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3.7 FASES DO PROGRAMA

3.7.1 PMCMV 1

III - infraestrutura básica que inclua vias de acesso, iluminação pública e solução de esgotamento sanitário e de drenagem de águas pluviais e permita ligações domiciliares de abastecimento de água e energia elétrica; e

IV - a existência ou compromisso do poder público local de instalação ou de ampliação dos equipamentos e serviços relacionados a educação, saúde, lazer e transporte público.

3.7 FASES DO PROGRAMA

Serão apresentadas as modalidades e seus principais detalhes na primeira fase do programa (PMCMV 1). Após isso, serão apenas destacadas as alterações mais importantes de uma fase para a outra, as quais a autora teve acesso e considerou mais relevantes para a pesquisa. A modalidade do PNHR será citada, mas como a área rural não é o foco deste trabalho, essa modalidade não será tão detalhada.

3.7.1 PMCMV 1

A primeira fase do PMCMV teve como objetivo “[...] criar mecanismos de incentivo à produção e à aquisição de novas unidades habitacionais pelas famílias com renda mensal de até 10 salários mínimos (SM) ” (TCU, 2010, p. 181). A meta era oferecer um milhão de domicílios no triênio 2009/2011, distribuídas da seguinte forma: 400 mil unidades para famílias com faixa de renda de 0 a 3 SM, 400 mil com faixa de 3 a 6 SM e 200 mil para as famílias com renda de 6 a 10 SM (TCU, 2010). Essas faixas de renda foram denominadas como: Faixa 1 (0 a 3 SM), Faixa 2 (3 a 6 SM) e Faixa 3 (6 a 10 SM). Ainda de acordo com esse relatório (TCU, 2010), há duas formas de execução do programa, uma relacionada à produção de novas moradias e outra relativa ao financiamento direto dos favorecidos finais na obtenção da habitação. A forma da operação da produção varia de acordo com a faixa de renda atendida.

A seguir, serão apresentadas as modalidades que faziam parte do Programa Nacional de Habitação Urbana (PNHU). As duas principais bases de informação foram a Cartilha “Minha Casa Minha Vida . Moradia para as famílias. Renda para os trabalhadores. Desenvolvimento para o Brasil” da Caixa Econômica Federal,

26 disponibilizada no site do Sinduscon-Rio, e o documento da UN-Habitat sobre o PMCMV.

3.7.1.1 PMCMV - FAR (Faixa 1)

Nesta modalidade, o Fundo de Arrendamento Residencial (FAR), cuja gestora é a CEF, recebeu recursos transferidos do Orçamento Geral da União (OGU) (UN-HABITAT, 2013). As famílias que se encaixassem na Faixa 1 (0 a 3 SM) seriam beneficiadas com aumento considerável do subsídio para adquirir habitação de interesse social (CEF, [2009?]).

O funcionamento era previsto da seguinte maneira: a União deveria alocar os recursos por área do território nacional, enquanto os Estados e municípios cadastravam a demanda e selecionavam as famílias a serem indicadas. Por sua vez, as construtoras deveriam apresentar os projetos à CEF que analisava, contratava a operação, acompanhava a execução da obra pela construtora, liberava os recursos de acordo com o cronograma e vendia as unidades (CEF, [2009?]).

As áreas beneficiadas eram capitais e suas regiões metropolitanas e municípios com mais de 100 mil habitantes. Eram abertas algumas exceções para municípios com população entre 50 e 100 mil, de acordo com o déficit habitacional dessas regiões (CEF, [2009?]).

As condições para a compra do imóvel pelo favorecido desta faixa compreendiam passar por uma análise de enquadramento familiar, mas não uma análise de risco de crédito. Para participar, o beneficiário não poderia ter casa própria ou financiamento em qualquer Unidade Federativa, além de não poder ter usufruído de algum outro programa de habitação social do governo. Vale ressaltar a proteção a mulher, uma vez que era dada a preferência de registro do imóvel em seu nome. Ademais, o beneficiário deveria arcar com o pagamento de 10% de sua renda mensal durante 10 anos, com prestação mínima de R$ 50,00 ao mês (CEF, [2009?]).

