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Fonte: Leão (2005) 44.

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Disponível em: <http://www.jornalcana.com.br/com-crise-da-cana-dedini-muda-o-foco/>. Acesso em 16 abr, 2015.

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Disponível em: <http://exame.abril.com.br/revista-exame/edicoes/890/noticias/a-fabrica- de-usinas-m0125977>. Acesso em 16 abr. 2015. Em relação ao valor de uma usina, os dados foram atualizados conforme o relatório do BNDES Setorial intitulado: “Bens de capital para o setor sucroenergético: a indústria está preparada para atender adequadamente a novo ciclo de investimentos em usinas de cana-de-açúcar?” (VALENTE, et al. 2013).

44 Do outro lado da rodovia, que passa em frente ao prédio da Dedini “Indústrias de Base” (SP-127), localiza-se o recente barracão da fundição da empresa que, segundo a mesma, é a maior fundição de peças metálicas da América Latina. O prédio foi construído por volta de 2004, a partir de financiamento do BNDES e contou com a presença do ex-presidente Luis Inácio Lula da Silva em sua inauguração.

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Quanto aos equipamentos e serviços em que a empresa não possui o know-

how ou que é mais rentável a elaboração por parte de uma firma terceira, o Grupo

Dedini S/A contrata o respectivo serviço e, assim, estabelece seus círculos de cooperação com outras empresas, ilustrado na página a seguir, no Organograma 2.3.

Organograma 2.3. Círculos de cooperação do Grupo Dedini 45

Fonte: APLA, Prefeitura de Piracicaba (Sistema Integrado de Administração Tributária) e entrevistas com agentes do setor, 2015.

Os círculos de cooperação do Grupo Dedini com outras empresas funciona por diversas frentes. Primeiramente, após o grupo usineiro contratar a construção de uma usina pela Dedini e definir o projeto de engenharia, inicia-se o planejamento das atividades de produção. Além da produção interna de equipamentos, a Dedini inicia também a contratação de outras empresas.

Nesta fase, caracterizada pela terceirização de atividades, há uma séria de etapas, que vão desde a contratação de: 1) construtoras (como a Reynold e a Engtro) que se utilizam de novas empresas terceirizadas para montagens industriais (como a Montmax e a Cemotec) e para os aços da construção civil (distribuídos pela

45 Novamente lembramos que, quando mencionamos “Grupo Dedini”, referimo-nos ao grupo de empresas composto por: Dedini S/A Indústrias de Base (DIB), Dedini S/A Administração e Participações (DDN), Dedini S/A Equipamentos e Sistemas (DES), Dedini Refratários Ltda (DRE) , Codismon Metalúrgica Ltda (CMO), entre outras (vide “Organograma 2.1.”).

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Manetoni e produzidos pela ArcellorMittal); 2) produtoras de equipamentos, os quais a Dedini não produz internamente (que são fornecidos por industrias como Mausa, General Chains, Turbimaq, CSJ, Tecnal, etc.) e outros componentes (produzidos pela Mantoni, Equipe, Fazanaro, SMV Válvulas, etc.); 3) empresas especializadas na eletrificação industrial (como Rigava e Tecnoreal); 4) serviços de consultoria técnica, financeira e jurídica (de empresa como a Sucral, o PECEGE e a Simetrans); 5) transporte dos equipamentos, realizado por meio de transportadoras (como Lubiani e Supricel); e 6) estabelecimento de convênios para pesquisa e desenvolvimento com a Fermentec, com o Centro de Tecnologia Canavieira e, também, com a FAPESP.

Assim, com base no exposto, que se tratou de ampla exposição detalhada sobre a composição do setor de bens e serviços oferecidos ao setor sucroenergético, situados na cidade de Piracicaba (SP), podemos passar para o capítulo seguinte, onde analisaremos as consequências da centralização do capital, em curso no setor sucroenergético brasileiro, para o referenciado circuito produtivo.

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C

APÍTULO

3

C

ONSOLIDAÇÃO DO SETOR SUCROENERGÉTICO BRASILEIRO

(

VIA CENTRALIZAÇÃO DO CAPITAL

)

E A CRISE NA PRODUÇÃO DE EQUIPAMENTOS

“Never let a good crisis go to waste!” 46

A epigrafe deste capítulo, escrita acima, é um velho jargão capitalista, já mencionada por Winston Churchill e Rahm Emmanuel 47, que fazemos referência para introduzir, criticamente, as atuais transformações no setor sucroenergético brasileiro.

