4.4 DIREITO ADMINISTRATIVO
4.4.1 Poderes Administrativos
Pavene (2016, p. 422) elucida que os poderes administrativos são “prerrogativas especiais e instrumentos que o ordenamento jurídico confere ao Estado para que este cumpra suas finalidades institucionais na busca e no alcance do interesse público.”
Os poderes da administração são caracterizados como: Instrumentos, Poder-dever, Irrenunciáveis, Limitado pela lei e de Responsabilidade do administrador. Os Poderes Administrativo são:
Poder Vinculado, os atos praticados pelo agente/administrador são definidos por lei, portanto são obrigados a cumprir o que é previsto, uma vez que são preenchidos os requisitos legais. Carvalho (2015, p. 118) leciona, “preenchidos os requisitos legais, o administrador é obrigado a praticar o ato previamente definido pelo diploma normativo que não somente prevê como determina a atuação do agente público sempre que a previsão legal se concretizar”.
Desta forma, preenchidas as formalidades exigidas por lei, o agente tem a obrigação de cumprir sua função conforme determina o dispositivo legal. Por exemplo, o cidadão (particular) atendendo todos os requisitos previstos em lei, a ele será concedido a licença para que possa construir, assim o administrador tem o dever de lhe conceder a anuência para a construção.
Poder Discricionário, neste poder o administrador também tem seus atos limitados pela lei, porém diferente do poder vinculado o agente poderá escolher dentro dos limites estabelecidos o melhor a se fazer no caso concreto, ou seja, lhe permite uma liberdade para atuar de acordo com conveniência e oportunidade. (PAVIONE, 2016).
Dentro dos limites da lei, o administrador deve eleger entre algumas condutas a que melhor se adeque ao caso concreto. Desde que restrito aos limites estipulados legalmente, a atuação será lícita. Assim, o administrador deverá buscar a solução mais oportuna e conveniente ao interesse público. (CARVALHO, 2015, p. 118)
Portanto, este poder permite que o agente dentro dos limites definidos pela legislação atue com liberdade, exercendo um juízo de valor ao caso concreto, porém deve sempre atender o interesse público.
Poder Hierárquico, é o poder que tem o direito de organizar as estruturas Estatais, ordenando as funções dos órgãos.
De acordo com Carvalho (2015, p. 124)
[...] Trata-se de atribuição concedida ao administrador para organizar, distribuir e principalmente escalonar as funções de seus órgãos, sendo o Poder que a Administração tem de se estruturar internamente determinando uma relação de hierarquia e subordinação entre seus órgãos e agentes.
Neste sentido, o poder hierárquico tem como objetivo a delegação e a avocação de competências, cabe ressaltar que esse poder é exercido internamente da administração pública, assim a hierarquia somente se dá dentro do ente, ou seja, entes com outra personalidade jurídica não fica submetido àquela, portanto as distribuições de competência do órgão e funcionários públicos é estabelecido por este poder.
Ademais, cumpre salientar que o poder hierárquico realiza atribuições organizacionais (poderes-deveres), fiscalizar, obedecer, controlar as atividades, podendo anular atos ilegais e revogar impróprios e prejudicial, bem como, atribuições de delegar e avocar competências, dentro dos limites legais. (CARVALHO, 2015).
Poder Disciplinar, trata de um regimento interno, isto é, será concedido a um agente público para aplicar aos demais punições aos que cometerem atos infracionais (infração funcional), estas sanções abrangem todos que possuem vínculo contratual com a Administração, ou seja, é punido também todos aqueles que estão sujeitos a disciplina administrativa. (PAVIONE, 2016).
Neste sentido, aduz Carvalho (2015, p. 126)
[...] O Poder Disciplinar consiste em um sistema punitivo interno e por isso não se pode confundir com o sistema punitivo exercido pela justiça penal muito menos com o exercício do Poder de Polícia. As pessoas que são atingidas por esse Poder possuem uma sujeição especial, um vínculo com a Administração Pública.
O Poder Disciplinar, tem por objetivo a disciplina dos agentes públicos, com função de sempre cumprir com eficiência todos os serviços oferecidos pelo Poder Público e buscar a aprimoração destes, assim aquele que está sujeito as disciplinas administrativas do entre estatal ao cometer infração funcional será punido, este poder é obrigatório, pois nenhuma infração poderá deixar de ser analisada, por meio de processo administrativo. (PAVIONE, 2016).
