3. PROJETO PEDAGÓGICO INSTITUCIONAL
3.3 Políticas de Ensino
3.3.1. Políticas de Ensino para a Educação Básica e a Superior
Em conformidade com as políticas e os princípios que orientam suas ações, o IFRR de-fine que a educação profissional deve articular, sob a perspectiva da totalidade, síntese de múltiplas relações, sem dicotomia entre conhecimentos gerais e específicos, os seguintes conceitos: trabalho, cultura, ciência e tecnologia.
O trabalho é o elemento desencadeador da produção de cultura, bens materiais e co-nhecimentos que movimentam a sociedade humana. Ele deve ser analisado como princípio educativo, sentido em que permite, concretamente, a compreensão do significado econômico, social, histórico, político e cultural das ciências e das artes.
A cultura constitui-se como uma categoria que representa as relações dos seres huma-nos histórica e geograficamente, suas cargas identitárias, suas tradições e seus costumes. Torna-se fundamental, na medida em que, analisada, possibilita a compreensão da conjuntura social que per-mitiu determinadas transformações na história da humanidade.
A ciência é a parte do conhecimento mais bem sistematizado e expresso na forma de conceitos, que são representações importantes que auxiliam os seres humanos a refletir sobre a
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lidade concreta. Já a tecnologia pode ser compreendida como a ciência apropriada a fins produtivos, sendo, por essa via, a educação profissional um canal confluente de uma formação que integra cultu-ra, ciência e tecnologia.
Já a arte (cênica, musical, plástica, etc.) é o elemento capaz de criar e recriar identidades culturais, individuais e comunitárias. Ela permite momentos de reflexão, de insights, de criatividade, de expressão, e é capaz de desenvolver a inteligência (GARDNER). Assim, a atividade artística é tam-bém atividade técnico-profissional, seja de trabalhadores em educação, seja de estudantes, configu-rando-se em elemento extremamente importante para a compreensão de atividades de performance, de produção e de contato com a comunidade.
Desse modo, a educação profissional técnica de nível médio no IFRR fundamenta-se nos conceitos de politécnica e de omnilateralidade, que, imbricadas, consolidam o compromisso com a formação humana integral, não se configurando apenas como mera preparação para responder às necessidades imediatas do mercado de trabalho. Consiste em um projeto educacional que toma as categorias ciência, trabalho, cultura e tecnologia na centralidade das ações pedagógicas.
O ensino técnico busca, portanto, a superação da dicotomia histórica entre teoria e prá-tica, entre trabalho intelectual e operacional, como forma de conduzir a uma formação integral, capaz de permitir ao homem não somente a inserção digna no mundo do trabalho mas igualmente uma atu-ação cidadã, integrada à sociedade política. Nesse sentido, Bastos (1998, p.32) afirma que:
A característica fundamental da educação tecnológica é a de registrar, sistematizar, compreender e utilizar o conceito de tecnologia, histórica e socialmente construído, para dele fazer elemento de ensino, pesquisa e extensão numa dimensão que ultrapasse concretamente os limites das aplicações técnicas, como instrumento de inovação e transformação das atividades econômicas em benefício do cidadão, do trabalhador e do país.
Nessa perspectiva, a educação técnica deve organizar-se por áreas profissionais, em razão da estrutura socio-ocupacional e tecnológica, possibilitando o aproveitamento contínuo e arti-culado dos estudos e promovendo a articulação de esforços das áreas da educação, do trabalho e emprego, e da ciência e tecnologia.
De acordo com a Lei nº 11.741, de 16 julho de 2008, a educação profissional técnica de nível médio deverá ser desenvolvida de duas formas: articulada com o ensino médio e subsequente.
Esta última, com cursos destinados a quem já tenha concluído o ensino médio. O dispositivo dessa lei, art.36-C, estabelece que a articulada seja desenvolvida nas seguintes formas:
I – Integrado – ofertada somente a quem já tenha concluído o ensino fundamental, sendo o curso planejado de modo a conduzir o estudante à habilitação profissional e técnica de nível médio, na mesma instituição de ensino, efetuando-se matrícula única para cada estudante;
II – Concomitante – ofertada a quem ingresse no ensino médio ou já o esteja cursando,
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efetuando-se matrículas distintas para cada curso, e podendo ocorrer:
a) Na mesma instituição de ensino, aproveitando-se as oportunidades educacionais dis-poníveis;
b) Em instituições de ensino distintas, aproveitando-se as oportunidades educacionais disponíveis;
c) Em instituições de ensino distintas, mediante convênios de intercomplementaridade, visando ao planejamento e ao desenvolvimento de projeto pedagógico unificado (BRA-SIL, 2008, p.2).
