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Poder e Marketing Pessoal

No documento julianasadecunha (páginas 58-62)

5. MARKETING PESSOAL

5.3. Poder e Marketing Pessoal

Nessa nova sociedade da informação que se apresenta, acontece uma profunda mudança no conhecimento. Segundo Drucker (2001, p.167), esse passa do SER, onde os conteúdos ficavam concentrados, para o FAZER, pois agora os conteúdos são divididos e isso mobiliza as estruturas das sociedades no mundo e contribuindo para a criação de uma civilização global. O conhecimento foi sempre um bem privado e, quase da noite para o dia, tornou-se um bem público.

Fenômenos como o capitalismo e diversos avanços técnicos não teriam se tornado tão presentes na sociedade sem uma mudança radical no significado do conhecimento. Primeiro aconteceu a revolução industrial, onde a tecnologia começou a ser inventada e o conhecimento foi aplicado a ferramentas, processos e produtos. Depois a revolução da produtividade, quando a aplicação do conhecimento foi feita ao trabalho humano, mudando completamente as relações entre as pessoas. E por último, como resultado, a Revolução da Administração, que mudou fundamentalmente a estrutura da sociedade e transformou o conhecimento em conhecimentos, por meio do seu compartilhamento.

Essa nova sociedade tem sido estruturada no conhecimento como algo especializado e pessoas de conhecimento tornam-se especialistas Drucker (2001,

p.43). Conhecimento é um dos mecanismos de origem do poder e aqueles que o possuem terão maior possibilidade de destaque no meio organizacional.

Segundo Torquato (2002, p.21), “o poder está no centro da arena política e seguramente se faz presente no cotidiano das organizações privadas e de seus profissionais. Poder conota conceitos como segurança, autoridade, supremacia”. Através da administração do poder é possível as pessoas utilizarem suas capacidades e desenvolverem seus potenciais contribuindo com o alcance de seus objetivos profissionais e pessoais.

“Consideramos o poder como o instrumento por meio do

qual se obtém todos os outros valores, qual rede usada para apanhar peixe. Muitas pessoas consideram também, o poder um valor em si mesmo: na realidade, para alguns é, não raras vezes, o peixe capturado. Já que o poder serve ao mesmo tempo de meio e fim, como rede e peixe, é um valor chave em política. No entanto, é um valor chave apenas no contexto dos outros valores, pois os homens não vivem regidos por um valor único”

Karl Deutsch, apud Torquato, (2001, p.21) A busca pelo poder é um dos valores centrais que movem os indivíduos. A luta pela dominação e poder, está nas bases da luta pela sobrevivência humana.

Na construção do discurso grupal, há algumas alavancas que devem ser observadas, pois elas constroem os eixos do poder. A alavanca da adesão, por exemplo, faz com que se aceite ou rejeite uma pessoa, associando-a a símbolos, Torquato (2001, p. 25). Conforme explanado anteriormente, o poder é concedido pelo outro, pois este que percebe no individuo que o detêm, a capacidade de

influência. Assim, em uma organização aqueles que melhor se colocam, conquistam um maior grau de adesão.

Conforme visto, a busca pelo poder, por ser algo intrínseco do ser humano, está presente em todas as instâncias da vida, privadas ou públicas. O Marketing pessoal bem estruturado pode levar a conquista e manutenção dele. Porém, essa sustentação depende da capacidade de renovação e da pertinência dos conteúdos expressos.

Segundo Freitas (2004,p.07) “o homem, um estudioso do poder, pode usá-lo para favorecer ou agredir determinado sistema social”. Expressões da utilização do poder para influência social estão no meio político. Um exemplo disso foi a eleição de Fernando Collor de Melo a presidência da República no Brasil. Detentor de um poder político inquestionável de origem familiar, com posse de grande aparato de comunicação no estado de Alagoas, utilizou esse poder na busca por ascensão política. Obteve sucesso utilizando o seu poder como princípio catalisador da campanha.

Collor ergueu a sua estratégia de Marketing Pessoal com base nesse poder e montou um discurso de grande impacto, pois sabia utilizar a comunicação como instrumento de poder. Construiu uma mensagem de apelo para a caçada aos marajás e atribuiu espetacularização no envio deste conteúdo ao público. O ex-presidente ganhou expressão nacional em revistas, televisão e outros meios, adquirindo prestígio e utilizando indiscriminadamente a mídia como agente regulador de emoções humanas.

Ao assumir a presidência, Fernando Collor andou de jet-ski, comandou um avião de caça, pilotou uma Ferrari a 200 quilômetros por hora. Também apareceu em público praticando esportes. Collor tinha uma presença cativante que impressionava o público e foi assim que conseguiu projeção para o Brasil, um país fragilizado, após viver por mais de duas décadas sobre a sombra do militarismo.

Porém, o seu governo não tinha plano consistente e, aos poucos, a sociedade foi descobrindo que a imagem construída que havia sido transmitida e absorvida, era falsa. O discurso de moralidade e da honestidade, somado a sua imagem jovial de esportista, passaram a não ser mais suficientes para o povo e foram sendo substituídos por fatos reais que começaram a vir a tona.

Sendo assim, conclui-se que o Marketing Pessoal estruturado em falsas bases, não matem o poder. Mais uma vez, reforça-se a necessidade de consistência na busca pelo poder por meio do Marketing Pessoal.

Na classificação de poder determinada por French e Haven, apud Moscovici (2002, p.136), pode-se analisar as três formas de poder que mais são utilizadas por indivíduos desenvolvendo o seu Marketing pessoal são o poder de recompensa, onde utiliza-se técnicas de influência por meio da distribuição de benefícios, de referência, influenciando através de relações psicológicas de identificação com um modelo, pois, uma pessoa transformada em modelo traduz a aceitação daqueles que a rodeiam e de informação, que exerce influência devido a retenção de informação.

No documento julianasadecunha (páginas 58-62)

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