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LISTA DE TABELAS

3 PERSPECTIVAS DE TODD EHLE E KURT SASSMANNSHAUS

3.2 Postura corporal

3.4.1 Posicionamento do arco

Todd Ehle inicia a série de vídeos sobre a mão direita, explicando que existem diferentes escolas de segurar o arco e que ele utiliza a escola franco-belga.

De acordo com ele, no método Suzuki128 o polegar é posicionado entre os dedos médio e anelar, na articulação interfalângica distal. Ele explica ainda que deve-se formar um círculo entre os dedos envolvidos conforme Figura 83.

Figura 83 – Posicionamento da mão direita

128 Shinichi Suzuki nasceu no Japão em 1898 e faleceu no dia vinte e seis de janeiro de 1998. Após terminar seus estudos,

com dezoito anos, foi para a Alemanha estudar violino com o famoso professor Karl Klingler. No Método Suzuki a participação dos pais é imprescindível para a aprendizagem da música, daí a necessidade de uma boa relação entre pais e professor, ambos apoiando a criança.

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Para fins de estudo, Ehle sugere a substituição do arco pela utilização de um lápis, justificado pelo peso reduzido e pela facilidade de aprendizagem da forma de mão (Figura 84). É interessante observar que apesar da afirmação de utilizar a escola franco-belga de segurar o arco, o dedo indicador está posicionado de acordo com a escola alemã - o ponto de contato do arco com o dedo indicador é próximo à articulação interfalângica distal (Figura 85).

Figura 84 – Utilização do lápis como ferramenta de aprendizagem para segurar o arco

Figura 85 – Ponto de contato utilizado por Ehle

Após o aprendizado de como segurar o arco com o lápis, o arco passa a ser utilizado. Pelo fato do arco possuir um peso maior que o lápis, sugere-se que a mão esquerda contribua aliviando o peso.

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Inicialmente, o polegar da mão direita entra em contato direto com a crina. Ehle ressalta que os dedos devem estar o mais relaxados possível.

Sassmannshaus mostra em sua série de vídeos o ponto de contato de cada dedo com o arco (Figura 86).

Figura 86 – Ponto de contato dos dedos com o arco

Colocando o arco exatamente nos pontos indicados a posição do arco encontra-se correta e relaxada. O dedo médio deve estar posicionado em oposição ao polegar, o dedo anelar deve ser posicionado na lateral do talão e o dedo mínimo deve estar posicionado sobre a vareta do arco. Sassmannshaus orienta que a distância dos dedos ao segurar o arco, deve ser a mesma de quando a mão encontra-se completamente relaxada.

Cada dedo possui diferentes responsabilidades:

 O polegar é o responsável por sustentar o arco para cima e permite o acesso para todas as ações da mão direita (Figura 87);

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Figura 87 – Função do polegar

 O dedo médio é responsável por fechar o círculo com o polegar oferecendo-lhe suporte, porém, sem exercer qualquer tipo de pressão exagerada que afete a produção de som (Figura 88).

Figura 88 – Função do dedo médio

 O dedo indicador possui duas funções: a primeira é a de regular a pressão do arco sobre a corda e a segunda é a de controlar o ponto de contato do arco, movimentando-o em direção ao cavalete (Figura 89 e 90). Vale ressaltar que a técnica sugerida por Sassmannshaus é diferente da técnica sugerida por Flesch.

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Figura 90 – Função do dedo indicador

 O dedo anelar é responsável por controlar o ponto de contato do arco movimentando-se em direção ao espelho (Figura 91).

Figura 91 - Função do dedo anelar

 O dedo mínimo é capaz de aliviar a pressão do arco sobre a corda (Figura 92).

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O posicionamento dos dedos e a conservação da forma de mão são de suma importância para a execução dos diversos golpes de arco que serão expostos posteriormente. Kurt sugere que durante o tempo de estudo, seja feita uma pausa para observar se a forma de mão é a mesma que a do início, até que os movimentos se tornem naturais e inconscientes. Para o desenvolvimento de flexibilidade dos dedos, podem ser realizados exercícios combinados de movimento dos dedos com a mudança de cordas. Inicialmente, posiciona-se o arco sobre a corda ré e somente com os movimentos dos dedos o som deve ser produzido (Figura 93).

Figura 93 – Exercícios para flexibilidade dos dedos

No próximo exercício o arco é posicionado na corda sol e através do movimento do dedo mínimo deve-se buscar realizar a mudança de corda (Figura 94).