O setor passa pela seguinte situação: enquanto alguns grupos usineiros faliram, pararam a produção ou entraram em recuperação judicial, outros grandes grupos capitalistas aproveitaram essa desvalorização do capital do setor para engendrar fusões e aquisições. Em outras palavras: “não deixaram uma boa crise ir

para o lixo” e centralizaram capital.

Introdutoriamente, consideramos elencar algumas questões referenciais que darão sentido a esse capítulo. Primeiro, apresentamos a seguinte discussão: o que está ocorrendo no setor sucroenergético brasileiro? A falência de muitas usinas no Brasil (e a compra das mesmas por outros grupos capitalistas) representa apenas uma “crise”, decorrente apenas de “más escolhas” do Poder Executivo Federal, como classifica a União da Indústria de Cana de Açúcar (UNICA), ou trata-se de um processo de consolidação do setor sucroenergético brasileiro?

Para nós, “as atuais transformações no setor sucroenergético” devem ser classificadas da mesma maneira como foram classificados outros fenômenos histórico-econômicos semelhantes, isto é, com o conceito de “consolidação de setores da economia”. Sabemos que o fenômeno de “consolidação de setores” já ocorreu em outras áreas industriais globais (como a automobilística, a farmacêutica,

46 Tradução para o português: “Nunca deixe uma boa crise ir para o lixo!”. 47

Rahn Israel Emmanuel é o atual prefeito da cidade de Chicago (Illinois – EUA). Congressista influente do Partido Democrata Estadunidense foi presidente do comitê de campanha para a eleição de Barack Obama (em 2008) e ocupou o cargo de Chefe de Gabinete da Casa Branca, entre os anos de 2009 e 2010.

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etc), quando grandes grupos econômicos foram liquidando (centralizando capital) outros grupos econômicos menores, incapazes de resistir às crises do capitalismo.

Entendemos que, de qualquer maneira, o entendimento do fenômeno de “consolidação do setor sucroenergético brasileiro” passa pela análise do “jogo do perde e ganha monopolista”, ou seja, da compreensão do fenômeno da centralização do capital, onde um capitalista expropria o outro (SMITH, N. 1988; MARX, 2013).

Abordaremos essa problemática no decorrer deste capítulo, seguindo nosso corpo teórico de referência, isto é: partiremos da compreensão de que a consolidação do setor sucroenergético é impulsionada pela ótima situação deste mercado para as grandes corporações de comercialização agrícola, que o adentram aniquilando antigos grupos capitalistas desvalorizados pela crise, os quais não se adaptaram às constantes mudanças de ordem política, econômica, geográfica e organizacional do setor.

A característica central da atual centralização do capital, realizada no setor sucroenergético brasileiro é a liderança tomada por grandes conglomerados internacionais (grandes agroindústrias e petroleiras), com grande poder de comando na dinâmica econômica mundial, tornando evidente que o controle da produção de açúcar e etanol é estratégico mundialmente.

Ainda no interior do capítulo, adentraremos a questão de como o atual processo de consolidação do setor sucroenergético brasileiro, impulsionado pela centralização do capital, ganhou novo impulso com a chamada “crise do setor pós 2008”. E, assim, chegando próximo da parte conclusiva do capítulo, especificaremos nossa análise entendendo como o processo de consolidação do setor (impulsionado pela centralização do capital) afetou um dos seus principais circuitos produtivos subsidiários do setor, isto é, a indústria de equipamentos para as usinas.

A partir disso, na parte conclusiva do capítulo, analisaremos a “recorrente crise” da principal indústria de bens de capital do setor, o Grupo Dedini. A “história do presente” (SANTOS, 2009) desta indústria – que, outrora, foi uma “grande indústria nacional” – esclarece o quão se tornam vulneráveis os circuitos econômicos regionais dependentes do mercado global de commodities.

