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Políticas públicas e programa sócio-educacional

A oferta do ensino fundamental é de responsabilidade do estado e municípios, sendo que estas duas redes operam de modo inteiramente independentes. As desigualdades, horizontal e vertical, de capacidade de gasto público implicam diferenças na carreira, nos salários dos professores, na natureza e qualidade dos serviços educacionais.

Devido à forma como historicamente evoluiu a expansão das matrículas, é muito variável a participação das duas redes na oferta de matrículas no Estado de Pernambuco. Como se sabe, a Constituição Federal de 1988 definiu como concorrentes as competências na educação fundamental, estabelecendo apenas que esta deveria ser oferecida ‗preferencialmente‟ pelos governos municipais.

Instituiu-se que os governos estadual e municipal gastem 25% de sua receita disponível em ensino. Todavia nem sempre isto acontece. Como o Governo Federal não é o principal financiador, mas desempenha uma função apenas supletiva, não há efetiva fiscalização, com vistas a reduzir as assimetrias intra-estaduais de gasto no ensino fundamental e promoção a valorização salarial das professoras (ARRETCHE, 1999).

Uma vez que se tornou imprescindível um dispositivo para se obter o comportamento desejado por parte dos governos locais, criou-se uma estratégia constitucional, o Fundef76, , onde, a cada ano, 15% das receitas do estado e municípios são automaticamente retidas e contabilizadas. Esse Fundo estabelece um vínculo entre encargos e receitas fiscais, além de garantir a efetiva transferência dos recursos.

Isso pressupõe a eliminação das desigualdades intra-estaduais de gasto no ensino fundamental, onde suas receitas são redistribuídas, no interior do Estado, entre governos estadual e municipal de acordo com o número de matrículas oferecidas anualmente.

Para obter o comportamento desejado por parte dos governos locais, criou-se garantias constitucionais onde o Estado federativo permite que os governos locais estabeleçam sua própria agenda na área educacional (ARRETCHE, ibid). Logicamente com políticas que possa elevar os padrões de qualidade do ensino fundamental, objetivando a mobilização dos governos estadual e municipal, na figura dos gestores das redes de ensino infantil e fundamental, tendo em vista as novas demandas da sociedade do conhecimento vis-à-vis os baixos índices de desempenho escolar dos estudantes brasileiros, é imperioso programas para suprirem esses defasagens.

Em termos de política pública local77, com vista a uma formação docente, o Estado de Pernambuco tem dois grandes desafios: mudar o quadro no que diz respeito ao grau de qualificação para o exercício da docência e criar uma rede de formação que assegure uma significativa elevação do padrão de qualidade do ensino.

No que se refere à formação docente embora tenha investido bastante em programas de capacitação, não tem alcançado um retorno significativo em termos da aprendizagem escolar dos alunos, refletindo na qualidade de ensino.

Os programas de capacitação tradicionalmente realizados estão, em grande parte, alheios às reais necessidades das escolas. As avaliações da aprendizagem que foram efetuadas no Estado têm, como foco, a rede de ensino, não oferecendo subsídios

76 Fundef - Fundo Nacional de Desenvolvimento e Manutenção do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério.

no que se refere ao desempenho de cada escola e, conseqüentemente, às necessidades de formação continuada de seus professores.

Assim, no âmbito educacional da rede pública fez-se um recorte, contemplando o ensino infantil e fundamental de 1ª a 4ª séries, na figura da professora, partícipe do programa de educação específico em Pernambuco, do qual pretende-se analisar a formação continuada e a avaliação do referido Programa pelas próprias professoras frente ao seu grau de satisfação.

Uma vez que, para os professores da rede pública em exercício, a formação de qualidade em nível superior, Pedagogia, permanece ainda como um grande desafio a ser enfrentado pelos governos estadual e municipal, foi elaborada uma proposta para a formação de professores pela Coordenação de Ensino Superior da Secretaria de Educação, em convênio com a Universidade de Pernambuco para a realização do Programa Especial de Graduação em Pedagogia, o Progape.

Esse programa educacional envolve ações direcionadas as professoras do ensino básico, que formam o público-alvo do programa, embora não afetam somente esses atores sociais, mas também a população do entorno. O Programa depende de múltiplas variáveis, o que possibilita fazer transposição de um pólo educacional para outro, uma vez que a realidade de cada pólo apresenta aspectos similares, como as questões de carências, ausência de faculdades, dificuldade de locomoção, dentre outras, assim o que diferencia são as ações aplicáveis em cada pólo, o contexto social é o mesmo.

Outro ponto relevante a se destacar é que o Programa não flui do mesmo modo desde o seu ideário de origem até a sua implementação, ele se desenvolve de modo singular, em cada etapa, em cada nova localidade. Com o passar do tempo, devido às necessidades de ajustes próprios do funcionamento, tanto do contexto onde está inserido, como da legislação vigente, o problema parece persiste.

Existe, portanto, uma distância entre o processo teórico ideologizado da realidade vivenciada pelo Programa, já em funcionamento, uma vez que é dinâmico e sofre metamorfose mediante uma série de outros fatores como: os agentes externos e internos, a autoridade central, os objetivos, a adequação a estratégias mais

adequadas, os agentes formuladores, as tecnologias, o financiamento, as políticas locais, dentre outros. Conforme puderam ser observados na pesquisa documental que realizamos.

Assim, o desenho do Programa pode ir se reestruturando conforme sua longevidade e continuar a se metamorfosear conforme sua continuidade e exigências burocráticas. Isto não chega a ser um obstáculo, mas pode ser um indicativo de que está funcionando, de modo dinâmico, vivo, se acomodando nas diversas realidades, frente aos diversos públicos alvo que o compõem. Além de sobreviver em diversas realidades político administrativa de cada município e da própria Universidade de Pernambuco.