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4.1 – Política dos 3 Rs – reduzir, reutilizar e reciclar
A produção de lixo pela humanidade aumentou consideravelmente com a crescente modernização dos métodos e processos industriais e a predominância do consumo de alimentos industrializados nas regiões metropolitanas das grandes cidades.
A coleta e a destinação de resíduos são um problema que mobiliza grande parte dos recursos e das iniciativas do poder público, sem com isso reduzir os danos ambientais.
Os lixões proliferam e a reciclagem, apesar de ser uma prática cada vez mais recomendada e adotada, não faz parte da rotina de milhões de pessoas nos grandes centros urbanos, transformando o lixo num dos maiores problemas do mundo contemporâneo.
Sabemos que toda atividade humana produz lixo, portanto, seria impossível eliminar completamente esse problema. É possível, no entanto, reduzir a quantidade de lixo produzido por meio da adoção de políticas e práticas sustentáveis.
Vejamos a eficiente Política dos Três Erres.
Trata-se de um conjunto de ações recomendadas pela Conferência da Terra e pelo 5° Programa Europeu para o Ambiente e Desenvolvimento, que consistem em três ações práticas com vistas à redução dos impactos provocados pela produção de resíduos pela humanidade: Reduzir, Reutilizar e Reciclar.
Reduzir – É a ação fundamental, em todas as instâncias da
sociedade, na gestão de resíduos com vistas à sustentabilidade. A quantidade de lixo produzido deve ser reduzida ao máximo por meio da aquisição e consumo de produtos mais resistentes e de maior durabilidade, recusando-se categoricamente os descartáveis, e dando preferência aos alimentos in natura e aos que utilizam embalagens recicláveis ou biodegradáveis.
É possível manter ou mesmo melhorar a qualidade de vida optando por embalagens de papel ao invés de sacolas plásticas, guardanapos de pano ao invés dos de papel, racionalizar o consumo de alimentos e reduzir o consumo de produtos cuja produção ou processamento degradam o meio ambiente.
Reutilizar – O processo de industrialização criou a cultura de
consumo dos produtos descartáveis, uma prática cada vez mais disseminada com o advento da migração para as novas tecnologias, com resultados desastrosos para o meio ambiente. Por isso, é necessário reutilizar, sempre que possível, produtos e embalagens que possam ser reutilizadas.
Por exemplo, dar preferência às embalagens retornáveis em detrimento das descartáveis. Cada produto ou objeto deve ser avaliado a partir das suas possibilidades de reutilização. Ao invés de colocar no lixo os livros didáticos que seu filho utilizou no ano passado, doe para alguma criança que está entrando na série correspondente.
Reciclar – Se não for possível reutilizar uma embalagem ou objeto,
devemos verificar as possibilidades de transformá-los em novos produtos ou matérias-primas. Isso é reciclagem. A reciclagem depende de outra ação que requer um alto nível de conscientização, que é a coleta seletiva.
Nela, acontece a separação dos resíduos que podem ser reciclados, dando a correta destinação para o lixo seco (que pode ser reciclado) e para o orgânico (que deve ir para a compostagem para se transformar em adubo orgânico). É possível reciclar o papel, o plástico, o vidro, o alumínio, entre
outros resíduos, para a produção de novos itens com esses materiais ao invés de retirar essa matéria-prima da natureza.
4.2 – A importância de diminuir o consumo de água
A Organização Mundial da Saúde (OMS) estabeleceu que o volume ideal de água potável a ser consumido por uma pessoa por dia é de, no máximo, 50 litros, sem comprometimento da sua qualidade de vida e da sua saúde.
No entanto, estimativas apontam que os brasileiros e os canadenses consomem, respectivamente, 200 litros e 600 litros de água potável diariamente, ao passo que 1,5 bilhão de pessoas sobrevivem sem água potável em todo o planeta.
Charge do cartunista israelense Yuri Ochakovsky
A escassez cada vez maior dos recursos hídricos tem provocado o debate acerca de medidas para racionalizar o consumo, evitando a falta de água potável suficiente para suprir a humanidade em um futuro muito próximo.
Não faltam seminários, congressos, estudos e levantamentos sobre o esgotamento das reservas de água potável num curto prazo, bem como as ONGs e estudiosos têm alertado que, em breve a água será causa principal de conflitos internacionais.
Em áreas do planeta como a África e o Oriente Médio, são reais os conflitos e as tensões sociais pela posse da água. No Brasil, que detém 12% de toda a água doce superficial do planeta e onde, por isso, os recursos hídricos eram considerados inesgotáveis, são cotidianos os problemas de abastecimento.
Além da desigualdade no abastecimento, outra razão para as tensões é a distância entre as fontes de água potável e os consumidores, como é o
caso de algumas cidades americanas onde o abastecimento depende até da neve derretida no estado do Colorado.
Em outros locais, a degradação dos rios deixa grandes concentrações populacionais a mercê do abastecimento vindo de outras localidades. Este é o caso de São Paulo que, cidade que é banhada por vários rios de águas que não servem para o abastecimento, e é obrigada a buscar água em locais distantes ou a alterar trajetórias de rios pra suprir a distribuição de água.
Nos últimos 10 anos, o volume de água distribuída aos brasileiros apresentou um crescimento de 30%. Em contrapartida, a totalidade de água sem tratamento praticamente dobrou, saltando de 4% para 7,5%. Mas o indicador que mais chama a atenção é o relativo ao desperdício: nada menos que 45% do volume de água distribuída pelos sistemas públicos de abastecimento.
A poluição e o uso inadequado são os principais responsáveis pelo comprometimento dos recursos hídricos em todo o país, que é o maior reservatório hídrico em rios do planeta.
Como já citamos anteriormente, o Brasil dispõe de cerca de 12% de toda a água doce do planeta em seus rios e em seu território está localizado o maior rio do globo em termos de extensão e volume de água, que é o rio Amazonas.
Mais de 90% do território do país recebe grande volume de chuvas durante o ano e suas características climáticas e geológicas favorecem a formação de uma enorme cadeia de rios. O problema do país, portanto, não é a falta de recursos hídricos, mas a distribuição desses recursos.
As regiões com reduzida taxa de concentração populacional como a Amazônia detêm quase 80% de toda a água de superfície do país. Em contrapartida, o Sudeste, que concentra população mais densa conta com apenas 6% desses recursos.
De toda a água existente no planeta, somente 2,5% são de água doce. Esse estoque seria suficiente para suprir até sete vezes o mínimo necessário para o consumo de cada habitante, mas ocorre que somente 0,3% desse percentual estão concentrados em rios e lagos com livre acesso para o consumo.
O restante, 2,2%, estão nos lençóis freáticos e nos aquíferos subterrâneos, nas calotas polares, nas geleiras e na neve permanente existente no topo das montanhas de grande altitude, bem como nos pântanos.
Na prática, a escassez ocorre pela distribuição de forma desigual, pelo aumento do consumo e do desperdício e ainda pela degradação da
qualidade da água, especialmente nas áreas de grande concentração populacional, industriais e também na agricultura.
O uso de defensivos agrícolas e adubos químicos e orgânicos atingem os reservatórios de água doce, deteriorando a qualidade da água e comprometendo a saúde da população.