4 CARACTERIZAÇÃO DA INSTITUIÇÃO
4.6 N O PPP DO S ENAC / RS QUEM ENSINA E QUEM APRENDE ?
Aprender é descobrir aquilo que você já sabe. Fazer é demonstrar que você sabe. Ensinar é lembrar aos outros que eles sabem tanto quanto você.
O Senac-RS propõe a construção de um indivíduo que preserve a qualidade de vida, os valores individuais e coletivos que contribuam para a melhoria da sociedade, preservando o respeito ao próximo e a solidariedade, tendo como direção o bem comum.
A fim de conquistar os ideais até então descritos, entende-se que o professor do Senac-RS precisa estar em permanente desenvolvimento profissional e pessoal, fazendo de sua prática e dos movimentos que ocorrem no interior das unidades elementos propulsores da reflexão da educação continuada.
Sendo assim, o professor da Instituição assume uma postura reflexiva frente às demandas cotidianas para favorecer a construção de uma educação de qualidade, construída historicamente e situada em um contexto local, inserido em um cenário mundial.
O corpo docente do Senac-RS define como professor-reflexivo aquele que, a partir da reflexão de/sobre sua prática, (re)constrói seus saberes docentes. Com base nesse conceito, entende que o educador reflexivo precisa ser capaz de:
1º) Elaborar e gerenciar situações de aprendizagem, propondo a problematização da realidade, promovendo a construção de uma atitude investigativa. Para tal, faz-se necessário mobilizar conhecimentos teóricos e práticos construídos ao longo de sua trajetória pessoal, profissional e acadêmica numa perspectiva inter e multidisciplinar.
2º) Selecionar e elaborar múltiplos recursos de ensino, adaptando-se às demandas particulares dos estudantes, compreendendo a evolução e as diferenças
de cada um, entendendo que todos são capazes de aprender. Para tanto, é necessário que o professor utilize ferramentas que favoreçam a contextualização dos conhecimentos a serem apropriados, valorizando os saberes prévios dos estudantes e envolvendo-os no constante processo de construção da aprendizagem. 3º) Saber trabalhar em equipe de forma cooperativa e interdependente, construindo os consensos necessários, pois é fundamental um ambiente de trabalho onde todos possam ouvir e serem ouvidos, valorizando a proatividade.
4º) Tematizar a sua própria prática, estudando continuamente, compartilhando com os outros, bem como administrando com autonomia o seu próprio percurso de formação. É importante que o professor se reconheça como produtor de conhecimentos a partir de uma reflexão sobre sua própria ação.
5º) Conhecer procedimentos básicos de pesquisa e desenvolvimento de projetos, qualificando suas atividades docentes, ampliando sua percepção a dos estudantes em relação às diferentes realidades que os circunda e/ou interferem em suas vidas, mesmo que de forma indireta.
6º) Utilizar ferramentas tecnológicas em diferentes contextos, percebendo-as como potencialmente transformadoras.
7º) Enfrentar os deveres e os dilemas éticos da profissão, inserindo-se nos mais diversos contextos de trabalho, mantendo uma conduta apoiada pela ética e pelos valores morais, permanecendo comprometido com metas, objetivos e normas da Instituição. É considerado, também, que é intrínseco à profissão docente pensar em uma escola agradável, criativa, organizada, que corresponda aos anseios da comunidade e da região na qual está inserida. Sendo assim, a participação do professor nos processos de gestão da escola ocupa posição fundamental no enfrentamento dos dilemas éticos da profissão.
8º) Ser usuário competente da língua oral e escrita, com boa capacidade de escutar e de argumentação. A escuta torna-se fundamental na ação docente,
possibilitando a construção de um ambiente dialógico que favoreça a aprendizagem significativa e contextualizada.
Algumas atitudes, sentimentos e valores sustentam a ação docente de qualidade. Destacam, entre outros:
• Atitude democrática, possibilitando ao estudante crescer e assumir posição de autonomia e responsabilidade;
• Sensibilidade ao se relacionar com os estudantes; • Proatividade e cooperatividade;
• Respeito;
• Comportamento ético e responsável;
• Capacidade de manter bons relacionamentos com colegas e estudantes; • Visão sistêmica;
• Sensibilidade solidária;
• Criatividade e abertura à inovação; • Abertura à aprendizagem permanente; • Autonomia.
Estudantes que buscam permanentemente a aprendizagem e se configuram como sujeitos de ação no mundo – ora condicionados pelos fatores sociais e culturais, ora transformadores dos contextos em que vivem. São jovens e adultos oriundos de diferentes cenários socioculturais, fazendo com que a diversidade esteja presente no interior da Instituição.
Nesse sentido, os perfis dos estudantes apresentam uma estreita relação com os diferentes níveis e modalidades de cursos oferecidos: em alguns casos, chegam à Instituição com uma base escolar comprometida e superficial, com lacunas de conhecimentos e informações; em outros, os estudantes evidenciam a apropriação de conhecimentos significativos, tensionados pelo pensamento crítico e reflexivo. É importante salientar que, ao longo de suas trajetórias de vida pessoal, escolar e profissional, construíram crenças e concepções que norteiam suas ações e pensamentos, as quais sustentam suas aprendizagens. Os estudantes do Senac-RS
procuram a Instituição, na maior parte dos casos, com a intenção de favorecer sua inserção, permanência ou promoção no mundo do trabalho.
Sendo assim, o Senac-RS, por meio de suas práticas educativas, busca a formação de homens e mulheres que percebam sua incompletude, favorecendo a permanente construção de sua identidade pessoal e profissional, comprometendo-se com a sua formação e qualificação.
Busca, pois, a construção de cidadãos e cidadãs solidários, criativos, críticos e éticos, que se adaptem com flexibilidade a novas situações, que atuem de forma autônoma e consciente, transformando os contextos nos quais se inserem – sempre que eticamente apropriado.
Conclui-se que os que estudantes e professores aprendem juntos no processo de construção de conhecimentos, de forma solidária e participativa, cada qual ocupando os lugares que lhes cabem – ora como “aprendentes”, ora como “ensinantes”.