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Posturas jurisprudenciais e a garantia do Direito ao Meio Ambiente equilibrado

Para finalizar este capítulo, faremos uma apresentação da análise jurisprudencial realizada, visando dar conformidade com a metodologia apresentada durante o presente trabalho de monografia.

A seguinte jurisprudência pertence ao Superior Tribunal de Justiça, ela chama atenção por ser tratar de crime ambiental de poluição e especialmente porque as razões do voto do julgador vencido contrariam totalmente os princípios e preceitos do direito ambiental.

AGRAVO REGIMENTAL EM RECURSO ESPECIAL. PENAL. CRIME

AMBIENTAL. PRINCÍPIOS DO DESENVOLVIMENTO

SUSTENTÁVEL E DA PREVENÇÃO. POLUIÇÃO MEDIANTE LANÇAMENTO DE DEJETOS PROVENIENTES DE SUINOCULTURA DIRETAMENTE NO SOLO EM DESCONFORMIDADE COM LEIS AMBIENTAIS. ART. 54, § 2º, V, DA LEI N. 9.605/1998. CRIME FORMAL. POTENCIALIDADE LESIVA DE CAUSAR DANOS À

SAÚDE HUMANA EVIDENCIADA. CRIME CONFIGURADO.

AGRAVO REGIMENTAL PROVIDO. RECURSO ESPECIAL

IMPROVIDO. I. Os princípios do desenvolvimento sustentável e da prevenção, previstos no art. 225, da Constituição da República, devem orientar a interpretação das leis, tanto no direito ambiental, no que tange à matéria administrativa, quanto no direito penal, porquanto o meio ambiente é um patrimônio para essa geração e para as futuras, bem como direito fundamental, ensejando a adoção de condutas cautelosas, que evitem ao máximo possível o risco de dano, ainda que potencial, ao meio ambiente. II. A Lei n. 9.605/1998, ao dispor sobre as sanções penais e administrativas derivadas de condutas e atividades lesivas ao meio ambiente e dar outras providências, constitui um divisor de águas em matéria de repressão a ilícitos ambientais. Isto porque ela trouxe um outro viés, um outro padrão de punibilidade em matéria de crimes ambientais, trazendo a figura do crime de perigo. III. O delito previsto na primeira parte do art. 54, da Lei n. 9.605/1998, possui natureza formal, porquanto o risco, a potencialidade de dano à saúde humana, é suficiente para configurar a conduta delitiva, não se exigindo, portanto, resultado naturalístico. Precedente. IV. A Lei de Crimes Ambientais deve ser interpretada à luz dos princípios do desenvolvimento sustentável e da prevenção, indicando o acerto da análise que a doutrina e a jurisprudência tem conferido à parte inicial do artigo 54, da Lei n. 9.605/1998, de que a mera possibilidade de causar dano à saúde humana é idônea a configurar o crime de poluição, evidenciada sua natureza formal ou, ainda, de perigo abstrato. V. Configurado o crime de poluição, consistente no lançamento de dejetos provenientes da criação de cerca de dois mil suínos em sistema de confinamento em 3 (três) pocilgas verticais, despejados a céu aberto, correndo por uma vala que os levava até às margens do Rio do Peixe, situado em área de preservação permanente, sendo a atividade notoriamente de alto potencial poluidor, desenvolvida sem o devido licenciamento ambiental, evidenciando a potencialidade do risco à saúde humana. VI.

Agravo regimental provido e recurso especial improvido, restabelecendo-se o acórdão recorrido. (BRASIL, 2013).

A jurisprudência em comento é referente a um agravo regimental em recurso especial, julgado pelo STJ, que trata da punibilidade pelo crime de poluição, a qual se deu em virtude de dejetos de origem animal, provenientes da suinocultura, serem descartados diretamente ao solo de forma incorreta e em desconformidade com a lei ambiental, dejetos estes que acabavam por correr até o Rio do Peixe, o qual estava localizado em uma área de preservação permanente, causando poluição.