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3.1. Centralização do capital e imperativo da competitividade na agroindústria canavieira brasileira

O principal objetivo da primeira parte do capítulo é realizar uma crítica ao discurso dos representantes do setor sucroenergético brasileiro (essencialmente da UNICA48) de que o setor está passando por uma crise econômica aprofundada por, apenas, “más escolhas” governamentais. Nossa argumentação direciona-se em sentido oposto, compreendemos que as transformações no setor sucroenergético estruturam-se a partir de um processo mais amplo de centralização do capital, isto é, que se direciona por meio de aquisições e fusões entre empresas.

O setor sucroenergético passou por diversas transformações ao longo da década de 2000. Essas transformações se relacionam com alguns eventos importantes, como: 1) o aumento do preço do açúcar no mercado internacional a partir de 2004, fruto do acordo da Organização Mundial do Comércio (OMC) que vetou subsídios aos produtores de açúcar em países desenvolvidos; 2) a popularização, no Brasil, dos motores flexfuel, em 2003, que aumentou a demanda doméstica por etanol; 3) o forte incentivo estatal ao setor, fruto dos empréstimos do Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), principalmente, a partir de 200749.

Outro evento importante, ocorrido durante a década de 2000, foi a denominada “crise de 2008”. A partir dela, mesmo com o aumento do preço do açúcar no mercado internacional (que alcançou um pico histórico em 2010, conforme aponta o Gráfico 3.1.), reduziu-se a capacidade de crédito bancário ao setor, o que impediu a rolagem de dívidas dos usineiros, ampliando a inadimplência e, assim, gerando o efeito “bola de neve”, que levou muitos grupos sucroenergéticos a fecharem unidades, falirem ou solicitarem recuperação judicial.

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União da Indústria de Cana de Açúcar. 49

O economista Pedro Ramos, especialista em análises sobre a agroindústria canavieira brasileira, apontou (em artigo publicado em 2011) a dependência histórica do setor sucroenergético com relação aos empréstimos estatais (muito anteriores aos atuais desembolsos do BNDES). A situação, abordada de maneira crítica, evidencia que antigos empréstimos se tornaram dívidas históricas do setor para com a União Federal e, segundo os dados apontados pelo autor, essa situação permanece na atualidade.

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Gráfico 3.1. Açúcar: variação do preço anual (1985 a 2014) (Unidade: centavos de dólar (US$) por libra de peso)

Fonte: IndexMundi, 2015. 50

Devido à ocorrência deste último evento (a crise mundial de 2008), é necessário dividir os fatos recentes do setor em dois períodos: o “anterior a 2008” e o “pós-2008”. Em suma, a nova trajetória do setor, “pós 2008”, não significou a redução na produção de açúcar ou etanol (que continuaram crescendo), como também não significou a diminuição dos empréstimos do BNDES ao setor (que, inclusive, atingiram o pico mais alto no ano de 2010, conforme aponta o “Gráfico 3.2.”). Mas significou, sim, um aprofundamento do processo de centralização do capital (conforme aponta o “Gráfico 3.3.” que ilustra as fusões e aquisições no setor, entre 1996 e 2014).

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Disponível em: <http://www.indexmundi.com/pt/pre%C3%A7os-de-mercado/?mercadoria= a%C3%A7%C3%BAcar&meses=360>. Acesso em: 05 Jan de 2015.

5,32 5,7 8,3 11,22 13,43 9,74 9 8,15 10,52 14,67 12,31 10,74 12,33 8,08 5,98 9,72 7,41 7,51 6,34 8,8 13,93 11,7 10,45 11,32 24,9 28,04 23,42 19,2 16,54 14,99 0 5 10 15 20 25 30 De z-8 5 De z-8 6 De z-8 7 De z-8 8 De z-8 9 De z-9 0 De z-9 1 De z-9 2 De z-9 3 De z-9 4 De z-9 5 De z-9 6 De z-9 7 De z-9 8 De z-9 9 De z-0 0 De z-0 1 De z-0 2 De z-0 3 De z-0 4 De z-0 5 De z-0 6 De z-0 7 De z-0 8 De z-0 9 De z-1 0 De z-1 1 De z-1 2 De z-1 3 De z-1 4

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Gráfico 3.2. BNDES: desembolsos para o setor sucroenergético, em milhões de reais (1999-2015)

Fonte: Informes BNDES (2015) 51

A nova trajetória tomada pelo setor, a partir de 2009, significou, como já referenciado, um aprofundamento do processo de centralização do capital no segmento agroindustrial do setor sucroenergético. Essa centralização, levada a cabo por grandes corporações de comercialização agrícola (nacionais e internacionais) impulsionou o atual processo que chamamos de consolidação do setor sucroenergético brasileiro.

