seio, que não tem amamentado ha muito tempo, o que
muitas mulheres fazem para deixar engurgitar os seios
e apresentarem um peito mais bello.
tëicro-organismos do Leite
O leite constitue um excellente meio de cultura para os micróbios como bem o comprovam a sua composição cliimica, a sua riqueza em matérias assucaradas e azo- tadas. Não é necessário permanecer muito tempo fora da glaudula, para se dar uma enorme multiplicação de ba- ctérias, o que é confirmado pelos seguintes factos :
Leite examinado uma hora depois de recolhido con- tinha 9500 bactérias por centímetro cubico; no fim de uma contaram-se 63500000. Os micróbios multiplicam-se ainda com maior intensidade, se o leite for submettido a certas temperaturas. A' temperatura de 35°, no fim de 21 horas, um centímetro cubico contem 180000000.
Comprehende-se perfeitamente que, se a maior parte d'ellas são inoffensiveis, outras sejam pathogenicas.
Já, fallando das transformações do leite, citamos alguns microbios; agentes d'essas modificações. Outros,
porem, são capazes de operar os mesmos phenomenos. Hueppe descobriu o bacillus acidi lactici, que actua como o vibrião láctico de Pasteur ; Escheric estudou o bacterium
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lactîs aerogenes, cuja acção é idêntica. Entre os fermentos
aeróbios citaremos o género tyrotrix,—(tenuis, filifor mis,
distortus, geniculatus, turgidus, scaber e virgula). Dos anae-
róbios o tyrotrix urocephalum, claviformis, catenula. *
* *
O ponto mais importante d'esté capitulo é, sem du- vida, o estudo dos micróbios pathogenicos. O leite pode servir de vehiculo a estes agentes zymoticos e determi- nar doenças graves.
A mais frequente é a infecção tuberculosa, que se en- contraria cinco vez em cem. O leite de cabra, ainda que nâo completamente indemne, seria menos vezes portador do bacillo da tuberculose.
Qualquer manifestação tuberculosa da vacca pode dar ao leite uma virulência grande.
A doença das tetas, a pommeliére, é a mais perigosa, porque se occulta debaixo da melhor apparencia de uma vacca.
Oitam-se exemplos de creanças, cujos pães eram ro- bustos e saudáveis, succumbirem a tuberculoses intesti- naes, mesentericas ou meningeas, depois do uso de leite de vaccas afectadas d'essa doença. Dupré e Lécuyer ci- tam duas observações de pneumonias em creanças que fizeram uso de leite infectado.
A febre aphtosa das vaccas communica ao leite
turbações gastro-intestinaes e emmagrecimento. Lelest crê que esta transmissão somente se faz, havendo lesões ulcerosas nos mamillos.
Ha ainda divergências relativamente ao carbúnculo. Chambrelent e Moussons dizem ter recolhido as bactérias do carbúnculo no leite, depois de terem inoculado o car- búnculo ás fêmeas em lactação, e que o producto d'essas colturas, inoculado em animaes, lhes communicava a doença. Koubassoff nega o facto. Posto que o sueco gás- trico annule as propriedades do bacillo, pode elle não ex- perimentar a acção d'esse meio em certos estados gás- tricos, chegar ao intestino e ahi desenvolver-se facil- mente.
Nos logares, em que se depositam a fezes dos typho- sus,-podem inquinar-se as aguas e determinarem epide- mias àe febre typhoïde n'aquelles que se abastecem d'essas aguas. Em muitos casos de epidemias locaes viu-se a doença desapparecer, logo que se deixou de fazer uso do leite, sendo as aguas, de que se serviram para lavar os vasos destinados ao leite, a origem da infecção.
A escarlatina e a cliphteria podem também ser vehi- culadas pelo leite. Abundam numerosas ebservações em abono do facto.
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O leite perde ás vezes a sua côr branca e torna-se vermelho, amarello ou azul. Estas mudanças que dão ori- gem aos leites corados, são devidas á actividade de certos micróbios chromogeneos. O leite amarello deve a sua côr
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ao bacterium synxanthum, que o torna primeiramente acido e depois fortemente alcalino. O bacillus cyanogenus, sob a forma de bastonetes, dá ao leite a cor azul ardósia e, quando elle se torna acido pela acção do fermento láctico, azul intensa.
Observa-se muico frequentemente este phenomeno, sobretudo na Aliem anha, durante os grandes calores es- tivaes.
Muitos micróbios dão ao leite a côr vermelha ; taes são o
saccharomyces ruber, o bacterium lactis erythrogenes, o mi- crococcus prodigiosus, o bacterius mycoides roseus.
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Antes de encerrarmos este capitulo, vamos ainda re- ferir-nos a outras modificações, que imprimem os micro- organismos ao leite, fazendo d'elle um agente therapeu- tico. Queremos fallar do Koumys, do Képhir e da Gala-
zyma.
O Koumis, leite de jumenta fermentado, é d'uma côr branca azulada, um pouco acido e alcoólico, espumoso quando se conserva em garrafas e apresentando três graus de força diferente. O leite experimenta uma du- pla fermentação—a fermentação acida, que precipita a ca- seína, e a fermentação alcoólica, que desenvolve alcool e acido carbónico. A bebida gazosae alcoólica que d'ahi re- sulta diffère do leite ordinário, quando é fresca, em conter uma proporção de 1 a 2 por cento d'alcool e de 0,75 por
cento d'acido carbónico, proporção que se encontra quasi duplicada no Koumys de cinco mezes. Prepara-se ordina- riamente misturando duas partes de leite de jumenta com uma do de vacca, sobre as quaes se faz actuar o sac-
charomices cerevisiœ.