O Ministério Público Federal foi o agravante, o qual interpôs agravo regimental contra decisão monocrática que deu provimento ao recurso especial interposto pelo agravado, para absolvê-lo do crime previsto no artigo 54, §2º, V da Lei 9.605/98.

Depreende-se a partir da análise desta jurisprudência, que para atingirmos uma qualidade de vida desejável, devemos superar a racionalidade econômica, ou seja, devemos nos preocupar menos em obter lucros e focarmos em preservar o meio onde vivemos. A punição aplicada aos infratores deu-se pelo artigo 54, inciso V da Lei 9.605/98, tendo como pena, reclusão de um a cinco anos, porque ocorreu lançamento de resíduos.

Guilherme de Souza Nucci, citado por Daniel Rubens Cenci (2014, p. 435), afirma:

Embora pareça desnecessário o tipo dizer que a poluição seja em níveis que possam resultar em danos à saúde humana, já que toda forma de poluição é um prejuízo natural à saúde de seres vivos, quer-se demonstrar que a conduta penalmente relevante relaciona-se com níveis insuportáveis, inclusive aptos a gerar a morte de animais e a destruição de vegetais.

Tal afirmação, conforme CENCI (2014, p. 435) “destaca o cerne da missão posta na Lei, com o intuito de proteger a qualidade de vida e a biodiversidade, fundamentais para a saúde humana”. Desta forma, o meio ambiente está intrinsecamente ligado à vida e à saúde humana.

O crime disciplinado pelo artigo 54 é um crime de perigo abstrato, sendo necessária apenas a mera possibilidade de causar dano à saúde humana para que se configure o delito.

O agravo regimental foi provido e o recurso especial improvido, mantendo-se o acórdão recorrido. Ocorre que o ministro que teve seu voto vencido suscitou negar provimento ao agravo regimental por entender que a condenação foi embasada apenas na existência de poluição e não demonstrou os demais elementos do tipo penal, “só haverá o delito se ocorrer poluição em níveis elevados, que resultem (crime de dano) ou possam resultar (crime de perigo concreto)”. Acerca das razões apresentadas pelo ministro:

Interessante observar o descompromisso com a sustentabilidade e com o meio ambiente em afirmações do voto vencido, quando afirma “que não ficou demonstrado nos autos que a poluição produzida atingiu níveis tais que resultassem ou pudessem resultar danos à saúde humana, ou que provocassem a mortandade de animais ou a destruição significativa da flora”. A compreensão construída de forma fragmentada pelo voto vencido trata de forma desprezível a ação de poluir, desconhecendo, e nos parece interessadamente, propositalmente, que a poluição é um dos maiores males do desenvolvimento atual, afetando a qualidade da água, dos solos, do ar, dos alimentos, da própria vida, desconhecer estes elementos muito concretos na realidade ambiental mundial e brasileira, é um postura que não merece reconhecimento do ponto de vista do conhecimento técnico e científico, porquanto, a literatura é farta em comprovar a poluição e seus profundos prejuízos causados ao ambiente e à saúde humana. (CENCI, 2014, p. 436).

Observa-se a partir do voto vencido, e da postura do ministro, que pretendeu reverter à penalização imposta ao agravado, tentando “mascarar” o sentido dos princípios de Direito Ambiental, em especial, o princípio da precaução. A este respeito, Édis Milaré, citado por Daniel Rubens Cenci (2014, p. 435), ensina:

Precaução envolve dano em abstrato, enquanto a prevenção se dá em relação ao perigo concreto. “Ambos basilares em direito ambiental, concernindo à prioridade que deve ser dada à medida que evitem o nascimento da agressão ao meio ambiente, de modo a reduzir ou eliminar as causas de ações sucessivas de alterar a sua qualidade”. Conforme a doutrina dos princípios é mais grave a transgressão de um princípio do que a inobservância de uma norma específica.

