prestadora de serviços, possibilita a interação dos diferentes grupos, apesar dos aspectos formais, tais como hierarquia, regimento interno, uso de tecnologia, lógica de custo e benefício. Sendo assim, a modalidade de pesquisa- ação oportuniza, no contexto organizacional da universidade, atender aos interesses e as necessidades dos diversos atores que a compõe, pois nela existe vontade de ação planejada sobre os problemas detectados, e, interação entre pesquisadores e atores, caracterizando seu caráter participativo.

Entende-se por ator, “qualquer grupo de pessoas que dispõe de certa capacidade de ação coletiva consciente em contexto social delimitado”. (THIOLLENT, 1997 p. 15)

Segundo SPINK (1979 p.31) in THIOLLENT, 1997, a "pesquisa- ação tem o duplo e explícito propósito de auxiliar a reflexão, formulação ou implementação da ação e de desenvolver, enriquecer ou testar quadros de referências teóricos ou modelos relevantes ao fenômeno em estudo”.

O contexto da universidade, enquanto universo de pesquisa, não deixou dúvidas quanto ao tipo de procedimento metodológico a ser utilizado para o desenvolvimento do estudo, pois, o que se estava objetivando era analisar os procedimentos e processos adotados para desenvolver ações de adaptação ao novo, ações de melhoria na prática pedagógica que vinha ocorrendo na universidade, e que, pela via da reflexão-na-ação*/ se estava procurando construir uma universidade substantiva.

Após o diagnóstico dos cursos de graduação, realizado coletivamente pelos diretores e professores e, compartilhado com a pró-reitoria acadêmica, algumas estratégias foram analisadas e escolhidas para encaminhar as próximas ações.

No processo vivido foi deflagrada a necessidade de acompanhar as diferentes ações e, por decisão coletiva, foi constituída uma coordenação para avaliar o processo de implantação do Projeto Pedagógico dos cursos de graduação, tendo sido escolhida para coordenar este processo.

Passei então a assumir os papéis de membro da comissão de apoio, coordenadora do processo de avaliação e pesquisadora responsável pelo estudo. Envolvida com a trajetória institucional, apresentei ao grupo o projeto de pesquisa para negociação e definição dos objetivos, conhecimento das ações que seriam desencadeadas,

pois estas, obrigatoriamente exigiriam a participação dos atores implicados.

A pesquisa portanto, constituiu-se de 4 fases, a saber:

1 - Fase exploratória, na qual a pesquisadora, os membros da comissão e os atores envolvidos deveriam detectar a problemática e os tipos de ação possível para desencadear no contexto da universidade.

Desta fase depende o encaminhamento das fases subseqüentes pois, internamente, corresponde a um diagnóstico da situação e das necessidades dos atores e, externamente, procura divulgar as propostas ou possíveis inovações para desta forma aumentar a consciência dos participantes, obtendo seu apoio e comprometimento.

2 - Fase de pesquisa aprofundada realizada por meios de diversos tipos de instrumentos de coleta de dados.

A elaboração do quadro conceitual passa por um levantamento bibliográfico, uma seleção de definições de conceitos ou enfoques teóricos, tendo em vista sua capacidade em desvelar aspectos da realidade que provocam polêmicas entre os atores envolvidos.

3 - Fase de ação que com base nas investigações em curso, permite difundir os resultados, definir objetivos e apresentar propostas que poderão ser negociadas entre as partes interessadas, dando continuidade ao processo.

4 - Fase de avaliação que objetiva controlar a efetividade das ações desenvolvidas no contexto da universidade e extrair as aprendizagens úteis para continuar a experiência.

A proposta apresentada correspondia a um dos possíveis roteiros, e não caracterizava uma única solução, pois a dimensão e a

burocracia inerentes à universidade, não permite desenvolver uma pesquisa-ação somente com trabalhos de grupo e discussão. A utilização de questionários, por serem mais usuais e conhecidos, tornou-se de mais fácil aceitação. Porém, para não desvirtuar o processo de pesquisa-ação, optou-se por constantes feedbacks das informações produzidas, por meio de reuniões e coversas em pequenos grupos.

Segundo THIOLLENT (1997, p. 86) “em uma organização, os canais de comunicação condicionam a recepção da mensagem pelos empregados. No caso de canais resultantes da pesquisa-ação, o conteúdo é percebido de modo crítico e representativo do conjunto”.

Portanto, na fase de coleta de dados, interpretação, divulgação e implementação de ações foram realizadas reuniões em grupos para envolver pesquisadora e participantes.

Os dados provenientes da coleta de dados foram tratados de forma qualitativa, retratados nos depoimentos escritos pelos diferentes atores envolvidos. A análise e a apresentação dos resultados foi passível de informatização pois o seu processamento estatístico aconteceu pela utilização de um programa de processamento de dados quantitativos, em termos de estatística descritiva, a partir de respostas a questionários codificados com perguntas de respostas múltiplas.

A significação dos dados recolhidos só fez sentido em seu contexto informativo e cognitivo pois dependia dos conceitos e teorias subjacentes e de interpretação que se deu nas reuniões para análise e tomada de decisão para intervenção e continuidade do processo.