A consolidação do setor sucroenergético brasileiro, via centralização do capital, é melhor compreendida quando visualizamos o Gráfico 3.3 sobre fusões e aquisições entre 1996 e 2015.

51 Inflação corrigida pelo Índice de “Preços ao Consumidor Amplo (IPCA-E)” na “Calculadora do Cidadão” do Banco Central do Brasil, tomando como base os índices do mês de dezembro de cada ano e, como valor final da moeda, o mês de dezembro de 2015.

0,00 2.000.000.000,00 4.000.000.000,00 6.000.000.000,00 8.000.000.000,00 10.000.000.000,00 12.000.000.000,00

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Gráfico 3.3. Setor Sucroenergético: Fusões e Aquisições (1996-2014)

Fonte: KPMG (2015) 52

Com base no exposto, é esclarecedor constatar que o ano de 2010, onde houve o maior financiamento público para o setor (mais de R$ 10 bilhões), via BNDES, foi também o ano de maior ocorrência de fusões e aquisições (26 ocorrências). Sobre isso, é importante resgatar a compreensão do conceito de centralização do capital, em Marx (2013, p. 563), quando o autor analisa o vínculo entre a concorrência intercapitalista, o acesso ao crédito e a centralização do capital:

(...). A concorrência aflora ali na proporção direta da quantidade e na proporção inversa do tamanho dos capitais rivais. Ela termina sempre com a ruína de muitos capitalistas menores, cujos capitais em parte passam às mãos do vencedor, em parte se perdem. Abstraindo desse fato, podemos dizer que, com a produção capitalista, constitui-se uma potência inteiramente nova: o sistema de crédito, que em seus primórdios insinua-se sorrateiramente como modesto auxílio da acumulação e, por meio de fios invisíveis, conduz às mãos de capitalistas individuais e associados recursos monetários que se encontram dispersos pela superfície da sociedade em massas maiores ou menores, mas logo se converte numa arma nova e temível na luta concorrencial e, por fim, num gigantesco mecanismo social para a centralização dos capitais.

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Compreendemos que uma maneira interessante de melhor caracterizar as fusões e aquisições no setor seria qualificá-las por cada operação individualmente, identificando cada agente envolvido e o valor de cada transação. Entretanto, dados aos objetivos de nossa dissertação, não empreendemos tal tarefa. Esta, por sua vez, poderá ser realizada em outras pesquisas que visem melhor caracterizar essa situação. Um trabalho interessante sobre o tema é o de Borges & Costa (2013).

1 1 3 2 7 11 9 5 5 8 9 25 14 13 26 15 10 7 4 0 5 10 15 20 25 30

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As piores consequências da centralização do capital no segmento agroindustrial do setor sucroenergético brasileiro podem ser verificadas pela interrupção das atividades (por fechamento, falência ou recuperação judicial) de mais de 80 usinas, entre 2008 e 2014 (DATAGRO, 2015)53. Isto demonstra, novamente (assim como mencionamos na epígrafe deste capítulo) que “não há nada melhor do que uma boa crise” para acirrar a competição capitalista, intensificar o movimento de centralização de capital (onde um capitalista expropria outro capitalista) e “consolidar” grupos hegemônicos no comando de determinado setor da economia.

Segundo Borges e Costa (2013), com referência nos dados da KPMG (empresa de consultoria internacional), entre 1995 e 2011, foram registradas um total de 79 fusões e aquisições no setor sucroenergético. Deste total, 35 foram domésticas e 40 foram fusões e aquisições de empresas nacionais por empresas estrangeiras, o que denota também um processo de estrangeirização do setor 54. As principais compradoras foram Cosan, com 15 operações, seguida do Grupo José Pessoa com oito operações, depois pela Louis Dreyfus Commodities e pela Tereos (ambas as empresas francesas), com cinco operações cada, os demais casos envolvem no máximo duas ou três operações.

A centralização do capital no setor sucroenergético ganhou contornos notáveis na década de 2000, com o aumento da demanda por açúcar, com a criação dos carros flexfuel e com o crédito desembolsado pelo BNDES. Essa correlação de fatos, altamente favoráveis, atraiu a entrada de grandes corporações internacionais no setor, algumas delas dedicadas ao comércio de commodities (tradings) e empresas petroleiras 55.