Além disso, o voto vencido demonstrou um desrespeito à lei ambiental, a qual obrigada à realização de estudos prévios de impacto ambiental, o qual não foi realizado, assim, o ministro teve uma posição totalmente contrária à lei 9.605/98 e aos princípios que regemo direito ambiental, o que novamente nos faz lembrar que os princípios é que devem nortear a interpretação da legislação. Aqui, nos resta fazer uma análise do princípio do desenvolvimento sustentável e da precaução, pois proteger o meio ambiente dever ser prioridade, e neste sentido deu-se o voto do relator vencedor. Isto significa que:

[...] nos parece que toda a interpretação da Lei de Crimes Ambientais somente terá sentido se for feita à luz dos princípios do desenvolvimento sustentável, da precaução e da prevenção, indicando o avanço na garantia do direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, conforme a jurisprudência tem conferido ao analisar à parte inicial do art. 54 da Lei 9.605/1998, de que “a mera possibilidade de causar dano à saúde humana é idônea a configurar o crime de poluição, evidenciada sua natureza formal, ou ainda, de perigo abstrato”. (CENCI, 2014, p. 438).

Assim, retira-se desta análise, que o único objetivo da turma de julgadores cujos votos venceram, foi o de preservar o meio ambiente, elevando-o a superar a racionalidade econômica.

A próxima jurisprudência é do Tribunal de Justiça de São Paulo, referente a um acórdão proferido em recurso de apelação interposto pelo Ministério Público do estado de São Paulo contra decisão monocrática do juízo da Comarca de Aparecida/SP, na qual, afastou o dever do proprietário de manter a reserva legal e a necessidade de recompor determinada área degradada.

A análise desta jurisprudência deu-se por ela estar relacionada a uma ação civil pública referente ao meio ambiente e reserva legal, havendo dano ambiental e a necessidade de repará-lo, a qual é tema que fora abordado neste trabalho.

EMENTA: AÇÃO CIVIL PÚBLICA - MEIO AMBIENTE -

INSTITUIÇÃO DE RESERVA LEGAL OBRIGAÇÃO QUE SE MANTÉM NÃO OBSTANTE A EDIÇÃO DO NOVO CÓDIGO FLORESTAL - DANO AMBIENTAL APURADO - RESPONSABILIDADE PROPTER REM - IRRELEVÂNCIA DA CONDUTA DEGRADADORA DA PARTE

PRECEDENTES - SENTENÇA REFORMADA RECURSO

PARCIALMENTE PROVIDO. (SÃO PAULO, 2013).

A turma de julgadores votou por dar provimento em parte ao recurso, em conformidade com o voto do relator. A ação civil pública ambiental foi julgada improcedente e o Ministério Público apelou buscando a inversão do julgado, sob o argumento de que o estabelecimento da reserva legal é obrigação que se mantém mesmo após o Novo Código Florestal e que o pedido de reflorestamento da área constitui uma consequência natural e que a inobservância da regra ambiental acaba por demonstrar o dano ao meio ambiente.

O acordão destacou que o instituto da reserva legal tem fundamento da ordem constitucional, no art. 225 da CF, além de considerar que a Lei 12.651/2012, não desconstituiu o dever existente na norma revogada (novo Código Florestal).

Conforme a resenha de Mariana Modesto Calábria e Patryck de Araújo Ayala, (2013, p. 319-320):

O acórdão também enfatizou que o instituto também constitui uma manifestação direta da função socioambiental da propriedade, tendo consignado que, por meio do artigo. 186 da CF brasileira, seria possível identificar que a reserva legal é um ônus inerente ao direito de propriedade. Neste sentido, e diante do que se encontra previsto pelo art. 12 do novo texto legal, este não pode permitir que a propriedade seja utilizada e explorada sem que sejam observados obrigações ambientais. Desse modo, todos os proprietários que não atenderem ao compromisso fixado pelo artigo 12 do novo Código Florestal, devem realizar a recomposição da vegetação.