Poder Regulamentar, é o poder exclusivo dado ao Chefe do Executivo para editar atos normativos gerais e abstratos, complementando as leis para garantir a eficácia fiel de sua execução, previsto no artigo 84, inciso IV da Constituição Federal de 1988.
Filho (2017, p. 70), pontifica que “A prerrogativa, registre-se, é apenas para complementar a lei; não pode, pois, a Administração alterá-la a pretexto de estar regulamentando”.
Há dois tipos de regulamentos: o regulamento autônomo, aduz Carvalho (2015, p. 122) “são Regulamentos que atuam substituindo a lei e têm o condão de inovar o ordenamento jurídico, determinando normas sobre matérias não disciplinadas em lei. [...]” e regulamento executivo, são aqueles que não podem inovar a lei, são realizados para a fiel execução da lei. Nas palavras de Pavione (2016, p. 425), “são atos normativos, de caráter geral e abstrato, de competência privativa ao Chefe do Poder Executivo e que visam fixar parâmetros para a fiel execução da lei”.
Neste sentido a Administração Pública exerce função normativa, é nela que se incorpora o poder regulamentar. (FILHO, 2017). Neste poder a Administração não pode instituir leis, está limitada apenas para estipular normas de como as leis serão fielmente executadas. Assim é nítido que os complementos realizados são secundários, pois dependem da legislação principal, não podem regulamentar atos que não foram tratados pelas leis. (PAVIONE, 2016).
Poder de Polícia, para Di Pietro (2017, p. 155, grifo autor) é a “[…] atividade do
Estado consistente em limitar o exercício dos direitos individuais em benefício do interesse público”.
A base legal para o conceito do Poder de Polícia, está previsto no artigo 78 do Código Tributário Nacional de 1966.
Art. 78. Considera-se poder de polícia atividade da administração pública que, limitando ou disciplinando direito, interêsse ou liberdade, regula a prática de ato ou abstenção de fato, em razão de intêresse público concernente à segurança, à higiene, à ordem, aos costumes, à disciplina da produção e do mercado, ao exercício de atividades econômicas dependentes de concessão ou autorização do Poder Público, à tranqüilidade pública ou ao respeito à propriedade e aos direitos individuais ou coletivos. (BRASIL, 1966).
É nítido que o Poder de Polícia, possui o controle para limitar e disciplinar direitos e atividade de particulares com o objetivo de atender a supremacia do interesse público, as funções desempenhadas por este poder devem estar nos limites da lei.
A discricionariedade, que está presente nas ações da Administração, em que a lei permite que administrador atue com liberdade ao caso concreto, porém com conveniência e oportunidade. Embora estejam abertas a essas apreciações o poder de polícia também é vinculado, uma vez que preenchido todos os requisitos previstos em lei, deverá ser atendido e concedido o pedido do particular. (PAVIONE, 2016).
A autoexecutoriedade, é uma medida em que o Poder de Polícia, poderá atuar sem que haja autorização do Poder Judiciário, nas palavras de Pavione (2016, p. 426) “[...] podendo a Administração executar diretamente as medidas e sanções decorrentes da polícia administrativa”.
A coercibilidade, é um ato do poder de polícia que é indispensável a autoexecutoriedade, pois são medidas em que o administrador está obrigado a fazer caso o administrado venha a descumprir os limites impostos por lei, assim a administração deverá aplicar coerções independente da vontade do particular. (CARVALHO, 2015).
Quando falamos de poderes da Administração Pública não podemos deixar de falar de um tópico muito importante que é o do Abuso de Poder, em que trata do administrador que age com desrespeito às normas previstas no exercício de suas atribuições, deixando de observar a finalidade do que era pra ser executado caracterizando assim, desvio de poder ou desvio de finalidade e exercer além daquilo que é previsto como sua competência ou fazer aquilo que não lhe é conferido, assim caracterizado como excesso de poder. (PAVIONE, 2016).
O Poder de Polícia é o poder em que a Administração Pública tem para executar todas as suas decisões, desde que sejam respeitados os limites impostos pela legislação, suas medidas são em prol de todos, uma vez que visa limitar e disciplinar direitos e atividades praticadas por particulares, em defesa do interesse comum.