Entre as modalidades previstas na legislação, esta instituição optou pela formação téc-nica nas formas integrada e subsequente, para a maioria dos cursos. Contudo, também tem previsão de ofertas na forma concomitante.
Dessa maneira, compromete-se a atuar regularmente na educação profissional técnica de nível médio, de acordo com as prerrogativas da lei dos institutos, que estabelece o atendimento de 50% das vagas à oferta de formação técnica. Para tanto, o principal caminho a se construir efeti-vamente reside na sistematização didática e nas definições de percursos metodológicos capazes de elucidar a integração da educação.
Compilando, as diretrizes para o ensino técnico são as seguintes:
I – Ofertar cursos profissionais técnicos de nível médio na forma integrada, concomitante e subsequente;
II – Conjugar/integrar a teoria com a prática, mediante proposta pedagógica que tenha como base, entre outras categorias, a interdisciplinaridade, a contextualização e a om-nilateralidade;
III – Desenvolver ações de acompanhamento e avaliação da prática educativa do ensino (organização didática, projeto pedagógico de curso, entre outras) numa perspectiva de participação do conjunto da comunidade acadêmica;
IV – Estruturar ambientes didáticos com infraestrutura necessária ao desenvolvimento das atividades educativas de qualidade (salas de aula, laboratórios, biblioteca, auditó-rios, entre outros);
V – Ampliar e readequar as estruturas de alojamento já existentes nos Campi Amajari e Novo Paraíso, partindo de uma avaliação em conjunto com estudantes, de modo a me-lhor atendê-los;
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VI – Elaborar fluxo de trabalho e rotinas relativos aos auxílios financeiros prestados aos estudantes, agilizando tais procedimentos, bem como detectar e solucionar problemas e entraves que culminem na dificuldade de permanência dos estudantes;
VII – Promover ações articuladas nas atividades de ensino, pesquisa e extensão que trabalhem as relações étnico-raciais a partir de uma perspectiva emancipatória;
VIII – Promover as atividades de pesquisa e extensão que permeiem o processo de en-sino mediante projetos, simpósios, seminários, debates, núcleos temáticos, em sintonia com os avanços tecnológicos, o mundo do trabalho e as demandas sociais;
IX – Estimular e valorizar a produção acadêmica nas atividades de ensino, pesquisa e extensão, consolidando a pesquisa e a extensão como práticas permanentes e fontes de retroalimentação curricular e articulação pedagógica;
X – Promover oportunidades que visem ao contato externo dos estudantes com museus, laboratórios, exposições, centros de pesquisa, fábricas, entre outros, para o melhor apro-veitamento dos conhecimentos construídos;
XI – Viabilizar a consciência ambiental e a prática da sustentabilidade de forma transver-sal no IFRR, subsidiando a capacitação dos docentes nesse aspecto;
XII – Desenvolver, de acordo com a legislação, suas práticas de ensino com base nos princípios norteadores da educação profissional técnica de nível médio, presentes na Resolução n° 6, de 20 de setembro de 2012, da Câmara de Educação Básica do Conselho Nacional de Educação; no Parecer CNE/CEB n° 11/2012 e nas Diretrizes Curriculares Nacionais para o Ensino Médio, constantes na Resolução nº 2, de 30 de janeiro de 2012;
XIII – Promover o intercâmbio de cooperação e visitação técnica com empresas, orga-nizações não governamentais (ONGs), instituições públicas e privadas, contando com a participação de docentes, estudantes e técnicos administrativos que atuam diretamente no ensino técnico;
XIV – Garantir a participação de profissionais da área pedagógica na elaboração dos projetos pedagógicos de curso e no acompanhamento dos cursos técnicos, além de re-alizar reuniões e outras atividades de intervenção e orientação pedagógicas periódicas;
XV – Ampliar os espaços físicos;
XVI – Discutir coletivamente e se apropriar de discussões que favoreçam um olhar para o estudante do ensino técnico, em busca da identidade do IF, de modo que a resposta a questionamentos sobre missão e visão de futuro seja de domínio coletivo;
XVII – Estabelecer metas com foco em resultados que tenham por norte a articulação
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com o mundo do trabalho;
XVIII – Estabelecer prazo para a reformulação dos projetos pedagógicos de curso, de modo a garantir que passem por atualizações sistemáticas voltadas para as inovações sociais e o mundo do trabalho;
XIX – Capacitar os gestores que atuam no ensino técnico para o domínio das políticas específicas, bem como favorecer uma postura de gestão adequada e condizente com os princípios e as diretrizes estabelecidos nos documentos institucionais.
3.3.2. Políticas para o Ensino Superior de Graduação e Pós-Graduação