Em seu documento, a UN-Habitat (2013) aponta que, após o pagamento da amortização em 10 anos, o mutuário teria o direito de comercializar a unidade habitacional. Porém, caso este decidisse antecipar essa amortização, precisaria pagar o valor integral da unidade, sem a dedução dos subsídios. Esta medida foi estabelecida para evitar a comercialização generalizada e salvaguardar a finalidade social da subvenção pública.

27 Os empreendimentos desta faixa também foram especificados, podendo ser casas térreas ou prédios, ambos seguindo parâmetros pré-definidos pela CEF. Foram permitidos projetos de até 500 unidades por módulo ou condomínios segmentados em 250 unidades (CEF, [2009?]). A tabela 4 apresenta mais detalhes das tipologias:

Tabela 4: Tipologias da modalidade PMCMV-FAR

Tipologia Área total

(m²)

Área Interna

(m²) Compartimentos

Casa Térrea 35 32 Sala, cozinha, banheiro, 2 dormitórios, área externa com tanque

Apartamento 42 37 Sala, cozinha, área de serviço, banheiro, 2 dormitórios

Fonte: CEF, [2009?]. Elaboração da autora.

Além disso, os prédios poderiam ter 4 pavimentos com 16 unidades por bloco ou até 5 pavimentos com 20 unidades por bloco (CEF, [2009?]).

Os valores das unidades habitacionais, no PMCMV 1, dependiam da região onde essas eram construídas, variando de R$ 20.000,00 a R$ 48.000,00 para as casas térreas e de R$ 20.000,00 a R$ 52.000,00 para os apartamentos (UN-HABITAT, 2013).

3.7.1.2 PMCMV – OFERTA PÚBLICA (Faixa 1)

Esta modalidade tinha como público-alvo cidades com menos de 50 mil habitantes e famílias da Faixa 1 do programa (UN-HABITAT, 2013).

Os Estados e municípios deveriam submeter propostas, além de ser esperado que também dessem alguma contrapartida para auxiliar o projeto. A execução desse seria na mesma linha da modalidade PMCMV-FAR, sendo as empresas privadas responsáveis por construir as unidades habitacionais. Nesta modalidade de oferta pública, não só a CEF poderia ser o agente financeiro, como também outros bancos que seriam responsáveis por gerenciar os recursos e acompanhar a execução da obra. Os beneficiários poderiam comprar a habitação produzida com auxílio de financiamento habitacional. O valor da unidade foi fixado em R$ 25.000,00 (UN-HABITAT, 2013).

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3.7.1.3 PMCMV – ENTIDADES (Faixa 1)

O PMCMV – Entidades (PMCMV-E) foi a modalidade do programa arquitetada para atender as famílias com renda de até 3 SM que fossem organizadas de forma associativa por entidades sem fins lucrativos. Essas entidades poderiam ser cooperativas, associações, dentre outras (CEF, [2009?]). Os recursos eram transferidos do OGU para o Fundo de Desenvolvimento Social (FDS), este gerido pela CEF. Essa modalidade tinha a finalidade de subsidiar e financiar a aquisição de terreno, construção ou reforma de habitações em áreas urbanas (UN-HABITAT, 2013).

A operacionalização prevista era: os recursos deveriam ser alocados pelo Conselho Curador do Fundo de Desenvolvimento Social (CCFDS) nas regiões do país enquanto as entidades deveriam apresentar os projetos para a CEF, sendo que esses poderiam ser feitos com os governos locais. Por sua vez, a CEF analisaria e encaminharia para o Ministério das Cidades, que selecionaria os projetos. Com os projetos já definidos, a entidade apresentaria a demanda a ser atendida enquanto a CEF verificaria se essa estaria enquadrada nos critérios de seleção. Por fim, a CEF contrataria a operação, liberaria os recursos de acordo com o cronograma da obra e acompanharia a execução do projeto (CEF, [2009?]).