Sobre a formação de oligopólios no segmento agroindustrial do setor sucroenergético, há certa bibliografia que possui a argumentação de que, apesar do processo de centralização estar em corrente aprofundamento, a estruturação atual

53

Disponível em: <http://www.novacana.com/n/industria/usinas/datagro-83-usinas-cana- encerraram-atividades- anos-290115/>. Acesso em: 08 de jul. 2015.

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Outras quatro ocorrências foram de empresas de participação mista (entre empresários nacionais e internacionais).

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A participação estrangeira na produção de açúcar no Brasil inicia-se em 1995, com a entrada do Balli Group (trading de capital inglês e iraniano), mas o marco fundamental do início da compra de usinas no país é o ano 2000, quando a Louis Dreyfus Commodities (LDC) e a Tereos (antiga Béghin-Say) compram unidades produtivas no país (BORGES; COSTA, 2013; SIQUEIRA; JUNIOR, 2011).

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do segmento agroindustrial do setor sucroenergético, ainda, constitui-se pulverizada. Uma das pesquisas que disserta sobre isso é a de Siqueira e Junior (2010), quando (com dados até 2009) demonstram que o segmento agroindustrial do setor sucroenergético ainda é pulverizado por um conjunto amplo de empresas (não conformando oligopólios), algo que é totalmente diferente do segmento de distribuição dos combustíveis, por exemplo, onde, segundo os autores, o mercado é oligopolizado.

A problemática desse argumento é o fato de que os dados apresentados pela pesquisa de Siqueira e Junior (2010) correspondem até o ano de 2009 e, como sabemos, foi, justamente, após este ano que ocorreu uma grande derrocada de grupos, com o fechamento de mais de 80 usinas – como demonstram os dados da Datagro (2015)56. É neste ponto que discordamos da argumentação de Siqueira e Junior (2010) e entramos em acordo com Borges e Costa (2010), Pitta, et al. (2014) e Bellentani (2014) que argumentam que a centralização no setor vem ocorrendo de maneira progressiva, e, em seus casos mais evidentes, representa a entrada de capital estrangeiro no setor.

O capital estrangeiro, representado especialmente pelas grandes tradings e petroleiras, adentra o setor comprando o controle acionário majoritário de antigos grupos usineiros, endividados após a crise de 2008. Um exemplo desse fenômeno foi a formação do grupo “Biosev” em 2009, que se fundiu a partir da compra de 60% das ações do grupo Santelisa Vale (segunda maior produtora de cana-de-açúcar do Brasil e, na época, propriedade da família Biagi) pelo grupo Louis Dreyfus Commodities 57.

Sobre o endividamento do setor sucroenergético, após a “crise de 2008”, concordamos com os esclarecimentos feitos pela Rede Social de Justiça e Direitos Humanos (MENDONÇA; PITTA; XAVIER; 2012, p. 4) quando afirmam que as principais dívidas do setor foram contraídas por meio de especulações financeiras mal sucedidas em derivativos cambiais, como descrito abaixo:

56

Disponível em: <http://www.novacana.com/n/industria/usinas/datagro-83-usinas-cana- encerraram-atividades-anos-290115/>. Acesso em: 29 de Dez. 2015.

57

Disponível em: <http://www.estadao.com.br/noticias/geral,grupo-dreyfus-fica-com-60-da- santelisa-vale,456798> Acesso em: 29 de Dez. 2015.

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Diversas usinas tomaram empréstimos baratos em dólar, aproveitando a valorização do real, para especular com derivativos cambiais. Com a reversão dessa tendência e a valorização do dólar em relação à moeda brasileira, muitas usinas quebraram. O setor somou um prejuízo de mais de R$4 bilhões. As empresas deixaram de investir, por exemplo, na renovação de canaviais, tratos culturais e adubação para manter a elevação dos níveis de produtividade.