O problema enfrentado aqui é quanto à implementação do novo Código Florestal, a dúvida paira entre a aplicação da lei anterior ou da atual, porém independente de qualquer coisa, o direito à propriedade tem bônus e ônus, os quais devem ser suportados, salientando que o instituto da reserva legal não se constitui como limite para o desmatamento lícito, mas sim fazer valer o que fora estabelecido na constituição federal quanto ao atendimento da função social da propriedade, qual seja, a utilização dos recursos naturais disponíveis e a preservação do meio ambiente.

É conveniente salientar a importância da orientação firmada pelo Tribunal em um contexto em que as transformações legislativas sugerem menores níveis de proteção, ao propor que a função judicial ainda tem condições de assegurar ou manter condições para a proteção dos valores e dos compromissos ecológicos veiculados pela Constituição. [...]

Parece ter sido esse o caminho atribuído na consideração do fundamento, e da extensão dos deveres que decorrem do art. 12 do novo Código Florestal, que enquanto manifestação legislativa do compromisso constitucional de assegurar que a propriedade atendesse sua função socioambiental, não poderia comportar desoneração dos deveres de conservação do bem ambiental, e da restauração de sua função ecológica. (CALÁBRIA; AYALA, 2013, p. 320).

Ao analisar a jurisprudência, observa-se que essa orientação é convergente com a matéria disciplinada nos autos do REsp 1.240.122, eis um dos ministros salientou que “se vive em um momento de transcrição de um direito de danos para um direito de riscos, calcado pelos princípios da prevenção e da precaução e pelo in dubio pro natura” (CALÁBRIA;

AYALA, 2013, p. 320), assim a função social da propriedade torna-se também “função ecológica” da propriedade.

Diante disso, o tribunal optou por reformar a sentença parcialmente, ponderando as situações tendo por base os princípios ambientais da precaução e prevenção, estabelecendo o dever do proprietário em manter a reserva legal e a recomposição das áreas degradadas.

Portanto, os julgadores ponderaram as dúvidas e lacunas trazidas pelo Código Florestal visando algo maior, o atendimento dos princípios ambientais para a consequente proteção do meio ambiente.

Enfim, segue a análise da última jurisprudência do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul, referente a um acórdão proferido em recurso crime interposto pelo Ministério Público da Comarca de São Luiz Gonzaga/RS, o qual foi provido por unanimidade.

A análise desta última jurisprudência foi feita tendo em vista o julgamento realizado pelo juízo de primeiro grau de ter rejeitado uma denúncia a qual se enquadrava perfeitamente na Lei dos crimes ambientais e preenchia os requisitos para o seu recebimento.

EMENTA: APELAÇÃO CRIMINAL.CRIME AMBIENTAL. ART. 60, LEI Nº 9.605/98. REFORMA DA DECISÃO QUE REJEITOU A DENÚNCIA. A peça acusatória atende aos requisitos estabelecidos pelo artigo 41 do CPP, pois contém a descrição do fato criminoso, com todas as circunstâncias, a qualificação do acusado, a classificação do crime e o rol de testemunhas, sendo formalmente perfeita. O fato nela descrito é, em tese, típico, de modo que somente se poderá afirmar atípico mediante a realização da dilação probatória. Impossível afirmar, sem que produzida seja a prova, porque não se sabe o que dela advirá, o dolo do acusado em fazer funcionar estabelecimento potencialmente poluidor sem a licença ambiental legal. RECURSO PROVIDO. (RIO GRANDE DO SUL, 2015).

Na jurisprudência em comento, trata da atividade de fazer funcionar obras e serviços potencialmente poluidores (exploração de basalto), sem a devida licença ou autorização dos órgãos ambientais. A denúncia proposta foi rejeitada.