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Como último exercício deve-se realizar a combinação dos exercícios anteriores, envolvendo a troca de direção do arco através somente dos movimentos dos dedos e a troca de cordas através da movimentação do dedo mínimo.

3.4.2 Produção de som

Velocidade, pressão e ponto de contato do arco são os principais fatores que podem influenciar a produção de som.

Ehle explica que a sensação física da pressão exigida para produção de som deve ser a mesma de quando se utiliza o arco invertido (Figura 95). Ao utilizar o arco na posição normal o dedo indicador é o responsável pelo controle da pressão do arco sobre a corda.

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Figura 95 – Utilização do arco invertido

Segundo Sassmannshaus a mão esquerda possui somente a função de definir as notas e de vibrá- las, sendo incapaz de controlar as dinâmicas.

Para o estudo da velocidade de arco, o exercício consiste em tocar uma nota por tempo, utilizando toda a extensão do arco. Deve-se estudar com o metrônomo, com pressão constante em todas as regiões do arco e sem alterar o ponto de contato. Posteriormente, deve-se aumentar gradualmente o número de notas a serem tocadas por unidade de tempo.

No exercício de pressão do arco sugerido por Sassmannshaus, deve-se tocar duas notas por arcada, sendo que uma nota deve ser tocada com metade do arco e com grande pressão e a segunda nota com a outra metade do arco e desta vez completamente sem pressão, somente com o peso do arco. Ressalta-se que neste exercício a velocidade deve ser constante, assim como o ponto de contato.

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O terceiro exercício está relacionado com a mudança do ponto de contato (Figura 96). Deve-se iniciar o exercício sobre o espelho e com somente uma arcada, deve-se movimentar o arco em direção ao cavalete e retornar ao ponto de partida. Conforme o desenvolvimento e aprendizado dessa técnica, sugere-se o aumento do número de vezes em que o arco parte do espelho, movimente-se até o cavalete e retorne para o espelho.

Figura 96 – Exercício para alteração do ponto de contato

O domínio desses três elementos separadamente nos permite a produção de uma grande variedade de som, e, através de suas combinações podemos criar diferentes atmosferas musicais e fraseados singulares, tornando a execução de uma obra única e subjetiva.

3.4.3 Golpes de arco

3.4.3.1 Détaché

Ehle, assim como Sassmannshaus, afirma que détaché é o golpe de arco no qual toca-se uma nota por arco com a menor interrupção possível e independe da região onde é executada, mesmo que usualmente, o détaché seja executado na maior parte do tempo na parte superior ou no meio do arco. A

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pressão exercida pelo dedo indicador deve ser constante juntamente com os demais dedos, evitando o alívio da pressão durante as trocas de direção do arco (Figura 97 e 98).

Figura 97 – Pressão do arco

Figura 98 – Utilização do dedo indicador

Ehle orienta ainda que o instrumentista sempre deve buscar a realização de um détaché claro, com o objetivo de se obter maior projeção do som, seja durante as performances em música de câmara, orquestras ou recitais.

Sobre o estudo do détaché, Sassmannshaus afirma que a performance em frente ao espelho contribui para a visualização do ângulo do arco.

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3.4.3.2 Legato

De acordo com o vídeo de Sassmannshaus, o legato é empregado quando duas ou mais notas são tocadas em uma mesma arcada sem interrupções. Desta forma, a mão esquerda fica responsável principalmente pela parte rítmica e articulações. As trocas de cordas exigem uma atenção redobrada para que não se crie acentos não desejados, portanto, é de fundamental importância que a velocidade do arco seja apropriada.

Para se obter uma mudança de sentido do arco de forma imperceptível sob a perspectiva de Kurt Sassmannshaus, deve-se, no momento exato da troca de direção, reduzir ao mínimo a pressão do arco realizada pelo dedo mínimo. Além disso, a antecipação do movimento do cotovelo contribui para o sucesso dessa troca de direção (Figura 99).

Figura 99 – Mudança de direção do arco

Ehle afirma que para se obter uma mudança de sentido do arco imperceptível, deve-se ter a flexibilidade dos dedos, caso contrário, produz-se um som ríspido. Da mesma forma que Sassmannshaus, recomenda-se a antecipação do cotovelo (Figura 100).