Com relação à construção, vários sistemas poderiam ser utilizados, como: mutirões, em que os favorecidos ajudariam no processo de construção; auto-gestão, que inclui a terceirização de algumas partes que precisariam de maior conhecimento técnico; e, empreitada global, em que poderia ser contratada uma empresa responsável pela implementação do projeto, mas cuja gestão seria da entidade e dos beneficiários (UN-HABITAT, 2013).

A abrangência dessa modalidade era nacional e compreendia as mesmas condições para aprovação de compra e de pagamento pelo beneficiário que as do PMCMV-FAR (CEF, [2009?]). Com relação às entidades, estas já deveriam ser inscritas e certificadas pelo Ministério das Cidades e pela CEF (UN-HABITAT, 2013).

3.7.1.4 PMCMV – FGTS (Faixas 2 e 3)

A modalidade do PMCMV prevista para utilizar os recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) atendia a população com renda mensal entre 3 e 6 SM

29 (Faixa 2), que teria aumento do valor do subsídio nos financiamentos deste fundo, e as famílias com renda de 6 a 10 SM (Faixa 3), que seriam beneficiadas com redução dos custos de seguro e possibilidade de acesso ao Fundo Garantidor da Habitação Popular (FGHab) (CEF, [2009?]). A Faixa 2 também tinha acesso ao FGHab (UN-HABITAT, 2013). O TCU (2010) aponta que o FGHab tem por finalidade arcar com as parcelas no caso de inadimplência, cujo motivo seja o desemprego. Este fundo cobre entre 12 e 36 prestações, dependendo da renda mensal do mutuário. Além disso, há o financiamento às construtoras para produção das habitações para essas duas faixas, sendo que essas construtoras também comercializariam as unidades para os favorecidos finais (TCU, 2010).

O financiamento dos empreendimentos tinha o seguinte funcionamento: a União e o FGTS deveriam alocar os recursos nas regiões e as construtoras apresentariam os projetos à CEF. Com relação a aprovação do projeto, a CEF faria uma pré-análise e autorizaria o lançamento e comercialização pela construtora, mas só quando a análise fosse concluída e houvesse comprovação de que foi comercializado o mínimo solicitado, seria efetuado o Contrato de Financiamento à Produção. No período da construção, a CEF financiaria o beneficiário e, ao mesmo tempo, esse valor seria abatido da dívida da empresa construtora. A CEF deveria realizar as vistorias e liberar os recursos de acordo com o cronograma. Ao final da construção, as unidades habitacionais seriam entregues aos mutuários pela empresa (CEF, [2009?]).

Com relação à solicitação de financiamento pelo favorecido, este deveria escolher uma habitação no mercado, solicitar crédito e subsídio à CEF, comprovar que se enquadrava nos critérios do programa e que o valor da unidade e suas características também estavam de acordo com os limites estabelecidos pelo PMCMV-FGTS. O subsídio com recursos do OGU só era permitido à Faixa 2 (de 3 a 6 SM), variando de R$ 7.000,00 a R$ 23.000,00, dependendo da renda e da localização da habitação (UN-HABITAT, 2013).

A abrangência desta modalidade era a mesma que a da PMCMV-FAR, porém, as condições para o favorecido eram diferentes. Havia análise de risco e verificação de capacidade de pagamento. Além disso, o solicitante não poderia estar sendo financiado ativamente nas condições do Sistema Financeiro da Habitação (SFH), em nenhuma região do país, dentre outras condições (CEF, [2009?]).

Com relação às características do empreendimento, não havia uma especificação padrão a ser seguida, mas ele deveria ter valor de avaliação compatível

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