O Ministério Público recorreu da decisão que rejeitou a denúncia oferecida contra os réus pela prática de crime ambiental previsto no art. 60 da Lei nº 9.605/98, sustentado que se

tratava de crime de mera conduta e o fato de os acusados terem dado entrada na documentação exigida para exploração da atividade (poluidora) não exclui o dolo.

O artigo 60 da Lei nº 9.605/98 dispõe:

Art. 60. Construir, reformar, ampliar, instalar ou fazer funcionar, em qualquer parte do território nacional, estabelecimentos, obras ou serviços potencialmente poluidores, sem licença ou autorização dos órgãos ambientais competentes, ou contrariando as normas legais e regulamentares pertinentes:

Pena- detenção, de 1 (um) a 6 (meses), ou multa, ou ambas as penas cumulativamente.

O juízo de 1º grau alegou ao rejeitar a denúncia que os acusados já haviam encaminhado à documentação necessária a FEPAM e estavam aguardando a licença ambiental.

Observa-se que o crime é de mera conduta:

Crime de ação múltipla, são previstas pelo tipo cinco modalidades diversas de conduta [...].

Objetos materiais da conduta típica são os estabelecimentos, obras ou serviços potencialmente poluidores.

[...]

Licença é o ato administrativo vinculado, pelo qual a Administração Pública

outorga ao particular o direito de realizar determinada atividade material, satisfeitas as exigências legais. (COSTA; COSTA, 2013, p. 150).

Além do mais, o crime é consumado com o mero funcionamento do estabelecimento, “será possível a tentativa se o agente for surpreendido pelas autoridades quando estiver dando início à construção, reforma ou ampliação” (COSTA; COSTA, 2013, p. 151), o que não ocorreu no caso em tela.

Outra questão a ser suscitada é quanto ao elemento subjetivo do tipo, que “é a vontade consciente e livre de praticar qualquer dos cinco atos enumerados pelo tipo. Não foi prevista a modalidade culposa” (COSTA; COSTA, 2013, p. 151), de forma que a presença do dolo é nítida.

O relator votou por dar provimento ao recurso para cassar a decisão que rejeitou a denúncia e a fim de determinar o regular processamento do feito.

Depreende-se com a análise desta jurisprudência que embora o juízo de primeiro grau, ao que consta, não interpretou de maneira ajustada a lei sob a ótica dos princípios do direito ambiental, a instância superior ao apreciar o recurso analisou a lei com mais cautela dando espaço para maiores esclarecimentos na fase probatória.

CONCLUSÃO

Consoante se discorreu durante este trabalho de conclusão de curso, o presente cingiu- se a analisar a preservação do meio ambiente através do direito penal, nos moldes da Lei nº 9.605, de 12 de fevereiro de 1998, também chamada de Lei de Crimes Ambientais.

Após breve relato histórico é notável que desde os primórdios da existência da raça humana que o homem passou a se relacionar com a natureza, e como dependente dela tinha obrigação e necessidade de protegê-la. A natureza abarca o meio ambiente, e tudo que há nele, tudo aquilo que é necessário para manter a vida no planeta, água, ar, terra, animais, árvores, etc.

Ocorre que com a evolução da raça humana, o homem foi deixando para trás alguns princípios e atitudes e esqueceu-se do seu dever de preservar o meio ambiente onde vive, e como forma de “lembra-lo” fez-se necessária a criação das Leis, para impor limites aos homens, regula-los de maneira compulsória.

Com o objetivo de estabelecer uma proteção jurídica ambiental, a Constituição Federal Brasileira criou dispositivos de proteção e preservação do meio ambiente, e neles estabeleceu algumas penalidades para aqueles que desobedecessem tais dispositivos. Além disso, foi criada também a Lei dos Crimes Ambientais, para dar apoio aos preceitos constitucionais vigentes e tratar mais especificamente os crimes e penalidades.

