CAPÍTULO III — A FACULDADE CAMBURY NO CONTEXTO DE EXPANSÃO DO
5 Contexto institucional
5.2 Políticas institucionais
De acordo com o PDI, a política institucional da Faculdade Cambury “consiste em adotar parâmetros para a tomada de decisão que configurem uma postura proativa” (FC, PDI, 2002, p.60). Essa política encontra-se delineada no PDI como se segue.
A Política de Planejamento e Desenvolvimento Institucional sinaliza a busca constante de recursos humanos qualificados como garantia da qualidade de ensino e a
otimização de recursos financeiros, mediante a racionalização de despesas e desenvolve
suas ações utilizando diagnósticos, pesquisa e avaliação institucional (Paic)91. A Semana de Planejamento de Ensino constitui o instrumento de planejamento das atividades acadêmico-pedagógicas.
A Política de Graduação da Faculdade Cambury prioriza a qualidade, associada à regionalidade e à pluralidade, como foco central da proposta para o ensino de graduação, tornando-se essencial a interação da faculdade com a comunidade interna e externa, especialmente com o setor produtivo.
90 Esta função não é mencionada no regimento interno.
91 A FC adota a avaliação institucional como ferramenta voltada para a melhoria da qualidade de ensino. O
projeto é desenvolvido desde 1999 e foi criado com base no Programa de Avaliação Institucional das Universidades Brasileiras (Paiub) — instituído pelo MEC. O Programa de Avaliação Institucional Cambury (Paic) é realizado semestralmente e aplicável a todos os segmentos da instituição, no qual, cada segmento, avalia os outros. Feita a tabulação, os resultados são divulgados e utilizados pelos diferentes setores para correção dos caminhos (FC, PDI, 2002).
A Política de Pesquisa da faculdade, tendo em vista as necessidades regionais aliada ao foco de seus cursos, elegeu três eixos principais para suas linhas de pesquisa:
Agrobusiness, Problemática de Gestão de Negócios e Problemática Turística.
A Política Social, de Comunicação e de Informação busca minimizar problemas em relação à comunicação interna e procura estar sempre atualizada com informações referentes ao mercado concorrente, socializando aquelas de interesse da comunidade acadêmica e para a gestão gerencial da instituição.
A Política de Extensão pauta-se na articulação e no diálogo com a sociedade, na integração ensino e pesquisa, na interdisciplinaridade em ações comprometidas com a transformação do homem e da sociedade e, por meio de programas institucionais, atividades educativas e culturais, vinculadas à prática profissional na e para a sociedade.
A Política Cultural busca associar as suas potencialidades às demandas regionais. Instituiu para isso o Círculo do Conhecimento92 — atividade de integração da comunidade — de cunho sócio-cultural e desencadeadora de ações empreendedoras. Constituiu também grupos de teatro e de música para desenvolvimento das habilidades artísticas e culturais da comunidade acadêmica.
A Política de Desenvolvimento de Talentos humanos tem por objetivo desenvolver e capacitar as pessoas e os grupos para os novos processos de trabalho e visão prospectiva da Organização. Tal política deverá ser consolidada pela implantação do novo plano de carreira, que deve contemplar os fatores motivadores de aperfeiçoamento e de constante busca de qualificação.
As Políticas de Relações Nacionais e Internacionais refletem o interesse da instituição em participar de programas de cooperação interinstitucionais. Pretende-se o estabelecimento de parcerias com órgãos nos diversos níveis de governo, com empresas, com associações, com organizações sociais, com instituições de pesquisa e ensino, com fundações nacionais e internacionais, visando a viabilização de projetos e serviços nas diversas áreas do conhecimento (FC, PDI, 2002).
Percebe-se, dessa forma, que a FC, em seus preceitos norteadores, enquadra-se nos parâmetros da reforma do Estado brasileiro que busca modernizar e racionalizar a educação pela ótica empresarial definida pelo mercado. De acordo com Chauí (1999), “a posição da Universidade no setor de prestação de serviços confere um sentido bastante
92 O projeto é a menina dos olhos da organização. Ocorre semestralmente com temas transversais.
determinado à idéia de autonomia universitária e introduz termos como qualidade
universitária, avaliação universitária e flexibilização da universidade” (p. 215). Segundo a
autora, a flexibilização é o corolário da autonomia, significando, na linguagem do MEC, eliminação do regime único de trabalho, de concursos públicos e de dedicação exclusiva, substituindo-os por contratos flexíveis, isto é, temporários e precários. Trata-se ainda de adaptar os currículos de cursos de graduação e de pós-graduação às necessidades profissionais das diferentes regiões do país, ou seja, às demandas das empresas locais, além da separação da pesquisa e da docência, deixando a primeira a cargo das universidades e deslocando a segunda para centros autônomos (Chauí, 1999). Para o MEC, de acordo com Chauí (1999) a qualidade é medida pela produtividade orientada por três critérios: quanto
uma universidade produz, em quanto tempo produz e qual o custo do que produz, o que
leva à subordinação formal e concreta do trabalho acadêmico.
Chauí (2003) assinala que, para a organização, “a pesquisa não é conhecimento de alguma coisa, mas posse de instrumentos para intervir e controlar alguma coisa” (p. 4). A organização fragmenta a realidade, recortando-a de maneira que se possa enfocar apenas o aspecto sobre o qual se quer interferir. Assim, na organização, “não há tempo para a reflexão, a crítica, o exame de conhecimentos instituídos” (Chauí, 2003, p. 4). A Política
de Pesquisa da Faculdade Cambury é um exemplo da afirmação da autora.
Em seu PPP original (1997), a organização afirma que seu principal compromisso é a formação crítica do aluno, objetivo proposto em seu regimento interno. No entanto, suas atuais diretrizes, expressas no PDI (2002), e que vêm sendo postas em prática, distanciam-se muito desses princípios. A formação crítica do aluno é incompatível com a concepção do aluno como cliente. De acordo com Dias Sobrinho (2003), “a instituição social concebida como espaço de criação (...) [de] produção do conhecimento a elevar a compreensão e a qualidade da vida humana, agora tende a se reduzir à organização que se estrutura e age em função da economia” (p. 100). Ainda para esse autor, “a educação deixa de ser compreendida como direito humano fundamental e passa a ser entendida como benefício individual” (p. 100). Dessa forma, que percepção crítica, profissional e humanística pode ser transmitida a um aluno que ingressa em uma instituição de ensino superior na qual é considerado um cliente consumidor que adquiriu uma mercadoria como outra qualquer?
relacionadas às artes plásticas, ao teatro, à literatura, à produção acadêmica, a práticas empreendedoras, em áreas específicas dos cursos e relacionadas com o mercado de trabalho.