A informação acima é confirmada por diversas pesquisas que evidenciam uma enorme quantidade de especulações em derivativos cambiais realizadas por empresas não financeiras brasileiras, entre 2003 a 2008, como demonstram os estudos de Lopes, Schiozer & Sheng (2013) e de Perera, Neto & Alves (2011). Os casos mais populares foram os dos grupos Sadia e Aracruz (devido ao montante de capital subtraído), mas, esse tipo de prática especulativa, altamente utilizada na década de 2000, atingiu diversos circuitos produtivos brasileiros e, obviamente, a agroindústria canavieira.

Dentre os principais grupos estrangeiros, por ordem de poder econômico, que adentraram o setor sucroenergético brasileiro na década de 2000, estão: 1) Royal Dutch Shell, que entrou no setor a partir de uma joint-venture com a Cosan, criando a Raízen, o maior grupo do setor, controlador de 24 usinas 58; 2) Louis Dreyfus Commodities (LDC – França), controladora de doze usinas da Biosev, segunda maior empresa do setor, com 7% da produção no Brasil; 3) Tereos Internacional (França) controladora do Grupo Açúcar Guarani S/A, com sete usinas no país, terceira maior produtora de cana-de-açúcar no Brasil; 4) Bunge (EUA), que se inseriu no ramo canavieiro do Brasil em 2007, com uma estratégia de aquisições de empresas já estabelecidas, controlando sete unidades processadoras atualmente; 5) Noble Group (China), que iniciou suas atividades no Brasil em 2004, possuindo o controle de duas usinas no estado de São Paulo (na região de São José do Rio Preto), apresentando uma capacidade de moagem de 17 milhões de toneladas por safra; 6) Renuka do Brasil (Índia), que passou a atuar no Brasil em 2010, controlando quatro usinas (duas no Paraná e duas em São Paulo), com capacidade

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A Raízen S/A pode ser considerada de propriedade mista, pois é uma joint-venture com 50% de capital nacional, da Cosan, de Rubens Ometto e 50% estrangeira, da petroleira Royal Dutch Shell. Entretanto, como já mencionamos, o contrato prevê que a Shell poderá comprar 100% das ações da Cosan até 2025. Mais informações podem ser consultadas em: ONAGA, M. Adeus, etanol, diz Rubens Ometto. Energia, Revista Exame, 16 Mai. 2012. Disponível em: <http://exame.abril.com.br/revista-exame/edicoes/1016/noticias/adeus- etanol-diz-rubens-ometto >. Acesso em: 22 Dez. 2015.

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para a moagem total de 13 milhões de toneladas (OLIVEIRA, 2012; BORGES; COSTA, 2013; PITTA, et al. 2014; BELLENTANI, 2014).

Além das corporações citadas acima, ainda existem outras conglomerados com produções menores, mas com capacidade para realizar novas aquisições e centralizar capital, como: BP Biofuels (Inglaterra); Cargill (EUA); Abengoa (Espanha); Adecoagro (Luxemburgo); Archer Daniels Midland Company (ADM – EUA); UMOE Bioenergy (Noruega); Clean Energy Brazil (CEB - Inglaterra); Glengore (Suiça); Sonora Estancia (Itália); Comanche Clean Energy (EUA); Colgua (Colômbia/Guatemala); Vancouver Renewable Energy (VREC – Canadá) (BELLENTANI, 2015).

Além desses grupos estrangeiros, ainda existem grupos nacionais que, segundo Oliveira (2012) e Bellentani (2014), também “territorializam monopólios” na produção de açúcar e etanol no Brasil, como: Aralco, Balbo, Batatais, Bertolo; Clealco, Cocal, Colombo, Diné, Furlan, Irmãos Toniello, Itamarati, Bertin (com 30% da Infinity Bioenergy) Lincoln Junqueira, Moreno, Noble, Odebrecht (com participação de 30% da Sojitz, do Japão), Pedra Agroindustrial, Ruerte, Santa Adélia, Santa Isabel, São Martinho, Titoto, Tonon, UJS, Virgolino de Oliveira, e Zilor.

Com a capitalização do setor, a produção de cana-de-açúcar aumentou significativamente no início de século XXI. A produção que registrou no ano safra 2000/2001, a quantidade de 254,9 milhões de toneladas colhidas, tem a previsão de colher, na safra 2015/2016, mais de 650 milhões de toneladas – um crescimento de mais de 150% em quinze anos. Tal expansão, quando transposta para a produção de açúcar e etanol, representa um aumento de mais de 120% na produção de