Diante de tudo isso, observando pelo viés teórico e jurídico, percebe-se que o Brasil possui uma vasta e completa legislação protecionista ambiental, que, embora relativamente nova, estabelece todos os mecanismos necessários para a efetivação da proteção ao meio ambiente.

Contudo, não se esta conseguindo alcançar de fato, essa proteção, o retrato disso é a forte crise ambiental que viemos enfrentando ao longo do tempo, poluição, desmatamento, caça de animais e diversas outras coisas que vem a cada dia nos deixando mais distantes da nossa garantia do direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado.

Analisando as posturas jurisprudências podemos perceber que os nossos tribunais estão abarrotados de processos referentes a crimes ambientais a serem julgados, e que quando julgados, muitas vezes acabam por não impor aos indivíduos uma penalidade justa, justa a tentar reparar o dano causado às vítimas, o meio ambiente e todos os seres que nele vivem e que dele dependem.

Enfim, conclui-se que algo esta dando errado na busca pela efetivação da proteção ambiental, que se deve buscar outras alternativas. A educação ambiental e a consciência ecológica são a chave para abrir a porta de uma sociedade sustentável, uma mudança urgente de hábitos, com maior comprometimento e participação social irão com certeza modificar o triste cenário de degradação ambiental e o medo vivido pela humanidade.

REFERÊNCIAS

BRASIL, Constituição Federal de 1988. Constituição da República Federativa do Brasil. In: Vade Mecum. 9. ed. São Paulo: Saraiva, 2013.

_______. Lei n.º 9.605, de 12 de fevereiro de 1998. Lei de crimes ambientais. In: Vade Mecum. 9. ed. São Paulo: Saraiva, 2013.

BRASIL. Decreto Lei nº 2848 de 07 de dez. de 1940. Código penal. Disponível em: <http://www.jusbrasil.com.br/topicos/10630839/artigo-78-do-decreto-lei-n-2848-de-07-de- dezembro-de-1940>. Acesso em: 25/05/2015.

BRASIL. Lei nº 9.605 de 12 de fev. de 1998. Dispõe sobre as sanções penais e administrativas derivadas de condutas e atividades lesivas ao meio ambiente, e dá outras providências. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9605.htm>. Acesso em: 25/05/2015.

BRASIL, Supremo Tribunal de Justiça. Agravo regimental no recurso especial nº 1.418.795, Agravante: Ministério Público Federal. Agravado: Edegar Antônio Castegnaro. Relatora p/ acórdão: Ministra Regina Elena Costa, 18 de junho de 2014. Disponível em: <http://stj.jusbrasil.com.br/jurisprudencia/25228702/agravo-regimental-no-recurso-especial- agrg-no-resp-1418795-sc-2013-0383156-9-stj/inteiro-teor-25228703>. Acesso em: 27 maio de 2015.

______, Tribunal de Justiça de São Paulo. Recurso de apelação nº 0001121- 87.2011.8.26.0516, Apelante: Ministério Público do Estado de São Paulo. Apelados: Ivis Ferreira Vieira e outros. J. Relator: Moreira Viegas, 18 de julho de 2013. Disponível em: < http://esaj.tjsp.jus.br/cjsg/getArquivo.do?cdAcordao=6871180&cdForo=&vlCaptcha=shnMp >. Acesso em: 27 maio de 2015.

______, Tribunal de Justiça do Estado do Rio Grande do Sul. Recurso de apelação nº 71005256292, Recorrente: Ministério Público. Recorrido: Renato Pagliari Dall Aqua e Dall Aqua Indústria e Comércio de Ladrilhos Ltda. J. Relator: Luis Antônio Alves Capra, 25 de maio de 2015. Disponível em: <http://www.tjrs.jus.br/busca>. Acesso em: 27 maio de 2015.

CALÁBRIA, Maria Modesto; AYALA, Patryck de Araújo. AÇÃO CIVIL PÚBLICA- Meio

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