O Kephyr é um liquido branco como o leite, espu- moso como o champanhe, d'onde lhe veio- o nome de champanhe lácteo do Cáucaso ; tem saber agridoce um pouco picante, devido á presença dos ácidos láctico e carbónico. Esta fermentação do leite é devida a uma le- vadura e a uma bacteria, a disporá caucasica, que deter- minam três phenomenos — uma fermentação láctica, uma fermentação alcoólica e a dissolução e peptonisação da caseina.
A G-alazyma, que resulta da fermentação do leite provocada pela addição d'assucar de canna e d'uma le- vadura, é espumosa, um pouco acida, carregada d'acido carbónico e contendo cerca de um por cento d'alcool, d'onde lhe veio o nome de leite de champanhe.
CAPITULO V
Asepsia do Leite
Para que o leite se torne inofensivo, é necessário exterminar os micróbiospatliogenicos, que podem ser por elle veliiculados e pruduzir graves desordens orgânicas. Por três processos se chega a este fim — a ebulição, a
jpasteurisagão e a esterilização.
A ebulisação tem a propriedade de destruir os ba- cillos de Koch, a par de muitos outros microorganis- mos patliogenicos.
Eadicando-se rapidamente depois de preconisada no congresso de tuberculose (1884), e pela Academia de medicina de Paris em 1889 e 1890, não deixou de ter os seus impugnadores. Reichman accusa o leite fervido de ser menos facilmente peptonisado na creança, e Laurent imputa-lhe numerosas perturbações digestivas. Estes in- convenientes seriam devidos á grande redução de vo- lume que soífre o leite, fervendo ao ar livre, a qual lhe lhe faz perder os gazes e alguns princípios albuminosos. Thomaz (de Génova), ao contrario, viu o leite fer-
Vido produzir excellentes resultados em creanças, que o não toleravam d'outra forma.
Seja como fôr, pela esterilisação colocamo-nos ao abrigo d'accidentés graves. '
A pasteurisação do leite consiste em submettel-o a uma operação análoga á que Pasteur estabeleceu para a conservação dos vinhos e das cervejas. O leite é levado a uma temperatura de 70.° e resfriado rapidamente.
Na industria realisa-se esta operação por vários pro- cessos, de que citaremos somente o de Fjord, cujo appa- relho consiste em dois reservatórios concêntricos, o in- terno para o leite e o externo para o vapor d'agua. Um agitador põe constantemente o leite em contacto com a parede do reservatório, onde se aquece, passando depois para um refrigerante.
O leite, assim preparado, conserva-se muito tempo e pode ser tranportado a distancia em vasos esterilisa- dos por uma corrente de vapor d'agua.
Segundo Duclaux, por esta operação o leite só con- serva os fermentos, que o coagulam, emquanto que os fermentos lácticos e os micróbios, que o acidificam, des- apparecem completamente.
As bactérias pathogenicas não resistem, em geral, a esta temperatura, como acontece aos bacillos de Koch, que são destruidos a um calor de 68.° durante meia hora, aos d'Eberth de 70 a 75.°, e aos pneumococos de 55 a 60.°
O leite pasteurisado não determina perturbações al- gumas e é bem tolerado.
A esterilisação tem o logar de honra na asepsia do leite.
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As suas garantias são, pelo menos, eguaes ás dos outros processos, tendo, alem d'isso, a vantagem sobre elles de poder realisar-se no seio das famílias, para pe- queníssimas quantidades de leite. As suas qualidades di- gestivas são quasi eguaes ás do leite natural.
Prepara-se na industria submettendo-se o leite á temperatura de 110.° e mais, por meio de vapor d'agua sob pressão, em apparelhos especiaes/ sem que elle ex- perimente a ebulição.
No seio das famílias recorre-se a processos simpli- ficados.
Mergulliam-se recipientes de uma capacidade de 100 a 200 grammas n'um banho-maria fechado, cuja agua é levada á ebulição durante 40 minutos ; o nivel da agua não deve exceder o meio dos recipientes, ficando estes assim mergulhados na agua fervente e no seu vapor. Estes frascos devem sei1 munidos d'uma rolha d'algodao
esterilisado, ou de um obturador de caotchuc, para im- pedir a entrada dos germens atmósphericos, que seriam arrastados pela condensação produzida pelo resfriamento do leite. A cada frasco pode ser adaptada uma mama- deira e a criança receber d'ahi mesmo o leite quando te- nha de recorrer-se ao aleitamento artificial.
O leite esterilisado a cerca de 100.° tem a cor e o gosto do leite ordinário ; a temperaturas mais elevadas torna-se côr de café com leite e de gosto desagradável. O primeiro deve ser preferido.
O leite esterilisado approximar-se-ia muito,'segundo Chavanne, do leite de mulher ; as granulações de caseína seriam mais finas e, por isso mesmo, de mais fácil di- gestão.
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Submettendo o leite á acção de uma tenperatura de 52.° no vacuo e uma pressão de 10 centímetros de mer- cúrio, obtem-se um novo producto semi-fluido, o leite con-
densado, que não experimenta alteração alguma nos
seus- elementos essenciaes, a não ser a perda d'agua. Para cada litro de leite addicionam-se 75 grammas d'as- sucar. E' utilisado diluido em agua.
Muito preconisado por Flamain no tratamento das diarrheas estivães, não foge ao ataque de Laurent, que o accusa de dar ás creanças uma apparencia de saúde e uma resistência fictícias, causando-llie, no fim de certo tempo, perturbações digestivas, emmagrecimento e perda de forças. Porém, a maior accusação que pode fazer-se- lbe, é de não ser elevado a uma temperatura capaz de destruir as bactérias patbogenicas.