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CONCLUSÕES

Procuramos entender os processos envolvidos no estudo dos instrumentos de cordas, mais especificamente do violino e da viola. Ao mesmo tempo realizamos um levantamento do conteúdo dos materiais disponíveis nos meios de comunicação digital na pedagogia desses instrumentos, selecionando aqueles, cujos tópicos eram idênticos aos abordados em ambos os livros. Além disso, buscamos uma integração do passado, através da compreensão dos pensamentos de Carl Flesch e Ivan Galamian, com o presente (inclusão digital) avaliando como as informações transmitidas à população por meio da internet se relacionavam com as técnicas sugeridas pelos pedagogos supracitados.

Os resultados nos mostram que há divergências e convergências de opiniões entre Carl Flesch e Ivan Galamian conforme o esperado. Com relação à convergência de opinião, a preocupação sobre a criação de tensão de qualquer natureza e, sobretudo da tensão excessiva, se evidencia em toda a pesquisa. No decorrer dela, percebemos que a melhor forma de se tocar violino ou viola, encontra-se na sensação física de estarmos o mais relaxado possível, contribuindo para o perfeito funcionamento de todos os movimentos do corpo, tanto da mão esquerda quanto da mão direita.

A ausência de tensão na musculatura do corpo durante a performance musical nos proporciona integridade física, esta, de primordial importância para tocarmos o instrumento durante um período prolongado de tempo.

Evidentemente que sem o domínio completo da parte técnica, a interpretação e a expressividade da música são comprometidas. Em diversos casos a própria preocupação e incertezas durante a performance propiciam o surgimento de tensões. Por esse motivo é relevante conseguir identificar esses momentos não só durante o estudo mas também nas apresentações, as quais estamos mais suscetíveis aos erros, e alcançar meios para que sejam superados.

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Pode-se dizer que tanto Flesch quanto Galamian são reconhecidos internacionalmente pelos seus trabalhos devido às suas perspectivas, a um vasto conhecimento da parte técnica e à percepção para conseguir explorar as características positivas individuais, adaptando suas metodologias de ensino às necessidades de cada aluno.

Através da pesquisa de professores que disponibilizavam materiais audiovisuais na internet, deparamo-nos com incontáveis vídeos relacionados ao ensino de violino e viola. Após uma seleção criteriosa dos materiais pertinentes ao projeto, cujos critérios foram: a análise do conteúdo pertinente ao projeto de pesquisa, a formação dos professores e quantidade de visualizações dos vídeos, dois nomes se destacaram: Todd Ehle e Kurt Sassmannshaus.

Podemos afirmar que uma das maiores limitações no aprendizado do violino e viola no meio digital é a inexistência da adaptação das metodologias empregadas de acordo com as necessidades individuais, da mesma forma como nos livros. O método é padronizado para todos àqueles que assistem, sendo de responsabilidade de cada um avaliar se as informações transmitidas são pertinentes e tecnicamente coerentes, independente das diversas escolas violinísticas ou violísticas existentes. É fortemente recomendado a procura de um professor que possa observar e que seja capaz de corrigir as imperfeições e erros cometidos durante o estudo e também na performance.

Apesar desses fatos, surgem duas grandes vantagens dos meios digitais que são: a possibilidade de visualização e a capacidade de ouvir o resultado sonoro do que foi ensinado em teoria. A possibilidade de visualização dos vídeos nos oferece inúmeros benefícios para o aprendizado, pois através deles podemos perceber e analisar tudo nos mínimos detalhes, seja a realização de uma mudança de posição, o posicionamento das mãos direita e esquerda ou até mesmo o posicionamento do instrumento. Conseguir

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ouvir o resultado sonoro do que é explicado em palavras nos dá referência para tentarmos obter o mesmo tipo de som ou até mesmo um resultado melhor.

Por meio dos levantamentos biográficos e das análises dos vídeos de Ehle e Sassmannshaus, podemos concluir que ambos possuem relação com Carl Flesch e Ivan Galamian em suas metodologias de ensino e também na parte técnica do instrumento.

Por fim, este trabalho visa contribuir, por intermédio do material levantado, a literatura em língua portuguesa sobre a técnica do violino e da viola dentro do cenário musical brasileiro. Com isso, buscamos auxiliar instrumentistas de cordas a refletirem, compreenderem e resolverem questões concernentes aos aspectos gerais e técnicos em seus instrumentos.

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