4 CARACTERIZAÇÃO DA INSTITUIÇÃO
4.4 U M P ROJETO DE V IDA PARA O E STUDANTE DO S ENAC
Nesse sentido, o projeto de vida do estudante é um programa do SENAC/RS que foi concebido no escopo do Projeto Político Pedagógico do SENAC/RS e tem o objetivo de familiarizar o participante com instrumentos que permitam a percepção,
análise e tomada de decisões acerca de sua carreira profissional e de outros aspectos de sua vida por meio de estratégias e ferramentas diversas.
Trabalho, exercício profissional é exercício de e na Vida, entretanto vida não se restringe em Trabalho, por mais apaixonante que esse possa ser ou vir a ser. Trabalho é uma das tantas alternativas de autoformação na construção e no exercício de nossa inteireza (FRANCISCONE, 2006).
Para Franciscone (2010), a trajetória profissional não se apresenta diferente da trajetória pessoal, uma vez que as fases da vida e da profissão se entrecruzam, tomando, em determinados momentos, um curso único.
A identidade profissional se desenvolve a partir de um percurso construído na inter-relação das dimensões pessoal e profissional. A indissociabilidade de vida e trabalho requer um olhar mais atento sobre as escolhas profissionais, considerando que essas são determinantes para uma realização pessoal mais plena e harmoniosa. Nossas escolhas revelam o grau de consciência em que nos encontramos; nossas potencialidades de ação e possibilidades de evolução.
O trabalho cumpre, na atualidade, quatro funções primordiais na vida das pessoas. A primeira delas econômica, como fonte de satisfação das necessidades de sobrevivência do indivíduo e de seus dependentes.
Em segundo lugar, duas funções sociais: (1) como fonte de satisfação das necessidades de interação e pertinência e (2) como fonte de status e prestígio diante da necessidade de posicionamento na escala social. A atividade laboral possui, ainda, uma função psicológica fundamental que diz respeito à sua qualidade como fonte de significação pessoal, de identidade, autoestima e autorrealização (FRANCISCONE, 2009).
A preparação para o trabalho, tanto quanto o desempenho de papéis profissionais, exige, no atual contexto, uma grande disponibilidade para lidar com situações e problemas novos, muitas vezes imprevisíveis, desencadeados pelas mudanças nas condições e na estrutura do trabalho.
Educação permanente, adaptabilidade profissional e gerenciamento de carreira, passam a fazer parte fundamental da vida do trabalhador, exigindo esforços constantes e crescentes, na medida em que as barreiras profissionais tornam-se cada vez maiores e mais freqüentes (FRANCISCONE, 2009).
Edgar Schein (1993, apud FRANCISCONE, 2009), autor clássico de psicologia organizacional, desenvolveu o conceito de “âncoras de carreira”. A partir de seus estudos constatou que, ao fazer escolhas em sua carreira, a pessoa deve identificar, no mínimo, uma crença da qual não abriria mão na hora de tomar uma decisão que afetasse sua trajetória profissional.
O conceito de âncora de carreira pode ser definido como o conjunto de necessidades, valores e talentos do qual a pessoa não se mostra disposta a abdicar quando confrontada com a necessidade de escolhes. A âncora de carreira é uma combinação das áreas percebidas de competência, motivos e valores que a pessoa não abandonaria, pois esses fatores representam seu verdadeiro “eu”.
Sem o conhecimento de suas âncoras, as pessoas podem optar por uma carreira que, no futuro, não seja satisfatória por gerar o sentimento de determinado trabalho não corresponde às suas expectativas pessoais.
Essas pessoas acreditam que a orientação e informação profissional possam fornecer instrumental para escolhas e decisões mais assertivas, no objetivo de uma realização profissional plena. Dentre o público jovem essa necessidade mostra-se mais evidente ainda por conta de fatores como a precariedade de informações sobre carreiras, a necessidade de se fazer uma opção profissional muitas vezes precoce, as pressões sociais e econômicas e o desconhecimento, por grande parte dos jovens em relação aos rumos que realmente pretendem dar às suas carreiras e às próprias vidas.
Baseado na crença de que desenvolver um Projeto de Vida é lançar-se em direção ao futuro, o Senac-RS se propõe a contribuir na busca e na identificação daquilo que o estudante pretende ser e conhecer. Isso significa aceitar que a procura por respostas para as interrogações que provocam interesse e
desacomodam é o primeiro passo para a tomada de decisões, com vistas ao estabelecimento de um projeto de profissionalização. Um projeto não cabe uma proposta fechada que seja imposta aos estudantes: esses precisam se lançar para um futuro aberto e não criado. O destino escolar dos educandos está ligado à capacidade desses de estabelecer projetos e de criar interrogações, expectativas e interesses para se lançarem sobre os mesmos.
Machado (2004, apud FRANCISCONE, KELLER E PALMA, 2009), o referencial filosófico para o conceito de projetos vem de um pensador espanhol, Ortega y Gasset, o qual falava de “futurição” – um termo que pode ser entendido como lançar-se sempre para o futuro. Conforme o autor, Ortega não usou a palavra projeto, mas o entende como um modo de agir do ser humano que define quem ele pretende ser e como pode se lançar em busca de suas metas. É nessa concepção que o projeto de vida do estudante se insere no Projeto Político Pedagógico do Senac-RS .
No âmbito escolar, os projetos não podem ser desvinculados do conceito de cidadania. Para Machado (2004), a ideia de cidadania está articulada com a ideia de projeto: de metas pessoais ligadas a uma meta coletiva. Nesse sentido, um trabalho em grupo na sala de aula é um exercício de cidadania, uma vez que envolve pessoas com suas diferentes personalidades que, ao realizarem um determinado projeto, buscam um resultado, uma meta comum.
Em relação ao primeiro objetivo, “prospectar tendências no cenário futuro para um novo perfil profissional”, vincula-se à terceira questão proposta: “que perfil profissional de pessoas está sendo preparado pelo SENAC/RS?”.